Harry Potter
E O PRISIONEIRO DE AZKABAN
Joanne K. Rowling

Traduo: Lia WYLER

Ttulo original: HARRY POTTER and the Prisoner of Azkaban



Para Jli Prewett e Ame Kiely as avs do Swing.


SUMRIO

Captulo Um  O Correio-Coruja
Captulo Dois  O Grande Erro de Tia Guida
Captulo Trs  O Nitibus Andante
Captulo Quatro  O Caldeiro Furado
Captulo Cinco  O Dementador
Captulo Seis  Garras e Folhas de Ch
Captulo Sete  O Bicho-Papo no Armrio
Captulo Oito  A Fuga da Mulher Gorda
Captulo Nove  A Amarga Derrota
Captulo Dez  O Mapa do Maroto
Captulo Onze  A Firebolt
Captulo Doze  O Patrono
Captulo Treze  Grifinria Versus Corvinal
Captulo Catorze  O Ressentimento de Snape
Captulo Quinze  A Final do Campeonato de Quadribol
Captulo Dezesseis  A Predio da Prof. Trelawney
Captulo Dezessete  Gato, Rato e Co
Captulo Dezoito  Aluado, Rabicho, Almofadinhas e Pontas
Captulo Dezenove  O Servo de Lord Voldemort
Captulo Vinte  O Beijo do Dementador
Captulo Vinte e Um  O Segredo de Hermione
Captulo Vinte e Dois  Novo Correio-Coruja








CAPTULO UM
O Correio-Coruja

Harry Potter era um menino bastante fora do comum em muitas coisas. Para comear, ele detestava as frias de vero mais do que qualquer outra poca do ano. Depois,
ele realmente queria fazer seus deveres de casa, mas era obrigado a faz-los escondido, na calada da noite. E, alm de tudo, tambm era bruxo.
Era quase meia-noite e Harry estava deitado de bruos na cama, as cobertas puxadas por cima da cabea como uma barraca, uma lanterna em uma das mos e um grande
livro encadernado em couro (Histria da Magia de Batilda Bagshot), aberto e apoiado no travesseiro. Harry correu a ponta da caneta de pena de guia pela pgina,
franzindo a testa,  procura de alguma coisa que o ajudasse a escrever sua redao, "A queima de bruxas no sculo XIV foi totalmente despropositada  discuta".
A caneta pousou no alto de um pargrafo que pareceu a Harry promissor. Ele empurrou os culos redondos para a ponta do nariz, aproximou a lanterna do livro e leu:

Os que no so bruxos (mais comumente conhecidos pelo nome de (trouxas) tinham muito medo da magia na poca Medieval, mas no tinhammuita capacidade parareconhec-la.
Nas raras ocasies em que apanhavam um bruxo ou uma bruxade verdade, a sentena de queim-los na fogueira no produzia o menorefeito. O bruxo, oubruxa, executava
um Feitio para Congelar Chamas e depois fingia gritarde dor, enquanto sentia uma cocegazinha suave e prazerosa. De fato,Wendelin a Esquisitagostava tanto de
ser queimada na fogueira que se deixou apanhar nadamenos quequarenta e sete vezes, sob vrios disfarces.

Harry prendeu a caneta entre os dentes e passou a mo embaixo dotravesseiro  procura do tinteiro e de um rolo de pergaminho.
Devagar e com muito cuidado, retirou a tampa do tinteiro, molhoua pena e comeou a escrever, parando de vez em quando para escutar,porque se algum dos Dursley,
a caminho do banheiro, ouvisse sua penaarranhando o pergaminho,ele provavelmente ia acabar trancafiado no armrio embaixo da escada peloresto do vero.
A famlia Dursley, que morava na Rua dos Alfeneiros, 4, era omotivo pelo qual Harry jamais aproveitava as frias de vero. Tio Vlter,tia Petnia e o filhodeles,
Duda, eram os nicos parentes vivos de Harry. Eram trouxas etinham uma atitude muitomedieval com relao  magia. Os pais de Harry, j falecidos, que tinhamsido
bruxos, nunca eram mencionados sob o teto dos Dursley. Durante anos,tia Petnia e tio Vlter tinham alimentado esperanas de que, seoprimissem Harry o mximopossvel,
seriam capazes de acabar com a magia que houvesse nele. Parasua fria, tinham fracassado. Agora, viviam aterrorizados que algumpudesse descobrir queHarry passara
a maior parte dos ltimos dois anos na Escola de Magia eBruxaria de Hogwarts. O mximo que podiam fazer, porm, era trancar oslivros de feitios,a varinha, o
caldeiro e a vassoura de Harry no incio das frias devero e proibir que o menino falasse com os vizinhos.
A separao dos seus livros de feitios tinha sido um verdadeiroproblema para Harry, porque os professores em Hogwarts tinham passadomuitos deveres paraas frias.
Uma redao, particularmente espinhosa, sobre poes redutorasfora pedida pelo professor de quem Harry menos gostava, o Prof. Snape,que ficaria encantadode ter
uma desculpa para castig-lo com um ms de deteno. Por issoHarry tinha aproveitado uma oportunidade que surgira na primeira semanade frias. Quando tioVlter,
tia Petnia e Duda foram ao jardim admirar o novo carro dacompanhia a servio do tio Vlter (em altas vozes para que toda a rua ovisse), Harry desceu silenciosamenteas
escadas, arrombou a fechadura do armrio sob a escada, apanhou algunslivros e os escondeu em seu quarto. Desde que no deixasse manchas detinta noslenisos
Dursley no precisariam saber que ele estava estudando magia  noite.
Harry tomava muito cuidado para evitar problemas com seustios no momento, pois eles j estavam bastante mal-humoradoscom o sobrinho, s porque o menino recebera
um telefonema dede um coleguinha bruxo uma semana depois de entrar em frias.
Rony Weasley, que era um dos melhores amigos de Harry emHogwarts, descendia de uma famlia em que todos eram bruxos.
Isto significava que ele sabia um monto de coisas que Harry desconhecia,mas Rony jamais usara um telefone antes. E, por azar, fora o tio Vlterque atendera aligao.
 Vlter Dursley.
Harry que, por acaso, se achava na sala quela hora, gelou aoouvir a voz do amigo responder.
 AL! AL! EST ME OUVINDO? QUERIA... FALAR COM... O... HARRY... POTTER!
Rony gritou com tanta fora que tio Vlter deu um salto e afastouo fone a mais de um palmo da orelha com uma expresso emque se misturavam a fria e o susto.
 QUEM  QUE EST FALANDO?  berrou ele em direo ao bocal. QUEM  VOC?
 RONY... WEASLEY!  berrou Rony em resposta, como se ele e tioVlter estivessem falando de extremidades opostas de um campo de futebol.
 SOU... UM AMIGO... DE... HARRY... DA ESCOLA...
Os olhinhos de tio Vlter se viraram para Harry, que estavapregado no cho.
 NO TEM NENHUM HARRY POTTER AQUI!  vociferou ele, agorasegurando o fone com o brao esticado, como se receasse que o aparelhopudesse explodir.  NOSEI DE 
QUE ESCOLA VOC EST FALANDO! NUNCA MAIS TORNE A LIGAR PARA C! FIQUE LONGE DA MINHA FAMLIA!
E atirou o fone no gancho como se estivesse se livrando de umaaranha venenosa.
A briga que se seguiu foi uma das piores da vida de Harry.
 COMO  QUE VOC SE ATREVE A DAR ESTE NMERO PARA GENTE COMO...GENTE COMO VOC!  berraratio Vlter, salpicando Harry de cuspe.
Rony obviamente percebera que metera Harry em uma encrenca,porque no telefonou mais. A outra grande amiga de Harry em Hogwarts,Hermione Granger, tampoucoo procurara. 
O menino suspeitava que Rony tinha avisado  amiga para notelefonar, o que era uma pena, porque Hermione, a bruxa mais inteligenteda turma deles,tinha pais trouxas, 
sabia usar o telefone perfeitamente bem eprovavelmente teria o bom senso de no dizer quefreqentava Hogwarts.
Com isso, Harry no ouvira uma nica palavra de nenhum dosseus amigos de bruxaria durante cinco longas semanas, e este vero estavasaindo quase to ruim quanto 
o anterior. Havia apenas uma coisinha quemelhorara  depoisde jurar que no iria usar sua coruja para remeter cartas aos amigos,Harry tivera permisso de soltar 
Edwiges,  noite. TioVlter concordara com isso diante dabarulheira que o bicho aprontava quando ficava preso na gaiola o tempotodo.
Harry terminou de escrever sobre Wendelin a Esquisita e paroumais uma vez para escutar. O silncio da casa s escuras s erainterrompido pelos roncossonoros e 
distantes do seu enorme primo, Duda.
Deve ser muito tarde, pensou Harry. Seus olhos comichavam decansao. Talvez terminasse a redao na noite seguinte...
Ele reps a tampa do tinteiro; puxou uma fronha velha debaixo dacama; guardou dentro a lanterna, a Histria da magia, a redao, a caneta ea tinta; Levantou-seda 
cama e escondeu tudo sob uma tbua solta do soalho debaixo da cama.
Em seguida, ps-se em p, esticou#-see verificou a hora no despertador luminoso sobre amesa-de-cabeceira.
Era uma hora da manh. Harry sentiu uma contrao engraada nabarriga. Fizera treze anos de idade havia uma hora e notinha se dado conta disso.
Mas outra coisa fora do comum em Harry  que ele no ligava nemum pouco para os seus aniversrios. Nunca recebera um carto deaniversrio na vida. Os Dursleyno 
tinham dado a mnima ateno aos dois ltimos e ele no tinha razoalguma para supor que fossem se lembrar deste agora.
Harry atravessou o quarto escuro, passou pela espaosa gaiolavazia de Edwiges e foi abrir a janela. Debruou-se no peitoril, achandogostoso o ar frescoda noite 
que batia em seu rosto depois de ter passado tanto tempo debaixodas cobertas. Fazia duas noites que Edwiges andava fora. Mas Harry noestava preocupado a coruja 
j ficara fora tanto tempo assim antes. Mas o garoto desejouque ela voltasse logo , era a nica criatura na casa que no seesquivava quando o via.
Harry, embora continuasse pequeno e magricela para suaidade, crescera alguns centmetros desde o ano anterior. Seus cabelosmuito pretos, porm, continuavam como 
sempre tinham sido teimosamente despenteados, por mais que ele fizesse. Os olhospor trs das lentes eram verde vivo, e na testa havia, claramente visvelatravs 
dos cabelos, uma cicatriz fina, em forma de raio.
De todas as coisas fora do comum em Harry, essa cicatriz era amais extraordinria de todas. No era, como tinham fingido os Dursley durante dez anos, umalembrana 
do acidente de carro que matara seus pais, porque Llian eTiago Potter no tinham morrido em um acidente de carro. Tinham sidoassassinados, assassinadospelo bruxo 
das trevas mais temido do mundo nos ltimos cem anos, LordVoldemort. Harry escapara desse mesmo atentado com uma simples cicatrizna testa, no lugarem que o feitio 
do bruxo, em vez de mat-lo, tinha se voltado contra oprprio feiticeiro. Quase morto, Voldemort fugira...
Mas Harry voltara a defrontar com ele outra vez em Hogwarts. Aose recordar do ltimo encontro, ali parado  janela escura, Harry teve deadmitir que erauma sorte 
ter chegado ao seu dcimo terceiro aniversrio vivo.
Examinou o cu estrelado  procura de um sinal de Edwiges, voandoao seu encontro talvez com um rato morto pendurado no bico, contandoreceber elogios. Masao olhar 
distraidamente por cima dos telhados, Harry demorou algunssegundos para perceber o que estava vendo.
Recortado contra a lua dourada, e sempre crescendo, vinha umbicho estranhamente torto voando em sua direo. Harry ficou muito quietoesperando o bichodescer. 
Por uma frao de segundo ele hesitou, a mo no trinco da janela,pensando se devia fech-la. Mas, nessa hora o bicho esquisito sobrevoou umlampio da Rua dos Alfeneiros 
e Harry identificando o que era, saltou para o lado.
Pela janela entraram trs corujas, duas delas segurando umaterceira que parecia desmaiada. Pousaram com um rudo fofo na cama domenino e a coruja do meio,que 
era grande e cinzenta, tombou para o lado, imvel. Trazia um grandepacote amarrado s pernas.
Harry reconheceu a coruja desmaiada na mesma hora  seu nome eraErrol e pertencia  famlia Weasley. O menino correu para a cama,desamarrou os barbantesque envolviam 
as pernas de Errol, soltou o pacote e, em seguida, levou acoruja para a gaiola de Edwiges. Errol abriu um olho lacrimejante, deu umpio fraquinhode agradecimento 
e desatou a beber gua em grandes sorvos.
Harry se virou para as corujas restantes. Uma delas, a fmeagrande, branca como a neve, era a sua Edwiges. Ela tambm traziaum pacote e parecia muito satisfeita 
consigo mesma. Deu uma bicadinhacarinhosa em Harry quando ele soltou sua carga, depoissaiu voando pelo quarto para se juntar a Errol.
Harry no reconheceu a terceira coruja, um belo espcime pardo,mas soube imediatamente de onde viera, porque alm detrazer o terceiro pacote, ela trazia uma carta 
com o escudo de Hogwarts.
QuandoHarry acabou de alivi-la de sua carga, ela sacudiu aspenas, cheia de si, abriu as asas e saiu voando pelo cu noturno.
O menino sentou-se na cama e apanhou o pacote de Errol, rasgou o papelpardo e encontrou um presente embrulhado emouro,primeiro carto de aniversrio de sua vida. 
Com os dedos trmulos, eleabriuo envelope. Caram dois papis  uma carta e umrecorte de jornal.
O recorte fora visivelmente tirado do jornal dos bruxos, oProfeta Dirio, porque as pessoas nas fotos em preto e branco estavamse mexendo. Harry apanhou o recorte, 
alisou-o e leu.

FUNCIONRIO DO MINISTRIO DA MAGIA
GANHA GRANDE PRMIO

Arthur Weasley chefe da Seo de Controle do Mau Uso dosArtefatos dos Trouxas no Ministrio da Magia, ganhou o GrandePrmio Anual da Loteria do Profeta Dirio.
A Sra. Weasley, encantada, declarou ao Profeta Dirio:
"Vamos gastar o ouro em uma viagem de frias ao Egito, onde nosso filhomais velho, Gui, trabalha para o Banco Gringotes como desfazedor defeitios.
A famlia Weasley vai passar um ms no Egito, de onde voltar noinciodo ano letivo em Hogwarts, escola que cinco dos seusfilhos ainda freqentam.

Harry examinou a foto em movimento, e um sorriso espalhou-se emseu rosto ao ver os nove Weasley acenando freneticamente paraele, diante de uma enorme pirmide. 
A Sra. Weasley, pequena egorducha, o Sr. Weasley, alto e um pouco careca, os seis filhos efilha, todos (embora a foto em preto e branco no mostrassecom flamejantes 
cabelos vermelhos). Bem no meio da foto seachava Rony, alto e desengonado com o seu rato de estimao,Perebas, no ombro e o brao passado pelas costas da irm, 
Gina. Harryno conseguia pensar em ningum que merecesse maisganhar um monte de ouro do que os Weasley, que eram gentemuito fina e extremamente pobre. Ele apanhou 
a carta de Rony e adesdobrou.

Caro Harry,
Feliz aniversrio!
Olhe, estou muito arrependido daquele telefonema. Esperoque os trouxas no tenham engrossado com voc. Perguntei aopapai e ele acha que eu no devia ter gritado.
O Egito  incrvel. Gui nos levou para ver os tmulos e voc noia acreditar nosfeitios que os velhos bruxos egpcios lanavam neles. Mame no quisdeixara 
Gina ver o ltimo. S continha esqueletos mutantes de trouxas queviolaram o tmulo e acabaram com duas cabeas e outras esquisitices.
Nem consegui acreditar quando o papai ganhou a Loteria do ProfetaDirio. Setecentos galees! A maior parte foi gasta nesta viagem, maseles vo me compraruma varinha 
nova para o prximo ano letivo.

Harry lembrava-se bem demais do dia em que a velha varinha de Rony separtira. Acontecera quando o carro em que os dois voaram para Hogwartsbatera de encontro auma 
rvore nos jardins da escola.

Estaremos de volta uma semana antes do ano letivo comear evamos a Londres comprar minha varinha e os livros da escola.
Alguma chance de nos encontrarmos l? No deixe os trouxas arrasaremvoc!
Faa uma fora para ir a Londres,Rony.
P.S. Percy agora  monitor-chefe. Recebeu a carta denomeao na semana passada.

Harry tornou a admirar a foto. Percy, que estava no stimo e ltimo anoem Hogwarts, parecia muito cheio de si. Prendera o distintivo de monitor chefeno fez queusava 
num ngulo elegante sobre os cabelos bem penteados, seus culos dearos de tartaruga faiscavam ao sol do Egito.
Harry voltou ento sua ateno para o presente e o desembrulhou.
Dentro havia um objeto que parecia um pequenino pio devidro. Debaixo, mais um bilhete de Rony.

Harry  Isto  um "bisbilhoscpio" de bolso. Dizem que quando tem algumacoisa suspeita por perto, ele acende e gira.
Gui falou que  porcaria que vendem a bruxosturistas e que no  confivel porque ontem, durante o jantar, ficouacendendo o tempo todo. Masele no percebeu que 
Fred e Jorge tinham posto besouros na sopa dele.
Tchau,         
Rony.

Harry ps o bisbilhoscpio em cima da mesa-de-cabeceira, onde o pioficou parado, equilibrado sobre a ponta, refletindo os ponteirosluminosos dodespertador. 
Omenino admirou-o feliz por alguns segundos, ento apanhou o pacote queEdwiges lhe trouxera.
Dentro deste tambm havia um presente embrulhado, um carto e umacarta, desta vez de Hermione.

Caro Harry,
Rony me escreveu contando o telefonema que deu para o seutio Vlter. Espero que voc esteja bem.
Estou de frias na Frana neste momento e no sabia como iamandar o meu presente para voc  e se eles abrissem o pacote naalfndega?, mas ento a Edwigesapareceu! 
Acho que ela queria garantir que voc recebesse alguma coisa noseu aniversrio, para variar comprei o seu presente pelo reembolso coruja; vi um annciono Profeta 
Dirio (mandei entregar o jornal no meu endereo de frias; to bom continuar em dia com o que est acontecendo no mundo dos bruxos).
Voc viu a fotode Rony com a famlia que saiu no jornal na semana passada? Aposto que eleest aprendendo um monte de coisas. Estou com inveja  os bruxos do Egitoantigo 
so fascinantes.
Aqui tambm tem histrias de bruxaria locais interessantes.
Reescrevi todo o meu trabalho de Histria da Magia para incluir algumascoisas que descobri.
Espero que no fique grande demais so dois rolos de pergaminho a mais do que o Prof. Binns pediu. Rony dizque vai a Londres na ltima semana de frias. Voctambm 
vai poder ir? Ser que sua tia e seu tio vo deixar? Esperorealmente que possa. Se no, a gente se v no Expresso de Hogwarts no dia1 de setembro!
Afetuosamente,
Hermione.
P.S. Rony contou que Percy virou monitor-chefe. Aposto como eleest realmentesatisfeito. Quem no parece ter gostado  o Rony.

Harry deu risadas enquanto punha a carta de Hermione de lado e apanhava opresente. Era muito pesado. Conhecendo a amiga, ele teve certeza de que seria umlivrocheio 
de feitios complicados, mas no era. Seu corao deu um enormesalto quando ele rasgouo papel de embrulho e viu um belo estojo de couro preto, com dizeresem letras 
prateadas: Estojo para manuteno de vassouras.
 Uau, Hermione!  exclamou Harry baixinho, abrindo o estojopara ver dentro.
Havia um frasco grande de lquido para polir cabos, uma tesouraprateada e reluzente para aparar cerdas, uma pequenabssola para prender na vassoura emviagens 
longas e um manual Faa a manuteno da sua vassoura.
 exceo dos amigos, o que Harry mais sentia falta de Hogwartsera o Quadribol, o esporte mais popular do mundo mgico  extremamentearriscado, muito excitante,que 
se jogava montado em uma vassoura. Harry, por acaso, era um timojogador de Quadribol: fora o menino mais novo do sculo a ser escolhidopara um timeda casa em 
Hogwarts. Uma das coisas que Harry mais prezava navida era sua vassoura de corrida, uma Nimbus 2000.
Harry ps o estojo de couro de lado e apanhou o ltimo embrulho.
Reconheceu os garranchos no papel pardo do embrulho na mesma hora: eramde Hagrid, o guarda-caade Hogwarts. Ele rasgou o papel de embrulho externo e viu um pedacinho 
dealguma coisa em couro verde, mas antes que conseguisse desfaz-lodireito, o embrulho estremeceude um modo estranho e o que havia dentro se fechou com um estalo 
 comose a coisa tivesse mandbulas.
Harry congelou. Sabia que Hagrid jamais lhe mandaria uma coisaperigosa de propsito, mas, por outro lado, seu amigo no tinha a visode uma pessoa normalsobre 
o que era perigoso. Todos sabiam que Hagrid j fizera amizade comaranhas gigantescas, mas nocivas, com ces de trs cabeas dados porgente que eleencontrara em 
bares, e contrabandeara ovos de drago, um bicho ilegal,para dentro da cabana em que morava.
Harry cutucou o embrulho, nervoso. A coisa tornou a se fechar comrudo, O garoto apanhou o abajur na mesa-de-cabeceira, agarrou-o comfirmeza com uma dasmos e 
ergueu-o acima da prpria cabea, pronto para desferir umapancada. Ento agarrou o resto do papel de embrulho com a outra mo epuxou.
E a coisa caiu  um livro. Harry s teve tempo de reparar na belacapa, adornada com um ttulo dourado, O Livro Monstruoso dos Monstros,antes do livro virarde 
lombada e comear a correr pela cama como um caranguejo esquisito.
 Ah, ah  gemeu Harry.
O livro caiu da cama com um barulho metlico e arrastou-serpido pelo quarto. O menino o seguiu furtivamente. O livro foi seesconder no espao escuroembaixo da 
escrivaninha. Rezando para os Dursley no terem acordado,Harry ficou de quatro e tentou apanh-lo.
 Ai!
O livro se fechou sobre sua mo e se afastou do menino sesacudindo e andando adernado sobre as capas.
Harry saiu correndo, ainda agachado, e se atirou para frenteconseguindo achatar o livro. Tio Vlter soltou um grunhido sonolento ealto no quarto ao lado.
Edwiges e Errol observaram com interesse quando Harry abraou comfora o livro que se debatia, correu at a cmoda e pegou um cinto, comque o amarrou firmemente.
O livro monstruoso estremeceu de raiva, mas no conseguiu mais se agitare morder, ento Harry atirou-o na cama e apanhouo carto de Hagrid.

Caro Harry,
Feliz aniversrio.
Achei que isto pudesse lhe ser til no ano que vem.
No vou dizer mais nada aqui. Conto quando a gente se encontrar.
Espero que os trouxas estejam tratando voc bem.
Tudo de bom, 
Hagrid.

Pareceu a Harry um mau agouro que Hagrid pudesse achar que um livro quemorde tivesse utilidadefutura, mas ps o carto do amigo ao lado do de Rony e Hermione,sorrindo 
mais satisfeito do que nunca. Agora s sobrava a carta deHogwarts.
Reparando que era bem mais grossa do que de costume, Harryabriu o envelope, puxou a primeira pgina do pergaminho de dentro e leu:

Prezado Sr. Potter,
Queira registrar que o novo ano letivo comear em 1 desetembro. O Expresso de Hogwarts partir da estao de King'sCross, plataforma 9 e , s onze horas.
Os alunos de terceiro ano tm permisso para visitar a aldeia deHogsmeade em determinados fins de semana. Assim, queira entregar aautorizao anexa aoseu pai 
ou guardio para que a assine.
Estamos anexando, nesta oportunidade, a lista de livros parao prximo ano.
Atenciosamente, 
Prof. McGonagall 
Vice-Diretora.

Harry tirou do envelope o formulrio de autorizao para ir aHogsmeade e leu-o, mas j no sorria. Seria maravilhoso visitarHogsmeade nos fins de semana; ele sabia 
que era um povoado sde bruxos, em que nunca estivera. Mas como  que ia convencer otio Vlter ou a tia Petnia a assinar o formulrio?
Ele olhou para o despertador. Eram agora duas horas da manh.
Decidindo que se preocuparia com o formulrio de Hogsmeade quandoacordasse, Harry voltou para a cama e se esticou para riscar mais um diano calendrioque fizera 
para contar o tempo que faltava para regressar a Hogwarts.
Tirou ento os culos e se deitou, de olhos abertos, de frente para ostrs cartes de aniversrio.
Mesmo sendo muito fora do comum, naquele momento Harry Potter sesentiu como todo mundo: feliz, pela primeira vez na vida, porque era odia do seu aniversrio.



CAPTULO DOIS
O grande erro de tia Guida

Harry desceu para o caf na manh seguinte e j encontrou os trs Dursleysentados  mesa. Estavam assistindo a uma televiso novinha em folha, umpresente de boas-vindaspara 
as frias de vero em casa de Duda, que andara se queixando, emvrias vozes, sobre a grande distncia entre a geladeira e a televiso dasala. Duda passara amaior 
parte do vero na cozinha, seus midos olhinhos de porco fixos natelinha e sua papada em cinco camadas balanando enquanto ele comia semparar.
Harry sentou-se entre Duda e tio Vlter, um homem grande esocado, com pescoo de menos e bigodes de mais. Longe de desejarem aHarry um feliz aniversrio,os Dursley 
no deram qualquer sinal de que tinham reparado em sua entradana cozinha, mas o menino estava mais do que acostumado com isso para seimportar. Serviu-sede uma 
fatia de torrada e em seguida olhou para o reprter na televiso,que j ia adiantado na transmisso de uma notcia sobre um fugitivo dapriso.
Alertamos os nossos telespectadores de que Black est armado e extremamente perigoso. Se algum o avistar dever ligar parao nmero do planto de emergncia 
imediatamente.
 Nem precisa dizer quem ele   riu-se tio Vlter, espiando oprisioneiro por cima do jornal.  Olhems o estado dele, a imundice do desleixado! Olhemo cabelo 
dele!
E lanou um olhar de esguelha, maldoso, para Harry, cujos cabelosdespenteados sempre tinham sido uma fonte de grande aborrecimento para otio. Comparadoao homem 
da televiso, porm, cujo rosto ossudo era emoldurado por umemaranhado que lhe chegava aos cotovelos, Harry se sentiu, na verdade,muito bempenteado.
O reprter reaparecera.
"O Ministrio da Agricultura e da Pesca ir anunciar hoje...
 Espere a!  berrou tio Vlter, olhando furioso para oreprter,  Voc no disse de onde esse manaco fugiu! De que adiantou oalerta? O loucopode estar passando 
na minha rua neste exato momento!
Tia Petnia, que era ossuda e tinha cara de cavalo, virou-sedepressa e espiou com ateno pela janela da cozinha. Harry sabia que atia simplesmente adorariapoder 
ligar para o telefone do planto de emergncia. Era a mulher maisbisbilhoteira do mundo e passava a maior parte da vida espionando osvizinhos sem graa,que nunca 
faziam nada errado.
 Quando  que eles vo aprender  exclamou tio Vlter,batendo na mesa com o punho grande e arroxeado  que a forca a nica soluo para gente assim?
  verdade  concordou tia Petnia, que ainda procuravaver alguma coisa por entre a trepadeira do vizinho.
Tio Vlter terminou de beber a xcara de ch, deu uma olhadano relgio de pulso e acrescentou:
  melhor eu ir andando, Petnia. O trem de Guida chegas dez.
Harry, cujos pensamentos andavam no andar de cima com oEstojo para Manuteno de Vassouras, foi trazido de volta  terra comum tranco desagradvel.
 Tia Guida?  o garoto deixou escapar.  ... Ela noest vindo para c, est?
Tia Guida era irm de tio Vlter. Embora no fosse um parenteconsangneo de Harry (cuja me fora irm de tia Petnia), a vida inteiraele tinha sido obrigadoa 
cham-la de "tia". Tia Guida morava no campo, em uma casa com um grandejardim, onde ela criava buldogues. Raramente se hospedava na Rua dos Alfeneiros, porqueno 
conseguia suportar a idia de se separar dos seus preciososcachorros, mas cada uma de suas visitas permanecia horrivelmente ntidana cabea de Harry.
Na festa do quinto aniversrio de Duda, tia Guida tinha dado umasbengaladas nas canelas de Harry para impedi-lo de vencer o primo em umabrincadeira. Algunsanos 
mais tarde, ela aparecera no Natal trazendo um rob computadorizadopara Duda e uma caixa de biscoitos de cachorro para Harry. Na ltimavisita, um ano antesdo 
garoto entrar para Hogwarts, ele pisara sem querer o rabo do cachorrofavorito da tia. Estripador perseguira Harry at ojardime o acuara em cima de uma rvore, 
mas tia Guida se recusara a recolher ocachorro at depois da meia-noite. A lembrana desse incidente aindaproduzia lgrimasde riso nos olhos de Duda.
 Guida vai passar uma semana aqui  rosnou tio Vlter  eenquanto estamos nesse assunto  ele apontou um dedo gordo e ameaadorpara Harry  precisamosacertar 
algumas coisas antes de eu sair para apanh-la.
Duda fez ar de riso e desviou o olhar da televiso. Assistir aHarry ser maltratado pelo pai era sua diverso favorita.
 Em primeiro lugar  rosnou tio Vlter , voc vai falarcom bons modos quando se dirigir aGuida.
 Tudo bem  disse Harry com amargura , se ela fizer omesmo quando se dirigir a mim.
 Em segundo lugar  continuou o tio, fingindo no terouvido a resposta de Harry , comoGuida no sabe nada da sua anormalidade, no quero nenhuma... Nenhuma gracinha 
enquanto ela estiver aqui. Voc vai se comportar, estme entendendo?
 Eu me comporto se ela se comportar  retrucou Harryentre dentes.
 E em terceiro lugar  disse tio Vlter, seus olhinhosmaldosos agora simples fendas na enorme cara prpura dissemos a Guidaque voc freqenta o Centro St. Brutus 
para Meninos Irrecuperveis.
 Qu? berrou Harry.
 E voc vai sustentar essa histria, moleque, ou vai se dar mal cuspiu tio Vlter.
Harry ficou sentado ali, o rosto branco e furioso, encarando otio Vlter, sem conseguir acreditar no que ouvia. TiaGuida vinha fazer uma visita de umasemana  
era o pior presente de aniversrio que os Dursley j tinham lhedado, incluindo nessa conta o par de meias velhas do tio.
 Bom, Petnia  disse tio Vlter, levantando-se comesforo , vou indo para a estao, ento. Quer me acompanhar para dar umpasseio, Dudoca?
 No  respondeu o menino, cuja ateno se voltara para ateleviso agora que o pai acabara de ameaar Harry.
 O Dudinha tem que ficar elegante para receber a titia  dissetia Petnia, alisando os cabelos louros e espessos do filho.  Mamecomprou para ele uma linda gravata-borboleta.
Tio Vlter deu uma palmadinha no ombro de porco de Duda.
 Vejo vocs daqui a pouco, ento  disse ele, e saiu dacozinha.
Harry que estivera sentado numa espcie de transede horror, teve uma idia repentina. Abandonando a torrada, ele selevantou depressa e acompanhou o tio at a sada.
Tio Vlter estava vestindo o palet que usava no carro.
 Eu no vou levar voc  rosnou ele ao se virar e verHarry observando-o.
 Como se eu quisesse ir  disse Harry friamente.  Querolhe perguntar uma coisa.
O tio mirou-o desconfiado.
 Os alunos do terceiro ano em Hog... Na minha escola s vezestm permisso para visitar o povoado prximo  disse Harry.
 E da?  retrucou o tio, tirando as chaves do carro de umgancho prximo  porta.
 Preciso que o senhor assine o formulrio de autorizao disse Harry depressa.
 E por que eu iria fazer isso?  falou o tio com desdm.
 Bom  respondeu Harry, escolhendo cuidadosamente as palavras vai ser duro fingir para tia Guida que eu freqento oSaint no sei das quantas... E Harry ficou 
satisfeito de ouvir uma inconfundvel nota depnico em sua voz.
 Centro St. Brutus para Meninos Irrecuperveis! berrou.
 Exatamente  disse Harry, encarando com toda a calma orosto prpura do tio.   muita coisa para eu me lembrar. Tenho queparecer convincente,no  mesmo? E 
se eu, sem querer, deixar escapar alguma coisa?
 Vou fazer picadinho de voc, no  mesmo?  rugiu o tio,avanando para o sobrinho com o punho levantado. Mas Harryagentou firme.
 Fazer picadinho de mim no vai ajudar tia Guida a esquecero que eu poderia contar a ela  disse em tom de ameaa.
Tio Vlter parou, o punho ainda levantado, a cara de uma feiacor marrom-arroxeada.
 Mas se o senhor assinar o meu formulrio de autorizao  apressou-se Harry a acrescentar , juro que vou me lembrar daescola que o senhor diz que freqento, 
e vou me comportar comoum trou... Como se fosse normal e todo o resto.
Harry percebeu que o tio estava considerando a proposta,mesmo que seus dentes estivessem arreganhados e uma veia latejasse em suatmpora.
 Certo  disse por fim, bruscamente.  Vou vigiar o seucomportamento muito de perto durante a visita deGuida. Se, quando terminar, voc tiver andado nalinha 
e sustentado a histria, eu assino a droga do formulrio.
E, dando meia-volta, abriu a porta e bateu-a com tanta foraque uma das vidraas no alto se soltou.
Harry no voltou  cozinha. Subiu as escadas e foi para o quarto.
Se ia se comportar como um trouxa de verdade, era melhor comear j.
Devagar e com tristeza,reuniu seus presentes e cartes de aniversrio e escondeu-os debaixo datbua solta do soalho comos deveres de casa. Depois, foi at a gaiola 
de Edwiges. Errolparecia ter-se recuperado; ele e Edwiges estavam dormindo, com a cabeaenfiada embaixo da asa. Harry suspirou e cutucou ascorujas; para acord-las.
 Edwiges  disse deprimido , voc vai ter que dar o fora poruma semana. V com Errol. Rony cuidar de voc. Vou escrever um bilhetepara ele explicando.
E no me olhe assim  os grandes olhos mbar de Edwiges se encheram decensura , no  minha culpa.  o nico jeito que tenho de conseguir umaautorizaopara 
visitar Hogsmeade com Rony e Hermione.
Dez minutos depois, Errol e Edwiges (que levava um bilhete paraRony amarrado na perna) saram voando pela janela edesapareceram de vista. Harry, agora se sentindo 
completamente infeliz,guardou a gaiola vazia dentro do armrio.
Mas no teve muito tempo para se entristecer. No demorouquase nada e tia Petnia j estava gritando l embaixo para Harrydescer e se preparar para dar as boas-vindas 
 hspede.
 Faa alguma coisa com o seu cabelo!  disse tia Petniabruscamente quando o sobrinho chegou embaixo.
Harry no via sentido em tentar fazer seu cabelo ficar penteado.
TiaGuida adorava critic-lo, por isso, quanto mais desarrumado, maissatisfeita ela iriaficar.
Demasiado cedo, ouviu-se um rudo de pneu triturando areiaquando o carro de tio Vlter entrou de marcha a r pelo caminhoda garagem, depois, batidas de portas 
e passos no jardim.
 Atenda a porta!  sibilou tia Petnia para Harry.
Com uma sensao de grande tristeza e depresso na boca doestmago, Harry abriu a porta.
Na soleira encontrava-se tia Guida. Era muito parecida com o tioVlter; corpulenta, alta, socada, a cara prpura, tinha at bigode,embora no to peludoquanto 
o do irmo. Em uma das mos ela trazia uma enorme mala, e,aninhado sob a outra, um buldogue velho e mal-humorado.
 Onde est o meu Dudoca?  bradou tia Guida.  Onde est o meusobrinho fofo?
Duda veio gingando em direo ao hall, os cabelos lourosemplastrados na cabea gorda, uma gravata-borboleta quase invisvel sob apapada quntupla. TiaGuida largou 
a mala na barriga de Harry, deixando-o sem ar, agarrouDuda num abrao apertado com o brao livre e plantou-lhe uma beijoca nabochecha.
Harry sabia perfeitamente bem que Duda s agentava os abraos datia porque era bem pago para isso, e no deu outra, quando os dois sesepararam, Duda levavauma 
nota novinha de vinte libras apertada na mo gorda.
 Petnia!  exclamou tia Guida, passando por Harry como se elefosse um cabide de chapus. As duas se beijaram, ou melhor, tiaGuida deu uma queixada nabochecha 
ossuda de tia Petnia.
Tio Vlter entrou nesse momento, sorrindo jovialmente e fechou aporta.
 Ch, Guida?  ofereceu.  E o que  que o Estripador vai tomar?
 Estripador pode beber um pouco de ch no meu pires  respondeutiaGuida enquanto seguiam todos para a cozinha, deixando Harry sozinho nohall com a mala.
Mas o menino no ia se queixar; qualquer desculpa para ficar longe da tiaera bem-vinda, por isso comeou a carregar a pesada mala para o quarto dehspedes, demorandoo 
mximo que pde.
No momento em que voltou  cozinha, tia Guida j fora servida dech e bolo de frutas e Estripador lambia alguma coisa, fazendo muitobarulho, a um canto.
Harry viu tia Petnia fazer uma ligeira careta ao ver gotas de ch e babapontilharem o seu cho limpo. Ela detestava animais.
 Quem ficou cuidando dos outros cachorros, Guida? perguntoutio Vlter.
 Ah, deixei o coronel Fubster tratando deles  ribombou emresposta Guida.  Ele entrou para a reforma agora e  bom ter algumacoisa para fazer. Mas no pude deixar 
o coitado do Estripador, to velho.  Ele fica doente detristeza quando viajo.
Estripador recomeou a rosnar quando Harry se sentou. Istoatraiu a ateno de tia Guida para Harry, pela primeira vez.
 Ento!  vociferou ela.  Ainda est por aqui?
 Estou  respondeu o menino.
 No diga "estou" nesse tom ingrato  rosnou tia Guida.  uma grande bondade Vlter e Petnia acolherem voc. Eu no teria feitoo mesmo. Eu oteria mandado direto 
para um orfanato se algum largasse voc na minhaporta.
Harry estava doido para responder que preferia viver em umorfanato do que com os Dursley, mas a lembrana do formulrio deHogsmeade fez com que se calasse.
Ele se esforou para dar um sorriso constrangido.
 No me venha com sorrisinhos!  trovejou tia Guida. Estou vendo que no melhorou nada desde a ltima vez que o vi. Tiveesperanas que a escolalhe desse educao 
 fora, se fosse preciso.  Ela tomou um grande golede ch, limpou o bigode e continuou:
 Aonde mesmo que voc o est mandando Vlter?
 St. Brutus  respondeu o tio prontamente.   umainstituio de primeira classe para casos irrecuperveis.
 Entendo. Eles usam a vara em St. Brutus?  vociferou elado lado oposto da mesa.
Tio Vlter fez um breve aceno de cabea por trs de tia Guida.
 Usam  respondeu Harry. Depois, sentindo que devia fazera coisa bem-feita, acrescentou:  o tempo todo.
 timo  aprovou tia Guida.  Eu no aceito essa conversafiada de no bater em gente que merece. Uma boa surra de vara resolvenoventa e nove casosem cem. Voc 
j apanhou muitas vezes?
 Ah, j  respondeu Harry , um monte de vezes.
Tia Guida apertou os olhos.
 No gosto do seu tom, moleque. Se voc consegue falardas surras que leva com esse tom displicente, obviamente no esto lhebatendo com a fora que deviam. Petnia, 
se eu fosse voc escreveria escola. Deixaria claro que os tios aprovavam o uso de fora extrema no caso desse moleque.
Talvez tio Vlter estivesse preocupado que Harry pudesseesquecer o acordo que tinham feito; o caso  que ele mudou oassunto bruscamente.
 Ouviu o noticirio hoje de manh, Guida? E aqueleprisioneiro que fugiu, hein?
Enquanto tia Guida comeava a se fazer em casa, Harry se surpreendeupensando quase com saudade na vida na Rua dos Alfeneiros,n. 4 sem ela.
Tio Vlter e tia Petnia em geral encorajavam Harry a ficar forado caminho deles, o que o menino fazia com a maior satisfao. TiaGuida, por outro lado,queria 
Harry debaixo dos seus olhos o tempo todo, para poder fazer, comaquele vozeiro, sugestes para melhor-lo. Adorava comparar Harry aDuda, e tinha o maiorprazer 
de comprar presentes caros para Duda enquanto olhava feio paraHarry, como se o desafiasse a perguntar por que no recebera um presentetambm. Alm disso,ela no 
parava de soltar piadas de mau gosto sobre as razes de Harry seruma pessoa to deficiente.
 Voc no deve se culpar pelo que os meninos so hoje,Vlter comentou ela durante o almoo do terceiro dia.  Se existe alguma coisapodre por dentro, no h 
nada que ningum possafazer.
Harry tentou se concentrar na comida, mas suas mos tremiam e seurosto comeou a arder de raiva. Lembre-sedo formulrio, disse a si mesmo. Pense emHogsmeade. 
No diga nada. No se levante...
Tia Guida esticou a mo para a taa de vinho.
 Isso  uma das regras bsicas da criao, disse ela.  Agente v isso o tempo todo com os cachorros. Se tem alguma coisa erradacom uma cadela,vai ter alguma 
coisa errada com o filhote...
Naquele momento, a taa de vinho que tia Guida seguravaexplodiu em sua mo. Cacos de vidro voaram para todo lado e elagaguejou e piscou, a caraa vermelha pingando.
 Guida!  guinchou tia Petnia.  Guida, voc est bem?
 No se preocupe  resmungou tia Guida, enxugando o rostocom o guardanapo.  Devo ter segurado a taa com muita fora. Fiz a mesmacoisa na casado coronel Fubster 
no outro dia. Noprecisa se preocupar, Petnia, tenho a mo pesada...
Mas tia Petnia e tio Vlter olharam desconfiados para Harry. Por isso o menino resolveu que era melhor no comer a sobremesa e seretirar da mesa o mais depressa 
que pudesse.
No corredor, apoiou-sena parede e respirou profundamente. Faziamuito tempo desde a ltima vez que se descontrolara e fizera uma coisaexplodir. No podiadeixar 
que isso acontecesse de novo, O formulrio de Hogsmeade no era anica coisa em jogo  se ele continuasse a agir assim, ia se encrencarcom o Ministrioda Magia.
Harry ainda era um bruxo menor de idade, portanto, pela lei dosbruxos, ele era proibido de fazer mgica fora da escola. A ficha dele no eramuito limpa. Aindano 
vero anterior recebera uma carta oficial em que o avisavam muitoclaramente que se o Ministrio tomasse conhecimento de qualquer magiaocorrida na Rua dos Alfeneiros,ele 
seria expulso de Hogwarts.
Harry ouviu os Dursley se levantarem da mesa e correu escadaacima para sair do caminho.
Harry conseguiu sobreviver os trs dias seguintes forando-se a pensar nomanual de Faa a Manuteno da sua Vassoura sempre que tiaGuida implicava com ele. A coisa 
funcionou muito bem, embora seu olharparecesse vidrado, porque tia Guida comeou a ventilar a opinio de queele era mentalmente deficiente.
Finalmente, um finalmente muito demorado, chegou a ltima noiteda estada de tiaGuida. Tia Petnia preparou um jantar caprichado e tio Vlter abriuvriasgarrafas 
de vinho. Eles conseguiram terminar a sopa e o salmo semmencionar nem uma vez os defeitos de Harry; quando comiam a torta merenguede limo, tioVlterdeu um 
cansao em todo mundo com uma longa conversa sobre Crunnings, suaempresa de brocas; depois tia Petnia preparou o caf e o marido apanhouuma garrafa deconhaque.
 Posso lhe oferecer essa tentao, Guida?
Tia Guida j bebera muito vinho. Sua cara enorme estavamuito vermelha.
 S um pouquinho, ento  disse ela rindo.  Um pouquinhomais... Mais... A, perfeito.
Duda estava comendo o quarto pedao de torta. Tia Petniabebericava caf com o dedo mindinho esticado. Harry realmentequeria desaparecer e ir para o quarto, mas 
deparou com os olhinhoszangados do tio Vlter e viu que teria de agentar at o fim.
 Aah  exclamou tia Guida, estalando os lbios e pousando oclicede conhaque.  Um senhor jantar, Petnia. Normalmente s como umacoisinha rpida  noite,com 
uma dzia de cachorros para cuidar..  Ela soltou um gostoso arroto edeu umaspalmadinhas na grande barriga coberta de tweed.  Me desculpem. Mas gostode verum 
menino de tamanho saudvel  continuou ela, dando uma piscadela paraDuda.  Voc vai ter tamanho de homem, Dudoca, como seu pai. Sim, senhor,acho que vou querermais 
um pouquinho de conhaque, Vlter... Agora esse outro ai...
Ela virou a cabea para indicar Harry que sentiu um aperto noestmago. O manual pensou depressa.
 Esse a tem um jeito ruim e mirrado. A gente v isso noscachorros. Pedi ao coronel Fubster para afogar um no ano passado. Era um ratinho. Fraco. Subnutrido.
Harry tentou se lembrar da pgina doze do seu livro Feitiopara Reverter Feitios Persistentes.
 A coisa toda est ligada ao sangue, como eu ia dizendo aindaoutro dia. O sangue ruim acaba aflorando. Mas, no estou dizendo nadacontra a sua famlia,Petnia 
 ela deu umas pancadinhas na mo ossuda da cunhada com sua moque mais parecia uma p , mas sua irm no era flor que se cheirasse. Isso acontece nasmelhores 
famlias. Depois, fugiu com aquele imprestvel e a est oresultado bem diante dos olhos da gente.
Harry olhava fixamente para o prprio prato, sentindo umazoeira engraada nos ouvidos. Segure sua vassoura pela caudacom firmeza, pensou. Mas no conseguiu se 
lembrar do que vinha depois. Avoz de tia Guida pareciaperfur-lo como se fosse uma das brocas do tio Vlter.
 Esse Potter  continuou tia Guida bem alto, agarrando a garrafae derramando mais conhaque no copo e na toalha da mesa ,voc nunca me contou o que ele fazia.
Tio Vlter e tia Petnia tinham uma expresso extremamentetensa. Duda chegara a levantar os olhos da torta para olhar ospais,boquiaberto.
 Ele... No trabalhava  disse tio Vlter, sem chegar a olhar detodo para Harry.  Desempregado.
 Era o que eu esperava  disse tia Guida, bebendo umenormegole de conhaque e limpando o queixo na manga.  Um parasita preguioso,imprestvel, sem eira nem beira 
que...
 No era no  exclamou Harry inesperadamente. Todos mesa ficaram muito quietos. Harry tremia da cabea aos ps.
Nunca sentira tanta raiva na vida.
 MAIS CONHAQUE!  bradou tio Vlter, que empalidecerasensivelmente. Ele esvaziou a garrafa no clice de tiaGuida.  Voc, moleque  rosnou paraHarry.  V se 
deitar, ande...
 No, Vlter  soluou tia Guida, erguendo a mo, osolhinhos injetados e fixos em Harry.  Continue, moleque, continue. Temorgulho dos seus pais,? Eles saem 
por a e se matam num acidente de carro (imagino quebbados)...
 Eles no morreram num acidente de carro!  protestouHarry, que percebeu que se levantara.
 Morreram num acidente de carro, sim, seu mentirosoinfeliz, e jogaram voc nos ombros de parentes decentes e trabalhadores!  gritou tiaGuida, inchando de fria. 
 Voc  um ingrato, insolente e...
Mas repentinamente ela se calou. Por um instante pareceu quetinham-lhe faltado palavras. Parecia estar inchando, engasgada de tantaraiva... Mas no paroude inchar. 
Sua cara enorme e vermelha comeou a crescer, os olhos midossaltaram das rbitas, e a boca se esticou tanto que a impedia de falar  no segundo seguintevrios 
botes simplesmente saltaram do seu palet de tweed ericochetearam nas paredes , ela inflou como um balo monstruoso, abarriga transbordou o cs da saia,os dedos 
engrossaram como salames...
 GUIDA!  berraram tio Vlter e tia Petnia juntos quandoo corpo dela comeou a se erguer da cadeira em direo ao teto. Estavacompletamente redondaagora, como 
uma enorme bia com olhinhos porcinos, e as mos e os ps seprojetaram estranhamente do corpo que flutuava no ar, dando estalinhosapoplticos. Estripadorentrou 
derrapando na sala, latindo enlouquecido.
 NO!
Tio Vlter agarrou Guida por um p e tentou pux-la parabaixo, mas quase foi erguido do cho tambm. Um segundodepois, Estripador avanou, e de um salto abocanhou 
a perna dotio Vlter.
Harry se precipitou, para fora da sala de jantar antes quealgum pudesse impedi-lo, e correu para o armrio sob a escada. A portado armrio se abriu magicamente 
quando ele se aproximou. Em segundos, ogaroto tinha arrastadoo seu malo para a porta da rua. Subiu aos saltos a escada e se atirouembaixo da cama, levantando 
a tbua solta do soalho, agarrou a fronhacheia de livros e presentesde aniversrio. Arrastou-se para fora, passou a mo na gaiola vazia deEdwiges, correu de volta 
ao lugar em que deixara o malo, na hora em quetio Vlter irrompiada sala de jantar, com a perna da cala em tiras ensangentadas.
 VOLTE AQUI!  urrou.  VOLTE AQUI E FAA-A VOLTAR AONORMAL!
Mas uma raiva que no media conseqncias se apoderara deHarry. Ele deu um chute no malo para abri-lo, puxou a varinha eapontou-a para o tio Vlter.
 Ela mereceu  disse ofegante.  Ela mereceu o queaconteceu. E o senhor fique longe de mim.
Depois, tateou s costas  procura do trinco da porta.
 Vou-me embora. Para mim j chega.
E no momento seguinte Harry estava na rua escura e silenciosa,puxando o malo pesado, a gaiola de Edwiges debaixo do brao.












CAPTULO TRS
O Nitibus Andante

Harry j estava bem distante quando se largou em cima de um muro baixo naRua Magnlia, uma rua curva de prdios geminados, ofegante com o esforode arrastar omalo. 
Sentou-se muito quieto, ainda espumando de raiva, escutando ogalope desenfreado do seu corao.
Mas depois de uns dez minutos sozinho na rua escura, uma novaemoo se apoderou dele: o pnico. De qualquer maneira que considerasse ocaso, ele nunca sevira em 
situao pior. Estava perdido, sozinho, no escuro mundo dostrouxas, absolutamente sem ter aonde ir. E o pior era que acabara deexecutar um feitio srio,o que 
significava que quase certamente seria expulso de Hogwarts. Violarato flagrantemente o decreto que limitava o uso da magia por menores, quese surpreendeuque 
os representantes do Ministrio da Magia no tivessem cado em cimadele ali mesmo.
Harry estremeceu e olhou para os dois lados da Rua Magnlia. Oque ia lhe acontecer? Seria preso ou simplesmente banido do mundo dosbruxos? Ele pensou emRony e 
em Hermione, e seu corao ficou ainda mais apertado. Harry tinhacerteza de que, fosse criminoso ou no, Rony e Hermione iriam quererajud-lo agora, masos dois 
estavam no exterior e, com Edwiges ausente, ele no tinha meiosde entrar em contato com os amigos.
E tampouco tinha dinheiro dos trouxas. Havia um ourinho nacarteira que guardara nofundo do malo, mas o resto da fortuna que seus pais tinham lhe deixadoestava 
depositado em um cofre do banco dos bruxos em Londres, oGringotes. Ele jamais conseguiria arrastar o malo at Londres. A no serque...
Ele olhou para a varinha que ainda mantinha segura na mo.
Se j fora expulso (seu corao agora batia dolorosamentedepressa), um pouco mais de magia no iria fazer mal algum. Tinha aCapa da Invisibilidade que herdara 
do pai  e se encantasse omalo para torn-lo leve como uma pena, o amarrasse  vassoura e voasseat Londres? Ento poderia retirar o resto do seu dinheiro do 
cofre e... Comear uma vidade proscrito. Era uma perspectiva terrvel, mas no podia ficar sentadonaquele muro para sempre, ou ia acabar tendo que explicar  polcia 
dostrouxas o que estavafazendo ali, na calada da noite, com um malo cheio de livros de bruxariae uma vassoura.
Harry tornou a abrir o malo e empurrou as coisas para umlado  procura da Capa da Invisibilidade  mas antes de apanh-la,endireitou o corpo de repente e olhou 
mais uma vez a toda a volta.
Um formigamento estranho na nuca o fizera sentir que estavasendo observado, mas a rua parecia deserta e no havia luz nosgrandes prdios quadrados.
Ele tornou a se curvar para o malo, mas quase imediatamente seendireitou, a mo apertando a varinha. No ouvira, sentira uma coisa: algum ou alguma coisaestava 
parado no estreito vo entre a garagem e a grade atrs dele. Harryapertou os olhos para enxergar melhor a passagem escura. Se ao menosaquilo se mexesse,ento 
ele saberia se era apenas um gato sem dono ou... Outra coisaqualquer.
 Lumus  murmurou Harry, e apareceu uma luz na ponta de suavarinha, que quase o cegou. Ele levantou a varinha acima da cabea e asparedes incrustadasde seixos 
do n. 2, de repente, faiscaram; a porta da garagem reluziu eentre as duas Harry viu, com muita clareza, os contornos macios dealguma coisa muito grandecom olhos 
enormes e brilhantes.
Harry recuou. Suas pernas bateram no malo e ele tropeou. Avarinha voou de sua mo quando ele abriu os braos para amortecer aqueda, eaterrissou com toda a fora 
na sarjeta.
Ouviu-se um estampido ensurdecedor e Harry ergueu as mospara proteger os olhos da luz repentina e ofuscante...
Com um grito, ele rolou para cima da calada bem em tempo. Umsegundo depois, dois faris altos e dois gigantescos pneus pararamcantando exatamente no lugarem 
que Harry estivera cado. As duas coisas pertenciam, Harry viu quandoergueu a cabea, a um nibus de trs andares, roxo berrante, que sematerializara do nada.
Letras douradas no pra-brisa informavam: O Nitibus Andante.
Por uma frao de segundo, Harry ficou imaginando se o tombo oteria deixado abobado. Ento, um condutor de uniforme roxosaltou do nibus para anunciar em altas 
vozes aos ventos da noite:
 Bem-vindo ao nibus Nitibus Andante, o transporte deemergncia para bruxos e bruxas perdidos. Basta esticara mo da varinha, subir a bordo e podemos lev-lo 
aonde quiser. Meunome  Stanislau Shunpike, Lalau, e serei seu condutor por esta noi...
Lalau parou abruptamente. Acabara de avistar Harry que continuavasentado no cho. O menino recuperou a varinha e ficou de p como pde.
Aproximando-se,viu que Lalau era apenas alguns anos mais velho que ele, tinha dezoito oudezenove anos no mximo, grandes orelhas de abano e uma grande quantidadede 
espinhas.
 Que  que voc estava fazendo aqui?  perguntou Lalau,pondo de lado sua pose profissional.
 Ca  respondeu Harry
 E por que foi que voc caiu?  caoou Lalau.
 No ca de propsito  respondeu Harry, incomodado. Umaperna de seu jeans se rasgara e a mo que ele estendera para aliviara queda estava sangrando. De repente 
ele se lembrou por que carae se virou depressa para o lado para ver a passagem entre a garageme a cerca. Os faris do Nitibus agora a inundavam de luz e elaestava 
vazia.
 Que  que voc est olhando?  perguntou Lalau.
 Havia uma coisa grande e escura  respondeu Harry,apontando hesitante para a abertura.  Parecia um cachorro... Masenorme...
Harry olhou para Lalau, cuja boca estava entreaberta. Com umcerto constrangimento, Harry viu o seu olhar se deter na cicatriz desua testa.
 Que  que  isso na sua testa?  perguntou Lalau derepente.
 Nada  apressou-se a dizer Harry, achatando os cabelosem cima da cicatriz. Se os funcionrios do Ministrio da Magia estivessem sua procura,ele no ia facilitar 
a vida deles.
 Qual  o seu nome?  insistiu Lalau.
 Neville Longbottom  respondeu Harry com o primeiro nomeque lhe veio  cabea.  Ento... Este nibus  emendou ele depressa naesperana de desviara ateno 
do rapaz , voc disse que vai a qualquer lugar?
 Isso a  respondeu Lalau orgulhoso , qualquer lugarque voc queira desde que seja em terra.  imprestvel debaixo da gua. Aqui  disse ele outravez desconfiado 
, voc fez sinal para a gente parar, no fez? Esticou amo da varinha, no esticou?
 Claro  confirmou Harry depressa.  Escuta aqui, quantocustaria me levar at Londres?
 Onze sicles, mas por catorze voc ganha chocolate quentee por quinze um saco de gua quente e uma escova de dentes da corque voc quiser.
Harry remexeu outra vez no malo, tirou a bolsa de dinheiro,e empurrou um ourinho na mo de Lalau. Ele e o rapaz entoergueram o malo, com a gaiola de Edwiges 
equilibrada na tampa,e subiram no nibus.
No havia lugares para a pessoa sentar; em vez disso havia meiadzia de estrados de lato ao longo das janelas protegidas por cortinas.
Ao lado de cadacama, ardiam velas em suportes, que iluminavam as paredes revestidas depainis de madeira. Na traseira do nibus, uma bruxa mida usando toucade 
dormir murmurou:
 Agora no, obrigada, estou fazendo uma conserva delesmas.  E voltou a adormecer.
 Voc fica com essa a  cochichou Lalau, empurrando omalo de Harry para baixo da cama logo atrs do motorista, que se achavasentado em uma cadeirade braos 
diante do volante.  Este  o nosso motorista, Ernesto Prang. Este aqui  o Neville Longbottom, Ernesto.
Ernesto Prang, um bruxo idoso que usava culos de grossas lentes,cumprimentou com um aceno de cabea o novo passageiro, que tornou aachatar nervosamentea franja 
contra a testa e se sentou na cama.
 Pode mandar ver, Ernesto  disse Lalau, sentando-se nacadeira ao lado do motorista.
Ouviu-se mais um estampido assustador e, no instante seguinte,Harry se sentiu achatado contra a cama, atirado para trs pela velocidadedoNitibus. Endireitando-se,o 
menino espiou pela janela escura e viu que agora deslizavam suavementepor uma rua completamente diferente. Lalau observava o rosto surpreso deHarry achando muitagraa.
 Era aqui que a gente estava antes de voc fazer sinalpara o nibus parar  disse ele.  Onde  quens estamos, Ernesto? Emalgum lugar do Pas de Gales?
 Hum-hum  respondeu o motorista
 Como  que os trouxas no ouvem o nibus?  perguntouHarry.
 Os trouxas!  exclamou Lalau com desdm.  E eles l escutamdireito? E tambm no enxergam direito. Nunca reparam emnada, no  mesmo?
  melhor ir acordar Madame Marsh, Lalau  disse Ernesto.  Vamos entrar em Abergavenny dentro de um minuto.
Lalau passou pela cama de Harry e desapareceu por uma estreitaescada de madeira. Harry continuou a espiar pela janela, sentindo-se maisnervoso a cada hora.
Ernesto no parecia ter dominado o uso do volante, O Nitibus a toda horasubia na calada, mas no batia em nada; os fios dos lampies, as caixasde correio e aslatas 
de lixo saltavam fora do caminho quando o nibus se aproximava etornavam  posio anterior depois de ele passarLalau voltou do primeiro andar, seguido de uma 
bruxa meioesverdeada e embrulhada em uma capa de viagem.
 Chegamos, Madame Marsh  exclamou Lalau alegremente, enquantoErnesto metia o p no freio e as camas deslizavam bem uns trintacentmetros para a dianteirado 
nibus. Madame Marsh cobriu a boca com um leno e desceu as escadas,titubeante. Lalau atirou a mala para ela e bateu as portas do nibus; ouviu-se novo estampido,e 
o veculo saiu roncando por uma estradinha do interior, fazendo asrvores saltarem de banda.
Harry no teria conseguido dormir mesmo se estivesse viajando emum nibus que no produzisse tantos estampidos e saltasse um quilmetro emeio de cada vez,seu 
estmago deu muitas voltas quando ele tornou a refletir no que irialhe acontecer, e se os Dursley j teriam conseguido tirar tia Guida doteto.
Lalau abrira um exemplar do Profeta Dirio e agora o lia mordendoa lngua. Um homem de rosto encovado, e cabelos longos e embaraadospiscou devagarinhopara Harry 
em uma grande foto na primeira pgina. Pareceu-lheestranhamente familiar.
 Esse homem!  exclamou Harry, esquecendo-se por um momento dosprprios problemas.  Ele apareceu no noticiriodos trouxas!
Lalau virou para a primeira pgina e deu uma risadinha.
 Sirius Black  disse, confirmando com a cabea.  Claro queapareceu no noticirio dos trouxas, Neville, por onde voc temandado?  E deu uma risadinha de superioridade 
ao ver o olharvidrado norosto de Harry; rasgou a primeira pgina e entregou-a ao garoto.
 Voc devia ler mais jornal.
Harry ergueu a pgina diante da luz e leu:

BLACK AINDA FORAGIDO
Sirius Black, provavelmente o condenado de pior fama j preso nafortaleza de Azkaban, continua a escapar da polcia, confirmou hoje oMinistrio da Magia.
 Estamos fazendo todo o possvel para recapturar Black  disseo Ministro da Magia, Cornlio Fudge. Ouvido esta manh.  E pedimos comunidade mgica que se mantenha 
calma.
Fudge tem sido criticado por alguns membros da FederaoInternacional de Bruxos por ter comunicado a crise ao Primeiro-Ministrodos Trouxas.
 Bem, na realidade, eu tinha que fazer isso ou vocs no sabem?  comentou Fudge irritado.  Black  doido.  um perigo para qualquerpessoa que o aborrea,seja 
bruxo ou trouxa.  O Primeiro-Ministro me garantiu que no revelar averdadeira identidade de Black. E vamos admitir quem iria acreditar seele revelasse?
Enquanto os trouxas foram informados apenas de que Black estarmado (com uma espcie de varinha de metal que os bruxos usam para sematar uns aos outros),a comunidade 
mgica vive no temor de um massacre como o que ocorreu hdoze anos, quando Black matou treze pessoas com umnico feitio.

Harry olhou bem dentro dos olhos sombrios de Sirius Black, a nica partedo rosto encovado que parecia ter vida. O menino jamais encontrara umvampiro, mas virafotos 
nas aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas, e Black, com a pelebranca como cera, se parecia muito com um.
 Carinha sinistro, no  mesmo?  comentou Lalau, que estiveraobservando Harry enquanto lia.
 Ele matou treze pessoas?  admirou-se Harry, devolvendo apgina a Lalau.  Com um feitio?
  isso a, bem na frente de testemunhas e tudo. Em plena luzdo dia. Armou uma confuso do caramba no foi, Ernesto?
 Hum-hum  confirmou Ernesto sombriamente.
Lalau girou a cadeira de braos, cruzou as mos s costas, afimde olhar melhor para Harry.
 Black foi um grande partidrio de Voc-Sabe-Quem  disse ele.
 De quem, do Voldemort?  disse Harry sem pensar.
At as espinhas de Lalau ficaram brancas; Ernesto deu tal golpe de direo que uma casa de fazenda inteira teve que saltar para o lado para fugir do nibus.
 Voc ficou maluco?  gritou Lalau.  Pra que foi que voc foi dizer o nome dele?
 Desculpe  apressou-se a dizer Harry.  Desculpe, eu... me esqueci...
 Se esqueceu!  exclamou Lalau com a voz fraca.  Caramba, meu corao at desembestou...
 Ento... ento Black era partidrio de Voc-Sabe-Quem?  repetiu Harry como se pedisse desculpas.
 E   confirmou Lalau, ainda esfregando o peito.  ,  isso a. Dizem que era muito chegado ao Voc-Sabe-Quem... Em todo o caso, quando o pequeno Harry Potter 
levou a melhor sobre Voc-Sabe-Quem...
Harry, nervoso, achatou a franja na testa outra vez.
 ... Todos os partidrios de Voc-Sabe-Quem foram caados, no foi assim, Ernesto? A maioria deles sacou que estava tudo acabado, Voc-Sabe-Quem tinha desaparecido 
e o pessoal ficou na moita. Mas o Sirius Black, no. Ouvi dizer que ele achou que ia ser o vice quando Voc-Sabe-Quem assumisse o poder. Em todo o caso, eles cercaram 
Black no meio de uma rua cheia de trouxas e o cara puxou a varinha e explodiu metade da rua, atingiu um bruxo e mais uma dzia de trouxas que estavam no caminho. 
Uma coisa horrorosa! E sabe o que foi que o Black fez depois?  Lalau continuou num sussurro teatral.
 Qu?  perguntou Harry.
 Deu uma gargalhada. Ficou ali parado dando gargalhadas. E quando chegaram os reforos do Ministrio da Magia, ele acompanhou os caras sem a menor reao, rindo 
de se acabar. Porque ele  maluco, no , Ernesto? Ele no  maluco?
 Se ele ainda no era quando foi para Azkaban, agora   comentou Ernesto com sua voz arrastada.  Eu preferia estourar os miolos a pisar naquele lugar. Mas acho 
que  bem feito... Depois do que ele aprontou...
 Tiveram uma trabalheira para abafar o caso, no foi, Ernesto?  disse Lalau.  Ele mandou a rua antiga para o espao e matou todos aqueles trouxas. Que foi mesmo 
que falaram que tinha acontecido,Ernesto?
 Exploso de gs  resmungou Ernesto.
 E agora ele anda solto por a  continuou Lalau, examinandomais uma vez a cara encovada de Black na foto do jornal.  Ningum nuncafugiu de Azkaban antes,no 
 mesmo, Ernesto? No sei como foi que ele fez isso.  de apavorar,hein? E olha s, no acho que ele tivesse muita chance contra aquelesguardas de Azkaban, hein, 
Ernesto?  Ernesto sentiu um arrepio repentino.
 Vamos mudar de assunto, Lalau. Esses guardas de Azkaban me doat dor de barriga.
Lalau largou o jornal com relutncia e Harry se encostou najanela do Nitibus, sentindo-se pior que nunca. No podia deixar deimaginar o queLalau iriacontar 
aos passageiros nas prximas noites... "Voc soube o que aconteceucom aquele Harry Potter? Mandou a tia pelos ares! Ele viajou aqui noNitibus com a gente,no 
foi mesmo, Ernesto? Estava tentando se mandar...
Ele. Harry Potter, tinha infringido as leis dos bruxos igualzinhoao Sirius Black. Fazer tia Guida virar balo seria suficiente para irparar em Azkaban?
Harry no sabia nada sobre a priso dos bruxos, embora todo mundo que elej ouvira falar daquele lugar o fizesse no mesmo tom de medo. Hagrid, oguarda-caa deHogwarts, 
passara dois meses l ainda no ano passado. Harry jamaisesqueceria a expresso de terror no rosto do amigo quando lhe disseramaonde ia, e Hagrid erauma das pessoas 
mais corajosas que Harry conhecia.
O Nitibus corria pela escurido, espalhando para todo olado moitas de plantas, latas de lixo, cabines telefnicas e rvores, eHarry continuavadeitado, inquieto 
e infeliz, em sua cama de penas. Passado algum tempo,Lalau se lembrou de que Harry pagara pelo chocolate quente, mas derramou-ono travesseirodo garoto quando 
o nibus passou bruscamente de Anglesca para Aberdeen.
Um a um, bruxos e bruxas de roupa de dormir e chinelos desceram dosandares superiores edesembarcaram do nibus. Todos pareciam satisfeitos de descer.
Finalmente, Harry foi o nico passageiro que restou.
 Muito bem, ento, Neville  disse Lalau, batendo palmas , que lugar deLondres voc vai ficar?
 No Beco Diagonal  respondeu Harry.
  pra j. Segura firme a...
BANGUE.
E na mesma hora o Nitibus estava correndo pela Rua Charing Crosscomo uma trovoada. Harry se sentou e ficou observando osedifcios e bancos se espremerempara 
sair do caminho do veculo. O cu estava um pouquinho mais claro.
Ele tentaria passar despercebido por umas duas horas, iria ao Gringotesno instante em queo banco abrisse, depois iria embora  para onde, ele no sabia muito bem.
Ernesto fincou o p no freio e o Nitibus parou derrapando diantede um bar pequeno e de aparncia malcuidada, o Caldeiro Furado, nosfundos do qual haviaa porta 
mgica para o Beco Diagonal.
 Obrigado  disse Harry a Ernesto.
Ele desceu os degraus com um pulo e ajudou Lalau a descer omalo e a gaiola de Edwiges para a calada.
 Bem  disse Harry.  Ento, tchau!
Mas Lalau no estava prestando ateno. Ainda parado  portado nibus, arregalava os olhos para a entrada sombria do CaldeiroFurado.
 Ah, a est voc, Harry  exclamou uma voz.
Antes que Harry pudesse se virar, sentiu uma mo segur-lopelo ombro. Ao mesmo tempo, Lalau gritou:
 Caramba! Ernesto corre aqui! Corre aqui!
Harry ergueu a cabea para o dono da mo em seu ombro e teve asensao de que um balde de gelo estava virando dentro do seu estmago desembarcara diantede Cornlio 
Fudge, o Ministro da Magia em pessoa.
Lalau saltou para a calada, ao lado deles.
 Que nome foi que o senhor chamou Neville, ministro? perguntou ele excitado.
Fudge, um homenzinho gorducho, vestindo uma longa capade risca de giz, parecia enregelado e exausto.
 Neville?  repetiu ele, franzindo a testa.  Este Harry Potter.
 Eu sabia!  gritou Lalau radiante.  Ernesto! Ernesto!  oHarry Potter! Estou olhando para a cicatriz dele!
 Bem  disse Fudge, irritado , muito bem, ficosatisfeito queo Nitibus tenha apanhado o Harry, mas ele e eu precisamos entrar noCaldeiro Furado agora...
Fudge aumentou a presso no ombro de Harry, e o menino sentiu queestava sendo conduzido para o interior do bar. Um vulto curvo segurandouma lanterna apareceu 
porta atrs do balco. Era Tom, o dono encarquilhado e sem dentes dobar-hospedaria.
 O senhor o encontrou, ministro!  exclamou Tom.  Queralguma coisapara beber? Cerveja? Conhaque?
 Talvez um bule de ch  disse Fudge, que continuavasegurando Harry.
Ouviram-se passos que arranhavam o cho e gente ofeganteatrs deles, e Lalau e Ernesto apareceram, carregando o malo deHarry e a gaiola de Edwiges, olhando para 
os lados, excitados.
 Por que  que voc no nos disse quem era, hein,Neville?  disse Lalau sorrindo, radiante, para Harry, enquanto o cara decoruja do Ernesto espiavamuito interessado 
por cima do ombro do ajudante.
 E uma sala reservada, por favor, Tom  pediu Fudgeenfaticamente.
 Tchau  disse Harry, infeliz, a Lalau e Ernesto,enquanto Tom encaminhava Fudge, com um gesto, para um corredor que seabria atrs do bar.
 Tchau, Neville!  disse Lalau se retirando.
Fudge conduziu Harry por um corredor estreito, acompanhando alanterna de Tom, atuma saleta. Tom estalou os dedos, um fogo se materializou na lareira,e, fazendo 
uma reverncia, ele se retirou do aposento.
 Sente-se, Harry  comeou Fudge, indicando a poltronajunto  lareira.
Harry obedeceu, sentindo arrepios percorrerem seus braosapesar da lareira acesa. Fudge despiu a capa de risca de giz, atirou-aa um lado, depois suspendeu as calas 
do seu terno verde-garrafae se sentou em frente a Harry.
 Eu sou Cornlio Fudge, Harry.  Ministro da Magia.
Harry j sabia disso,  claro; vira Fudge antes, mas como estavausando a Capa da Invisibilidade do pai na ocasio, Fudge nodevia saber disso.
Tom, o dono do bar-hospedaria reapareceu, com um aventalpor cima do camiso de dormir, trazendo uma bandeja com ch epezinhos de minuto. Pousou a bandeja entre 
Fudge e Harry esaiu, fechando a porta ao passar.
 Muito bem, Harry  disse Fudge, servindo o ch , no meimporto de confessar que voc nos deixou preocupadssimos. Fugir da casados seus tiosdesse jeito! Eu 
j tinha at comeado a pensar... Mas voc est so esalvo, e isto  o que importa.
Fudge passou manteiga em um pozinho e empurrou o pratopara Harry.
 Coma, Harry, sua cara  de quem no est se agentandoemp. Agora... Voc vai ficar satisfeito em saber que cuidamos do infelizacidente com a Srta. Guida Dursley. 
Dois funcionrios do Departamento deReverso de FeitiosAcidentais foram mandados  Rua dos Alfeneiros h algumas horas. A Srta. Dursley foi esvaziada e sua memria 
alterada. Ela no lembra mais nada doacidente. E isto  tudo, no houve danos.
Fudge sorriu para Harry por cima da borda da xcara de ch, comofaria um tio examinando um sobrinho querido. Harry, que no conseguiaacreditar no que estavaouvindo, 
abriu a boca para falar, no conseguiu pensar em nada paradizer, e tornou a fech-la.
 Ah, voc est preocupado com a reao dos seus tios?  Bom, no vou negar que eles esto muitssimo aborrecidos, Harry, mas sedispuseram a receb-lode volta no 
prximo vero, desde que voc passe em Hogwarts as frias doNatal e da Pscoa.
A lngua de Harry se soltou.
 Eu sempre passo em Hogwarts as frias do Natal e daPscoa, e no quero nunca mais voltar  Rua dos Alfeneiros.
 Vamos, vamos, tenho certeza de que voc vai pensardiferente depois que se acalmar  disse Fudge em tom preocupado. Afinal, eles so sua famlia,e tenho certeza 
de que... Bem l no fundo, vocs se querem bem.
No ocorreu a Harry corrigir Fudge. Continuava esperandoouvir o que ia lhe acontecer em seguida.
 Ento agora s falta  disse Fudge, passando manteiga emum segundo pozinho  decidir onde  que voc vai passar as duasltimas semanas de frias. Sugiro que 
alugue um quarto aqui noCaldeiro Furado e...
 Espera a  falou Harry sem pensar.  E o meu castigo?
Fudge piscou os olhos.
 Castigo?
 Eu desobedeci  lei!  disse Harry.  O decreto queprobe o uso da magia aos menores!
 Ah, meu caro menino, ns no vamos castig-lo por umacoisinha  toa como essa!  exclamou Fudge, agitando o pozinho comimpacincia.  Foi umacidente! Ns no 
mandamos ningum para Azkaban por fazer a tia virar umbalo!
Mas isto no batia com os contatos que Harry tivera anteriormentecom o Ministrio da Magia.
 No ano passado, recebi uma notificao oficial s porqueum elfo domstico largou um pudim no cho da casa do meu tio!  disse elea Fudge, franzindoa testa. 
 O Ministrio da Magia disse que eu seria expulso de Hogwartsse acontecesse mais um caso de magia por l!
A no ser que os olhos de Harry o enganassem, Fudge derepente parecia pouco  vontade.
 As circunstncias mudam, Harry... Temos que levar emconsiderao... No clima atual... Com certeza voc no quer ser expulso?
 Claro que no  disse Harry.
 Bom, ento, por que toda essa agitao?  riu-se Fudge.  Agora coma mais um pozinho, enquanto vou ver setem umquarto para voc.
Fudge saiu da saleta e Harry ficou observando-o se retirar.
Havia alguma coisa muito estranha acontecendo ali. Por queFudge viera esper-lo no Caldeiro Furado, se no ia castig-lo pelo quefizera? E agora, pensando bem, 
com certeza no era normal um Ministro daMagia se envolverpessoalmente com casos de magia praticada por menores!
Fudge voltou acompanhado de Tom, o dono do bar-hospedaria.
 O quarto onze est livre, Harry  anunciou Fudge.  Achoque voc vai ficar muito bem instalado nele. Mas tem uma coisa, e estoucerto de que vaicompreender... 
No quero voc passeando pela Londres dos trouxas, certo? Fique no Beco Diagonal. E tem que voltar todos os dias antes doescurecer. Tenho certezade que vai compreender. 
Tom vai ficar de olho em voc por mim.
 Tudo bem  disse Harry lentamente , mas por qu...?
 No queremos perd-lo outra vez, no  mesmo?  disseFudge com uma risada calorosa.  No, no...  melhor sabermos onde  quevoc anda... Quero dizer...
Fudge pigarreou alto e apanhou a capa de risca de giz.
 Bom, vou andando, muito que fazer, sabe...
 J teve alguma sorte com o Black?  perguntou Harry.
Os dedos de Fudge escorregaram no fecho de prata da capa.
 Que foi que disse? Ah, voc ouviu falar... Bem, no,ainda no, mas  s uma questo de tempo. Os guardas de Azkaban athoje no falharam... E nunca os vi to 
furiosos. Fudge estremeceuligeiramente.  Ento, vou dizendo at logo.
Ele estendeu a mo, e Harry, ao apert-la, teve uma idiarepentina.
 Ah... Ministro? Posso perguntar uma coisa?
 Com toda certeza  disse Fudge com um sorriso.
 Bom, em Hogwarts os alunos do terceiro ano podem visitarHogsmeade, mas os meus tios no assinaram o formulrio de autorizao. Osenhor achaque poderia?
Fudge pareceu constrangido.
 Ah  respondeu.  No, no, sinto muito, Harry, mas nosou seu pai nem seu guardio...
 Mas o senhor  o Ministro da Magia  disse Harry,ansioso.  Se o senhor me desse autorizao...
 No, sinto muito, Harry, mas regras so regras  disseFudge sem entusiasmo.  Talvez voc possa visitarHogsmeade no ano que vem. De fato, achomelhor voc nem 
ir... ... Bem, vou andando. Aproveite a sua estada aqui,Harry.
E com um ltimo sorriso e um aperto de mo; Fudge deixou asaleta. Tom, ento, adiantou-se sorridente para Harry.
 Se o senhor quiser me acompanhar, Sr. Potter. J leveisuas coisas para cima...
Harry o seguiu por uma bela escada de madeira at uma portacom uma placa de lato de nmero onze, que Tom destrancou e abriu paraele.
Dentro havia uma cama muito confortvel, uma moblia decarvalho muito lustroso, uma lareira em que o fogo crepiravaalegremente e, encarrapitada no alto do armrio...
 Edwiges!  exclamou Harry.
A coruja muito branca deu estalinhos com o bico e voou para obrao de Harry.
 Coruja muito inteligente a sua  disse Tom rindo.  Chegou unscinco minutos depois do senhor. Se precisar de alguma coisa, Sr. Potter,por favor,  spedir.
Ele fez outra reverncia e saiu.
Harry ficou sentado na cama durante muito tempo, acariciando,distrado, as penas de Edwiges. O cu visto pela janela foi mudandorapidamente de um azulescuro e 
aveludado para um cinzento metlico e frio, depois, lentamente,para um rosa salpicado de ouro. Harry mal conseguia acreditar queabandonara a Rua dos Alfeneiroshavia 
apenas algumas horas, que no fora expulso e que, agora, tinhadiante de si duas semanas inteiras sem os Dursley.
 Foi uma noite muito estranha, Edwiges  bocejou ele.
E sem nem ao menos tirar os culos, ele se largou em cima dotravesseiro e adormeceu.










CAPTULO QUATRO
O Caldeiro Furado

Harry levou vrios dias para se acostumar quela estranha liberdade nova.
Nunca antes ele pudera se levantar quando quisesse nem comer o que lhedesse vontade. Podiaat ir aonde desejasse, desde que no sasse do Beco Diagonal, e comoessa 
longa rua de pedras era repleta das lojas de magia mais fascinantesdo mundo,Harryno sentia desejo algum de romper a palavra dada a Fudge e voltar aomundo dos 
trouxas.
Todas as manhs ele tomava o caf no Caldeiro Furado, ondegostava de observar os outros hspedes: bruxas do interior, franzinas eengraadas, que vinhampassar 
o dia fazendo compras; bruxos de aspecto venervel discutindo oltimo artigo do Transfigurao Hoje; bruxos de ar amalucado; anes devoz roufenha; e, umavez, 
algum, que tinha a aparncia suspeita de uma bruxa malvada, pediraum prato de fgado cru, o rosto semi-escondido por uma carapua del.
Depois do caf Harry saa para o ptio dos fundos, puxava avarinha, batia no terceiro tijolo a contar da esquerda, acima do lato delixo, e se afastavaenquanto 
se abria na parede o arco para o Beco Diagonal.
O garoto passou os dias longos e ensolarados explorando as lojase comendo  sombra dosguarda-sis de cores vivas  porta dos cafs, em que os seus companheirosde 
refeio mostravam uns aos outros as compras que tinham feito (" umlunascpio, meu amigo  o fim dessa histria de mexer com tabelas lunares, me entende?") ouento 
discutiam o caso de Sirius Black ("pessoalmente, no vou deixarnenhum dos meus filhossair sozinho at que ele esteja outra vez em Azkaban"). 
Harry noprecisava mais fazer osdeveres de casa debaixo das cobertas,  luz de uma lanterna; agorapodia se sentar  luz do sol, na calada da Sorveteria FloreanFortescue, 
terminar suas redaes e at contar com a ajuda ocasionaldo prprio Florean, que, alm de conhecer a fundo as queimasde bruxas em fogueiras, ainda oferecia a Harry, 
a cadameia hora,sundaes de graa.
Depois de ter reabastecido a carteira com galees deouro,sicles de prata e nuques de bronze retirados do seu cofrenoGringotes, Harry precisava se controlar muito 
para nogastar tudode uma vez. Precisava se lembrar o tempo todo de queainda lhefaltavam cinco anos de escola e que se sentiria mal empedirdinheiro aos Dursley 
para comprar livros de bruxaria, e se segurou parano comprar um belo conjunto de bexigas de ouro macio(umjogo de bruxos parecido com o de bolas de gude, em 
que asbolasespirram um lquido fedorento na cara do outro jogadorquandoele perde um ponto). Harry se sentiu tentadssimo,tambm, porum modelo perfeito de uma 
galxia em movimento, dentro deumgrande globo de vidro, e que teria significado que elejamais precisaria assistir a uma aula de astronomia na vida. Mas a coisaquemais 
testou a fora de vontade de Harry apareceu em sualojapreferida, a Artigos de Qualidade para Quadribol, uma semana depoisdo menino ter chegado ao Caldeiro Furado.
Curioso para saber a razo do ajuntamento diante daloja,Harry foi entrando com jeitinho e se espremendo entre asbruxas ebruxos at conseguir ver um tablado recentemente 
erguido,emque haviam montado a vassoura mais deslumbrante que elej virana vida.
 Acabou de ser lanada... Um prottipo  comentava umbruxo de queixo quadrado para o companheiro.
  a vassoura mais rpida do mundo, no , papai? perguntou a vozinha aguda de um menino mais novo do que Harry, quese pendurava no brao do pai.
 O time internacional da Irlanda acabou de mandarum pedido para sete desses vassoures!  informou o proprietrio da lojaaos presentes.  E o time  o favorito 
para a CopaMundial!
Uma bruxa corpulenta, na frente de Harry, se mexeu e omenino pde ler o cartaz ao lado da vassoura:

FIREBOLT
 Fabricada com tecnologia de ponta, a Firebolt possui um cabo de freixo,superfino e aerodinmico, acabamento com resistnciade diamante e nmero de registro entalhadona 
madeira. As cerdas da cauda, em lascas de btula selecionadas  mo,foram afiladas at atingirem a perfeio aerodinmica, dotando aFirebolt de equilbrio insupervel 
e precisoabsoluta. A Firebolt atinge 240km/Hora em dez segundos e possui um freioencantado de irrefrevel ao. Cotao a pedido.

Cotao a pedido... Harry nem queria pensar quanto ouroa Firebolt custaria. Jamais desejara tanto alguma coisa em toda a suavida mas jamais perdera uma partida 
de Quadribol com a suaNimbus2000, e qual era a vantagem de esvaziar seu cofre noGringotes paracomprar uma Firebolt, quando j possua uma excelentevassoura?
Harry no pediu a cotao, mas voltou, quase todos osdias depoisdisso, s para admirar a Firebolt.
Havia, no entanto, coisas que Harry precisava comprar.
Ele foi Botica para reabastecer seu estoque de ingredientespara poes e,como agora suas vestes escolares estavam vrioscentmetros maiscurtas nos braos e 
nas pernas, ele visitou a MadameMalkin Roupas para Todas as Ocasies e comprou novos uniformes.
E, omais importante, tinha que comprar os novos livros para oano letivo, que incluiriamduas novas matrias: Trato das Criaturas Mgicas e Adivinhao.
Harry teve uma surpresa quando parou para olhar avitrine dalivraria. Em vez da decorao habitual com livros defeitiaria gravadosa ouro, do tamanho de lajotas, 
havia uma grande gaiola de ferrocom uns cem exemplares de O Livro Monstruoso dos Monstros. Pginasarrancadas voavam para todo o lado, enquanto os livros se agrediam 
e seatracavam em furiosas lutas livres e mordidas agressivas.
Harry puxou a lista de livros do bolso e consultou-apela primeiravez.
O Livro Monstruoso dos Monstros estava arrolado como olivro-texto para a matria Trato das Criaturas Mgicas.
Agora elecompreendia por que Hagrid dissera que o livrofuturamente seriatil. Sentiu alvio; andara imaginando se o amigo iaquerer ajudapara cuidar de um novo 
bicho de estimao apavorante.
Quando Harry entrou na Floreios e Borres, o gerenteveiocorrendo ao seu encontro.
 Hogwarts?  perguntou o homem sem rodeios.  Veiocompraros seus livros?
 Vim. Preciso...
 Saia do caminho  disse o gerente empurrando Harrypara olado com impacincia. Em seguida, puxou um par de luvasmuitogrossas, apanhou um bengalo nodoso e rumou 
para a porta dagaiola em que estavam os exemplares de O Livro Monstruoso dos Monstros.
 Espere a  disse Harry depressa , j tenho umdesses.
 J?  Uma expresso de imenso alvio espalhou-se pelorosto do gerente.  Graas a Deus. J fui mordido cinco vezesesta manh...
Um barulho alto de papel rasgado cortou o ar; doislivros monstruosostinham agarrado um terceiro e comeavam a destru-lo.
 Parem com isso! Parem com isso!  exclamou o gerente,enfiando a bengala pelas grades e separando os livros  fora.  Nuncamais vou ter essas coisas em estoque, 
nunca mais! Tem sido umaloucura! Pensei que j tnhamos visto o pior quandocompramosduzentos exemplares de O livro Invisvel daInvisibilidade, custaramuma fortuna 
e nunca achamos os livros... Bem... Tem maisalgumacoisa em que possa lhe servir?
 Tem  disse Harry, consultando a lista de livros ,preciso deEsclarecendo o Futuro, de Cassandra Vablatsky.
 Ah, vai comear a estudar Adivinhao?  perguntou ogerente descalando as luvas e conduzindo Harry ao fundoda loja,onde havia um canto reservado para esse 
assunto. Em umamesinhaestavam empilhados livros como Prevendo o imprevisvel; Proteja-se Contra Choques e Bolas rachadas; Quando aSorte se Transformaem Azar.
 Aqui est  disse o gerente, que subira em umescadote paraapanhar um livro grosso, encadernado de preto.  Esclarecendo oFuturo. Um bom guia para todos os mtodos 
bsicos de adivinhao dofuturo, quiromancia, bolas de cristal, tripas de aves...
Mas Harry no estava escutando. Seu olhar havia pousadoemoutro livro, que fazia parte de um arranjo em outramesinha: Pressgios de morte: O que fazer quando se 
sabe que vai acontecer opior.
 Ah, eu no leria isso se fosse voc  disse o gerentedepassagem, procurando ver o que Harry estava olhando.  Voc vaicomear a ver pressgios de morte por 
todo lado. S isso j suficiente para matar a pessoa de medo.
Mas Harry continuou a encarar a capa do livro; tinha umcopreto do tamanho de um urso, com olhos brilhantes, quelhe pareciaestranhamente familiar...
O gerente ps nas mos de Harry o livro Esclarecendo oFuturo.
 Mais alguma coisa?  perguntou.
 Sim  respondeu Harry, desviando o olhar dos olhos doco e consultando, meio atordoado, a lista.  Ah... Preciso deTransfigurao para o CursoMdio e de O Livro 
Padro de Feitios, 3 srie.
Harry saiu da Floreios e Borres dez minutos depois, com oslivros debaixo do brao, e tomou o rumo do Caldeiro Furadosem reparar aonde ia, esbarrando em vrias 
pessoas.
Subiu as escadas fazendo barulho, entrou em seu quarto e despejouos livros em cima da cama. Algum estivera ali limpando oquarto; as janelas abertas deixavam entrar 
o sol. Harry ouviu osnibus passarem l embaixo, na rua dos trouxas que ele no via, eo som dos transeuntes invisveis no Beco Diagonal. Viu de relanceo seu reflexo 
no espelho acima da pia.
 No pode ter sido um pressgio de morte  disse  suaimagem em tom de desafio.  Eu estava entrando em pnico quando vi aquelacoisa na Rua Magnlia... Provavelmente 
era apenas um co sem dono...
Ele ergueu a mo automaticamente e tentou achatar os cabelos.
 Voc est empenhado em uma batalha perdida, meu querido disse sua imagem com a voz rouca.
 medida que os dias se passavam, Harry comeou a procurar por todo lugaraonde ia um sinal de Rony ou de Hermione. Muitos alunos de Hogwartsvinham ao Beco Diagonalagora, 
com a proximidade do ano letivo. Harry encontrou Simas Finnigan eDino Thomas, companheiros da Grifinria, na Artigos de Qualidade paraQuadribol, onde elestambm 
haviam parado para namorar a Firebolt; encontrou tambm overdadeiro Neville Longbottom, um menino de rosto redondo e muitodesmemoriado,  porta da Floreiose Borres. 
Harry no parou para conversar; Neville parecia ter extraviadoa lista de livros e estava levando um caro da av, uma senhora deaparncia colossal.
Harry desejou que a senhora jamais descobrisse que ele fingira serNeville quando estava fugindo do Ministrio da Magia.
Harry acordou no ltimo dia de frias, com o pensamento deque finalmente iria se encontrar com Rony e Hermione no diaseguinte, no Expresso de Hogwarts. Levantou-se, 
se vestiu e saiupara dar uma ltima espiada na Firebolt, e estava pensando ondeiria almoar, quando algum gritou seu nome e ele se virou.
 Harry! HARRY!
E ali estavam eles, os dois, sentados na calada da SorveteriaFlorean Fortescue. Rony parecendo incrivelmente sardento, Hermione muitobronzeada, os dois acenando 
para ele freneticamente.
 Finalmente!  exclamou Rony, rindo-se enquanto o amigose sentava.  Fomos ao Caldeiro Furado, mas disseram que voctinha sado, fomos  Floreios e Borres, 
 Madame Malkin e...
 Comprei todo o meu material escolar na semana passada explicou Harry.  E como  que vocs sabiam que eu estava hospedado noCaldeiro Furado?
 Papai  disse Rony com simplicidade.
O Sr Weasley, que trabalhava no Ministrio da Magia, claro que soubera da histria toda que acontecera com a tiaGuida.
  verdade que voc transformou a sua tia em um balo? perguntou Hermione num tom muito srio.
 Eu no tive inteno  respondeu Harry, enquanto Ronyrolava de rir. Simplesmente... Perdi o controle.
 No tem a menor graa, Rony.  disse Hermionerispidamente.  Francamente, fico admirada que Harry no tenha sidoexpulso.
 Eu tambm  admitiu Harry.  E nem expulso, pensei queia ser preso.  E olhou para Rony.  Seu pai no sabe por que Fudgeno me castigou, sabe?
 Provavelmente porque era voc, no ?  Rony sacudiu osombros ainda rindo.  O famoso Harry Potter e tudo o mais. Eu nemgostaria de ver o queo Ministrio faria 
comigo se eu transformasse minha tia em balo. Mas nose esquea, eles teriam que me desenterrar primeiro, porque mame jteria me matado antes.  Em todo o caso, 
pode perguntar ao papai hoje  noite. Estamos hospedadosno Caldeiro Furado, tambm! Assim voc pode ir para a estao de King"sCross conosco amanh!  Hermione 
tambm est l!
A garota confirmou com a cabea, radiante.
-Mame e papai me deixaram l hoje de manh com todas asminhas coisas de Hogwarts.
 Fantstico!  exclamou Harry feliz.  Ento voc jcomprou os livros e todo o resto?
 Olhe s para isso  disse Rony, tirando uma caixacompridae fina de uma sacola e abrindo-a.  Uma varinha nova em folha. Trinta e cinco centmetros e meio, salgueiro, 
contendo um fio decauda de unicrnio. E compramos todos os nossos livros...  Eleapontou para uma grande saca embaixo da cadeira.  E aqueles livrosmonstruosos, 
hein? O balconista quase chorou quando dissemos quequeramos dois.
 E isso tudo o que , Mione?  perguntou Harry, apontandono para uma, mas para trs sacas estufadas na cadeira junto amiga.
 Bem,  que vou fazer mais matrias novas do que vocs,no ? Comprei os livros de Aritmancia, de Trato das CriaturasMgicas, de Adivinhao, deEstudo das Runas 
Antigas, de Estudo dos Trouxas...
 Para que  que voc vai fazer Estudo dos Trouxas? perguntou Rony, revirando os olhos para Harry.  Voc nasceu trouxa! Sua me e seu pai so trouxas! Voc j 
sabe tudo sobre trouxas!
 Mas vai ser fascinante estudar os trouxas do ponto devista dos bruxos  disse Hermione muito sria.
 Voc est planejando comer ou dormir este ano, Mione? perguntou Harry, enquanto Rony dava risadinhas abafadas. A garota noligou para os dois.
 Ainda tenho dez galees  disse ela examinando a bolsa.
  meu aniversrio em setembro, e mame e papai me deram umdinheiro para eu comprar um presente de aniversrio antecipado.
 Que tal um bom livro?  perguntou Rony inocentemente.
 No, acho que no  disse Hermione controlando-se.  Oque eu quero mesmo  uma coruja. Quero dizer, Harry tem aEdwiges e voc tem o Errol...
 No tenho, no  respondeu Rony.  Errol  uma coruja defamlia. Meu mesmo s tenho o Perebas.  E tirou o rato de estimao dobolso.  Queromandar examinar 
ele  acrescentou, pousando Perebas na mesa a que estavamsentados.  Acho que o Egito no fez bem a ele.
Perebas estava mais magro do que de costume, e seus bigodespareciam decididamente cados.
 Tem uma loja para criaturas mgicas ali.  disse Harry,que agora conhecia o Beco Diagonal como a palma da mo.  Voc podia verse eles tm algumproduto para 
o Perebas, e Mione podia comprar a coruja.
Assim dizendo, eles pagaram os sorvetes e atravessaram a ruapara ir a Animais Mgicos.
No havia muito espao dentro da loja. Cada centmetro dasparedes estava escondido por gaiolas. Era malcheirosa e barulhenta porqueos ocupantes das gaiolas guinchavam, 
gritavam, palravam, sibilavam. Abruxa ao balco estavaocupada ensinando a um bruxo como cuidar de um trito com dois rabos, porisso Harry, Rony e Hermione aguardaram, 
examinando as gaiolas.
Havia dois enormes sapos roxos que engoliam, com um rudoaquoso, um banquete de moscas-varejeiras mortas. Uma tartaruga gigante,o casco incrustado de pedras preciosas, 
cintilava junto janela. Lesmas venenosas, cor de laranja, subiam lentamente pela parededo seu aqurio, e um coelho branco e gordo no parava de se transformarem 
cartola de cetime novamente em coelho, com um grande estalo. Havia ainda gatos de todasas cores, uma gaiola barulhenta de corvos, uma cesta de engraadas bolasde 
plo creme quezuniam alto, e, em cima do balco, um galoio de ratos negros e luzidiosque brincavam de dar saltos se apoiando nos longos rabos lisos.
O bruxo do trito de dois rabos saiu e Rony se aproximoudo balco.
  o meu rato  disse  bruxa.  Ele tem andado meioindisposto desde que voltamos do Egito.
 Pe ele aqui no balco  pediu a bruxa, tirando do bolsoum par de pesados culos de armao preta.
Rony catou Perebas do bolso interno e depositou-o ao lado dagaiola dos seus companheiros de espcie, que pararam os saltitos ecorreram para as grades para ver 
melhor.
Como todo o resto que Rony possua, Perebas, o rato, era desegunda mo (pertencera ao irmo de Rony, Percy) e era um poucomaltratado. Ao lado dos reluzentesratos 
na gaiola, ele parecia particularmente lastimvel.
 Hum  fez a bruxa, levantando Perebas.  Que idade temesse rato?
 No sei  respondeu Rony.  Ele  bem velho. Foi do meuirmo.
 Que poderes ele tem?  perguntou a bruxa, examinandoPerebas atentamente.
 Ah...  A verdade  que Perebas jamais revelara o menorvestgio de poderes interessantes, o olhar da bruxa se deslocou da orelhaesquerda e esfiapadade Perebas 
para a pata dianteira, que tinha um dedinho a menos, e deu ummuxoxo alto.
 Este aqui j sofreu muito na vida  disse ela.
 J estava assim quando Percy me deu  respondeu Rony sedefendendo.
 No se pode esperar que um rato comum ou rato de jardimcomo esse viva mais do que uns trs anos  disse a bruxa.  Agora se osenhor estiver procurandoalguma 
coisa mais resistente, talvez goste de um desses...
Ela indicou os ratos negros, que imediatamente recomearama saltar. Rony resmungou: 
 Exibidos.
 Bem, se o senhor no quiser outro, pode experimentar umtnico para ratos  disse a bruxa, levando a mo embaixo do balcoe apanhando um frasquinho vermelho.
 Est bem. Quanto...
Rony se encolheu quando uma coisa enorme e laranja saiuvoando do teto da gaiola mais alta e aterrissou na cabea dele, e emseguida avanou e bufou com violncia 
para Perebas.
 NO BICHENTO, NO!  gritou a bruxa, mas Perebasescapuliu entre as suas mos como uma barra de sabo molhado,aterrissou de pernas abertas no cho e disparou 
para a porta.
 Perebas!  berrou Rony, correndo atrs do rato; Harryseguiu-o.
Os dois levaram quase dez minutos para recuperar Perebas, que serefugiara embaixo de um lato de lixo  porta da Artigos de Qualidadepara Quadribol. Ronytornou 
a enfiar o rato trmulo no bolso e se endireitou, massageando oscabelos.
 Que foi aquilo?
 Ou um gato muito grande ou um tigre muito pequeno disse Harry.
 Aonde foi a Mione?
 Provavelmente comprando a coruja.
Eles refizeram o caminho pela rua apinhada de gente at a AnimaisMgicos. Quando iam chegando, viramHermione sair, mas ela no trazia coruja alguma. Seusbraos 
envolviam com firmeza um enorme gato laranja.
 Voc comprou aquele monstro?  perguntou Rony,boquiaberto.
 Ele  lindo, no ?  disse Hermione radiante.
Era uma questo de opinio, pensou Harry. A pelagem do gatoera espessa e fofa, mas ele decididamente tinha pernas arqueadas e umacara de poucos amigos, estranhamente 
amassada, como se tivesse batido defrente numa paredede tijolos. Agora que Perebas no estava  vista, porm, o gato ronronavasatisfeito nos braos de Hermione.
 Mione, essa coisa quase me escalpelou!  reclamou Rony.
 Foi sem querer, no foi, Bichento?  perguntou Hermione.
 E o que vai ser do Perebas?  disse o menino apontandopara o calombo no bolso do peito.  Ele precisa de descanso esossego! Como  que vai terisso com esse 
bicho por perto?
 Isto me lembra que voc esqueceu o seu tnico para ratos  disseHermione, batendo o frasco vermelho na mo de Rony.  Epare de se preocupar, Bichento vai dormir 
no meu dormitrio ePerebas no seu, qual  o problema? Coitado do Bichento, a bruxadisse que ele est na loja h sculos; ningum quis o gato.
 Por que ser?  perguntou Rony com sarcasmo, a caminhodo Caldeiro Furado.
Encontraram o Sr. Weasley sentado no bar, lendo oProfeta Dirio.
 Harry!  exclamou ele, erguendo a cabea e sorrindo.  Como vai?
 Bem, obrigado  respondeu o garoto enquanto ele, Rony eHermione se reuniam ao Sr. Weasley com todas as compras quetinham feito.
O Sr. Weasley ps o jornal de lado e Harry viu a foto de SiriusBlack, agora muito sua conhecida, encarando-o.
 Ento eles ainda no pegaram o homem?  perguntou.
 No  respondeu o Sr. Weasley, parecendo muito srio.  OMinistrio nos tirou do nosso trabalho normal para tentarencontr-lo, mas at agora no tivemos sorte.
 Ns receberamos uma recompensa se o apanhssemos? perguntou Rony.  Seria bom ganhar mais um dinheirinho...
 No seja ridculo, Rony  disse o Sr. Weasley, que a umolhar mais atento parecia muito tenso.  Black no vai ser apanhado porum bruxo de trezeanos. Os guardas 
de Azkaban  que vo lev-lode volta, escreva o que digo.
Naquele momento a Sra. Weasley entrou no bar, carregada desacas e acompanhada pelos gmeos, Fred e Jorge, que iam comearo quinto ano em Hogwarts; Percy, o recm 
eleito monitor-chefe; e Gina, acaula e nica menina da famlia.
Gina, que sempre teve um xod por Harry, pareceu ainda maisconstrangida do que de costume, talvez porque o menino lhe salvara a vidano ano anterior, emHogwarts. 
Ela ficou muito corada e murmurou um "ol", sem olhar paraHarry. Percy, porm, estendeu a mo solenemente como se ele e o colegajamais tivessem se encontradoe 
disse:
 Harry. Que prazer em v-lo.
 Ol, Percy  respondeu Harry, tentando conter o riso.
 Voc est bem, espero?  continuou Percy pomposo,durante o aperto de mos. Parecia at que estava sendo apresentado aoprefeito.
 Muito bem, obrigado...
 Harry!  exclamou Fred, empurrando Percy com oscotovelos e fazendo uma grande reverncia.   simplesmente esplndidoencontr-lo, meu caro...
 Maravilhoso  disse Jorge, empurrando Fred para o ladoe, por sua vez, apertando a mo de Harry.  Absolutamente maravilhoso.
 Agora chega  interrompeu-os a Sra. Weasley.
 Me!  exclamou Fred como se tivesse acabado deavist-la, apertando-lhe a mo tambm:   realmente formidvel encontr-la...
 Eu j disse que chega  disse a Sra. Weasley,descansando as compras em uma cadeira vazia.  Ol, Harry, querido. Suponho que tenha sabido das nossaseletrizantes 
novidades?  Ela apontou para o distintivo de prata novinhoem folha no peito de Percy.   o segundo monitor-chefe na famlia! -exclamou, inchadade orgulho.
 E o ltimo  resmungou Fred para si mesmo.
 No duvido nada  disse a Sra. Weasley, franzindo atesta de repente.  Estou reparando que at hoje vocs dois no forampromovidos a monitores.
 E para que  que ns queremos ser monitores?  perguntouJorge, parecendo se indignar at com a prpria idia.  Isso tirariatoda a graa da vida.
Gina abafou o riso.
 Vocs deviam dar um exemplo melhor para sua irm! ralhoua Sra. Weasley.
 Gina tem outros irmos para lhe dar exemplo, me  dissePercy com altivez.  Vou mudar de roupapara o jantar...
Ele desapareceu e Jorge deixou escapar um suspiro.
 Bem que a gente tentou trancar ele numa pirmide  dissea Harry.  Mas a mame flagrou a gente no ato.
O jantar quela noite foi muito agradvel. Tom, o dono do bar-hospedaria,juntou trs mesas na sala, e os seteWeasley, Harry e Hermione traaram cinco pratos maravilhosos.
 Como vamos para a estao de King"s Cross amanh, papai?  perguntou Fred quando enfiavam a colher em um suntuoso pudim dechocolate.
 O Ministrio vai mandar dois carros  disse o Sr. Weasley. Todos ergueram os olhos para ele.
 Por qu?  perguntou Percy, curioso.
 Por sua causa, Percy  disse Jorge, srio.  E vo botarbandeirinhas em cima dos caps, com as letrasTC... 
 ... Significando Tremendo Chefo  completou Fred.
Todos,  exceo de Percy e da Sra. Weasley, deram risadinhasbaixando o rosto para os pudins.
 Por que  que o Ministrio vai mandar carros, pai? Percy repetiu a pergunta, num tom muito digno.
 Bem, como no temos mais nenhum  disse o Sr. Weasley ,e como trabalho l, eles vo me fazer esse favor...
Sua voz era displicente, mas Harry no pde deixar de notar queas orelhas do Sr. Weasley tinham ficado vermelhas, iguais s de Ronyquando o pressionavam.
 E ainda bem  disse a Sra. Weasley, animada.  Vocsfazem idia de quanta bagagem tm juntos? Que bela figura vocs fariamno metr dos trouxas... Todo mundo 
j est de mala pronta ou no?
 Rony ainda no guardou todas as coisas novas no malo disse Percy, com voz de sofredor.  Largou tudo em cima da minhacama.
  melhor voc subir e guardar tudo direito, Rony porqueno vamos ter tempo amanh cedo  disse a Sra. Weasley alto, parao filho sentado mais longe. Rony amarrou 
a cara para Percy.
Depois do jantar todos se sentiram satisfeitos e cheios de sono.
Um a um foram subindo para os quartos para verificar as coisas para o diaseguinte. Rony e Percy estavam hospedados no quarto ao lado de Harry. Eleacabara de fechare 
trancar seu malo quando ouviu vozes zangadas atravs da parede, e foiver o que estava acontecendo.
A porta do quarto doze estava entreaberta e Percy gritava:
 Estava aqui, em cima da mesa-de-cabeceira, eu o tireipara polir...
 Eu no peguei, est bem?  berrava Rony em resposta.
 Que est acontecendo?  perguntou Harry.
 Meu distintivo de monitor-chefe sumiu  respondeu Percyvirando-se irritado para Harry.
 E o tnico para ratos de Perebas tambm  falou Rony,jogando as coisas para fora do malo para procur-lo.  Acho quedeixei o frasco no bar...
 Voc no vai a lugar nenhum at achar o meu distintivo berrou Percy.
 Eu vou buscar o remdio do Perebas. J fiz a mala disse Harry a Rony, e desceu.
Harry estava no corredor a meio caminho do bar, agora maliluminado, quando ouviu outras duas vozes zangadas que vinham da sala. Umsegundo depois, ele asreconheceu 
como sendo as do Sr. e da Sra. Weasley. Hesitou, sem quererque eles soubessem que os ouvira discutindo, mas a meno do seu nome ofez parar, e, numsegundo momento, 
se aproximar da porta da sala.
 ... No faz sentido no contar a ele  o Sr. Weasleydizia, veemente.  O garoto tem o direito de saber. Tentei dizer isso aFudge, mas ele insisteem tratar Harry 
como criana. O menino j tem treze anos e...
 Arthur, a verdade iria aterrorizar Harry!  disse a Sra. Weasley com a voz esganiada.  Voc quer mesmo mandar Harry de volta escola com essaameaa pairando 
sobre a cabea dele? Pelo amor de Deus, ele est felizsem saber de nada!
 No quero faz-lo infeliz, quero deix-lo de sobreaviso!  retrucou o Sr. Weasley.  Voc sabe como so o Harry e o Ronyandando por a sozinhos, j foram parar 
na Floresta Proibida duasvezes! Mas Harry no pode fazer isto este ano! Quando penso o quepoderia ter acontecido a ele na noite em que fugiu de casa! Se oNitibus 
no o tivesse apanhado, aposto que ele estaria mortoantes do Ministrio encontr-lo.
 Mas ele no est morto, est so e salvo, ento qual  osentido...
 Molly, dizem que Sirius Black  doido, e talvez seja, mas elefoi suficientemente esperto para fugir de Azkaban, e isto  umacoisa que todos supem que seja impossvel. 
J faz trs semanas e nemsinal dele, e no dou a mnima para o que Fudge vive declarando aoProfetaDirio, estamos to prximos de apanhar Black quanto estamos 
de inventaruma varinha que funcione sozinha. A nica coisa de que temos certeza que Black est atrsde...
 Mas Harry est perfeitamente seguro em Hogwarts.
 Achvamos que Azkaban era perfeitamente segura. Se Blackfoi capaz de sair de Azkaban, ento  capaz de entrar em Hogwarts.
 Mas ningum tem realmente certeza de que Black estejaatrs de Harry...
Ouviu-se um baque seco na mesa e Harry no teve dvida de que oSr. Weasley tinha dado um soco na mesa.
 Molly, quantas vezes preciso lhe dizer a mesma coisa? Aimprensa no noticiou porque Fudge no queria que houvesse escndalo, masFudge foi atAzkaban na noite 
em que Black fugiu. Os guardas lhe disseram que Blackandava falando durante o sono havia algum tempo. Sempre as mesmaspalavras: "Ele est em Hogwarts... Ele est 
em Hogwarts." Black  desequilibrado, Molly, e quer ver Harrymorto. Se voc quer saber, ele acha que se matar Harry vai trazer Voc-Sabe-Quem de voltaao poder. 
Black perdeu tudo naquela noite em que Harry deteve Voc-Sabe-Quem, e passou doze anos sozinho em Azkaban pensandonisso..
Fez-se silncio. Harry chegou mais perto da porta, desesperadopara ouvir mais.
 Bem, Arthur, voc deve fazer o que acha que  certo. Masest se esquecendo de Alvo Dumbledore. Acho que nada poder fazer mal aHarry em Hogwartsenquanto Dumbledore 
for o diretor. Suponho que ele esteja sabendo de tudoisso.
 Claro que sabe. Tivemos que lhe perguntar se seimportava que os guardas de Azkaban tomassem posio junto s entradas daescola. Ele no ficou muito satisfeito, 
mas concordou.
 No ficou satisfeito? Por que no ficaria satisfeito, se os guardasesto l para agarrar o Black?
 Dumbledore no gosta dos guardas de Azkaban  disse o Sr. Weasley deprimido.  Nem eu, se voc quer saber... Masestar lidando com um bruxo como Black, por vezes 
a gente tem que se aliarcom gente que se prefere evitar. Se eles salvarem Harry... Ento nunca mais direi uma palavra contra eles  disse o Sr. Weasley cansado. 
 J est tarde, Molly,  melhor subirmos...
Harry ouviu as cadeiras serem mexidas. O mais silenciosamente quepde, correu pelo corredor at o bar e desapareceu de vista. A porta dasala se abriu,e alguns 
segundos depois o rudo de passos lhe informou que o Sr. e aSra. Weasley estavam subindo as escadas.
O frasco de tnico para ratos estava debaixo da mesa  qual ogrupo se sentara mais cedo. Harry esperou at a porta do quarto do Sr. eda Sra. Weasley sefechar, 
depois tornou a subir levando o vidro.
Encontrou Fred e Jorge agachados nas sombras do patamar, rindo amais no poder de ouvir Percy desmontar o quarto que ocupava com Rony, procura do distintivo.
 Est conosco  sussurrou Fred a Harry  Andamos dando umamelhorada nele.
No distintivo agora se lia Tremendo Chefo.
Harry forou uma risada, foi entregar a Rony o frasco de tnicopara ratos, depois se trancou em seu quarto e foi se deitar.
Ento Sirius Black estava atrs dele. Isto explicava tudo. Fudgeter sido indulgente porque ficara aliviadssimo de encontr-lo vivo.
Fizera Harry prometerno sair do Beco Diagonal onde havia um grande nmero de bruxos paravigi-lo. E ia mandar dois carros do Ministrio para lev-los  estaono 
dia seguinte, demodo que os Weasley pudessem cuidar de Harry at ele embarcar no trem.
Harry ficou deitado ouvindo a gritaria abafada no quarto vizinho eimaginando por que no se sentia mais apavorado. Sirius Black mataratreze pessoas com uma maldio;
O Sr. e a Sra. Weasley obviamente pensavam que Harry entraria em pnicose soubesse da verdade. Mas, por acaso, Harry concordava inteiramente como Sr, Weasley queo 
lugar mais seguro da terra era aquele em que Alvo Dumbledoreacontecesse de estar. As pessoas nodiziam sempre que Dumbledore era a nica pessoa de quem Lord Voldemort 
jtivera medo? Com certeza Black, sendo o brao direito de Voldemort, noteria tambmigual medo do diretor?
E agora havia os guardas de Azkaban de quem todos no paravam defalar. Eles pareciam deixar as pessoas paralisadas de pavor e, se estavamdeprontidoa toda volta 
da escola, as chances de Black entrar l pareciam muitoremotas.
No, considerando tudo, a coisa que mais incomodava Harry era ofato de que suas chances de visitarHogsmeade agora eram zero.
Ningum iria querer que Harry deixasse a segurana do castelo atBlack ser apanhado; alis, Harry suspeitava que todos os seus movimentosseriam atentamentevigiados 
at que o perigo passasse.
Olhou zangado para o teto escuro. Ser que achavam que ele nosabia se cuidar? J escapara de Lord Voldermort trs vezes; no era umcompleto intil...
Sem que ele quisesse, a imagem do animal nas sombras da RuaMagnlia perpassou sua mente. Que  que se faz quando se sabe queo pior est por vir...
 Eu no vou ser morto  disse Harry em voz alta.
  assim que se fala, querido  disse seu espelho, cheio de sono.







CAPTULO CINCO
O Dementador

No dia seguinte, Tom acordou Harry, com o seu habitual sorriso banguela euma xcara de ch. O garoto se vestiu, e tentava convencer uma maldisposta Edwiges a entrarna 
gaiola quando Rony irrompeu no quarto, vestindo um suter pela cabeae parecendo irritado.
 Quanto mais cedo embarcarmos no trem melhor  disse. Pelo menos posso fugir do Percy em Hogwarts. Agora ele est me acusandode pingar ch nafoto da Penelope 
Clearwater. Sabe  disse Rony com uma careta , aquelanamoradinha dele. Ela escondeu a cara na moldura porque ficou com o nariztodoborrado...
 Tenho uma coisa para lhe dizer  comeou Harry, mas foraminterrompidos por Fred e Jorge, que meteram a cara no quarto paracumprimentar Rony por ter enfurecido 
Percy novamente.
Eles desceram para tomar caf, e encontraram o Sr. Weasley lendoa primeira pgina do Profeta Dirio com a testa franzida e a Sra. Weasleydescrevendo paraHermione 
e Gina a poo de amor que preparara quando era moa. As trsno paravam de rir.
 Que  que voc ia me dizer?  perguntou Rony a Harryquando se sentaram.
 Depois  murmurou Harry na hora em que Percy irrompeupela sala.
Harry no teve mais oportunidade de falar com Rony nem comHermione nocaos da partida ficaram demasiado ocupados, descendo as malas pelaestreita escada doCaldeiro 
Furado e empilhando-as perto da porta, com Edwiges e Hermes, acoruja de Percy, encarapitadas no alto das gaiolas. Uma cestinha de vimefora deixada aolado da pilha 
de malas, de onde alguma coisa bufavaruidosamente.
 Tudo bem, Bichento  tranqilizou-o Hermione pelasfrestasdo vime.  Vou soltar voc no trem.
 No vai, no  retorquiu Rony.  O que vai ser do coitado doPerebas,hein?
O menino apontou para o prprio peito, onde um grandecalombo indicava que Perebas estava enroscado no bolso interno da veste.
O Sr. Weasley, que estivera  porta aguardando os carrosdo Ministrio, meteu a cabea na entrada do Caldeiro.
 Eles chegaram  anunciou.  Harry, vamos.
O Sr. Weasley cruzou atrs de Harry o trechinho de caladaentre a hospedaria e o primeiro dos dois carros verde-escuros eantiquados, cada um dirigidopor um bruxo 
de aparncia furtiva, vestido de veludo verde-vivo.
 Para dentro, Harry  disse o Sr. Weasley, verificando um lado eoutro da rua movimentada.
Harry entrou no banco traseiro do carro e se reuniram a eleHermione, Rony e, para desgosto de Rony, Percy.
A viagem at King"s Cross foi muito tranqila se comparada  deHarry no Nitibus Andante. Os carros do Ministrio da Magia pareciamquase comuns, emboraHarry reparasse 
que eram capazes de deslizar por espaos apertados que onovo carro da companhia do tio Vlter certamente no teria podido. Ogrupo chegou  estaode King"s Cross 
com vinte minutos de antecedncia; os motoristas doMinistrio apanharam carrinhos, descarregaram a bagagem, cumprimentaram oSr. Weasley, levandoa mo ao chapu, 
e partiram, conseguindo, sabe-se l como, tomar adianteira de uma fila de carros parados no sinal luminoso.
O Sr. Weasley manteve-se colado no cotovelo de Harry todoo percurso at a estao.
 Certo ento  disse ele olhando para todos os lados.  Vamosfazer isso aos pares, porque somos muitos. Eu passo primeiro com Harry.
O Sr. Weasley dirigiu-se  barreira entre as plataformasnove e dez, empurrando o carrinho de malas e aparentemente muitointeressado no Interurbano que acabara 
de parar na plataforma nove. Com um olhar expressivo paraHarry, ele se encostou displicentemente na barreira. O garoto imitou-o.
Num segundo, os dois atravessaram de lado a slida parede demetal e saram na plataforma 9 e , quando ergueram acabea, viram o Expresso de Hogwarts, um trem 
vermelho a vapor,que soltava baforadas de fumaa na plataforma apinhada de bruxas e bruxosque foram levar os filhos ao embarque.
Percy e Gina apareceram de repente atrs de Harry. Ofegavame pelo jeito tinham corrido para atravessar a barreira.
 Ah, olha l a Penelope!  falou Percy, alisando oscabelos e corando de novo. O olhar deGina surpreendeu o de Harry, e os dois se viraram paraesconder o riso, 
enquanto Percy ia ao encontro da menina de cabeloslongos e cacheados, com o peito estufado para que ela no deixasse dereparar no seu distintivoreluzente.
Depois que os outros Weasley e Hermione se reuniram a eles, Harrye o Sr. Weasley saram andando at os ltimos carros do trem, passandopor cabines cheias,at 
uma que lhes pareceu bem vazia. Embarcaram as malas na cabine,guardaram Edwiges e Bichento no bagageiro, depois tornaram a sair paraque todos pudessem se despedirdo 
Sr. e da Sra. Weasley.
A Sra. Weasley beijou os filhos, depois Hermione e, por fim,Harry. O menino ficou encabulado, mas gostou bastante quandoela lhe deu mais um abrao.
 Voc vai se cuidar, no vai, Harry?  recomendou asenhora, se endireitando, com um brilho estranho nos olhos. Depois,abriuuma enorme bolsa e disse:
 Fiz sanduches para todos... Tome aqui, Rony... No, no so de carneenlatada... Fred? Onde se meteu o Fred? Tome aqui, querido...
 Harry  disse o Sr. Weasley discretamente , venha ataqui um instante.
Indicou com a cabea uma coluna, e Harry acompanhou-o atdetrs dela, deixando os outros amontoados em volta da Sra. Weasley.
 H uma coisa que preciso dizer antes de voc embarcar...  comeou o Sr. Weasley com a voz tensa.
 Tudo bem, Sr. Weasley. Eu j sei.
 Voc sabe? Como poderia saber?
 Eu... Ah... Ouvi o senhor e a Sra. Weasley conversandoontem  noite. No pude deixar de ouvir  Harry acrescentou rapidamente.  Me desculpe...
 No era assim que eu queria que voc tivesse sabido disse oSr. Weasley, parecendo aflito.
 No... Sinceramente, tudo bem. Assim o senhor no faltoucom a palavra que deu ao Fudge e eu sei o que est acontecendo.
 Harry, voc deve estar apavorado...
 No estou  disse Harry honestamente.  Verdade acrescentou, porque o Sr. Weasley fazia cara de descrena.  No estoutentando bancar o heri, mas, srio, o 
Sirius Black no pode serpior do que o Voldemort, pode?
O Sr. Weasley se perturbou ao som daquele nome, masconseguiu disfarar.
 Harry, eu sabia que voc tinha mais fibra do que Fudgeparece imaginar, e  bvio que fico feliz em constatar que voc no sesente apavorado, mas...
 Arthur!  chamou a Sra. Weasley, que agora tocava osgarotos para embarcar no trem.  Arthur, que  que voc est fazendo? O trem j vai sair!
 Ele j est indo, Molly!  respondeu o Sr. Weasley, masvoltou sua ateno para Harry e continuou a falar em tom mais baixo emais apressado.
 Oua, eu quero que voc me d sua palavra...
 ... De que serei um bom menino e no sairei do castelo?  disse Harry com tristeza.
 No  bem isso  disse o Sr. Weasley, que parecia maissrio do que Harry jamais o vira.  Harry, jure que voc no vai sairprocurando o Black.
Harry arregalou os olhos.
 Qu?
Ouviu-se um apito forte. Guardas caminhavam ao lado do trem,batendo as portas para fech-las.
 Prometa, Harry  disse o Sr. Weasley, falando ainda maisdepressa , que acontea o que acontecer...
 Por que eu iria sair procurando algum que eu sei quequer me matar?  perguntou Harry sem entender.
 Prometa que oua o que ouvir...
 Arthur, vamos rpido!  chamou a Sra. Weasley.
O vapor saia da chamin da locomotiva em gordas nuvens; otrem comeara a se mexer. Harry correu para a porta da cabine e Ronyabriu-a e se afastoupara o amigo 
embarcar. Os dois se debruaram na janela e acenaram para oSr. e a Sra. Weasley at o trem fazer uma curva e o casal desaparecer devista.
 Preciso falar com vocs em particular  murmurou Harrypara Rony e Hermione quando o trem ganhou velocidade.
 Vai saindo, Gina  disse Rony.
 Ah, quanta gentileza  respondeu a garota aborrecida,mas se afastando sem pressa.
Harry, Rony e Hermione saram pelo corredor  procura de umacabine vazia, mas todas estavam cheias exceto uma bem nofinalzinho do trem.
Esta tinha apenas um ocupante, um homem que estava ferrado nosono ao lado da janela. Os garotos pararam  porta. O Expresso deHogwarts era em geral reservado aos 
estudantes e, at ento, elesnunca tinham visto um adulto a bordo, exceto a bruxa que passava com acarrocinha decomida.
O estranho usava um conjunto de vestes de bruxoextremamente surradas e cerzidas em vrios lugares. Parecia doente ecansado. Embora fosse jovem,seus cabelos castanho-claros 
estavam salpicados de fios brancos.
 Quem vocs acham que ele ?  sibilou Rony quando sesentaram e fecharam a porta, ocupando os assentos mais afastados dajanela.
 O Prof. R. J. Lupin  cochichou Hermione na mesma hora.
 Como  que voc sabe?
 Est na maleta  respondeu a menina, apontando para obagageiro acima da cabea do homem, onde havia uma maleta gasta eamarrada com vrios fiosde barbante caprichosamente 
tranados. O nome Prof. R. J. Lupin estavaestampado a um canto em letras descascadas.
 Que ser que ele ensina?  perguntou Rony, amarrando acara para o perfil plido do homem.
  bvio  sussurrou Hermione.  S existe uma vaga, no? Defesa contra as Artes das Trevas.
Harry, Rony e Hermione j tinham tido dois professores nessamatria, e ambos s duraram um ano letivo. Corriam boatos de que o cargoestava enfeitiado.
 Bem, espero que ele esteja  altura  disse Rony em tomde dvida.  D a impresso de que um bom feitio acabaria com ele devez, no acham? Emtodo o caso... 
 Rony virou-se para Harry.
 Que  que voc ia nos dizer?
Harry contou toda a conversa entre o Sr. e a Sra. Weasley e oalerta que aquele senhor acabara de lhe dar. Quando terminou, Rony olhavaabobado e Hermionecobrira 
a boca com as mos. Finalmente a menina baixou as mos e disse:
 Sirius Black fugiu para vir atrs de voc? Ah, Harry... Voc vai ter que tomar muito, mas muito cuidado. No vai sair por aprocurando encrenca,Harry...
 Eu no saio por a procurando encrenca  respondeuHarry, irritado.  Em geral as encrencas  que vm ao meu encontro.
 Harry teria que ser um bocado obtuso para sairprocurando um biruta que quer mat-lo, no acha? falou Rony com a voztremula.
Eles estavam reagindo s noticias pior do que Harry esperara.
Tanto Rony quanto Hermione pareciam ter muito mais medo de Black do queele prprio.
 Ningum sabe como foi que o homem fugiu de Azkaban disse Rony embaraado.  Ningum jamais tinha feito isso antes. E aindapor cima, ele era umprisioneiro de 
segurana mxima.
 Mas vo peg-lo, no vo?  perguntou Hermione muitosria.  Quero dizer, todos os trouxas esto procurando Black tambm...
 Que barulho foi esse?  perguntou Rony de repente. Umaespcie de apitinho fraco vinha de algum lugar. Os garotos procuraram portoda a cabine.
 Est vindo do seu malo, Harry  disse Rony selevantando e esticando os braos para o bagageiro. Pouco depois retiravao bisbilhoscpio de bolso,que fora guardado 
entre as vestes de Harry.
O objeto girava muito rpido na palma da mo de Rony e emitia um brilhointenso.
 Isso  um bisbilhoscpio?  perguntou Hermione,interessada, levantando-se para ver melhor.
 ... E veja bem,  dos baratinhos  disse Rony. Endoidou quando o amarrei na perna de Errol para mandar paraHarry.
 Voc estava fazendo alguma coisa suspeita na hora? perguntou Hermione astutamente.
 No! Bem... Eu no devia estar usando o Errol. Vocsabe, ele no pode realmentefazer viagens longas... Mas como  que eu ia mandar o presente doHarry?
 Ponha-o de volta no malo  aconselhou Harry enquanto obisbilhoscpio continuava a apitar baixinho , seno vamos acordar ohomem.
O menino indicou o Prof. Lupin com a cabea. Rony enfiou obisbilhoscpio dentro de um par de meias velhas do tio Vlterparticularmente horrendas, o que abafou 
o som, depois fechou atampa do malo.
 Poderamos mandar verificar esse bisbilhoscopio emHogsmeade  disse Rony, sentando-se outra vez.  Vendem essas coisas naDervixes e Bangues, instrumentosmgicos 
e artigos sortidos. Foi o que Fred e Jorge me contaram.
 Voc conhece muita coisa de Hogsmeade?  perguntouHermione interessada.  Li que  o nico povoado inteiramentebruxo da Gr-Bretanha...
 , acho que   disse Rony meio sem pensar , mas no por isso que quero ir l. S quero conhecer a Dedosdemel!
 E o que  a Dedosdemel?  perguntou Hermione.
  uma loja de doces  disse Rony, com uma expressosonhadora assomando em seu rosto , que tem detudo.. Diabinhos de Pimenta... Que fazem a bocafumegar... E 
enormes Chocobolas recheadas de musse de morango e cremecozido, e Canetas de acar realmente timas, que a gente pode chupar emclasse e fazer deconta que est 
pensando no que se vai escrever...
 Mas Hogsmeade  um lugar muito interessante, no ? insistiu Hermione, pressurosa. O livro Stios Histricos da Bruxaria dizque a estalagemfoio quartel-general 
da Revolta dos Duendes de 1612, e diz que a Casa dosGritos  o prdio mais mal-assombrado da Gr-Bretanha...
 E bolas macias de sorvete de frutas que fazem a gente levitaruns centmetros acima do cho enquanto est comendo  continuou Rony, quedecididamente noestava 
ouvindo uma palavra do que Hermione dizia.
A garota virou-se para Harry.
 No vai ser timo sair um pouco da escola e explorarHogsmeade?
 Imagino que sim  respondeu Harry deprimido.  Voc vaiter que me contar quando descobrir.
 Como assim?  perguntou Rony.
 No posso ir. Os Dursley no assinaram o meuformulrio deautorizao e o Fudge tambm no quis assinar.
Rony fez uma cara de horror.
 Voc no tem autorizao para ir? Mas... Nem pensar... McGonagall ou algum vai ter que lhe dar essa autorizao...
Harry deu uma risada forada. A Prof. McGonagall, diretora daGrifinria, era muito rigorosa.
 ... Ou podemos apelar para o Fred e o Jorge, elesconhecem todas as passagens secretas para sair do castelo...
 Rony!  ralhou Hermione com severidade.  Acho que oHarry no devia sair escondido da escola com o Black solto por a...
 , imagino que  o que McGonagall vai dizer quando eupedir autorizao  disse Harry amargurado.
 Mas se ns estivermos com ele  disse Rony, animado, aHermione  Black no ousaria...
 Ah, Rony, no diz besteira  retrucou Hermione.  Blackj matou um monte de gente bem no meio de uma rua movimentada. Voc achamesmo que ele vaise preocupar 
se vai ou no atacar Harry s porque ns estamos presentes?
Hermione mexia com as alas da cesta de Bichento enquanto falava.
 No solta essa coisa!  exclamou Rony, mas tarde demais;
Bichento saltou com leveza da cesta, espreguiou-se, bocejou e pulou nosjoelhos de Rony;
O calombo no peito do menino estremeceu e ele empurrou Bichento comraiva.
 D o fora daqui!
 Rony, no!  disse Hermione, zangada.
O menino ia responder quando o Prof. Lupin se mexeu. Eleso miraram com apreenso, mas ele simplesmente virou a cabea para o outrolado, a boca ligeiramenteentreaberta, 
e continuou a dormir.
O Expresso de Hogwarts rodava numa velocidade constantepara o norte e o cenrio  janela ia se tornando cada vez mais bravio eescuro enquanto asnuvens, no alto, 
se avolumavam. Estudantes passavam pela porta da cabinecorrendo para cima e para baixo. Bichento agora se acomodara num assentovazio, a cara amassadavirada para 
Rony, os olhos amarelos cravados no bolso do peito dele.
 uma hora, a bruxa gorducha com o carrinho de comida chegou porta da cabine.
 Vocs acham que a gente devia acordar o professor? perguntou Rony sem graa, indicando Lupin com a cabea.  Ele est comcara de quem podia comeralguma coisa.
Hermione se aproximou cautelosamente do homem.
 Hum... Professor? Com licena, professor?
O homem no se mexeu.
 No se preocupe, querida  disse a bruxa entregando a Harry umamontanha de bolos de caldeiro.  Se ele tiver fome quando acordar, vouestar l na frentecom 
o maquinista.
 Suponho que ele esteja dormindo  disse Rony baixinho quando abruxa fechou a porta da cabine.  Quero dizer: ele no morreu, no ?
 No, est respirando  sussurrou Hermione, pegando o bolo decaldeiro que Harry lhe passava.
Talvez o Prof. Lupin no fosse uma tima companhia, mas suapresena na cabine dos garotos tinha suas vantagens. No meio da tarde,bem na hora em que a chuvacomeou 
a cair, embaando os contornos das colinas ondulantes por quepassavam, os meninos ouviram novamente passos no corredor, e surgiram porta astrs pessoas que eles 
menos gostavam no mundo: Draco Malfoy, ladeadopelos seus asseclas, Vicente Crabbe eGregrio Goyle.
Draco Malfoy e Harry eram inimigos desde que se encontraram naprimeira viagem de trem para Hogwarts. Malfoy, que tinha uma caradesdenhosa, plida e pontuda,era 
aluno da Sonserina; jogava como apanhador no time de sua casa, amesma posio de Harry no time daGrifinria. Crabbe e Goyle pareciam existir para fazer o queDraco 
mandava. Eram grandes e musculosos; Crabbe, mais alto, tinha umpescoo muito grosso e um corte de cabelos decuia; os cabelos de Goyle eram curtos e espetados,e 
seus braos compridos como os de um gorila.
 Ora! vejam s quem est aqui  disse Draco naquela sua vozarrastada, abrindo a porta da cabina, Potinha e Fuinha.
Crabbe e Goyle riram feito trasgos.
 Ouvi dizer que seu pai finalmente ps as mos no ouro nestevero  disse Malfoy.  Sua me no morreu do choque?
Rony se levantou to depressa que derrubou a cesta deBichento no cho. O Prof. Lupin soltou um pequeno ronco.
 Quem  esse ai?  perguntou Draco, dando automaticamente umpasso atrs, ao ver Lupin.
 Professor novo  disse Harry que se levantou tambm, casoprecisasse segurar Rony.  Que  que voc ia dizendo mesmo, Draco?
Os olhos muito claros do menino se estreitaram; ele no erabobo de puxar uma briga bem debaixo do nariz de um professor.
 Vamos  murmurou Draco, contrariado, para Crabbe e Coyle, e ostrs sumiram.
Harry e Rony tornaram a se sentar, Rony massageando os ns dosdedos.
 No vou aturar nenhum desaforo de Draco este ano  dissecheio de raiva.  Estou falando srio. Se ele disser mais uma piadinhasobre a minha famlia,vou agarrar 
a cabea dele e...
Rony fez um gesto violento no ar.
 Rony  sibilou Hermione, apontando para o Prof. Lupin ,cuidado...
Mas o Prof. Lupin continuava ferrado no sono.
A chuva engrossava  medida que o trem avanava mais para onorte; as janelas agora iam se tornando um cinza slido e tremeluzente,que gradualmente escureceuat 
as lanternas se acenderem nos corredores e por cima dos bagageiros. Otrem sacolejava, a chuva fustigava, o vento rugia, mas, ainda assim, oProf. Lupin continuavaadormecido.
 Devemos estar quase chegando  disse Rony, curvando-separa frente para olhar, alm do professor, a janela agora completamenteescura.
Nem bem essas palavras tinham sado de sua boca e o trem comeoua reduzir a velocidade.
 Legal  exclamou Rony, levantando-se e passando com todoo cuidado pelo Prof. Lupin para tentar ver l fora.  Estou morrendo defome. Quero chegarlogo para 
o banquete...
 Ns ainda no chegamos  disse Hermione, consultando orelgio.  Ento por que estamos parando?
O trem foi rodando cada vez mais lentamente. Quando oronco dos pistes parou, o barulho do vento e da chuva de encontro sjanelas pareceu mais forteque nunca.
Harry, que estava mais prximo da porta, levantou-se paraespiar o corredor. Por todo o carro, cabeas, curiosas, surgiram porta das cabines.
O trem parou completamente com um tranco, e baques epancadas distantes sinalizaram que as malas tinham despencado dosbagageiros. Em seguida, semaviso, todas as 
luzes se apagaram e eles mergulharam em total escurido.
 Que  que est acontecendo?  ouviu-se a voz de Rony scostas de Harry.
 Ai!  exclamou Hermione.  Rony, isto  o meu p!
Harry voltou ao seu lugar, s apalpadelas.
 Vocs acham que o trem enguiou?
 No sei...
Ouviu-se um barulho de pano esfregando vidro e Harry viu oscontornos difusos de Rony desembaando um pedao da vidraada janela para espiar.
 Tem uma coisa se mexendo l fora  disse ele.  Acho queest embarcando gente no trem...
A porta da cabine se abriu repentinamente e algum caiu porcima das pernas de Harry, machucando-o.
 Desculpe... Voc sabe o que est acontecendo?... Ai... Desculpe...
 Ai, Neville  disse Harry tateando no escuro elevantando o colega pela capa.
 Harry?  voc? Que  que est acontecendo?
 No tenho idia... Senta...
Ouviu-se um sibilo forte e um ganido de dor; Neville tentara sesentar em cima doBichento.
 Vou perguntar ao maquinista o que est acontecendo ouviu-se a voz de Hermione. Harry sentiu a amiga passar por ele,ouviu a porta deslizar, e em seguida um baque 
e dois berros de dor.
 Quem ?
 Quem ?
 Gina?
 Mione?
 Que  que voc est fazendo?
 Estava procurando o Rony!
 Entra aqui e senta...
 Aqui no!  disse Harry depressa.  Eu estou aqui!
 Ai!  disse Neville.
 Silncio!  ordenou uma voz rouca, de repente.
O Prof. Lupin parecia ter finalmente acordado. Harry ouviumovimentos no canto em que ele estava. Ningum disse nada.
Seguiu-se um estalinho e uma luz trmula inundou a cabine. Peloque viam, o professor estava empunhando um feixe de chamas. Elasiluminavam um rosto cansadoe cinzento, 
mas seus olhos tinham uma expresso alerta e cautelosa.
 Fiquem onde esto  disse com a mesma voz rouca, e comeou a selevantarlentamente segurando as chamas  sua frente.
Mas a porta se abriu antes que Lupin pudesse alcan-la.
Parado  porta, iluminado pelas chamas trmulas na mo doprofessor, havia um vulto de capa que alcanava o teto. Seu rosto estavacompletamente ocultopor um capuz. 
Harry baixou os olhos depressa, e o que ele viu provocouuma contrao em seu estmago. Havia uma mo saindo da capa e elabrilhava, um brilho cinzento,de aparncia 
viscosa e coberta de feridas, como uma coisa morta que sedecompusera na gua...
Mas foi visvel apenas por uma frao de segundo. Como se acriatura sob a capa percebesse o olhar de Harry, a mo foi repentinamenteocultada nas dobras da capa 
preta.
E ento a coisa encapuzada, fosse o que fosse, inspirou longa elentamente, uma inspirao ruidosa, como se estivesse tentandoinspirar mais do que o ar  sua volta.
Um frio intenso atingiu todos os presentes. Harry sentiu aprpria respirao entalar no peito. O frio penetrou maisfundo emsua pele. Chegou ao fundo do peito, 
ao seu prprio corao...
Os olhos de Harry giraram nas rbitas. Ele no conseguiu vermais nada. Estava se afogando no frio. Sentia um farfalhar nos ouvidosque lembrava gua correndo. Estava 
sendo puxado para ofundo, o farfalhar aumentou para um ronco que aumentava...
Ento, vindos de muito longe, ouviu gritos, terrveis,apavorados, suplicantes. Elequeria ajudar quem gritava, tentou mexer os braos, mas no conseguiu... Um nevoeiro 
claro e denso rodopiava  volta dele, dentro dele...
 Harry! Harry! Voc est bem?
Algum batia no seu rosto.
-Q... Qu?
Harry abriu os olhos; havia lanternas no alto e o cho sacudia.
 O Expresso de Hogwarts recomeara a andar e as luzes tinhamvoltado. Aparentemente ele escorregara do assento para o cho.
Rony e Hermione estavam ajoelhadosao seu lado, e acima dos seus amigos ele viu que Neville e o professor oobservavam. Harry se sentiu muito doente; quando ergueu 
a mo paraajeitar os culos nonariz, sentiu um suor frio no rosto.
Rony e Hermione puxaram-no para cima do assento.
 Voc est bem?  perguntou Rony, nervoso.
 Estou  disse Harry, olhando depressa para a porta. A criaturaencapuzada desaparecera.  Que aconteceu? Onde est aquela... Aquela coisa? Quem gritou?
 Ningum gritou  disse Rony, ainda mais nervoso.
Harry olhou para todos os lados da cabine iluminada. Gina eNeville retriburam seu olhar, ambos muito plidos.
 Mas eu ouvi gritos...
Um forte estalo assustou os meninos. O Prof. Lupin partia empedaos uma enorme barra de chocolate.
 Tome  disse a Harry, oferecendo-lhe um pedaoparticularmente avantajado.  Coma. Vai fazer voc se sentirmelhor.
Harry apanhou o chocolate, mas no o comeu.
 Que era aquela coisa?  perguntou a Lupin.
 Um dementador  respondeu Lupin, que agora distribua ochocolate para todos.  Um dos dementadores de Azkaban.
Todos o olharam espantados. O professor amassou a embalagem vaziade chocolate e meteu-a no bolso.
 Coma  insistiu.  Vai lhe fazer bem. Preciso falar como maquinista, me dem licena...
Ele passou por Harry e desapareceu no corredor.
 Voc tem certeza de que est bem?  perguntou Hermione,observando-o com ansiedade.
 No entendo... Que foi que aconteceu?  perguntou Harry,enxugando mais suor do rosto.
 Bem... Aquela coisa... O dementador... Ficou parado aliolhando, quero dizer, acho que foi, no pude ver o rostodele... E voc...
 Pensei que voc estava tendo um acesso ou coisa parecida  disseRony, que conservava no rosto uma expresso de pavor  Voc ficou tododuro, escorregou doassento 
e comeou a se contorcer...
 E o Prof. Lupin saltou por cima de voc, foi ao encontrodo dementador, puxou a varinha  contou Hermione  e disse: "Nenhum de ns est escondendo Sirius Black 
dentro da capa. V."  Mas odementador no se mexeu, ento Lupin murmurou alguma coisa e da varinhasaiu um raio prateadocontra a coisa, e ela deu as costas e 
se afastou como se deslizasse...
 Foi horrvel  disse Neville numa voz mais alta do quede costume.  Vocs sentiram como ficou frio quando eleentrou?
 Eu me senti esquisito  disse Rony, sacudindo os ombros,desconfortvel.  Como se eu nunca mais fosse sentir alegria navida...
Gina, que se encolhera a um canto parecendo quase to mal quantoHarry, deu um solucinho; Hermione aproximou-se e passou um brao pelascostas da meninapara consol-la.
 Mas nenhum de vocs caiu do assento?  perguntou Harrysem graa.
 No  disse Rony, olhando para Harry, ansioso, outravez.  Mas Gina tremia feito louca...
Harry no entendeu. Sentia-se fraco e cheio de arrepios, como seestivesse se recuperando de uma gripe muito forte; comeava tambm asentir um inciodevergonha. 
Por que desmaiara daquele jeito, quando mais ningum desmaiara?
O Prof. Lupin voltou. Parou ao entrar, olhando para todose disse, com um leve sorriso:
 Eu no envenenei o chocolate, sabem...
Harry deu uma dentada e, para sua grande surpresa, sentiu derepente um calor se espalhar at as pontas dos dedos dos ps e dasmos.
 Vamos chegar a Hogwarts dentro de dez minutos  disse oProf. Lupin.  Voc est bem, Harry?
O menino no perguntou como  que o professor sabia seunome.
 Muito bem  murmurou ele, constrangido.
Ningum falou muito durante o resto da viagem. Por fim, o tremparou na estao de Hogsmeade e houve uma grande correria paradesembarcar; corujas piavam,gatos 
miavam e o sapo de estimao de Neville coaxou alto debaixo dochapu do seu dono. Estava frio demais na minscula plataforma; a chuvadescia em cortinas geladas.
 Alunos do primeiro ano por aqui!  chamou uma vozconhecida. Harry, Rony e Hermione se viraram e depararam com o vultogigantesco de Hagrid, nooutro extremo da 
plataforma, fazendo sinal para os novos alunos,aterrorizados, se aproximarem para a tradicional travessia do lago.
 Tudo bem, vocs trs?  gritou Hagrid sobre as cabeasdos alunos aglomerados. Eles acenaram para o guarda-caa, mas no tiveramchance de lhe falarporque a massa 
de alunos em volta deles os empurrava na direo oposta.
Harry, Rony e Hermioneacompanharam o resto da escola pela plataforma e desceram para umatrilha enlameada, cheia de altos e baixos, onde no mnimo uns cemcoches 
os aguardavam, cada qual, Harry s podia supor, puxado por umcavalo invisvel, porque os garotos embarcaram em um, fecharam a porta eo veculo saiu andando,aos 
trancos e balanos, formando um cortejo.
O coche cheirava levemente a mofo e palha. Harry se sentiamelhor desde o chocolate, mas continuava fraco. Rony e Hermione noparavam de lhe lanarolhares de esguelha, 
como se temessem que ele pudesse desmaiar outra vez.
Quando o coche foi se aproximando de um magnfico porto de ferroforjado, ladeado por colunas de pedra com javalis alados no alto, Harryviu mais dois dementadoresencapuzados 
montando guarda dos lados do porto. Uma onda de nusea efrio tornou a invadi-lo; ele se recostou no banco encalombado e fechou osolhos at atravessarema entrada. 
O coche ganhou velocidade no caminho longo e inclinado at ocastelo; Hermione se debruou pela janelinha, espiando as muitastorrinhas e torres que seaproximavam. 
Por fim, o coche parou balanando, e Hermione e Ronydesembarcaram.
Quando Harry ia descendo, uma voz arrastada e satisfeita chegouaos seus ouvidos.
 Voc desmaiou, Potter? Longbottom est falando averdade? Desmaiou mesmo, ?
Draco passou por Hermione acotovelando-a, para impedirHarry de subir as escadas de pedra do castelo, o rosto jubilante e osolhos claros brilhando de malcia.
 Se manda, Malfoy  disse Rony, cujos maxilares estavamcerrados.
 Voc tambm desmaiou, Weasley?  perguntou Draco em vozalta.  O velho dementador apavorante tambm o assustou,Weasley?
 Algum problema?  perguntou uma voz suave, O Prof. Lupinacabara de desembarcar do coche seguinte.
Malfoy lanou ao Prof. Lupin um olhar insolente, que registrou osremendos em suas vestes e a mala surrada. Com uma sugesto de sarcasmo navoz, ele respondeu:
 Ah, no... Hum... Professor  depois fez cara de risoparaCrabbe e Goyle, e subiu com os dois as escadas do castelo.
Hermione bateu nas costas de Rony para apress-lo, eos trs sereuniram aos muitos alunos que enchiam as escadas,cruzavam asoleira das enormes portas de carvalho 
e penetravam no saguo cavernosoiluminado com tochas ardentes, onde havia uma magnfica escadaria demrmore para os andaressuperiores.
A porta que levava ao Salo Principal,  direita, estava aberta;
Harry seguiu o grande nmero de alunos que se deslocava naquela direo,mas apenas vislumbrarao teto encantado, que quela noite se mostrava escuro e anuviado, 
quandouma voz o chamou:
 Potter! Granger! Quero falar com os dois! Os garotos seviraram surpresos. A Prof. McGonagall, que ensinava Transformao edirigia a Casa da Grifinria,os chamava 
por cima das cabeas dos demais. Era uma bruxa de aspectosevero, que usava os cabelos presos em um coque apertado; seus olhospenetrantes eram emolduradospor culos 
quadrados. Harry abriu caminho at ela com esforo e um maupressentimento: a Prof. McGonagall tinha o condo de faz-lo sentir quefizera alguma coisaerrada.
 No precisa ficar to preocupado, s quero dar uma palavrinhacom vocs na minha sala  disse ela.  Pode continuar o seu caminho,Weasley.
Rony ficou olhando a professora se afastar, com Harry e Hermione,da aglomerao de alunos que falavam sem parar; os trs atravessaram osaguo, subirama escadaria 
de mrmore e seguiram por um corredor.
J na sala, um pequeno aposento com uma grande e acolhedoralareira, a professora fez sinal a Harry e Hermione para que se sentassem.
Ela prpria se sentou escrivaninha e disse sem rodeios:
 O Prof. Lupin mandou  frente uma coruja para avisar que voctinha passado mal no trem, Potter.
Antes que o garoto pudesse responder, ouviu-se uma leve batida naporta e Madame Pomfrey, a enfermeira, entrou com seu ar eficiente.
Harry sentiu o rosto corar. J era bastante ruim que tivessedesmaiado, ou o que fosse, sem todo mundo ficar fazendo aquele alvoroo.
 Eu estou bem  disse.  No preciso de nada...
 Ah, ento foi voc?  exclamou Madame Pomfrey, ignorandoo comentrio de Harry e se curvando para examin-lo mais de perto. Suponho que tenhafeito outra vez 
alguma coisa perigosa.
 Foi um dementador, Papoula.  informou McGonagall.
As duas, trocaram olhares misteriosos e Madame Pomfrey deu ummuxoxo de desaprovao.
 Postar dementadores em volta da escola  murmurou,afastando os cabelos de Harry e sentindo a temperatura na testa dele.
 O menino no vai ser o ltimo a desmaiar. , est mido de suor. Elesso terrveis e o efeito que produzem nas pessoas que j so delicadas...
 Eu no sou delicado!  exclamou Harry aborrecido.
 Claro que no   disse Madame Pomfrey distrada, agoratomando o seu pulso.
 Do que  que ele precisa?  perguntou a Prof.McGonagall, decidida.  Repouso? Quem sabe no fosse bom passar a noitenaala hospitalar?
 Eu estou timo!  disse Harry, levantando-se de umsalto. A idia do que Draco iria dizer se ele tivesse que ir para a alahospitalar foi uma tortura.
 Bem, ele devia, no mnimo, tomar um chocolate  disseMadame Pomfrey, que agora tentava examinar os olhos de Harry.
 J comi chocolate  disse ele.  O Prof. Lupin me deu. Deu a todosns.
 Deu, foi?  exclamou a bruxa-enfermeira em tom deaprovao.  Ento finalmente conseguimos um professor de Defesa contraas Artes das Trevas quesabe o que faz!
 Voc tem certeza de que est se sentindo bem, Potter? perguntou aProf. McGonagall bruscamente.
 Estou  respondeu Harry.
 Muito bem. Por favor esperem a fora enquanto dou umapalavrinha com a Srta. Granger sobre sua programao para o anoletivo, depois podemos descer juntos para 
a festa.
Harry saiu para o corredor com Madame Pomfrey, que seguiu para aala hospitalar, resmungando sozinha. Ele s precisou esperar unsminutinhos; Hermione apareceucom 
um ar muito feliz, acompanhada pela professora, e todos desceram aescadaria de mrmore para o Salo Principal.
Havia um mar de chapus cnicos e pretos; cada uma das compridasmesas das casas estava lotada de estudantes, os rostos iluminados pormilhares de velasque flutuavam 
no ar, acima das mesas.
O Prof. Flitwick, que era um bruxo franzino de cabeleira branca,carregava um chapu antigo e um banquinho de trs pernas para fora dasala.
 Ah  comentou Hermione em voz baixa , perdemos acerimnia da seleo!
Os novos alunos de Hogwarts eram distribudos pelas quatro casasdo colgio, pondo na cabea o Chapu Seletor, que anunciava a casa(Grifinria, Corvinal,Lufa-Lufa 
ou Sonserina) que melhor convinha ao recm-chegado. A Prof.McGonagalldirigiu-se ao seu lugar, que estava vazio  mesa dos professores efuncionrios eHarry e 
Hermione seguiram na direo oposta, o mais silenciosamentepossvel para se sentarem  mesa da Grifinria. As pessoas viraram acabea para olh-los passarpelo 
fundo do salo, e alguns apontaram para Harry. Ser que a histriado seu desmaio ao topar com o dementador se espalhara com tanta rapidez?
Ele e Hermione se sentaram um de cada lado de Rony, queguardara seus lugares.
 Que histria foi essa?  murmurou Rony para Harry.
O amigo comeou a lhe explicar aos cochichos, mas naquelemomento, o diretor se ergueu para falar e ele se calou.
O Prof. Dumbledore, embora muito velho, sempre dava umaimpresso de grande energia. Tinha alguns palmos de cabelos e barbasprateados, culos demeia-lua e um 
nariz muito torto. Em geral era descrito como o maior bruxoda era atual, mas no era esta a razo por que Harry o respeitava. Noera possvel deixarde confiar 
em Alvo Dumbledore, e quando Harry o contemplou sorrindoradiante para os alunos  sua volta, sentiu-se calmo, pelaprimeira vez, desde que o dementadorentrara 
na cabine do trem.
 Sejam bem-vindos!  comeou Dumbledore, a luz das velastremeluzindo em suas barbas.  Sejam bem-vindos para mais um ano emHogwarts! Tenho algumascoisas a dizer 
a todos, e uma delas  muito sria. Acho que  melhortir-la do caminho antes que vocs fiquem tontos com esse excelentebanquete...
O diretor pigarreou e prosseguiu:
 Como vocs todos perceberam, depois da busca que houveno Expresso de Hogwarts, a nossa escola passou a hospedar algunsdementadores de Azkaban,que vieram cumprir 
ordens do Ministrio da Magia.
Ele fez uma pausa e Harry se lembrou do que o Sr. Weasleycomentara sobre a insatisfao de Dumbledore quanto ao fato deos dementadores estarem montando guarda 
na escola.
 Eles esto postados em cada entrada da propriedade e,enquanto estiverem conosco,  preciso deixar muito claro que ningum devesair da escola sem permisso. Os 
dementadores no se deixam enganar portruques nem disfarces,nem mesmo por capas de invisibilidade  acrescentou ele brandamente, eHarry e Rony se entreolharam. 
 No faz parte da natureza deles entendersplicas nem desculpas. Portanto, aviso a todos e a cada um em particular, para no darem a essesguardas razo paralhes 
fazerem mal. Apelo aos monitores, e ao nosso monitor e monitora chefes,para que se certifiquem de que nenhum aluno entre em conflito com osdementadores.
Percy, que estava sentado a algumas cadeiras de distncia deHarry, estufou o peito outra vez e olhou  volta cheio de importncia.
Dumbledore fez nova pausa; percorreu o salo com um olhar muito srio mas ningum se mexeu nememitiu som algum.
 Agora, falando de coisas mais agradveis  continuou ele ,tenho o prazer de dar as boas-vindas a dois novos professores este ano.  Primeiro, o Prof. Lupin, 
que teve a bondade de aceitar ocupara vaga de professor de Defesa contra as Artes das Trevas.
Ouviram-se algumas palmas dispersas e pouco entusisticas.
Somente os que tinham estado na cabine de trem com o novo professorbateram palmas animados, Harryentre eles. Lupin parecia particularmente mal vestido ao lado 
dos outrosprofessores que trajavam suas melhores vestes.
 Olha a cara do Snape!  sibilou Rony ao ouvido de Harry.
O olhar do Prof. Snape, mestre de Poes, passou pelosprofessores que ocupavam a mesa e se deteve em Lupin. Era fato sabido queSnape queria o cargo deprofessor 
de Defesa contra as Artes das Trevas, mas at Harry, que odetestava, sesurpreendeu com a expresso que deformou o seu rosto macilento. Era maisdo queraiva: era 
desprezo. Harry conhecia aquela expresso bem demais; era aque Snape usava sempre que o avistava.
 Quanto ao nosso segundo contratado  continuou Dumbledorequando cessavam as palmas mornas para o Prof. Lupin.  Bem, lamentoinformar que o Prof. Ketrleburn,que 
ensinava Trato das Criaturas Mgicas, aposentou-se no fim do anopassado para poderaproveitar melhor os membros que ainda lhe restam. Contudo, tenho oprazer de 
informar que o seu cargoser preenchido por ningum menos que Rbeo Hagrid, queconcordouem acrescentar essa responsabilidade docente s suas tarefas de guarda-caa.
Harry, Rony e Hermione se entreolharam, estupefatos. Emseguida acompanharam os aplausos, que foram tumultuosos principalmente mesa da Grifinria. Harry se esticou 
para frente paraver Hagrid, que tinha o rosto vermelho-rubi, osolhos postos nasmos enormes, e o sorriso largo escondido noemaranhado de suabarba escura.
 Ns devamos ter adivinhado!  berrou Rony, dandosocosna mesa.  Quem mais teria nos mandado comprar umlivro quemorde?
Os trs garotos foram os ltimos a parar deaplaudir e quandoo Prof. Dumbledore recomeou a falar, eles viram queHagridestava enxugando os olhos na toalha da 
mesa.
 Bem, acho que, de importante,  s o que tenho adizer. Vamos  festa!
As travessas e taas de ouro diante das pessoas seencheram inesperadamente de comida e bebida. Harry, derepente faminto,se serviu de tudo que conseguiu alcanar 
e comeou acomer.
Foi um banquete delicioso; o salo ecoava asconversas, osrisos e o tilintar de talheres. Harry, Rony e Hermione, porm, estavamansiosos para a festa terminar 
para poderemconversar com Hagrid.
Sabiam o quanto significava para ele ser nomeadoprofessor. Oguarda-caa no era um bruxo diplomado; fora expulsode Hogwarts no terceiro ano por um crime que no 
cometera. Harry, Ronye Hermione  que tinham limpado o seu nome no anoanterior.
Finalmente, quando os ltimos pedaos deliciososde torta deabbora tinham desaparecido das travessas de ouro, Dumbledoreanunciou que era hora de todos se recolherem 
e osmeninos tiveram a oportunidade que aguardavam.
 Hagrid!  exclamou Hermione quando se aproximaramdamesa dos professores.
 Graas a vocs  disse Hagrid, enxugando o rostobrilhantede lgrimas no guardanapo e erguendo os olhos paraos garotos. Nem consigo acreditar... Grande homem, 
o Dumbledore... Veiodireto  minha cabana quando o Prof. Kettleburndisse que para elej chegava...  o que eu sempre quis... .
Dominado pela emoo, ele escondeu o rosto noguardanapo ea Prof. McGonagall tocou os meninos para fora.
Harry, Rony eHermione se reuniram aos outros colegas da Grifinria queocupavam toda a escadaria de mrmore e agora, muito cansados,caminharam por mais corredores 
e mais escadas at a entrada secretapara a torre da Grifinria. Uma grande pintura a leo de uma mulher gordavestida de rosa perguntou-lhes:
 A senha?
 J estou indo, j estou indo!  gritou Percy l do fim doajuntamento.  A nova senha? Fortuna Major!
 Ah, no!  exclamou Neville Longbottom com tristeza. Elesempre tinha dificuldade para se lembrar das senhas.
Depois de atravessar o buraco do retrato e a sala comunal, asgarotas e garotos tomaram escadas separadas. Harry subiu a escadacircular sem pensar em nadaexceto 
na sua felicidade por estar de volta. Quando chegaram aodormitrio redondo com as camas de colunas que j conheciam, Harry,olhando a toda volta, se sentiufinalmente 
em casa.
CAPTULO SEIS
Garras e Folhas de Ch

Quando Harry, Rony e Hermione entraram no Salo Principal para tomarcaf, na manh seguinte, a primeira coisa que viram foi Draco Malfoy, queparecia estar entretendoum 
grande grupo de alunos da Sonserina com uma histria muito engraada.
Quando os trs passaram, Malfoy fez uma imitao ridcula de um desmaioque provocou grandesgargalhadas.
 No ligue para ele  disse Hermione, que vinha logoatrs de Harry.  No d bola para ele, no vale a pena...
 Ei, Potter!  chamou esganiada Pansy Parkinson, umagarota daSonserina com cara de buldogue.  Potter! Os dementadores esto chegando. Potter! Uuuuuuuuuuuu!
Harry se largou numa cadeira  mesa da Grifinria, ao lado deJorge Weasley.
 Novos horrios de aulas para os alunos do terceiro ano disse Jorge, distribuindo-os.  Que  que h com voc, Harry?
 Malfoy  informou Rony, sentando-se do outro lado de Jorge eolhando feio para a mesa da Sonserina.
Jorge ergueu os olhos na hora em que Malfoy fingia desmaiar deterror outra vez.
 Aquele debilide!  disse calmamente.  Ele no estavato exibido ontem  noite quando os dementadores revistaram o nosso ladodo trem. Entroucorrendo na nossa 
cabine, no foi, Fred?
 Quase fez xixi nas calas  disse Fred, lanando a Dracoum olhar de desprezo.
 Nem eu fiquei muito feliz  comentou Jorge.  Eles soum horror, aqueles dementadores...
 Meio que congelam a gente por dentro, no acha?  disseFred.
 Mas voc no desmaiou, desmaiou?  perguntou Harry emvoz baixa.
 Esquece isso, Harry  disse Jorge para anim-lo.  Papaiteve que ir a Azkaban uma vez, lembra,Fred? E comentou que foi o pior lugar em que estevena vida, voltou 
de l fraco e abalado... Eles sugam a felicidade dolugar, essesdementadores.  A maioria dos prisioneiros acaba endoidando.
 Em todo caso, vamos ver se Draco vai continuar tofelizinho depois do primeiro jogo de Quadribol  disse Fred. Grifinriacontra Sonserina, primeiro jogo da 
temporada, est lembrado?
A nica vez em que Harry e Draco tinham se enfrentado em umapartida de Quadribol, Draco decididamente tinha levado apior. Sentindo-se um pouquinho maisanimado, 
Harry se serviu de salsichas e tomates fritos.
Hermione examinava seu novo horrio.
 Ah, que timo, estamos comeando matrias novas hoje comentou satisfeita.
 Hermione  disse Rony, franzindo a testa ao olhar porcima do ombro da amiga bagunaram o seu horrio. Veja s: dez aulas por dia. No existe tempopara tudo 
isso.
 Eu me arranjo. J combinei tudo com a Prof. Minerva.
 Mas olha aqui  continuou Rony, rindo-se , est vendohoje de manh? Nove horas, Adivinhao. E embaixo, nove horas, Estudo dosTrouxas. E  o meninose curvou 
para olhar o horrio, mas de perto, incrdulo  olha, embaixotem Aritmancia, nove horas. Quero dizer, eu sei que voc  boa, Mione,mas ningum  to bomassim. 
Como  que voc vai poder assistir a trs aulas ao mesmo tempo?
 No seja bobo  disse Hermione com rispidez.   claro que novou assistir a trs aulas ao mesmo tempo.
 Bom, ento...
 Passe a gelia  pediu Hermione.
 Mas...
 Ah, Rony,  da sua conta se o meu horrio ficou um poucocheio demais?  perguntou a menina em tom zangado.  J disseque combinei tudo com a Prof. Minerva.
Nesse instante Hagrid entrou no Salo Principal. Estava usando ocasaco de pele de toupeira e distraidamente balanava umgamb na mo enorme.
 Tudo bem?  perguntou ele, ansioso, parando a caminho damesa dos professores.  Vocs vo assistir  primeira aula da minhavida! Logo depois do almoo! Estou 
acordado desde as cinco horasaprontando tudo... Espero que d certo... Eu, professor... Sinceramente...
E dando um grande sorriso para os garotos foi para sua mesa,ainda balanando o gamb.
 O que ser que ele andou aprontando?  comentou Rony, com umanota de ansiedade na voz.
O salo comeou a se esvaziar  medida que as pessoas saam paraa primeira aula. Rony verificou seu horrio.
  melhor irmos andando, olha, Adivinhao  no alto daTorre Norte. Vamos levar uns dez minutos para chegar l...
Os garotos terminaram o caf, apressados, se despediram de Fred eJorge, e foram saindo para o saguo. Ao passarem pela mesa da Sonserina,Draco tornou afazer a 
imitao do desmaio. As gargalhadas acompanharam Harry at aentrada do saguo.
A viagem pelo castelo at a Torre Norte era longa. Dois anos emHogwarts no tinham ensinado aos meninos tudo sobre o lugar, e nuncatinham ido  Torre Norteantes.
 Tem... Que... Ter... Um... Atalho  ofegava Rony ao subirem a stima longaescada e chegarem a um patamar desconhecido, onde no havia nada excetoum grande quadrode 
um campo relvado pendurado na parede de pedra.
 Acho que  por aqui  disse Hermione, espiando o corredor vazio direita.
 No pode ser  discordou Rony.  A  sul, olha, d para, verum pedacinho do lago pela janela...
Harry parou para examinar o quadro. Um gordo pnei cinza malhadopisou lentamente na relva e comeou a pastar sem muito entusiasmo. Harryestava acostumadoaos personagens 
dos quadros de Hogwarts andarem e at sarem pela moldurapara visitar uns aos outros, mas sempre gostava de apreciar essemovimento. No instanteseguinte, um cavaleiro 
baixo e atarracado, vestindo armadura, entrouretinindo pelo quadro  procura do seu pnei.
Pelas manchas de grama nas joelheiras metlicas, ele acabara de cairdo cavalo.
 Ah-ah!  berrou, vendo Harry, Rony e Hermione.  Quemso esses viles que invadem as minhas terras! Porventura vieramzombar da minha queda? Desembainhem as espadas, 
seus velhacos, seus ces!
Os meninos observaram, espantados, o cavaleiro nanico puxara espada da bainha e comear a brandi-la com violncia, saltandopara aqui e para ali enraivecido. Mas 
a espada era demasiado compridapara ele; um golpeparticularmente exagerado desequilibrou-oe ele caiu de cara na grama.
 O senhor est bem?  perguntou Harry, aproximando-se doquadro.
 Afaste-se, fanfarro desprezvel! Para trs, patife!
O cavaleiro retomou a espada e usou-a para se reerguer,mas a lmina penetrou fundo na terra e, embora ele a puxasse com toda afora, no conseguiuretir-la. Finalmente, 
teve que se largar outra vez no cho e levantar aviseira para enxugar o rosto coberto de suor.
 Escuta aqui  disse Harry, se aproveitando da exaustodocavaleiro , estamos procurando a Torre Norte. O senhor conheceo caminho, no?
 Uma expedio!  A raiva do cavaleiro pareceu sumirinstantaneamente. Levantou-se retinindo a armadura e gritou:  Sigam-me,caros amigos, alcanaremoso nosso 
objetivo ou pereceremos corajosamente na peleja!
Ele deu mais um puxo intil na espada, tentou, mas no conseguiumontar o gordo pnei e gritou:
 A p, ento, dignos senhores e gentil senhora! Avante! Avante!
E saiu correndo, a armadura fazendo grande estrpito, passoupelo lado esquerdo da moldura e desapareceu de vista.
Os garotos se precipitaram atrs dele pelo corredor, seguindo obarulho da armadura. De vez em quando o avistavam passandopara o quadro seguinte.
 Sejam fortes, o pior ainda est por vir!  berrou ocavaleiro e os trs oviram reaparecer diante de um grupo assustado de mulheres vestindoanguasde crinolina, 
cujo quadro fora pendurado na parede de uma estreita escadacircular.
Ofegando ruidosamente, Harry, Rony e Hermione subiram osestreitos degraus em caracol, sentindo-se cada vez mais tontos, at quefinalmente ouviram o murmriode 
vozes no alto e perceberam que tinham chegado  sala de aula.
 Adeus!  gritou o cavaleiro, enfiando de repente a cabea noquadro de uns monges de aspecto sinistro.  Adeus, meuscamaradas de armas! Se um dia precisarem de 
um corao nobre e fibra deao, chamem Sir Cadogan!
 Ah, sim, chamaremos  murmurou Rony quando o cavaleiro foisumindo de vista , mas se um dia precisarmos de um maluco.
Os garotos subiram os ltimos degraus e chegaram a um minsculopatamar, onde a maioria dos colegas j estava reunida. No havia portasno patamar, mas Ronycutucou 
Harry indicando-lhe o teto, onde havia um alapo circular comuma placa de lato.
 Sibila Trelawney, Professora de Adivinhao  leu Harry.  Ecomo  que esperam que a gente chegue l em cima?
Como se respondesse  sua pergunta, o alapo se abriuinesperadamente e uma escada prateada desceu aos seus ps. Todos secalaram.
 Primeiro voc  disse Rony sorrindo, e Harry subiu a escada. Chegou sala de aula mais esquisita que j vira. Na realidade,sequer parecia uma sala de aula, e, 
sim, um cruzamento de sto comsalo de ch antigo. Havia, no mnimo, vinte mesinhas circularesjuntas ali, rodeadas por cadeiras forradas de chintz e pequenos 
pufesestufados. O ambiente era iluminado por uma fraca luz avermelhada; ascortinas das janelasestavamfechadas e os vrios abajures, cobertos com xales vermelho-escuros. 
Ocalor sufocava e a lareira acesa sob um console cheio de objetosdesprendia umperfume denso, enjoativo e doce ao aquecer uma grande chaleira decobre. As prateleiras 
em torno das paredes circulares estavam cheiasde penas empoeiradas, tocos de velas, baralhos de cartas emtiras,incontveis bolas de cristal e uma imensa coleo 
de xcaras de ch.
 Rony espiou por cima do ombro de Harry enquanto os colegas sereuniam  volta deles, todos falando aos cochichos.
 E onde est a professora?  perguntou Rony.
Uma voz saiu subitamente das sombras, uma voz suave, meioetrea.
 Sejam bem-vindos. Que bom ver vocs no mundo fsico,finalmente.
A impresso imediata de Harry foi a de estar vendo um enormeinseto cintilante. AProf. Sibila Trelawney saiu das sombras e,  luz da lareira, os garotosviram 
que era muito magra; uns culos imensos aumentavam seus olhosvrias vezes, e ela vestia um xaledifano, salpicado de lantejoulas. Em volta do pescoo fino, usavainmeras 
correntes e colares de contas, e seus braos e mos estavamcobertos de pulseirase anis.
 Sentem-se, crianas, sentem-se  disse, e todos subiramdesajeitados nas cadeiras ou se afundaram nos pufes. Harry, Rony eHermione se sentaram a uma mesa redonda.
 Bem-vindos  aula de Adivinhao  disse a professora,que se acomodara em uma bergre diante da lareira.  Sou a Prof. SibilaTrelawney. Talvezvocs nunca tenham 
me visto antes, acho que me misturar com freqncia roda-viva da escola principal anuvia minha viso interior.
Ningum fez nenhum comentrio a to extraordinria declarao. Aprofessora rearrumou delicadamente o xale e continuou:
 Ento vocs optaram por estudar Adivinhao, a maisdifcil das artes mgicas. Devo alert-los logo de incio que se nopossurem clarividncia,terei muito pouco 
a ensinar a vocs. Os livros s podem lev-los atcerto ponto neste campo...
Ao ouvirem isso, Harry e Rony olharam, sorrindo, para Hermione,que pareceu assustada com a notcia de que os livros noajudariam nessa matria.
 Muitos bruxos e bruxas, embora talentosos para rudos,cheiros e desaparecimentos instantneos, permanecem, ainda assim,incapazes de penetrar nos mistrios do 
futuro.
A Prof. Sibila continuou a falar, seus enormes olhos brilhantesiam de um rosto nervoso a outro.
  um dom concedido a poucos. Voc, menino  disse ela derepente a Neville, que quase caiu do pufe.  Sua av vai bem?
 Acho que vai  respondeu Neville trmulo.
 Eu no teria tanta certeza se fosse voc, querido disse a professora, enquanto a luz das chamas fazia faiscarem seus longosbrincos de esmeraldas.
Neville engoliu em seco. Sibila continuou tranquilamente.
 Vamos cobriros mtodos bsicos de adivinhao este ano. O primeiro trimestre letivoser dedicado leitura das folhas de ch. No prximo, abordaremos a quiromancia. 
Apropsito, minha querida  disparou ela de repente para Parvati Patil ,tenha cuidado com umhomem de cabelos ruivos.
Parvati lanou um olhar assustado a Rony, que se sentara logoatrs dela, e puxou a cadeira devagarinho para longe dele.
 No segundo trimestre  continuou a professora  vamosestudar a bola de cristal, isto , se conseguirmos terminar os pressgiosdo fogo. Infelizmente, as aulas 
sero perturbadas em fevereiropor uma forte epidemia de gripe. Eu prpria vou perder a voz. E,na altura da Pscoa, algum aqui vai deixar o nosso convvio para 
sempre.
Seguiu-se um silncio muito tenso a essa predio, mas a Prof.Sibila pareceu no tomar conhecimento.
 Ser, querida  dirigiu-se ela a Lil Brown, que estavamaisprxima e se encolheu na cadeira , que voc poderia me passar obule de prata maior?
Lil, com um ar de alvio, se levantou, apanhou um enormebule na prateleira e pousou-o na mesa diante da mestra.
 Obrigada, querida. A propsito, essa coisa que voc receia vaiacontecer na sexta-feira, dezesseis de outubro.
Lil estremeceu.
 Agora quero que vocs formem pares. Apanhem uma xcara dech na prateleira e tragam-na aqui para eu encher. Depois sesentem e bebam, bebam at restar somente 
a borra. Sacudam a xcara trsvezes com a mo esquerda, depois virem-na, de borda para baixo,no pires, esperem at cair a ltima gota de ch e entreguem-na ao 
seu parpara ele a ler. Vocs vo interpretar os desenhos formados, comparando-oscom os das pginas cinco e seis de Esclarecendo o futuro. Vou andar pelasala para 
ajudar e ensinar a cada par. Ah, e querido  ela segurou obrao de Neville quandoele fez meno de se levantar , depois que voc quebrar a primeiraxcara, por 
favor, escolha uma com desenhos azuis, gosto muito das dedesenhos rosa.
No deu outra, Neville mal chegara  prateleira de xcaras quandose ouviu um tilintar de porcelana que se quebrava. A professora deslizouat ele levandouma p 
e uma escova e disse:
 Uma das azuis, ento, querido, se no se importa... Obrigada...
Depois que Harry e Rony levaram as xcaras para encher, voltaram  mesa etentaram beberrapidamente o ch pelando. Sacudiram a borra conforme a professoramandara, 
depois viraram as xcaras e as trocaram entre si.
 Certo  disse Rony depois de abrirem os livros naspginas cinco e seis.  Que  que voc v na minha?
 Um monte de borra marrom  disse Harry. A fumaa intensamenteperfumada da sala o estava deixando sonolento e burro.
 Abram suas mentes, meus queridos, e deixem os olhos verem alm do que  mundano!  gritou a Prof. Sibila na penumbra.
Harry tentou se controlar.
 Certo, voc tem uma espcie de cruz torta...  Ele consultou o livroEsclarecendo o Futuro.  Isto significa que voc vai ter sofrimentose provaes... Sinto 
muito... Mas tem uma coisa que podia ser osol... Espere ai... Que significa "grande felicidade"... Entovoc vaisofrer, mas vai ser muito feliz... #          
Voc precisa mandar examinar a sua viso interior disse Rony, e os dois precisaram sufocar o riso quando a professoraolhou na direo deles.  Minha vez...  
Rony examinou a xcara de Harry, a testa franzidacom o esforo.  Tem uma pelota que lembra um pouco umchapu-coco. Vai ver voc vai trabalhar no Ministrio da 
Magia...
Rony girou a xcara para cima.
 Mas desse outro lado as folhas parecem mais uma bolotade carvalho... Que ser isso?  O garoto consultou seu exemplar deEsclarecendoo Futuro.
 Uma sorte inesperada, ganhos de ouro. Que timo, voc pode me emprestaralgum... E tem outra coisa aqui  ele tornou a girar a xcara  queparece um animal... 
, se isso fosse a cabea... Podia parecer um hipoptamo... No, umcarneiro...
A Prof. Sibila se virou quando Harry deixou escapar um roncode riso.
 Deixe-me ver isso, querido  disse ela em tom de censuraa Rony, aproximando-se num mpeto e tirando a xcara de Harry damo do colega. Todos se calaram para 
observar.
A professora examinou a xcara, e girou-a no sentido anti-horrio.
 O falco... Meu querido, voc tem um inimigo mortal.
 Mas todos sabem disso  comentou Hermione num cochichoaudvel. A professora encarou-a.  Verdade, todos sabem  repetiu a garota.  Todos sabem dainimizade entre 
Harry e Voc-Sabe-Quem.
Harry e Rony a olharam com uma mescla de surpresa e admirao. Nunca tinham ouvido Hermione falar com uma professora daquele jeito.
Sibila preferiu no responder.
Tornou a abaixar seus enormes olhos para a xcara de Harry e continuou agir-la.
 O basto... Um ataque. Ai, ai, ai, no  uma xcarafeliz...
 Achei que isso era um chapu-coco  disse Rony sem graa.
 O crnio... Perigo em seu caminho, querido...
Todos observavam, hipnotizados, a professora, que deuumltimo giro na xcara, ofegou e soltou um berro.
Ouviu-se uma nova onda de porcelanas que se partiamtilintando; Neville destrura sua segunda xcara. A professora afundou emuma cadeira vazia, a mo faiscante 
de anis ao peito e os olhos fechados.
 Meu pobre garoto... Meu pobre garoto querido... No...  maiscaridoso no dizer... No... No me pergunte...
 Que foi professora?  perguntou Dino Thomas na mesmahora. Todos tinham se levantado e aos poucos se amontoaram em torno damesa de Harry e Rony,aproximando-se 
da cadeira de Sibila para dar uma boa olhada na xcara deHarry.
 Meu querido  os olhos da professora se abriramteatralmente , voc tem o Sinistro.
 O qu?  perguntou Harry.
Ele percebeu que no era o nico que no entendera; Dino Thomassacudiu os ombros para ele e Lil Brown fez cara de intrigada, mas quasetodos os outroslevaram 
a mo  boca horrorizados.
 O Sinistro, meu querido, o Sinistro!  exclamou aprofessora, que parecia chocada com o fato de Harry no ter entendido. O co gigantesco e espectralque assombra 
os cemitrios! Meu querido menino,  um mau agouro, o piorde todos, agouro demorte!
Harry sentiu o estmago afundar. O co na capa do livroPressgios de Morte na Floreios e Borres  o co nas sombras da ruaMagnlia... Lil Brown levouas mos 
 boca tambm. Todos tinham os olhos fixos em Harry, todos excetoHermione, que se levantara e procurava chegar s costas da cadeira daprofessora.
 Eu no acho que isso parea um Sinistro  disse comfirmeza.
A Prof. Sibila mirou a menina atentamente e com crescentedesagrado.
 Desculpe-me dizer isso, minha querida, mas no percebomuita aura ao seu redor. Pouqussima receptividade s ressonncias dofuturo.
Simas Finnegan inclinou a cabea de um lado para o outro.
 Parece um Sinistro se a gente fizer assim  disse com osolhos quase fechados , mas parece muito mais um burro quando a gente olhade outro ngulo disse ele, 
inclinando-se para a esquerda.
 Quando vo terminar de resolver se eu vou morrer ou no?  perguntou Harry, surpreendendo at a si mesmo. Agora pareciaque ningum queria olhar para ele.
 Acho que vamos encerrar a aula por hoje  disse a professora no tommais etreo possvel.  E... Por favor, guardem suas coisas...
Em silncio a classe devolveu as xcaras  professora, guardouos livros e fechou as mochilas. At mesmo Rony evitava o olhar deHarry.
 At que tornemos a nos encontrar  disse Sibila com uma vozfraca  que a sorte lhes seja favorvel.  Ah, e querido  disse apontandopara Neville , vocvai 
se atrasar da prxima vez, portanto trate de trabalhar muito pararecuperar o tempo perdido.
Harry, Rony e Hermione desceram a escada da Prof. Sibila e aescada em caracol em silncio, e seguiram para a aula de Transformao,da Prof. Minerva. Levaramtanto 
tempo para encontrar a sala de aula que, por mais cedo que tivessemsado da aula de Adivinhao, acabaram chegando em cima da hora.
Harry escolheu um lugar no fundo da sala, sentindo-se como seestivesse sentado sob um holofote; o resto da classe no parou de lhelanar olharesfurtivos,como 
se ele estivesse prestes a cair morto a qualquer momento. Ele malconseguiu ouvir o que a professora dizia sobre Animagos (bruxos quepodiam se transformar vontade 
em animais), e sequer estava olhando quando ela prpria setransformou, diante dos olhos deles, em um gato malhado com marcas deculos em torno dos olhos.
 Francamente, o que foi que aconteceu com os senhores hoje?  perguntou a Prof. Minerva, voltando a ser ela mesma, com umestalinho, e encarando a classe toda. 
 No que faa diferena, mas a primeira vez que a minha transformao no arranca aplausosde uma turma.
Todas as cabeas tornaram a se virar para Harry, mas ningumfalou. Ento Hermione ergueu a mo.
 Com licena, professora, acabamos de ter a nossaprimeira aula de Adivinhao, estivemos lendo folhas de ch e...
 Ah, naturalmente  comentou Minerva, fechando a cara derepente.  No precisa me dizer mais nada, Srta. Granger.  Me digaqual dos senhores vai morrer este ano?
Todos olharam para ela.
 Eu  disse, por fim, Harry.
 Entendo  disse a Prof. Minerva, fixando em Harry seusolhos de contas.  Ento, Potter,  melhor saber que Sibila Trelawney tem predito a morte de um aluno por 
ano desde que chegoua esta escola. Nenhum deles morreu ainda. Ver agouros de morte a maneira com que ela gosta de dar boas-vindas a uma nova classe. Nofosse 
o fato de que nunca falo mal dos meus colegas...
A professora se calou, mas todos viram que suas narinas tinhamembranquecido de clera. Ela continuou, mais calma:
 A Adivinhao  um dos ramos mais imprecisos da magia. No vouocultar dos senhores que tenho muito pouca pacincia com esse assunto. Osverdadeiros videntesso 
muito raros e a Prof. Trelawney...
Ela parou uma segunda vez, e em seguida disse, num tom despido deemoo:
 Para mim o senhor parece estar gozando de excelente sade,Potter, por isso me desculpe, mas no vou dispens-lo do dever de casa,hoje. Mas fique descansado,se 
o senhor morrer, no precisa entreg-lo.
Hermione riu com gosto. Harry se sentiu um pouco melhor. Era maisdifcil sentir medo de folhas de ch longe daquela sala fracamenteiluminada por luzesvermelhas,que 
recendia ao perfume atordoante da Prof. Sibila. Ainda assim, nemtodos ficaram convencidos. Rony continuava com a expresso preocupada eLil cochichou:
 E a xcara de Neville?
Quando a aula de Transformao terminou, eles se reuniram aoresto dos alunos que atroavam a escola em direo ao Salo Principal paraalmoar.
 Anime-se, Rony  falou Hermione, empurrando uma travessa deensopado para o amigo.  Voc ouviu o que a Prof. Minerva disse.
Rony se serviu do ensopado e apanhou o garfo, mas no comeou acomer.
 Harry  perguntou ele, em tom baixo, com ar srio , voc noviu um canzarro preto em algum lugar, viu?
 Vi, sim. Na noite em que sa da casa dos Dursley.  Rony deixou ogarfo cair com estrpito.
 Provavelmente um co sem dono  comentou Hermione calmamente.
O garoto olhou para Hermione como se ela tivesse enlouquecido.
 Mione, se Harry viu um Sinistro, isso ...  ruim. Meu tioAblio viu um e... E morreu vinte e quatro horas depois!
 Coincidncia  replicou Hermione dignamente, servindo-sede suco de abbora.
 Voc no sabe o que est falando!  disse Rony,comeando a se zangar.  Os Sinistros deixam a maioria dos bruxos mortosdemedo!
 Ento  isso  retrucou a garota em tom superior.  Elesvem o Sinistro e morrem de medo. O Sinistro no  um agouro,  a causada morte! E Harrycontinua conosco 
porque no  burro de ver um Sinistro e pensar: Certo,muito bem, ento  melhor eu bater as botas"!
Rony fez protestos para Hermione, que abriu a mochila, tirouo novo livro de Aritmancia e apoiou-o na jarra de suco.
 Acho que Adivinhao  uma coisa meio confusa  disse,procurando a pgina que queria.   muita adivinhao, se queremsaber a minha opinio.
 No houve nada confuso com o Sinistro naquela xcara! retrucou Rony acaloradamente.
 Voc no me pareceu to confiante quando disse ao Harryque era um carneiro  respondeu a menina sem se alterar.
 A Prof. Sibila disse que voc no tinha a auranecessria! Voc no gosta  de ser ruim em uma matria para variar!
Ele acabara de tocar num ponto sensvel. Hermione bateu como livro de Aritmancia na mesa com tanta fora que voarampedacinhos de carne e cenoura para todo lado.
 Se ser boa em Adivinhao  ter que fingir que estouvendo agouros de morte em borras de folhas de ch, no tenho certeza sequero continuar a estudaressa matria 
por muito mais tempo! Aquela aula foi uma idiotice completase comparada  minha aula de Aritmancia!  E, agarrando a mochila, a menina se retirou.
Rony franziu a testa acompanhando com os olhos a amiga seafastando.
 Do que  que ela estava falando?  perguntou a Harry. Ela ainda no assistiu a nenhuma aula de Aritmancia.
Harry ficou contente de sair do castelo depois do almoo. A chuvado dia anterior parara; o cu estava claro, cinza-plido e a gramaparecia elstica e mida sob 
os ps quando os garotosrumarampara a primeirssima aula de Trato das CriaturasMgicas.
Rony e Hermione no estavam se falando. Harry caminhavaao lado dos dois em silncio enquanto desciam os gramadosemdireo  cabana de Hagrid, na orla da Floresta 
Proibida.
Somentequando identificaram trs costas muito conhecidas frente  que sederam conta de que iriam compartilhar as aulas com osalunos daSonserina. Draco, falava 
animadamente com Crabbe e Goyle,queriam com gosto. Harry tinha quase certeza de qual era o assunto daconversa.
Hagrid j estava  espera dos alunos  porta da cabana. Vestia ocasaco de pele de toupeira, com Canino, oco de caar javalis, nos calcanhares, e pareciaimpaciente 
para comear.
 Vamos, andem depressa!  falou quando os alunos se aproximaram.  Tenho uma coisa tima paravocs hoje! Vai ser uma grande aula! Esto todos aqui? Certo,ento 
me acompanhem!
Por um momento de apreenso, Harry pensou que Hagrid os levariapara a Floresta Proibida; o menino j tivera suficientes experinciasdesagradveis alipara a vida 
inteira. No entanto, o guarda-caa contornou a orla dasrvores e cinco minutos depois eles estavam diante de uma espcie depicadeiro. No havia nadaali.
 Todos se agrupem em volta dessa cerca!  mandou ele. Isso... Procurem garantir uma boavisibilidade... Agora, a primeira coisa que vo precisarfazer  abrir 
os livros...
 Como?  perguntou a voz fria e arrastada de DracoMalfoy.
 Que foi?  perguntou Hagrid.
 Como  que vamos abrir os livros?  repetiu o menino.
Ele retirou da mochila seu exemplar de O Livro Monstruoso dos Monstros,amarrado com um pedaode corda. Outros alunos fizeram o mesmo, alguns, como Harry, tinhamfechado 
o livro com um cinto; outros os tinham enfiado em sacos justos oufechado os livroscom grampos.
 Ser... Ser que ningum conseguiu abrir o livro? perguntou Hagrid, com ar de desapontamento.
Todos os alunos sacudiram negativamente as cabeas.
 Vocs tm que fazer carinho neles  falou o novoprofessor como se isso fosse a coisa mais bvia do mundo.  Olhem aqui...
Ele apanhou o livro de Hermione e rasgou a fita adesiva que oprendia. O livro tentou morder, mas Hagrid passou seu gigantescodedo indicador pela lombada, o livro 
estremeceu, se abriu e permaneceuquieto em sua mo.
 Ah, mas que bobeira a nossa!  caoou Draco.  Devamoster feito carinho no livro! Como foi que no adivinhamos!
 Eu... Eu achei que eles eram engraados  disse Hagrid,inseguro, para Hermione.
 Ah, engraadssimos!  comentou Draco.  Uma idiarealmente espirituosa, nos dar livros que tentam arrancar nossamo.
 Cala a boca, Malfoy  advertiu-o Harry baixinho. Hagridparecia arrasado, e o garoto queria que aquela primeira aula do seuamigo fosse um sucesso.
 Certo, ento  continuou Hagrid, que pelo jeito perderao fio do pensamento  ... Ento vocs j tm os livros e... E... Agorafaltam as criaturasmgicas. . 
Ento vou busc-las. Esperem um pouco...
Ele se afastou na direo da floresta e desapareceu de vista.
 Nossa, essa escola est indo para o brejo!  falou Dracoem voz alta.  Esse pateta dando aulas, meu pai vai ter um acessoquando eu contar...
 Cala a boca, Malfoy  repetiu Harry.
 Cuidado, Potter, tem um dementador atrs de voc...
 Aaaaaaah!  guinchou Lil Brown, apontando para o ladooposto do picadeiro.
Trotavam em direo aos garotos mais ou menos uma dezena dosbichos mais bizarros que Harry j vira na vida. Tinham os corpos, aspernas traseiras e as caudasde 
cavalo, mas as pernas dianteiras, as asas e a cabea de uma coisa quelembrava guias gigantescas, com bicos cruis cinza-metlico e enormesolhoslaranja-vivo.
As garras das pernas dianteiras tinham uns quinze centmetros decomprimento e um aspecto letal. Cada um dos bichos trazia uma grossacoleira de couro ao pescooengatada 
em uma longa corrente, cujas pontas estavam presas nas imensasmos de Hagrid, que entrou correndo no picadeiro atrs dos bichos.
 Upa! Upa! A!  bradou ele, sacudindo as correntes eincitando os bichos na direo da cerca onde se agrupavam os alunos.
Todos recuaram, instintivamente, quando Hagrid chegou bemperto e amarrou os bichos na cerca.
 Hipogrifos!  bradou Hagrid alegremente, acenando paraeles.  Lindos, no acham?
Harry conseguiu entender mais ou menos o que Hagrid quis dizer. Depois que se supera o primeiro choque de ver uma coisa que  metadecavalo, metade ave,a pessoa 
comeava a apreciar a pelagem luzidia dos hipogrifos, que mudavasuavemente de pena para plo, cada animal de uma cor diferente: cinza-chuva,bronze,rosado, castanho 
brilhante e nanquim.
 Ento  disse Hagrid, esfregando as mos e sorrindo para todos, se vocs quiserem chegar mais perto...
Ningum pareceu querer. Harry, Rony e Hermione, porm, seaproximaram cautelosamente da cerca.
 Agora, a primeira coisa que vocs precisam saber sobre oshipogrifos  que so orgulhosos  explicou Hagrid.  Se ofendem comfacilidade, os hipogrifos. Nunca 
insultem um bicho desses, porque pode ser a ltima coisa que vofazer na vida.
Malfoy, Grabbe e Goyle no estavam prestando ateno; falavam aoscochichos e Harry teve o mau pressentimento de que estavam combinando amelhor maneirade estragar 
a aula.
 Vocs sempre esperam o hipogrifo fazer o primeiro movimento continuou Hagrid.   uma questo de cortesia, entendem? Vocs vo ateles, fazem uma revernciae 
a esperam. Se o bicho retribuir o cumprimento, vocs podem tocar nele. Se no retribuir, ento saiam de perto bem depressinha, porque essasgarras machucam feio. 
Certo, quem quer ser o primeiro?
Em resposta, a maioria dos alunos recuou mais um pouco. AtHarry, Rony e Hermione se sentiram apreensivos. Os hipogrifos balanavamas cabeas de aspectoferoz 
e flexionavam as fortes asas; no pareciam gostar de estar presosdaquele jeito.
 Ningum?  disse Hagrid, com um olhar suplicante.
 Eu vou  disse Harry.
Ouviu-se gente ofegar atrs dele e Lil e Parvati murmuraram amesma coisa:
 Aaah, no, Harry, lembra das folhas de ch!
Harry no deu ouvido s meninas. Trepou pela cerca do picadeiro.
  assim que se faz, Harry!  gritou Hagrid.  Certo, ento... Vamos ver como voc se entende com o Bicuo.
E, dizendo isso, soltou uma das correntes, separou o hipogrifocinzento dos restantes e retirou a coleira de couro. A turma dooutro lado da cerca parecia estar 
prendendo a respirao.
Os olhosde Draco se estreitaram maliciosamente.
 Calma, agora, Harry  disse Hagrid em voz baixa. Voc fezcontato com os olhos, agora tente no piscar... Oshipogrifos noconfiam na pessoa que pisca demais...
Os olhos de Harry imediatamente comearam a se encherdegua, mas ele no os fechou. Bicuo virava a cabeorraalerta efixava um cruel olho laranja em Harry.
 Isso mesmo  disse Hagrid.  Isso mesmo, Harry... Agora faaa reverncia...
Harry no se sentia nada animado a expor a nuca aBicuo,mas fez o que era mandado.  Curvou-se brevemente e ergueuosolhos.
O hipogrifo continuava a fix-lo com altivez. Nem semexeu.
 Ah  exclamou Hagrid, parecendo preocupado. Certo... Recue, agora, Harry, devagarinho...
Mas nesse instante, para enorme surpresa de Harry, ohipogrifo inesperadamente dobrou os escamosos joelhos dianteiros eafundou o corpo em uma inconfundvel reverncia.
 Muito bem, Harry!  aplaudiu Hagrid, extasiado. Certo... Pode toc-lo! Acaricie o bico dele, vamos!
Com a impresso de que recuar teria sido umarecompensamelhor, Harry avanou devagarinho para o hipogrifo eestendeu amo. Acariciou seu bico vrias vezes e o 
bicho fechou osolhosdemoradamente, como se estivesse gostando.
A turma prorrompeu em aplausos, a exceo de Malfoy,Crabbe e Goyle, que pareciam profundamente desapontados.
 Certo ento, Harry  falou Hagrid.  Acho que eleat deixaria voc montar nele!
Isto era mais do que o toma l d c proposto porHarry... Eleestava acostumado a montar vassouras; mas no tinha muitacerteza se um hipogrifo seria a mesma coisa.
 Isso, suba ali, logo atrs da articulao das asas mandouHagrid.  E cuidado para no arrancar nenhuma pena, eleno vaigostar nem um pouco...
Harry pisou no alto da asa de Bicuo e se iou paracima dascostas do bicho, o bicho se ergueu. Harry no tinha muitacertezade onde deveria se agarrar;  sua 
frente tudo era coberto de penas.
 Pode ir, ento!  bradou Hagrid, dando uma palmadanosquartos do hipogrifo.
Sem aviso, as asas de quase quatro metros se abriram a cada ladode Harry; ele s teve tempo de se agarrar ao pescoo do hipogrifo e jestava voando parao alto. 
No foi nada semelhante a uma vassoura e Harry soube na hora qualdos dois preferia; as asas do hipogrifo adejavam desconfortavelmente doslados, batendopor baixo 
de suas pernas e dando-lhe a sensao de que estava prestes aser jogado no ar; as penas acetinadas escorregavam dos seus dedos e ogaroto no se atreviaa se agarrar 
com mais fora; em vez do vo suave da Nimbus 2000, eleagora balanava para frente e para trs quando os quartos do hipogrifosubiam e desciam acompanhandoo movimento 
das asas.
Bicuo deu uma volta por cima do picadeiro e em seguida embicoupara o cho; essa foi a parte que Harry teve receio; ele jogou o corpopara trs,  medidaque o 
pescoo liso do bicho abaixava, achando que ia escorregar por cimado bico, ento, sentiu um baque quando os quatro membros desparelhados dobicho tocaramo cho. 
Por milagre, conseguiu se segurar e tornar a se endireitar.
 Bom trabalho, Harry!  berrou Hagrid enquanto todos, excetoMalfoy, Crabbe e Goyle, aplaudiam.  Muito bem, quemmais quer experimentar?
Encorajados pelo sucesso, os outros alunos subiram, cautelosos,pela cerca do picadeiro. Hagrid soltou os hipogrifos, um a um,e logo os garotos, nervosos, comearam 
a fazer reverncias por todoo picadeiro. Neville fugiu vrias vezes do dele, pois o bicho noestava com jeito de querer dobrar os joelhos. Rony e Hermionepraticaram 
no hipogrifo castanho, enquanto Harry observava.
Malfoy, Crabbe e Goyle ficaram com Bicuo. Ele acabara deretribuir a reverncia de Malfoy, que agora lhe acariciava o bico,com um ar desdenhoso.
 Isso  moleza  disse Draco com a voz arrastada,suficientemente alta para Harry ouvir.  S podia ser, se o Potterconseguiu fazer.. Aposto que voc notem nada 
de perigoso, tem?  disse ao hipogrifo.  Tem, seu brutamontesfeioso?
Aconteceu num breve movimento das garras de ao; Draco soltou umberro agudo e no momento seguinte, Hagrid estava pelejando para enfiar acoleira em Bicuo,enquanto 
o bicho fazia fora para avanar no garoto, que cara dobrado narelva, o sangueaflorando em suas vestes.
 Estou morrendo!  gritou Malfoy enquanto a turma entrava empnico. -Estou morrendo, olhem s para mim! Ele me matou!
 Voc no est morrendo!  disse Hagrid, que ficara muitoplido.  Algum me ajude... Preciso tirar ele daqui...
Hermione correu para abrir o porto enquanto Hagrid erguiaMalfoy nos braos, sem esforo. Quando os dois passaram, Harry observouque havia um corte grande e fundo 
no brao de Draco; osangue pingava no gramado e o guarda-caa, com o garoto ao colo,subiu correndo a encosta em direo ao castelo.
Muito abalados, os alunos da aula de Trato das CriaturasMgicas os seguiram caminhando normalmente. Os alunos da Sonserinagritavam contra Hagrid.
 Deviam despedir ele, imediatamente!  disse VioletaParkinon, que estava s lgrimas.
 Foi culpa do Draco!  replicou Dino Thomas com rispidez.
Crabbe e Goyle flexionavam os braos, ameaadores.
Os garotos subiram os degraus de pedra para o saguo deserto.
 Vou ver se ele est bem!  disse Pansy, e os outrosficaram observando-a subir de corrida a escadaria de mrmore. Os alunosda Sonserina, aindamurmurando contra 
Hagrid, rumaram para sua sala comunal, em uma masmorra;
Harry, Rony e Hermione subiram as escadas para a Torre daGrifinria.
 Vocs acham que ele vai ficar bem?  perguntou Hermione,nervosa.
 Claro que vai. Madame Pomfrey cura cortes em um segundo disse Harry, que j tivera ferimentos muito mais srios curadosmagicamente pela enfermeira.
 Foi realmente ruim acontecer isso na primeira aula deHagrid, vocs no acham?  comentou Rony, parecendo preocupado.
 Sempre se pode contar com o Draco para estragar as coisas parao Hagrid...
Os trs foram os primeiros a chegar ao Salo Principal parajantar, na esperana de verem Hagrid, mas o amigo no estava l.
 No iriam despedir ele, vocs acham que sim?  perguntouHermione aflita, sem tocar no pudim de carne e rins.
  melhor no  replicou Rony, que tambm no estavacomendo.
Harry ficou observando a mesa da Sonserina. Um grande grupo, queinclua Crabbe e Goyle, estava reunido, absorto em conversas. Harry tevecerteza de que estavaminventando 
a prpria verso para o ferimento de Draco.
 Bem, no se pode dizer que no foi um primeiro dia deaula interessante  comentou Rony, deprimido.
Os trs subiram para o salo comunal da Grifinria depois dojantar e tentaram fazer o dever de casa que a Prof. Minerva passara, masficaram o tempo todointerrompendo-o 
para espiar pela janela.
 Tem luz na janela de Hagrid  disse Harry de repente.
Rony consultou o relgio.
 Se a gente andar depressa, pode descer para ver ele. Ainda  cedo...
 No sei  disse Hermione, lentamente, e Harry viu que aamiga o olhava.
 Eu tenho permisso para andar pela propriedade  disse ogaroto incisivamente.  Sirius Black ainda no passou pelosdementadores ou passou?
Ento eles guardaram o material de estudo e se dirigiram aoburaco do retrato, felizes por no encontrar ningum no caminho at aporta principal, porqueno tinham 
tanta certeza assim de que podiam sair.
O gramado ainda estava mido e parecia quase negro  luz dasestrelas. Quando chegaram  cabana de Hagrid, bateram e uma vozresmungou rouca:
 Pode entrar.
Hagrid estava sentado em mangas de camisa  mesa de madeiraescovada; o cachorro, Canino, tinha a cabea no colo dele. Ao primeiroolhar, os garotos perceberamque 
o amigo andara bebendo muito; havia uma caneca de alpaca quase dotamanho de um balde diante dele e parecia ter dificuldade para focaliz-los.
 Imagino que seja um recorde  disse com a voz pastosa,quando os reconheceu. Calculo que nunca tiveram um professorque s durasse um dia.
 Voc no foi despedido, Hagrid!  ofegou Hermione.
 Ainda no  respondeu ele, infeliz, tomando um grandegoledo que havia na caneca.  Mas  s uma questo de tempo, no depois que Malfoy...
 Como  que ele est?  perguntou Rony enquanto se sentavam.  No foi grave, foi?
 Madame Pomfrey fez o melhor que pde  disse Hagrid numtom inexpressivo , mas ele diz que continua doendo muito... Todoenfaixado... Gemendo...
 Ele est fingindo  disse Harry na mesma hora.  Madame Pomfreysabe curar qualquer coisa. Ela fez crescer metade dos meus ossos no anopassado. Pode contarque 
Draco vai se aproveitar o mximo que puder do acidente.
 Os conselheiros da escola foram informados,  claro  disseHagrid, infeliz.  Acham que comecei muito grande. Devia ter deixado oshipogrifos para maistarde... 
Que estudasse vermes ou outra coisa pequena... S quis fazer umaprimeira aula boa... Ento a culpa  minha...
  tudo culpa do Malfoy, Hagrid!  disse Hermione, sria.
 Somos testemunhas  acrescentou Harry.  Voc avisou que oshipogrifos atacam quando so insultados. O problema  do Malfoy se eleno estava prestandoateno. 
Vamos contar ao Dumbledore o que realmente aconteceu.
 Vamos, sim, no se preocupe, Hagrid, vamos confirmar suahistria  disse Rony.
Lgrimas saltaram dos cantos enrugados dos olhos de Hagrid,negros como besouros. Ele puxou Harry e Rony e lhes deu umabrao de quebrar as costelas.
 Acho que voc j bebeu o suficiente, Hagrid  falou Hermionecom firmeza. E apanhou a caneca na mesa e saiu da cabana paraesvazi-la.
 Ah, talvez ela tenha razo  reconheceu Hagrid, soltando Harrye Rony, que recuaram cambaleando e massageando ascostelas. O guarda-caa levantou-se comesforo 
da cadeira e seguiu Hermione at o lado de fora, com o andarvacilante. Osgarotos ouviram barulho de gua caindo.
 Que foi que ele fez?  perguntou Harry, nervoso, quandoHermione voltou trazendo a caneca vazia.
 Meteu a cabea no barril de gua  respondeu Hermione,guardando a caneca.
Hagrid voltou, os cabelos e barbas longas empapados, enxugando agua dos olhos.
 Assim est melhor  falou, sacudindo a cabea como umcachorro e molhando os garotos.  Escutem, foi muita bondadevocs terem vindo me ver, eu realmente...
Hagrid parou de repente, encarando Harry como se tivesse acabadode perceber que ele estava ali.
 QUE  QUE VOC ACHA QUE EST FAZENDO, HEIN?  bradou, to inesperadamente que os garotos deram um pulo demais de um palmo.  VOC NO PODE SAIR ANDANDO PORA 
DEPOIS DO ANOITECER, HARRY! E VOCS DOIS! DEIXARAM-NO SAIR!
Hagrid foi at Harry agarrou-o pelo brao e puxou-o para aporta.
 Vamos!  disse aborrecido.  Vou levar vocs de volta  escola,e no quero pegar ningum saindo para me ver depois do anoitecer. Eu novalho o risco!













CAPTULO SETE
O Bicho-papo no Armrio

Draco no reapareceu nas aulas at o fim da manh de quinta-feira, quandoos alunos da Sonserina e da Grifinria j estavam na metade da aula duplade Poes. Eleentrou 
cheio de arrogncia na masmorra, o brao direito enfaixado ependurado em uma tipia, agindo, na opinio de Harry, como se fosse osobrevivente herico deuma terrvel 
batalha.
 Como vai o brao, Draco?  perguntou Pansy Parkinson,com umsorrisinho insincero.  Est doendo muito?
 Est  respondeu o garoto, fazendo uma careta corajosa.
Mas Harry o viu piscar para Crabbe e Goyle, quando Violeta desviou oolhar.
 V com calma, v com calma  disse o Prof. Snapegratuitamente.
Harry e Rony fizeram caretas um para o outro; Snape no teriadito "v com calma" seeles tivessem entrado atrasados, teria lhes dado uma deteno. Mas Dracosempre 
conseguira escapar com qualquer coisa nas aulas de Poes; Snapeera o diretor da Sonserina e em geral favorecia os prprios alunos emprejuzo dos demais.
A classe estava preparando uma poo nova naquele dia, umaSoluo Redutora. Draco armou seu caldeiro bem ao lado do de Harry eRony, de modo que os trsficaram 
preparando os ingredientes na mesma mesa.
 Professor  chamou Draco , vou precisar de ajuda paracortar as razes de margarida, porque o meu brao...
 Weasley, corte as razes para Malfoy  disse Snape semerguer a cabea.
Rony ficou vermelho como um tomate.
 O seu brao no tem nenhum problema  sibilou o garotopara Draco.
Draco deu um sorriso satisfeito.
 Weasley, voc ouviu o que o professor disse; corte asrazes.
Rony apanhou a faca, puxou as razes de Draco para perto ecomeou a cort-las de qualquer jeito, de modo que os pedaosficaram de tamanhos diferentes.
 Professor  falou Draco com a voz arrastada , Weasleyest mutilando as minhas razes.
Snape aproximou-se da mesa, olhou para as razes por cima donariz curvo e em seguida deu a Rony um sorriso desagradvel, porbaixo da cabeleira longa e oleosa.
 Troque de razes com Malfoy, Weasley.
 Mas, professor...!
Rony passara os ltimos quinze minutos picando cuidadosamentesuas razes em pedacinhos exatamente iguais.
 Agora  mandou Snape com o seu tom de voz mais perigoso.
Rony empurrou as razes caprichosamente cortadas para o ladode Draco na mesa, e, em seguida, apanhou novamente a faca.
 E, professor, vou precisar descascar este pinho  disseDraco, a voz expressando riso e malcia.
 Potter, pode descascar o pinho de Malfoy  disse Snape,lanando a Harry o olhar de desprezo que sempre reservava s para ogaroto.
Harry apanhou o pinho enquanto Rony comeava a tentar consertaro estrago que fizeras razes que ia ter que usar. Harry descascou o pinho o mais depressaque 
pde e atirou-o para o lado de Draco, sem falar. O outro riu com maissatisfao que nunca.
 Tem visto o seu amigo Hagrid, ultimamente?  perguntouDraco aos dois, baixinho.
 No  da sua conta  retrucou Rony aos arrancos, semerguer a cabea.
 Acho que ele no vai continuar professor por muito tempo disse Draco num tom de fingida tristeza.  Meu pai no ficou nadasatisfeito com o meu ferimento...
 Continue falando, Draco, e vou lhe fazer um ferimento deverdade  rosnou Rony.
 ... Ele apresentou queixa aos conselheiros da escola. Eao Ministrio da Magia. Meu pai tem muita influncia, sabe. E umferimento permanente comoeste  ele fingiu 
um longo suspiro , quem sabe se o meu brao vai voltarum dia a ser o mesmo?
 Ento  por isso que voc est fazendo toda essaencenao  comentou Harry, decapitando sem querer uma lagarta morta,porque sua mo tremia deraiva.  Para tentar 
fazer Hagrid ser despedido.
 Bom  respondeu Draco, baixando a voz para um sussurro ,em parte, Potter. Mas tem outrosbenefcios, tambm. Weasley,fatie minhas lagartas para mim.
A alguns caldeires de distncia, Neville se achava em apuros.
Ele se descontrolavaregularmente nas aulas de Poes; era a sua pior matria, e seu grandemedo do Prof. Snape tornava as coisas dez vezes pior. Sua poo, quedevia 
ter ficado verde cido e berrante, tinha acabado...
 Laranja, Longbottom  exclamou Snape, apanhando um poucode poo com a concha e deixando-a cair de volta no caldeiro, de modoque todos pudessemver.  Laranja. 
Me diga, menino, ser que alguma coisa penetra nessa suacabea dura? Voc no me ouviu dizer, muito claramente, que s precisavapr um bao derato? Ser que eu 
no disse, sem nenhum rodeio, que um nadinha de sumo desanguessuga era suficiente? Que  que eu tenho de fazer para vocentender,Longbottom?
Neville estava vermelho e trmulo. Parecia prestes a chorar.
 Por favor, professor  disse Hermione , eu poderiaajudar Neville a consertar...
 Eu no me lembro de ter lhe pedido para se exibir, Srta. Granger respondeu Snape friamente eHermione ficou to vermelha quanto Neville.
 Longbottom, no final da aula vamos dar algumas gotas desta poo aoseu sapo e ver o que acontece. Quem sabe isto o estimule a preparar apoo corretamente.
O professor se afastou, deixando Neville sem flego detanto medo.
 Me ajude!  gemeu o menino para Hermione.
 Ei, Harry  disse Simas Finnigan, curvando-se para pediremprestada a balana de lato de Harry , voc j soube? No ProfetaDirio desta manh,eles acham que 
avistaram Sirius Black.
 Onde?  perguntaram Harry e Rony depressa. Do ladooposto da mesa, Draco ergueu os olhos, escutando a conversaatentamente.
 No muito longe daqui  respondeu o colega, que pareciaexcitado.  Foi visto por uma trouxa. Claro que ela no entendeumuito bem. Os trouxas acham que ele  
apenas um criminoso comum, no ? Ento ela telefonou para o nmero do planto de emergncia. Mas at oMinistrio da Magiachegar l, o Black j tinha sumido.
 No muito longe daqui...  repetiu Rony, lanando aHarry um olhar sugestivo. Ele se virou e notou que Draco os observava,atento.  Que foi, Draco? Precisa que 
eu descasque mais alguma coisa?
Mas os olhos do garoto brilhavam de maldade, e estavam fixos emHarry. Ele se debruou na mesa.
 Est pensando em apanhar o Black sozinho, Potter?
 Acertou!  respondeu Harry displicentemente.
Os lbios finos de Draco se curvaram num sorriso mau.
  claro, se fosse eu  disse em voz baixa , eu j teriafeito alguma coisa h mais tempo. Eu no ficaria na escola como um bommenino, eu estarial fora procurando 
o homem.
 De que  que voc est falando, Draco?  perguntou Ronycom aspereza.
 No sabe, Potter?  sussurrou MaIfoy, os olhosclaros quase fechados.
 No sei o qu?
Malfoy soltou uma risada baixa e desdenhosa.
 Vai ver voc prefere no arriscar o pescoo. Quer deixaros dementadores resolverem o caso, no ? Mas se fosse eu, eu ia quererme vingar. Ia atrsdele pessoalmente.
 Do que  que voc est falando? perguntou Harry com raiva, masnaquele momento Snape falou:
 Os senhores j devem ter terminado de misturar osingredientes. Essa poo precisa cozinhar antes de ser bebida; portantoguardem o seu materialenquanto ela ferve 
e, ento, vamos testar a do Longbottom...
Crabbe e Goyle riram-se abertamente, vendo Neville suar, enquantomexia febrilmente sua poo. Hermione murmurava instrues para o garotopelo canto daboca, para 
que Snape no visse. Harry e Rony guardaram os ingredientesque no tinham usado e foram lavar as mos e conchas na pia de pedra a umcantoda sala.
 Que foi que o Draco quis dizer?  sussurrou Harry paraRony, enquanto molhava as mos no jorro gelado que saia da bocada grgula.  Por que eu iria querer me 
vingar de Black? Ele no me feznada... Ainda.
 Ele est inventando  disse Rony com violncia.  Esttentando instigar voc a fazer uma idiotice...
O fim da aula  vista, Snape encaminhou-se para Neville, queestava encolhido ao lado do seu caldeiro.
 Venham todos para c  disse o professor, seus olhos negroscintilando  e observem o que acontece ao sapo de Longbottom. Se eleconseguiu produzir umaPoo Redutora, 
o sapo vai virar um girino. Se, o que eu no duvido, eleno preparou a poo direito, o sapo provavelmente vai ser envenenado.
Os alunos da Grifinria observaram temerosos. Os da Sonserina semostraram excitados. Snape apanhou Trevo, o sapo, com a mo esquerda emergulhou, coma direita, 
uma colherinha na poo de Neville, que agora estava verde.  Depois, deixou cair umas gotinhas na garganta de Trevo.
Houve um momento de silncio, em que Trevo engoliu a poo; seguiu-se um estalinho e Trevo, o girino, ps-se a se contorcerna palma da mo de Snape.
Os alunos da Grifinria desataram a aplaudir. Snape, com aexpresso mal-humorada, tirou um vidrinho do bolso das vestes, pingoualgumas gotas em Trevo eele reapareceu 
repentinamente adulto.
 Cinco pontos a menos para a Grifinria  anunciou ele,varrendo, assim, os sorrisos de todos os rostos.  Eu disse para noajud-lo, Srta. Granger. A turma est 
dispensada.
Harry, Rony e Hermione subiram a escadaria do saguo de entrada.
Harry ainda estava pensando no que Malfoy falara, enquanto Rony espumavade raiva de Snape.
 Cinco pontos a menos para a Grifinria porque a poo estavacerta! Por que voc no mentiu, Mione? Devia ter dito queNeville fez tudo sozinho!
Hermione no respondeu. Rony olhou para os lados.
 Aonde  que ela foi?
Harry se virou tambm. Os dois estavam no alto da escadariaagora, vendo o resto da turma passar poreles a caminho do Salo Principal para almoar.
 Ela estava logo atrs da gente  comentou Rony, franzindoas sobrancelhas.
Malfoy passou pelos dois, caminhando entre Crabbe e Goyle. Fezuma careta de riso para Harry e desapareceu.
 L est ela  disse Harry.
Hermione vinha ligeiramente ofegante, correndo escada acima; comuma das mos, ela agarrava a mochila e com a outra parecia estarescondendo alguma coisadentro 
das vestes.
 Como foi que voc fez isso?  perguntou Rony.
 O qu?  perguntou, por sua vez, Hermione, se juntandoaos amigos.
 Em um minuto voc est bem atrs da gente e no minutoseguinte est de volta ao p da escada.
 Qu?  Hermione pareceu ligeiramente confusa.  Ah... Eutive que voltar para ver uma coisa. Ah, no...
Uma costura se rompera na mochila da garota. Harry no sesurpreendeu; era visvel que a mochila fora atochada com pelo menos dozelivres pesados.
 Por que est carregando tudo isso na mochila? perguntou Rony.
 Voc sabe quantas matrias estou estudando  respondeu ela semflego.  Ser que podia segurar esses para mim?
 Mas...  Rony foi virando os livros que a amiga lhe passara paraolhar as capas  voc no tem nenhuma dessas matrias hoje. S tem Defesacontra as Artesdas 
Trevas,  tarde.
  verdade  respondeu Hermione vagamente, mas guardoutodos os livros na mochila assim mesmo.  Espero que tenha alguma coisaboa para o almoo,estou morta de 
fome  acrescentou, e se afastou em direo ao SaloPrincipal.
 Voc tambm tem a impresso de que Mione no estcontando alguma coisa  gente?  perguntou Rony a Harry.
O Prof. Lupin no estava em sala quando eles chegaram para a primeiraaula de Defesa contra as Artes das Trevas. Os alunos se sentaram, tiraramdas mochilas os 
livros,penas e pergaminho e estavam conversando quando o professor finalmenteapareceu. Lupin sorriu vagamente e colocou a velha maleta surrada naescrivaninha.
Estava mal vestido como sempre, mas parecia mais saudvel do que no dia dotrem, como se tivesse comido umas refeies reforadas.
 Boa tarde  cumprimentou ele.  Por favor, guardem todososlivros de volta nas mochilas. Hoje teremos uma aula prtica. Ossenhores s vo precisar das varinhas.
Alguns alunos se entreolharam, curiosos, enquanto guardavam oslivros. Nunca tinham tido uma aula prtica de Defesa contra as Artes dasTrevas antes, a noser que 
considerassem aquela aula inesquecvel no ano anterior, em que oprofessor tinha trazido uma gaiola de diabretes e os soltara na sala.
 Certo, ento  disse o Prof. Lupin, quando todos estavamprontos.  Queiram me seguir.
Intrigados, mas interessados, os alunos se levantaram e oseguiram para fora da sala. Ele levou os alunos por um corredor deserto evirou um canto, ondea primeira 
coisa que viram foi o Pirraa, o poltergeist, flutuando no arde cabea para baixo, e entupindo com chicles o buraco da fechadura maisprxima.
Pirraa no ergueu os olhos at o professor chegar a mais oumenos meio metro; ento, agitou os dedos dos ps e comeou acantar.
 Louco, lobo, Lupin  entoou ele.  Louco, lobo, Lupin...
Grosseiro e intratvel como era quase sempre, Pirraa em geraldemonstrava algum respeito pelos professores. Todo mundo olhou na mesmahora para Lupin paraver qual 
seria sua reao quilo; para surpresa de todos, o professorcontinuou a sorrir.
 Eu tiraria o chicle do buraco da fechadura se fossevoc, Pirraa  disse ele gentilmente.  O Sr. Filch no vai poderapanharas vassouras dele.
Filch era o zelador de Hogwarts, mal-humorado, um bruxo frustradoque travava uma guerra constante contra os estudantes e, na verdade,contra Pirraa tambm.
Mas o poltergeist no deu a mnima ateno s palavras do professor a noser para respond-las com um rudo ofensivo e alto feito com a boca.
O professor deu um breve suspiro e tirou a varinha.
 Este  um feitiozinho til  disse  turma por cima doombro.  Por favor observem com ateno.
Ele ergueu a varinha at a altura do ombro e disse:
 Uediusi! e apontou para Pirraa.
Com a fora de uma bala, a pelota de chicle disparou do buracoda fechadura e foi bater certeira na narina esquerda de Pirraa; o poltergeist virou de cabea para 
cima e fugiu a grande velocidade,xingando.
 Maneiro, professor  exclamou Dino Thomas admirado.
 Obrigado, Dino  disse o professor tornando a guardar avarinha.  Vamos prosseguir?
Eles recomearam a caminhada, a turma olhando o enxovalhadoprofessor com crescente respeito. Lupin os conduziu por umsegundo corredor e parou bem  porta da sala 
de professores.
 Entrem, por favor  disse ele, abrindo a porta e se afastandopara os alunos passarem.
A sala dos professores. Uma sala comprida, revestida com painisde madeira e mobiliada com cadeiras velhas e desaparelhadas, estavavazia, exceto porum ocupante. 
O Prof. Snape estava sentado em uma poltrona baixa e ergueuos olhos para os alunos que entravam. Seus olhos brilhavam e ele tinha umarzinho de desdmem volta 
da boca. Quando o Prof. Lupin entrou e fez meno de fechar aporta, Snape falou:
 Pode deix-la aberta, Lupin. Eu prefiro no estarpresente.
E, dizendo isso, se levantou e passou pela turma, suas vestesnegras se enfurnando s suas costas.  porta, o professor girou noscalcanhares e disse ao colega:
 Provavelmente ningum o alertou, Lupin, mas essa turmatem Neville Longbottom. Eu o aconselharia a no confiar a esse meninonada que apresentedificuldade. A 
no ser que a Srta, Granger se incumba de cochicharinstrues ao ouvido dele.
Neville ficou escarlate. Harry olhou aborrecido para Snape; jera bastante ruim que ele implicasse com Neville nas prpriasaulas, e muito pior fazer isso na frente 
de outros professores.
O Prof. Lupin ergueu as sobrancelhas.
 Pois eu pretendia chamar Neville para me ajudar naprimeira etapa da operao, e tenho certeza de que ele vai fazer issoadmiravelmente.
A cara de Neville ficou, se isso fosse possvel, ainda maisvermelha. Snape revirou os lbios num trejeito de desdm, mas se retirou,batendo de leve a porta.
 Agora, ento  disse o Prof. Lupin, chamando, com umgesto, a turma para o fundo da sala, onde no havia nada exceto um velhoarmrio em que osprofessores guardavam 
mudas limpas de vestes. Quando o professor sepostou a um lado, o armriosubitamente se sacudiu, batendo na parede.
 No se preocupem  disse ele calmamente porque alguns alunostinham pulado para trs, assustados.  H um bicho-papo ai dentro.
A maioria dos garotos achou que isso era uma coisa com o que sepreocupar. Neville lanou ao professor um olhar de absoluto terror eSimas Finnigan mirouo puxador, 
que agora sacudia barulhentamente, com apreenso.
 Bichos-papes gostam de lugares escuros e fechados informou o mestre.  Guarda-roupas, o vo embaixo das camas, os armriossob as pias... Euj encontrei um 
alojado dentro de um relgio de parede antigo. Este a semudou para c ontem  tarde e perguntei ao diretor se os professorespoderiam deix-lopara eu dar uma 
aula prtica aos meus alunos do terceiro ano.  Ento, a primeira pergunta que devemos nos fazer , o que um bicho-papo?
Hermione levantou a mo.
  um transformista  respondeu ela.   capaz de assumira forma do que achar que pode nos assustar mais.
 Eu mesmo no poderia ter dado uma definio melhor disse o Prof. Lupin, e o rosto de Hermione se iluminou de orgulho.
 Ento o bicho-papo que est sentado no escuro a dentro ainda noassumiu forma alguma. Ele ainda no sabe o que pode assustar a pessoa queest do lado de fora. 
Ningum sabe qual  a aparncia de um bicho-papo quando est sozinho,mas quando eu o deixar sair, ele imediatamente se transformar naquiloque cada um densmais 
teme. Isto significa  continuou o Prof. Lupin, preferindo no darateno  breve exclamao de terror de Neville  que temos uma enormevantagem sobre o bicho-papopara 
comear. Voc j sabe qual , Harry?
Tentar responder uma pergunta com Hermione do lado, comas plantas dos ps subindo e descendo impacientes e a mo no ar,era muito irritante, mas Harry resolveu 
tentar assim mesmo.
 Hum... Porque somos muitos, ele no vai saber que formatomar.
 Precisamente  concordou o professor e Hermione baixou amo, parecendo um pouquinho desapontada.   sempre melhorestarmos acompanhados quando enfrentamos um 
bicho-papo.  Assim, ele se confunde. No que dever se transformar, num corposem cabea ou numa lesma carnvora? Uma vez vi um bicho-papocometer exatamente este 
erro, tentou assustar duas pessoas e setransformou em meia lesma. O que, nem de longe, pode assustar algum.  O feitio que repele um bicho-papo  simples, mas 
exigeconcentrao. Vejam, a coisa que realmente acaba com um bicho-papo  oriso. Ento o que precisamfazer  for-lo a assumir uma forma que vocs achem engraada. 
Vamospraticar o feitio sem as varinhas primeiro. Repitam comigo, porfavor.. Riddikulus!
 Riddikulus  repetiu a turma.
 timo  aprovou o Prof. Lupin.  Muito bem. Mas receioque esta seja a parte mais fcil. Sabem, a palavra sozinha no basta.  E  aqui que voc vai entrar Neville.
O guarda-roupa recomeou a tremer, embora no tanto quantoNeville, que se dirigiu para o mvel como se estivesse indo paraa forca.
 Certo, Neville  disse o professor  Vamos comear pelo comeo: Qual, voc diria, que  a coisa que pode assust-lo mais nestemundo?
Os lbios de Neville se mexeram, mas no emitiram som algum.
 No ouvi o que voc disse, Neville, me desculpe  disseoProf. Lupin animado.
Neville olhou para os lados meio desesperado, como que suplicandoa algum que o ajudasse, depois disse, num sussurro quaseinaudvel:
 O Prof. Snape.
Quase todo mundo riu. At Neville sorriu como se pedissedesculpas. Lupin, porm, ficou pensativo.
 Prof. Snape... Hummm... Neville, eu creio que voc moracom a sua av?
 Sim... Moro  disse Neville, nervoso.  Mas tambm noquero que o bicho-papo se transforme na minha av.
 No, no, voc no entendeu  disse o professor, agorarindo.  Ser que voc podia nos descrever que tipo de roupas a suaav normalmente usa?
Neville fez cara de espanto, mas disse:
 Bem... Sempre o mesmo chapu. Um bem alto com um urubuempalhado na ponta. E um vestidocomprido... Verde, normalmente... E s vezes uma raposa.
 E uma bolsa?
 Vermelha e bem grande.
 Certo ento  disse o professor  Voc  capaz deimaginaressas roupas com clareza, Neville? Voc consegue v-lasmentalmente?
 Consigo  respondeu Neville, hesitante, obviamenteimaginando o que viria a seguir.
 Quando o bicho-papo irromper daquele guarda-roupa,Neville, e vir voc, ele vai assumir a forma do Prof. Snape. E voc vaierguer a varinha... Assim... E gritar 
"Riddikulus"... E se concentrarcom todas as suas foras nas roupas de sua av. Se tudo correr bem, oProf. Bicho-papo-Snape ser forado a vestir aquelechapu 
com ourubu, aquele vestido verde e carregar aquela enormebolsa vermelha.
Houve uma exploso de risos. O guarda-roupa sacudiucommaior violncia.
 Se Neville acertar, o bicho-papo provavelmente vaivoltar aateno para cada um de ns individualmente. Eu gostariaquetodos gastassem algum tempo, agora, para 
pensar na coisade quetm mais medo e imaginar como poderia faz-la parecercmica...
A sala ficou silenciosa. Harry pensou... O que oapavoravamais no mundo?
Seu primeiro pensamento foi Lord Voldemort  um Voldemortque tivesse recuperado totalmente as foras. Masantes queconseguisse planejar um possvel contra-ataque 
ao bicho-papo-Voldemort, uma imagem horrvel foi aflorando  superfciede suamente...
Uma mo luzidia e podre, que escorregava para dentrode umacapa preta... Uma respirao longa e rascante que saia deuma bocainvisvel... Depois um frio to penetrante 
que dava aimpresso deque ele estava se afogando...
Harry estremeceu e olhou para os lados, na esperanade queningum tivesse reparado nele. Muitos alunos tinham osolhosbem fechados. Rony murmurava para si mesmo 
"Arranque aspernas dela". Harry teve certeza de que sabia a que o amigo se referia.  O maior medo de Rony eram as aranhas.
 Todos prontos?  perguntou o Prof. Lupin.
Harry sentiu uma onda de medo. Ele no estava pronto.
Comoera possvel fazer um dementador se tornar menos aterrorizante?  Mas no quis pedir mais tempo; todos estavam acenando a cabeaafirmativamente enrolando as 
mangas.
 Neville, ns vamos recuar  disse o professor.  Assim vocfica com o campo livre, est bem? Vou chamar o prximo a vir parafrente... Todos para trs,agora, 
de modo que Neville tenha espao para agitar a varinha...
Todos recuaram, encostaram-se nas paredes, deixando Nevillesozinho ao lado do guarda-roupa. Ele parecia plido e assustado,mas enrolara as mangas das vestes e 
segurava a varinha emposio.
 Quando eu contar trs, Neville  avisou Lupin, que apontava aprpria varinha para o puxador do armrio.  Um... Dois... Trs... Agora!
Um jorro de fascas saltou da ponta da varinha do professor ebateu nopuxador. O guarda-roupa se abriu com violncia. Com o nariz curvo eameaador, o Prof. Snape 
saiu, os olhos faiscando para Neville.  Neville recuou, de varinha no ar, balbuciando silenciosamente. Snape avanou para ele, apanhando alguma coisa dentro das 
vestes.
 R... R.. Riddikulus!  esganiou-se Neville.
Ouviu-se um rudo que lembrava o estalido de um chicote. Snapetropeou; usava um vestido longo, enfeitado de rendas e um imenso chapude bruxo com um urubucarcomido 
de traas no alto, e sacudia uma enorme bolsa vermelho-vivo.
Houve uma exploso de risos; o bicho-papo parou, confuso, eo Prof. Lupin gritou:
 Parvati!  Avante!
Parvati adiantou-se, com ar decidido. Snape avanou para ela.
Ouviu-se outro estalo e onde o bicho-papo estivera havia agora uma mmiacom as bandagenssujas de sangue; seu rosto tampado estava virado para Parvati e a mmiacomeou 
a andar para a garota muito lentamente, arrastando os ps,erguendo os braos duros...
 Riddikulus! exclamou Parvati.
Uma bandagem se soltou aos ps da mmia; ela se enredou,caiu de cara no cho e sua cabea rolou para longe do corpo.
 Simas  bradou o professor.
Simas passou disparado por Parvati.
Craque! Onde estivera a mmia surgiu uma mulher de cabelos negrosque iam at o cho e um rosto esverdeado e esqueltico  um espritoagourento.
Ela escancarou a boca e um som espectralencheu a sala, um grito longo e choroso que fez os cabelos de Harryficarem em p.
 Riddikulus!  bradou Simas.
O esprito agourento emitiu um som rascante, apertou agarganta com as mos; sua voz sumiu.
Craque! O esprito agourento se transformou em um rato, que saiucorrendo atrsdo prprio rabo, em crculos, depois... Craque!  Transformou-se em uma cascavel, 
que saiu deslizando e se contorcendoat que craque! Se transformou em um olho nico e sangrento.
 Confundimos o bicho!  gritou Lupin.  J estamos quaseno fim! Dino!
Dino adiantou-se correndo.
Craque! O olho se transformou em uma mo decepada, que deuuma cambalhota e saiu andando de lado como um caranguejo.
 Riddikulus!  berrou Dino.
Ouviu-se um estalo e a mo ficou presa em uma ratoeira.
 Excelente! Rony, voc  o prximo! Rony correu para frente aos pulos.
Craque!
Muitos alunos gritaram. Uma aranha gigantesca e peluda, com quasedois metros de altura, avanou para Rony, batendo as pinasameaadoramente. Por um instante,Harry 
achou que Rony congelara. Mas...
 Riddikulus!  berrou Rony, e as pernas da aranhadesapareceram; ela ficou rolando pelo cho; Lil Brown deu um grito agudoe se afastou correndodocaminho da 
aranha at que ela parou aos ps de Harry. O garoto ergueu avarinha, preparou-se, mas...
 Tome!  gritou o Prof. Lupin de repente, correndo parafrente.
Craque!
A aranha sem pernas sumira. Por um segundo todos olharamassustados para os lados para ver o queaparecera. Ento viram um globo branco-prateado pendurado noar 
diante de Lupin, e ele disse "Riddikulus" quase descansadamente.
Craque!
 Para frente, Neville, e acabe com ela!  mandou o professorquando o bicho-papo aterrissou no cho sob a forma de uma barata.
Craque! E Snape reapareceu.
Desta vez, Neville avanou parecendo decidido. 
Riddikulus!  gritou, e, por uma frao de segundo, seuscolegas tiveram uma viso de Snape com seu vestido de rendas antes deNeville soltar uma grande gargalhada 
e o bicho-papo explodir em milharesde fiapinhos minsculosde fumaa, e desaparecer.
 Excelente!  exclamou o Prof. Lupin enquanto a classe aplaudiacom entusiasmo.  Excelente, Neville. Muito bem, pessoal... Deixe-mever... Cinco pontospara a 
Grifinria para cada pessoa que enfrentou o bicho-papo  dez paraNeville porque ele o enfrentou duas vezes e cinco para Harry e paraHermione.
 Mas eu no fiz nada  protestou Harry.
 Voc e Hermione responderam s minhas perguntas corretamente noincio da aula, Harry  respondeu Lupin gentilmente.  Muito bem,pessoal, foi uma aulaexcelente. 
Dever de casa: porfavor, leiam o captulo sobre os bichos-papes e faam um resumo para meentregar... Na segunda-feira. E por hoje  s.
Falando agitados, os alunos deixaram a sala dos professores.
Harry, porm, no estava se sentindo muito animado. O Prof. Lupin intencionalmente o impedira de enfrentar o bicho-papo.
Por qu? Teria sido porque vira Harry desmaiar no trem e achavaque ele no seria capaz? Teria pensado que ele ia desmaiar de novo? Masningum mais pareceu ter 
estranhado nada.
 Voc me viu enfrentar aquele esprito agourento? perguntava Simas aos gritos.
 E a mo!  disse Dino, agitando a prpria mo no ar.
 E o Snape naquele chapu!
 E a minha mmia?
 Por que ser que o Prof. Lupin tem medo de bolas decristal?  indagou Lil, pensativa.
 Essa foi a melhor aula de Defesa contra as Artes dasTrevas que j tivemos, vocs no acham?  disse Rony excitado quandorefaziam o caminho ata sala de aula 
para apanhar as mochilas.
 Ele parece um bom professor  comentou Hermione em tomde aprovao.  Mas eu gostaria de ter podido enfrentar o bicho-papo...
 O que ele teria sido para voc?  perguntou Rony dandorisadinhas.  Um dever de casa que s mereceu nota nove em dez?



CAPTULO OITO
A Fuga da Mulher Gorda

No demorou nada e a Defesa contra as Artes das Trevas se tornou amatria favorita da maioria dos estudantes. Somente Draco Malfoy e suapatota de alunos da Sonserinatinham 
alguma coisa de ruim a dizer do Prof. Lupin.
 Olha s as vestes dele  Malfoy dizia num sussurro bem audvelquando o professor passava.  Ele se veste como um velho elfodomstico.
Mas ningum mais se importava se as vestes de Lupin eramremendadas e esfiapadas. Suas aulas seguintes tinham sido tointeressantes quanto a primeira. Depoisdos 
bichos-papes, eles estudaram os "barretes vermelhos", criaturinhasmalvadas que lembravam duendes e rondavam os lugares onde houveraderramamento desangue, masmorras 
de castelos e valas dos campos de batalha desertos  espera de abater a porrete os que se perdiam. Dos barretes vermelhoseles passaram aos kappas,seres rastejantes 
das guas, que lembravam macacos com escamas,palmpedes cujas mos comichavam para estrangular osbanhistas desavisados que penetravam seus domnios.
Harry s desejava que fosse to feliz com outras matrias. A piordelas era Poes. Snape andava com uma disposio bem vingativaultimamente, e ningumtinha dvidas 
do que motivara isso. A histria do bicho-papo queassumira a forma dele, e a maneira com que Neville o vestira com asroupas da av, correra a escolacomo fogo 
espontneo. Snape no parecia ter achado graa. Seus olhosfaiscavam ameaadoramente  simples meno do nome de Lupin e ele andavaimplicando com Nevillemais do 
que nunca.
Harry tambm estava comeando a temer as horas que passavana sala sufocante da Prof. Sibila, decifrando formas e smbolosenviesados, tentando fingir que no 
via os olhos da professora seencherem de lgrimas todas as vezes que olhava para ele. No conseguiagostar de Sibila, embora ela fosse tratada, por muitos alunos 
da turma,com um respeito que beirava a reverncia. Parvati Patil e Lil Brownpassaram a rondara torre da professora na hora do almoo, e sempre voltavam com irritantesares 
de superioridade, como se soubessem de coisas que os outrosdesconheciam. Tinham comeadotambm a usar um tom de voz abafado sempre que falavam com Harry, como 
seestivessem em seu velrio.
Ningum gostava realmente de Trato das Criaturas Mgicas que,depois da primeira aula repleta de ao, tornara-se extremamentemontona. Hagrid parecia terperdido 
a confiana em si mesmo. Os alunos agora passavam aula aps aulaaprendendo a cuidar de vermes, que eram uma das espcies de bichos maischatas que existemno mundo, 
e no era por acaso.
 Por que algum se daria o trabalho de cuidar deles?  exclamouRony, depois de mais de uma hora enfiando alface fresca picada pela goelaescorregadia dosvermes.
No incio de outubro, porm, Harry teve algo com que se ocupar,algo to prazeroso que mais do que compensou as aulas chatas. A temporadade Quadribol seaproximava 
e Olvio Wood, capito do time da Grifinria, convocou umareunio para uma noite de quinta-feira com a finalidade de discutirem astticas que adotariamna nova 
temporada.
Havia sete jogadores num time de Quadribol: trs artilheiros,cuja funo  marcar gol fazendo a goles (uma bola vermelha do tamanhode uma bola de futebol) passar 
por um aro no alto de uma baliza de quinze metros de alturafincada em cada extremidade do campo; dois batedores, armados com pesadosbastes para repeliros balaos 
(duas bolas pretas macias que voavam para todos os ladostentando atacar os jogadores); um goleiro, que defendia as balizas e umapanhador, que tinhaa funo mais 
difcil de todas, a de capturar o pomo de ouro, uma bolinhaalada do tamanho de uma noz, cuja captura encerrava o jogo, e garantiapara o time do apanhadorcento 
e cinqenta pontos a mais.
Olvio era um rapaz forte de dezessete anos, agora no stimo e ltimo anode Hogwarts. Tinha uma espcie de desesperosilencioso na voz quando se dirigiu aos seis 
companheirosde equipe nos gelados vestirios, localizados nas pontas do campo deQuadribol, agora quase escuro.
 Esta  a nossa ltima chance, minha ltima chance, deganhar a Taa de Quadribol  disse andando para l e para c diante doscolegas.  Vou-me embora no fim deste 
ano. Nunca mais terei outraoportunidade. Grifinria no ganha a taa h sete anos. Tudo bem, tivemos omaior azar do mundo, acidentes, depois o cancelamento do 
torneio no anopassado...  Olvioengoliu em seco como se aquela lembrana ainda lhe desse um n nagarganta.  Mas tambm sabemos que temos o time... Melhor... 
Maisirado... Da escola  disse ele, dandoum soco na palma da mo, o velho brilho obsessivo nos olhos. -Temos trs artilheiros da melhor qualidade. Olvio apontou 
pata Alicia Spinnet, Angelina Johnson e KarieBell.  Temos dois batedores imbatveis.
 Pode parar, Olvio, voc est encabulando a gente disseram Fred e Jorge juntos, fingindo corar.
 E temos um apanhador que at hoje nunca deixou de noslevar  vitria nas partidas quejogamos  falou Olvio em tom retumbante, encarando Harrycom uma espcie 
de orgulho ardoroso.  E temos a mim  acrescentou,pensando melhor.
 Ns tambm achamos voc muito bom Olvio.  disse Jorge.
 Um goleiro do caramba!  disse Fred.
 A questo   continuou Olvio retomando a caminhada que a Taa de Quadribol devia ter tido o nome do nosso time gravado,nesses dois ltimosanos. Desde que 
Harry se juntou a ns, achei que a taa j estava nopapo. Mas noganhamos, e este ano  a ltima chance que teremos de finalmente ver onosso nomena taa...
Olvio falou to desolado que at Fred e Jorge o olharam comsimpatia.
 Olvio, este ano  o nosso ano  animou-o Fred.
 Vamos conseguir, Olvio!  disse Angelina.
 Sem a menor dvida  confirmou Harry.
Cheio de determinao, o time comeou os treinos, trs noites porsemana. O tempo estava ficando mais frio e mais mido, as noites maisescuras, mas nohavia lama 
nem vento nem chuva que pudesse empanar a viso maravilhosa deHarry de finalmenteganhar a enorme Taa de Quadribol de prata.
Harry voltou  sala comunal da Grifinria certa noite depoisdo treino, enregelado, os msculos endurecidos, mas satisfeito como aproveitamento do treino, e encontrou 
a sala mergulhada num vozerioexcitado.
 Que foi que aconteceu? perguntou ele a Rony e Hermione, queestavam sentados em duas das melhores poltronas ao lado dalareira terminando uns mapas estelares 
para a aula de Astronomia.
 Primeiro fim de semana em Hogsmeade  respondeu Rony, apontandopara uma nota que aparecera no escalavrado quadro deavisos.  Fim de outubro. Dia das Bruxas.
 timo  comentou Fred que seguira Harry na passagem pelo buracodo quadro.  Preciso visitar aZonko"s. Meus chumbinhosfedorentos esto quase no fim.
Harry se atirou em uma cadeira ao lado de Rony, sua animaoesfriando. Hermione pareceu ler seus pensamentos.
 Harry tenho certeza de que voc vai poder ir na prximavisita  disse a garota.  Vo acabar pegando o Black logo. Ele j foiavistado uma vez.
 Black no  louco de tentar alguma coisa em Hogsmeade argumentou Rony.  Pergunte a McGonagall se voc pode irHarry, a prxima vez talvez demore um tempo para 
acontecer...
 Rony!  exclamou a garota.  Harry tem que ficar naescola...
 Ele no pode ser o nico aluno de terceiro ano que vaificar disse Rony.  Pergunta a McGonagall, anda, Harry...
 , acho que vou perguntar  disse Harry se decidindo. Hermione abriu aboca para protestar, mas naquele instanteBichento pulou com leveza em seu colo. Trazia 
uma enorme aranha mortapendurada na boca.
 Ele tem que comer isso na frente da gente?  perguntouRony aborrecido.
 Bichento inteligente, voc apanhou a aranha sozinho? perguntou Hermione.
Bichento mastigou a aranha vagarosamente, os olhos amarelosfixos insolentemente em Rony.
 V se ao menos segura ele a  disse Rony irritado, voltandoa ateno para o seu mapa estelar.  Perebas est dormindo naminha mochila.
Harry bocejou. Queria realmente ir se deitar, mas ainda tinhao mapa para terminar. Puxou a mochila para perto, tirou um pergaminho,tinta e caneta e comeou a trabalhar.
 Pode copiar o meu, se quiser  ofereceu Rony, escrevendoonome da ltima estrela com um floreio e empurrando o mapa paraHarry.
Hermione, que desaprovava colas, contraiu os lbios, mas nodisse nada. Bichento continuava a mirar Rony sem piscar, agitandoa ponta do rabo peludo. Ento, sem 
aviso, atacou.
 AI!  berrou Rony, agarrando a mochila na hora em queBichento enterrava nela as garras das quatro patas e comeava asacudi-la furiosamente.  D O FORA DAI SEU 
BICHO BURRO!
Rony tentou arrancar a mochila das garras de Bichento, mas ogato no a largava, bufando e unhando.
 Rony, no machuca ele!  gritou Hermione; toda a salaobservava; Rony girou a mochila, Bichento continuou agarrado, ePerebas saiu voando pela abertura...
 SEGURE ESSE GATO!  berrou Rony quando Bichento sedesvencilhou dos restos da mochila e saltou para a mesa perseguindo oaterrorizado Perebas.
Jorge Weasley deu um salto na direo de Bichento mas errou; Perebas disparou entre vinte pares de pernas e sumiu embaixo de uma velhacmoda. Bichento parouderrapando, 
se abaixou o mais que pde nas pernas arqueadas e comeou afazer furiosas investidas com a pata dianteira no vo da cmoda.
Rony e Hermione correram para acudir; Hermione agarrou Bichentopelo meio e carregou-o para longe; Rony se atirou no cho de barriga parabaixo e, com grandedificuldade, 
puxou Perebas para fora pelo rabo.
 Olha s para ele!  gritou o garoto furioso paraHermione, balanando Perebas diante da amiga.  Est pele e osso! Seguraessegato longe dele!
 Bichento no entende que isso  errado!  defendeu-oHermione, a voz trmula.  Todos os gatos caam ratos, Rony!
 Tem uma coisa esquisita nesse animal!  acusou Rony, queestava tentando persuadir um Perebas, que se contorcia freneticamente, avoltar para dentrodo seu bolso. 
 Ele me ouviu dizer que Perebas estava na mochila!
 Ah, deixa de bobagem  retrucou a garota.  Bichentosabe farejar, Rony, de queoutro modo voc acha...
 Esse gato est perseguindo o Perebas!  disse Rony, fingindono ver os colegas em volta, que comeavam a dar risadinhas abafadas.  EPerebas estava aqui primeiro, 
e est doente!
Rony atravessou a sala decidido e desapareceu na subida daescada para os dormitrios dos garotos.
Rony continuou de mal com Hermione no dia seguinte. Quase no falou com agarota durante a aula de Herbologia, embora ele, Harry e Hermioneestivessem trabalhandojuntos 
na mesma tarefa.
 Como  que vai o Perebas?  perguntou Hermionetimidamente enquanto colhiam gordas vagens rosadas das plantas eesvaziavam seus feijes luzidiosem um balde de 
madeira.
 Est escondido no fundo da minha cama tremendo respondeu Rony com raiva, errando o balde e espalhando feijes pelocho da estufa.
 Cuidado, Weasley, cuidado!  exclamou a Prof. Sproutquando os feijes desabrocharam diante dos olhos de todos.
A aula seguinte era Transformao. Harry, que resolvera perguntarProf. McGonagall depois da aula se podia ir a Hogsmeade com os colegas,entrou na filado lado 
de fora da sala tentando decidir como  que iria defender o seucaso. Foi distrado, porm, por uma confuso no incio da fila.
Pelo jeito, Lil Brown estava chorando. Parvati abraava-a, eexplicava algo a Simas e Dino, que pareciam muito srios.
 Que foi que aconteceu, Lil?  perguntou Hermione,ansiosa, quando ela, Harry e Rony se reuniram ao grupo.
 Ela recebeu uma carta de casa hoje de manh  sussurrouParvati.  Foi o coelho dela, Bnqui. Foi morto por uma raposa.
 Ah  disse Hermione sinto muito, Lil.
 Eu devia ter imaginado!  exclamou Lil, tragicamente. Voc sabe que dia  hoje?
 Hum...
 Dezesseis de outubro! "Essa coisa que voc receia, vaiacontecer na sexta-feira, 16 de outubro!" Lembram? Ela estava certa, elaestava certa!
A turma inteira agora rodeava Lil. Simas sacudia a cabea,srio. Mione hesitou; em seguida perguntou:
 Voc receava que Bnqui fosse morto por uma raposa?
 Bem, no necessariamente por uma raposa  respondeuLil, erguendo os olhos, dos quais as lgrimas escorriam sem parar ,mas obviamente eu receava que ele morresse, 
no ?
 Ah  exclamou Hermione. Ela fez outra pausa. E depois...
 Bnqui era um coelho velho?
 N... No!  soluou Lil. -A... Ainda era um bebezinho!
Parvati apertou o abrao que dava em Lil.
 Mas, ento, por que voc tinha receio que ele morresse?  perguntou Hermione.
Parvati fez uma cara feia para a colega.
 Bem, vamos encarar isso logicamente  falou Hermione,virando-se para o restante do grupo.  Quero dizer, Bnqui nem ao menosmorreu hoje, no ? Lil foi que 
recebeu a notcia hoje...  Lil abriu um berreiro  e elano podia estar receando isso, porque a notcia foi um choque para ela...
 No ligue para Hermione, Lil  disse Rony em voz alta , ela no acha que os bichos de estimao dos outros tm muitaimportncia.
A Prof. Minerva abriu a porta da sala de aula naquele momento, oque talvez tenha sido uma sorte; Hermione e Rony estavam se fuzilando comos olhos e quandoentraram 
na sala se sentaram um de cada lado de Harry, e passaram a aulainteira sem sefalar.
Harry ainda no decidira o que ia dizer  professora quando asineta tocou anunciando o fim da aula, mas foi ela quem levantou oassunto de Hogsmeade primeiro.
 Um momento, por favor!  pediu quando a turma sepreparava para sair.  Como vocs todos fazem parte da minha Casa,devero entregar os formulriosde autorizao 
para ir  Hogsmeade a mim, antes do Dia das Bruxas. Semformulrio no h visita, por isso no se esqueam.
Neville levantou a mo.
 Por favor, professora, eu... Eu acho que perdi...
 Sua av mandou o seu diretamente a mim, Longbottom disse Minerva.  Parece que ela achou mais seguro. Bem,  s isso,podem ir.
 Pergunta a ela agora  sibilou Rony a Harry.
 Ah, mas...  comeou Hermione.
 Manda ver  disse Rony insistindo.
Harry esperou o resto da turma desaparecer e se dirigiu, nervoso, escrivaninha da professora.
 Que foi, Potter?
Harry inspirou profundamente.
 Professora, minha tia e meu tio... Hum... Se esqueceram deassinar a minha autorizao.
A Prof. Minerva olhou-o por cima dos culos quadrados e no dissenada.
 Ento... Hum... A senhora acha que haveria algum problema... Quero dizer, que estariaOk se eu... Se eu fosse a Hogsmeade?
Minerva baixou os olhos e comeou a mexer nos papis em cima daescrivaninha.
 Receio que no, Potter. Voc ouviu o que eu disse. No temformulrio, no tem visita ao povoado. Essa  a regra.
 Mas, professora, minha tia e meu tio... A senhora sabe, elesso trouxas, no entendem realmente para que servem... Os formulrios deHogwarts e outrascoisas 
daqui  explicou Harry, enquanto Rony o animava a prosseguir comvigorosos acenos de cabea.  Se a senhora disser que eu posso ir...
 Mas eu no vou dizer  falou a professora se levantando earrumando os papis na gaveta.  O formulrio diz claramente queo pai ou guardio precisa dar permisso. 
 Minerva se virou para olh-lo,com uma estranha expresso no rosto. Seria pena?  Sinto muito, Potter,mas esta  a minhapalavra final.  melhor voc se apressar 
ou vai se atrasar para a prximaaula.
No restava nada a fazer. Rony xingou a Prof. Minerva de uma poro denomes, o que deixou Hermione muito aborrecida; a garota assumiu um ar de"foi-melhor-assim 
que fez Rony ficar com mais raiva e Harry teve que suportar os colegas naaula discutindo, alegres e em altas vozes, o que iam fazer primeiro,quando chegassem aHogsmeade.
 Sempre tem a festa  disse Rony, num esforo para animar Harry.
 Sabe, a festa do Dia das Bruxas,  noite.
 Sei  respondeu Harry, deprimido , que timo.
A festa do Dia das Bruxas era sempre boa, mas teria um sabormuito melhor se fosse depois deuma visita a Hogsmeade com os colegas. Nada que ningum dissefez Harry 
se sentir melhor com relao  idia de ser deixado para trs.
Dino Thomas, que era jeitoso com uma caneta, se oferecera para falsificara assinatura dotioVlter no formulrio, mas como Harry j dissera  Prof. Minervaque 
os tios no haviam assinado, no adiantava nada. Rony, meiodesanimado, sugeriu a Capa da Invisibilidade, mas Hermione eliminou essapossibilidade, lembrando a Rony 
que Dumbledore avisara que osdementadores podiam ver atravsda capa. Possivelmente foi Percy quem disse as palavras que menosconsolaram.
 O pessoal faz um estardalhao sobre Hogsmeade, mas eugaranto, Harry, o povoado no  to fantstico quanto dizem  falou ele,srio.  Tudo bem,a loja de doces 
 bastante boa e a Zonko"s  Logros e Brincadeiras francamente perigosa e, ah, sim, a Casa dos Gritos sempre vale a penavisitar, mas, verdade,Harry, tirando 
isso, voc no vai perder nada.
Na manh do Dia das Bruxas, Harry acordou com os colegas e desceu paratomar caf, sentindo-se totalmente arrasado, embora se esforasse aomximo para agir normalmente.
 Vamos lhe trazer um monte de doces da Dedosdemel  prometeuHermione, sentindo uma pena desesperada do amigo.
 , montes  concordou Rony. Ele e Hermione tinhamfinalmente esquecido a briga por causa do Bichento diante dodescontentamento de Harry.
 No se preocupem comigo  disse Harry no que eleimaginava ser uma voz displicente.  Vejovocs na festa. Divirtam-se.
Ele acompanhou os amigos at o saguo da escola, onde Filch, ozelador, estava postado  porta de entrada, verificando se os nomesconstavam de uma longalista, 
examinando cada rosto cheio de desconfiana, e certificando-se deque ningum que no devia ir estivesse saindo escondido da escola.
 Vai ficar na escola, Potter?  gritou Malfoy, que estavana fila com Crabbe e Goyle.  Medinho de passar pelos dementadores?
Harry no lhe deu ateno e se dirigiu, solitrio, para aescadaria de mrmore, seguiu pelos corredores desertos e voltou  Torreda Grifinria.
 Senha?  perguntou a Mulher Gorda, acordando assustadade um cochilo.
 Fortuna Major  disse Harry aptico.
O retrato se afastou e ele passou pelo buraco que levava  salacomunal que estava repleto de alunos do primeiro e segundo anoque tagarelavam e de alguns alunos 
mais velhos, que obviamente j tinhamvisitado Hogsmeade tantas vezes que a novidade se desgastara.
 Harry! Harry! Oi, Harry!
Era Colin Creevey, um colega do segundo ano que tinha umaprofunda admirao por Harry e nunca perdia uma oportunidade de falar como seu dolo.
 Voc no vai a Hogsmeade, Harry? Por que no? Ei,  Colin olhoucom ansiedade para os amigos  pode vir se sentar conosco,se quiser, Harry!
 Hum... No, obrigado, Colin  disse Harry que no estavaa fim de ter um bando de gente olhando, curiosa, para a cicatriz em suatesta.  Tenho... Tenho que ir 
 biblioteca, preciso fazer um trabalho.
Depois disso, ele no teve escolha seno dar meia-volta e sedirigir ao buraco do retrato para sair.
 Para o que foi ento que me acordou?  comentourabugenta, a Mulher Gorda quando ele, depois de passar, foi se afastando.
Harry caminhou, desalentado, em direo  biblioteca, mas no meiodo caminho mudou de idia; no estava com vontade de trabalhar. Deu meia-voltae deparoucom Filch, 
que obviamente acabara de despachar o ltimo visitante paraHogsmeade.
 Que  que voc est fazendo?  rosnou Filch,desconfiado.
 Nada  respondeu Harry com sinceridade.
 Nada!  bufou Filch, a queixada tremendodesagradavelmente.  Que coisa improvvel! Andando, sorrateiro, sozinho,por que  que voc no est emHogsmeade comprando 
chumbinho fedorento, p de arroto e minhocas de apitocomo os seus outros amiguinhos intragveis?
Harry sacudiu os ombros.
 Muito bem, volte para sua sala comunal que  o seulugar!  mandou Filch, com rispidez e ficou parado olhando at Harrydesaparecer de vista.
Mas o garoto no voltou  sala comunal; ele subiu uma escada,pensando vagamente em visitar o corujal para ver Edwiges, e estavaandando por outro corredorquando 
uma voz que vinha de uma das salas o chamou:
 Harry?
O garoto se virou pata ver quem o chamara e deparou com oProf. Lupin, que espiava para os lados  porta de sua sala.
 Que  que voc est fazendo?  perguntou Lupin, emboranum tom de voz diferente do de Filch.  Onde esto Rony e Hermione?
 Hogsmeade  respondeu Harry num tom que ele pretendiaque fosse descontrado.
 Ah  comentou Lupin. Ele observou o garoto por ummomento.  Por que voc no entra? Estive aguardando a entrega de umgrindylow para a nossaprximaaula.
 De um o qu?  perguntou Harry.
Ele entrou na sala de Lupin com o professor. A um canto havia umaenorme caixa de gua. Um bicho de cor verde-bile e chifrinhos pontiagudoscomprimia a caracontra 
o vidro, fazendo caretas e agitando os dedos longos e afilados.
 Demnio aqutico  explicou Lupin, examinando ogrindylow pensativamente.  No deve nos dar muito trabalho, no depoisdos kappas. O truque  deixaras mos deles 
sem ao. Reparou nos dedos anormalmente compridos? Fortesmas muito quebradios.
O grindylow arreganhou os dentes verdes e em seguida se enterrounum emaranhado de ervas a um canto.
 Aceita uma xcara de ch?  ofereceu Lupin, procurando a chaleira.  Eu estava mesmo pensando em preparar uma.
 Tudo bem  aceitou Harry sem jeito.
Lupin deu alguns golpes de varinha na chaleira e na mesmahora saiu do bico uma baforada de vapor quente.
 Sente-se  convidou Lupin, tirando a tampa de uma lataempoeirada.  Receio que s tenha ch em saquinhos... Mas eu diria quevoc j bebeu chem folhas que chegue.
Harry olhou para ele. Os olhos do professor cintilavam.
 Como foi que o senhor soube disso?  perguntou Harry.
 A Prof. McGonagall me contou  respondeu Lupin, passandoa Harry uma caneca lascada cheia de ch.  Voc no est preocupado,est?
 No.
Por um instante Harry pensou em contar a Lupin a histria doco que ele vira na Rua Magnlia, mas decidiu no faz-lo. No queria queLupin pensasse que era covarde, 
principalmente porque oprofessor j parecia pensar que ele no era capaz de enfrentar umbicho-papo.
Alguma coisa dos pensamentos de Harry devia ter transparecido emseu rosto, porque Lupin perguntou:
 Tem alguma coisa preocupando-o, Harry?
 No  mentiu o garoto. Depois bebeu um pouco de chobservando o grindylow que o ameaava com o punho.  Tem  disse ele derepente, pousando axcara de ch na 
mesa do professor  O senhor se lembra daquele dia emque lutamos contra o bicho-papo?
 Claro.
 Por que o senhor no me deixou enfrentar o bicho? perguntou Harry abruptamente.
Lupin ergueu as sobrancelhas.
 Eu teria pensado que isto era bvio, Harry  disse eleparecendo surpreso.
Harry, que esperara que o professor negasse ter feito uma coisadessas, ficou perplexo.
 Por qu?  tornou ele a perguntar.
 Bem  falou Lupin, franzindo de leve a testa , presumique se o bicho-papo o enfrentasse, ele assumiria a forma de LordVoldemort.
Harry arregalou os olhos. No somente esta era a ltima respostaque poderia esperar, como tambm Lupin dissera o nome de Voldemort. Anica pessoa que Harryj 
ouvira dizer esse nome em voz alta (alm dele prprio) fora o Prof. Dumbledore.
 Pelo visto eu me enganei  desculpou-se o professor,ainda franzindo a testa.  Mas eu no achei uma boa idia Lord Voldemortse materializar nasala dos professores. 
Imaginei que os alunos entrariam em pnico.
 Logo no comeo, eu realmente pensei em Voldemort  disseHarry honestamente.  Mas depois, eu... Eu me lembrei daquelesdementadores.
 Entendo  falou o professor, pensativo.  Bem, bem... Estou impressionado.  Ele sorriu brevemente ao ver a expresso desurpresa no rosto do garoto.  Isto sugere 
que o que voc mais teme  o medo. Muito sensato, Harry.
Harry no soube o que dizer ao professor, por isso bebeu maisch.
 Ento voc andou pensando que eu no acreditava que voctivesse capacidade para enfrentar o bicho-papo?  perguntouLupin astutamente.
 Bem... .  Harry de repente estava se sentindo muitomais feliz. Prof. Lupin, o senhor sabe que os dementadores...
O garoto foi interrompido por uma batida na porta.
 Entre  convidou o professor.
A porta se abriu e Snape entrou. Trazia um clice ligeiramentefumegante e parou, apertando os olhos negros, ao ver Harry.
 Ah, Severo  exclamou Lupin sorridente.  Muitoobrigado. Podia deixar a na mesa para mim?
Snape pousou o clice fumegante, os olhos indo de Harry paraLupin.
 Eu estava mostrando a Harry o meu grindylow  disseLupin em tom agradvel, indicando o tanque de gua.
 Fascinante  comentou Snape sem sequer olhar para otanque.  Voc devia beber isso logo, Lupin.
 , , vou beber.
 Fiz um caldeiro cheio  continuou Snape.  Se precisarde mais...
 Provavelmente eu deveria tomar mais um pouco amanh. Muito obrigado, Severo.
 De nada  disse o colega, mas havia uma expresso em seusolhos que no agradou a Harry. O professor se retirou de costaspara a porta, sem sorrir, vigilante.
Harry olhou, curioso, para o clice. Lupin sorriu.
 O Prof. Snape teve a bondade de preparar esta poo paramim  explicou ele.  Nunca fui um bom preparadorde poes e esta aqui  particularmentecomplexa.  
Ele apanhou o clice e cheirou-o.   pena que o acarestrague o efeito da poo  acrescentou, tomando um golinho eestremecendo.
 Por qu...?  comeou Harry.  
Lupin olhou para ele erespondeu  pergunta incompleta.
 Tenho me sentido meio indisposto. Esta poo  a nicacoisa que me ajuda. Tenho a sorte de estar trabalhando ao lado doProf. Snape; no h muitos bruxos que 
saibam prepar-la.
O professor tomou mais um golinho e Harry teve um desejoincontrolvel de derrubar o clice de suasmos.
 O Prof. Snape  muito interessado nas Artes das Trevas disse o garoto sem pensar.
  mesmo?  admirou-se Lupin, parecendo apenas levementeinteressado, enquanto tomava mais um gole.
 Tem gente que supe que ele faria qualquer coisa paraocupar o cargo de professor de Defesa contra as Artes das Trevas.
Lupin esvaziou o clice e fez uma careta.
 Horrvel  disse.  Bem, Harry  melhor eu voltar ao trabalho. Vejo voc mais tarde na festa.
 Certo  concordou Harry, deixando na mesa sua xcara vazia. O clicevazio continuava a fumegar.
 Segura a  exclamou Rony.  Compramos o mximo que podamos carregar.
Uma chuva de doces intensamente coloridos caiu no colo de Harry.
Anoitecia e Rony e Hermione tinham acabado de chegar  sala comunal, asfaces rosadas dovento frio e a expresso de que tinham se divertido como nunca.
 Obrigado  disse Harry, pegando um pacote de minsculosDiabinhos de Pimenta. Como  que  Hogsmeade? Aonde  que vocs foram?
Pelo que diziam... A todos os lugares. Dervixes e Bangues, a lojade equipamento de bruxaria,Zonko"s  Logros e Brincadeiras, no Trs Vassouras para tomarcanecas 
espumantes de cerveja quente amanteigada, e outros tantoslugares.
 O Correio, Harry! Umas duzentas corujas, todas pousadasem prateleiras, todas com cdigo de cores dependendo da urgncia com quevoc quer que acarta chegue!
 A Dedosdemel tem um novo tipo de bombom estavamdistribuindo amostras grtis, olha a um pedacinho, olha...
 Achamos que vimos um ogro, juro, tem gente de todo o tipo noTrs Vassouras...
 Gostaria que a gente pudesse ter trazido cervejaamanteigada para voc,esquenta para valer...
 Que foi que voc ficou fazendo?  perguntou Hermione,com ar preocupado.  Terminou algum dever?
 No  respondeu Harry.  Lupin preparou uma xcara dech para mim na sala dele. Ento Snape entrou...
E Harry contou aos amigos tudo sobre o clice. Rony ficouboquiaberto.
 E Lupin bebeu? Ele  maluco?
Hermione consultou o relgio de pulso.
  melhor descermos, sabe, a festa vai comear dentro decincominutos...
 Os trs atravessaram depressa o buraco do retrato e se misturaram aglomeraode alunos, ainda discutindo Snape.
 Mas se ele... Sabe...  Hermione baixou a voz, olhando,nervosa,para os lados  se ele estivesse tentando... Envenenar Lupin... No teria feito isso na frente 
de Harry.
  talvez  disse Harry quando chegavam ao saguo deentrada e o atravessavam para entrar no Salo Principal. Este foradecorado com centenas deabboras iluminadas 
por dentro com velas, uma nuvem de morcegos, muitasserpentinas laranja-vivo que esvoaavam lentamente pelo teto tempestuosocomo parecendo luzidiascobras de gua.
A comida estava deliciosa; at Hermione e Rony, que j vinhamempanturrados de doces da Dedosdemel, arranjaram lugar para repetir.
Harry olhava constantementepara a mesa dos professores. O Prof. Lupin parecia alegre e o maissaudvel possvel; conversava animadamente com o mido Flitwick,professor 
de Feitios. O olharde Harry percorreu a mesa at o lugar que Snape ocupava. Seria suaimaginao ou os olhos de Snape cintilavam na direo de Lupin com maisfreqncia 
do que serianatural?
A festa terminou com um espetculo apresentado pelos fantasmas deHogwarts. Eles saltavam de repente das paredes e dos tampos das mesas evoavam em formao;
Nick Quase Sem Cabea, o fantasma da Grifinria, fez grande sucesso comuma encenao de sua prpria decapitao incompleta.
Foi uma noite to agradvel que o bom humor de Harry sequer foiafetado quando Malfoy gritou no meio dos colegas, quando deixavam osalo:
 Os dementadores mandaram lembranas, Potter!
Harry, Rony e Hermione acompanharam os colegas da Grifinria pelocaminho habitual para a sua Torre, mas quando chegaram ao corredor queterminava no retratoda 
Mulher Gorda, encontraram-no engarrafado pelos alunos.
 Por que ningum est entrando?  perguntou Rony, curioso. Harryespiou por cima das cabeas  sua frente.
Aparentemente o retrato estava fechado.
 Me deixem passar  ouviu-se a voz de Percy, que passoucheiode importncia e eficincia pelo ajuntamento.  Qual  o motivoda reteno aqui? No  possvel que 
todos tenham esquecido asenha, com licena, sou o monitor-chefe...
E ento foi baixando um silncio sobre os alunos a comear pelosque estavam na frente, dando a impresso de que uma friagem se espalhavapelo corredor.
Eles ouviram Percy dizer, numa voz repentinamente alta e esganiada:
 Algum vai chamar o Prof. Dumbledore. Depressa.
As cabeas dos alunos se viraram; os que estavam atrs seesticaram naspontas dos ps.
 Que  que est acontecendo?  perguntou Gina, que acabara dechegar.
Instantes depois, o Prof. Dumbledore chegou deslizando,imponente, em direo ao retrato; os alunos da Grifnria se comprimirampara deix-lo passar, eHarry, 
Rony e Hermione se aproximaram para ver qual era o problema.
 Essa, no...  a garota agarrou o brao de Harry.
A Mulher Gorda desaparecera do retrato, que fora cortado comtanta violncia que as tiras de tela se amontoavam no cho; grandespedaos do retrato haviam sido completamente 
arrancados.
Dumbledore deu uma olhada rpida no retrato destrudo,virou-se, o olhar sombrio e viu os professores McGonagoall,Lupin e Snape que vinham apressados ao seu encontro.
 Precisamos encontr-la  disse Dumbledore.  Prof. McGonagall,por favor localize o Sr. Filch imediatamente e diga-lhe queprocure a Mulher Gorda em todos os 
quadros do castelo.
 Vai precisar de sorte!  disse uma voz gargalhante.
Era Pirraa, o poltergeist, sobrevoando professores e alunos,encantado, como sempre,  vista dedesastres e preocupaes.
 Que  que voc quer dizer com isso, Pirraa?  perguntouDumbledore calmamente e o sorriso do poltergeist empalideceu um pouco. Eleno se atreviaa atormentar 
o diretor. Em vez disso, adotou uma voz untuosa que no eranada melhor do que a sua gargalhada escandalosa.
 Vergonha, Sr. Diretor. No quer ser vista. Esthorrorosa. Eu a vi correndo por uma paisagem no quarto andar, Sr. Diretor, seescondendo entre as rvores. Chorando 
de cortar o corao  informou ele, satisfeito.  Coitada  acrescentou em tom poucoconvincente.
 Ela disse quem foi que fez isso?  perguntou Dumbledore em vozbaixa.
 Ah, disse, Sr. Diretor  respondeu Pirraa com ar de quemcarrega uma grande bomba nos braos.  Ele ficou furioso porque ela noquis deix-lo entrar,entende. 
 Pirraa deu uma cambalhota no ar e sorriu para Dumbledoreentre as prprias pernas.  Tem um gnio danado, esse tal de SiriusBlack.








CAPTULO NOVE
A Amarga Derrota

O Prof. Dumbledore mandou todos os alunos da Grifinria voltaremao Salo Principal, onde foram se reunir a eles, dez minutos depois, osalunos da Lufa-Lufa,Corvinal 
e Sonserina, todos parecendo extremamente atordoados.
 Os professores e eu precisamos fazer uma buscameticulosa no castelo  disse o diretor aos alunos quando os professoresMcGonagall e Flitwick fecharamas portas 
do salo que davam para o saguo.  Receio que, para suaprpria segurana, vocs tero que passar a noite aqui. Quero que osmonitores montem guarda nassadas 
para o saguo e vou encarregar o monitor e a monitora chefes decuidarem disso. Eles devem me informar imediatamente qualquer perturbaoque haja  acrescentouDumbledore 
dirigindo-se a Percy, que assumiu um ar de enorme orgulho eimportncia.  Mande um dos fantasmas me avisar.
O Prof. Dumbledore parou, quando ia deixando o salo, edisse:
 Ah, sim, vocs vo precisar...
Com um gesto displicente da varinha, as longas mesas sedeslocaram para junto das paredes e, com um outro toque, o choficou coberto por centenas de fofos sacos 
de dormir de cor roxa.
 Durmam bem  disse o Prof. Dumbledore, fechando a portaao passar.
O salo imediatamente comeou a zumbir com as vozesexcitadas dos alunos; os da Grifinria contavam ao resto da escola o queacabara de acontecer.
 Todos dentro dos sacos de dormir!  gritou Percy. Andem logo e chega de conversa! As luzes vo ser apagadas dentro de dezminutos!
 Vamos, gente disse Rony a Harry e Hermione; e elesapanharam trs sacos de dormir e os arrastaram para um canto.
 Vocs acham que Black ainda est no castelo?  cochichouHermione, ansiosa.
  bvio que Dumbledore acha que ele ainda pode estar respondeu Rony.
  uma sorte ele ter escolhido esta noite, sabem comentou Hermione quando entravam, completamente vestidos, nos sacos dedormir e apoiavam o corponos cotovelos 
para conversar.  A nica noite em que no estvamos naTorre...
 Calculo que ele tenha perdido a noo do tempo, j queest fugindo  disse Rony.  No percebeu que era Dia das Bruxas. Docontrrio teria invadidoo salo.
Hermione estremeceu.
A toda volta, os colegas se faziam a mesma pergunta: Como foi queele entrou?
 Vai ver ele sabe "aparatar"  sugeriu uma aluna daCorvinal, prxima.  Aparece de repente, sabe, sem ningum ver de onde.
 Provavelmente se disfarou disse um quintanista daLufa-Lufa.
 Vai ver ele voou  sugeriu Dino Thomas.
 Francamente, ser que eu fui a nica pessoa que se deuao trabalho de ler Hogwarts, uma Histria?  perguntouHermione, zangada, a Rony e Harry.
 Provavelmente  disse Rony.  Por qu?
 Porque o castelo no est protegido s por paredes,sabem. Recebeu todo o tipo de feitio, para impedir as pessoas deentrarem escondidas. Ningumpode simplesmente 
aparatar aqui. E eu gostaria de ver qual  o disfarceque  capaz de enganar os dementadores. Eles esto guardando todas asentradas da propriedade. Teriam visto 
se Black entrasse voando. E Filch conhece todas as passagenssecretas e os funcionrios tero coberto todas...
 As luzes vo ser apagadas agora!  anunciou Percy. Quero todo mundo dentro dos sacos de dormir, de boca calada!
Todas as velas se apagaram ao mesmo tempo. A nica luz agoravinha dos fantasmas prateados, que flutuavam no ar em srias conversascom os monitores, e do teto encantado, 
que reproduzia ocu estrelado l fora. Com isso e mais os sussurros quecontinuavam a encher o salo, Harry se sentia como se estivesse dormindoao ar livre, tocado 
por um vento suave.
De hora em hora, um professor aparecia no salo para verificarse estava tudo calmo. Por volta das trs horas da manh, quando muitosalunos tinhamfinalmente adormecido, 
o Prof. Dumbledore entrou no salo. Harryobservou-oprocurar por Percy, que estivera fazendo a ronda entre os sacos dedormir, ralhando com as pessoas que continuavam 
aconversar. O monitor-chefe estava a uma pequenadistncia de Harry, Rony e Hermione, que depressa fingiram estar dormindoao ouvirem os passos deDumbledore se 
aproximarem.
 Algum sinal dele, professor?  perguntou Percy numcochicho.
 No. Est tudo bem aqui?
 Tudo sob controle, diretor.
 timo. No tem sentido transferir os alunos agora. Arranjei um guardio temporrio para o buraco do retrato naGrifinria. Voc poder lev-los de volta amanh.
 E a Mulher Gorda, diretor?
 Escondida em um mapa de Argyllshire no segundo andar.  Aparentemente se recusou a deixar Black entrar sem a senha, ento obandido a atacou. Elaainda est muito 
perturbada, mas assim que se acalmar, vou mandar Filchrestaur-la.
Harry ouviu a porta do salo se abrir mais uma vez, rangendo,e novos passos.
 Diretor?  Era Snape. Harry ficou muito quieto,prestando a maior ateno.  Todo o terceiro andar foi revistado. Ele noestl. E Filch verificou as masmorras; 
no h ningum, tampouco.
 E a torre da Astronomia? A sala da Prof. Trelawney? Ocorujal?
 Tudo revistado...
 Muito bem, Severo. Eu no esperava realmente que Blackse demorasse.
 O senhor tem alguma teoria sobre o modo com que eleentrou, professor?  perguntou Snape.
Harry levantou a cabea um pouquinho para destampar aoutra orelha.
 Muitas, Severo, cada uma mais improvvel do que a outra.
Harry abriu os olhos minimamente e espiou para o lado onde ostrs se encontravam; Dumbledore estava de costas para ele, mas dava paraver o rosto de Percyinteiramente 
absorto e o perfil de Snape, que parecia zangado.
 O senhor se lembra da conversa que tivemos, diretor,antes... Ah... Do comeo do ano letivo?  perguntou Snape, que mal abriaos lbios para falar, como se quisesse 
impedir Percy de ouvir.
 Lembro, Severo  disse Dumbledore, e sua voz tinha umtom de aviso.
 Parece... Quase impossvel... Que Black possa terentrado na escola sem ajuda de algum aqui dentro. Expressei minhaspreocupaes quando o senhornomeou...
 No acredito que uma nica pessoa no castelo tenhaajudado Black a entrar  disse Dumbledore, e seu tom deixou to claro queo assunto estava encerradoque Snape 
se calou.  Preciso descer para falar com os dementadores -disseDumbledore.  Prometi que avisaria quando a nossa busca estivesseterminada.
 Eles no quiseram ajudar, diretor?  perguntou Percy.
 Ah, claro  disse Dumbledore com frieza.  Mas receioque nenhumdementador ir cruzar a soleira deste castelo enquanto eufor diretor.
Percy pareceu ligeiramente desconcertado. Dumbledore saiu dosalo rpida e silenciosamente. Snape continuou parado um instanteobservando o diretor comuma expresso 
de profundo rancor no rosto; em seguida tambm saiu.
Harry olhou de esguelha para Rony e Hermione. Os dois tambmtinham os olhos abertos nos quais se refletia o teto estrelado.
 De que  que eles estavam falando?  perguntou Rony,apenas com o movimento dos lbios.
Nos dias que se seguiram no se falou de mais nada na escola seno deSirius Black. As teorias sobre o modo com que Black entrara no castelo setornaram mais e maisdelirantes; 
Ana Abbort, da Lufa-Lufa, passou a maior parte da aulaconjunta de Herbologia, contando para quem quisesse ouvir que Black eracapaz de se transformarem um arbusto 
florido.
A tela rasgada da Mulher Gorda fora retirada da parede esubstituda pela pintura de SirCadogan e seu gordo pnei cinzento. Ningum ficou muito feliz coma troca. 
O cavaleiro passava metade do tempo desafiando os garotos aduelar e no tempo restante inventava senhas ridiculamente complicadas,que ele trocava no mnimoduas 
vezes por dia.
 Ele  completamente doido  protestou Simas Finnigan,aborrecido, com Percy.  Ser que no podiam nos dar outro?
 Nenhum dos outros quadros quis o lugar  disse Percy. Seassustaram com o que aconteceu com a Mulher Gorda. Sir Cadogan foi onico que teve coragem suficiente 
para se voluntariar.
O cavaleiro, porm, era a menor das preocupaes de Harry.
Ele agora estava sendo vigiado de perto. Os professores procuravamdesculpas para acompanh-loquando ele andava pelos corredores, e Percy Weasley (agindo, suspeitavaHarry, 
por ordem da me) seguia-o a toda parte como um co de guardaextremamente pomposo.
Para completar, a Prof. Minerva chamou Harry  sua sala, com umaexpresso to sombria no rosto que o garoto achou que algum devia termorrido.
 No adianta lhe esconder isso por mais tempo, Potter comeou ela em tom muito srio.  Sei que vai ser um choque para voc,mas Sirius Black...
 Eu sei, est querendo me pegar  disse Harry cansado.  ouvi O paide Rony contar  Sra. Weasley. O Sr. Weasley trabalha parao Ministrio da Magia.
A professora pareceu muito espantada. Encarou Harry por uminstante e em seguida falou.
 Entendo! Bem, neste caso, Potter, voc vai compreenderpor que no acho uma boa idia voc treinar Quadribol  noite. L forano campo s com os outros jogadores, 
 muito exposto, Potter...
 O nosso primeiro jogo  agora no sbado!  exclamouHarry, indignado.  Preciso treinar, professora!
Minerva mirou-o com muita ateno. Harry conhecia o grandeinteresse da professora pelas perspectivas da equipe daGrifinria; afinal fora ela que o recomendaracomo 
apanhador, para incio de conversa. Por isso aguardou, prendendo arespirao.
 Hum...  a Prof. Minerva se levantou e contemplou pelajanela o campo de Quadribol, quase invisvel na chuva.  Bem, Deus sabeque eu gostaria denos ver ganhando 
finalmente a Taa... Mas mesmo assim, Potter... Euficaria mais satisfeita se um professor estivesse presente. Vou pedir Madame Hooch para supervisionaros seus 
treinos.
O tempo foi piorando dia a dia,  medida que a primeira partida deQuadribol se aproximava. Sem desanimar, a equipe daGrifinria treinava com mais vigorque nunca 
sob o olhar vigilante de Madame Hooch. Ento, no ltimo treinoantes do jogo de sbado, Olvio Wood deu ao time uma notcia indesejvel.
 No vamos jogar com Sonserina!  disse aos companheiros,parecendo muito zangado.  Flint acabou de me procurar. Vamosjogar contra Lufa-Lufa.
 Por qu?  perguntou o restante do time em coro.
 A desculpa de Flint  que o brao do apanhador do timeainda est machucado  respondeu Olvio, rilhando furiosamente osdentes.  Mas  bviopor que esto fazendo 
isto. No querem jogar com tempo ruim. Acham quevai reduzir as chances deles...
Tinha ventado forte e chovido pesado o dia inteiro e mesmoenquanto Olvio falava ouvia-se o ronco distante do trovo.
 No h nada errado com o brao do Malfoy!  disse Harry,furioso.   tudo fingimento.
 Eu sei disso, mas no podemos provar  argumentou Olvioamargurado.  E temos treinado todos esses lances na suposio de queamos jogar com Sonserina,e, em 
vez disso, ser com Lufa-Lufa que tem um estilo muito diferente.
Agora eles esto com um capito novo que tambm  o apanhador,Cedrico Diggory...
Angelina, Alicia e Katie tiveram um repentino acesso derisadinhas.
 Qu?  exclamou Olvio, fechando a cara para esse comportamentoalegre.
  aquele alto e bonito, no ?  perguntou Angelina.
 Forte e calado  concluiu Katie, e as trs recomearama rir.
 Ele s  calado porque  burro demais para juntar duaspalavras  comentou Fred, impaciente.  No sei por que voc estpreocupado, Olvio, Lufa-Lufa brincadeira 
de criana. Da ltima vez que jogamos com eles, Harrycapturou o pomo em cinco minutos, no se lembram?
 Estvamos jogando em condies completamente diferentes gritou Olvio, os olhos saltando ligeiramente das rbitas. Diggory armou uma lateral muito forte! E 
 um excelente apanhador! Euestava com medo quevocs fizessem essa leitura falsa! No podemos relaxar! Temos que mantero nossofoco! Sonserina est tentando nos 
prejudicar! Precisamos ganhar!
 Olvio, v se se acalma!  disse Fred, ligeiramenteassustado.
 Estamos levando Lufa-Lufa muito a srio. Srio.
Um dia antes da partida, o vento comeou a uivar e a chuva a caircom mais fora que nunca. Estava to escuro nos corredores e salasde aula que foi preciso acender 
mais archotes e lanternas. Os jogadoresdo time da Sonserina estavam de fato com um ar muito presunoso e Malfoymais que todos.
 Ah, se ao menos meu brao estivesse um pouquinho melhor!  suspirava ele enquanto a tempestade l fora aoitava as janelas.
Harry no tinha lugar na cabea para se preocupar com coisaalguma exceto o jogo do dia seguinte. Olvio Wood no parava de correrpara ele nos intervalosdas aulas 
para lhe passar novas dicas. A terceira vez que isto aconteceu,Olvio falou tanto tempo que Harry, de repente, percebeu que se atrasaradez minutos paraa aula 
de Defesa contra as Artes das Trevas e saiu correndo com Olviogritando atrs dele.
 Diggory muda de direo muito rpido, Harry, quem sabe voctenta cerc-lo...
Harry parou derrapando diante da classe de Defesa contra asArtes das Trevas, abriu a porta e entrou correndo.
 Me desculpe o atraso, Prof. Lupin, eu...
Mas no foi Lupin quem levantou a cabea para olh-lo daescrivaninha do professor; foi Snape.
 A aula comeou h dez minutos, Potter, por isso acho que voutirar dez pontos da Grifinria. Sente-se.
Mas Harry no se mexeu.
 Onde est o Prof. Lupin?  perguntou.
 Ele disse que hoje est se sentindo mal demais para dar aula respondeu Snape com um sorriso enviesado.  Acho que o mandei sentar-se?
Mas Harry continuou onde estava.
 Que  que ele est sentindo?
Os olhos negros de Snape reluziram.
 Nada que ameace a vida dele  disse, com cara de quem gostariaque assim fosse.  Cinco pontos a menos para Grifinria, e seeu tiver que pedir para voc se sentar 
novamente, sero cinqenta.
Harry dirigiu-se lentamente ao seu lugar e se sentou. Snapeolhou para a turma.
 Como eu ia dizendo antes de ser interrompido por Potter, oProf. Lupin no registrou os tpicos que j abordou at hoje...
 Professor, por favor, j estudamos os bichos-papes, osbarretes vermelhos, os kappas e os grindylows  informou Hermionedepressa , e amos comear...
 Fique calada  disse Snape friamente.  No lhe pediinformao, estava apenas comentando a falta de organizao do Prof. Lupin.
 Ele  o melhor professor de Defesa contra as Artes dasTrevas que j tivemos  falou Dino Thomas corajosamente, e ouviu-se ummurmrio de aprovaodo resto da 
turma. Snape pareceu mais ameaador que nunca.
 Vocs se satisfazem com muito pouco. Lupin no estpuxando nada por vocs. Eu esperaria que alunos de primeiro ano jpudessem cuidar de barretesvermelhos e 
grindylows. Hoje vamos discutir...
Harry observou-o folhear o livro-texto at o ltimo captulo,que ele certamente sabia que a turma no poderia ter estudado.
 ... Lobisomens  disse Snape.
 Mas, professor  protestou Hermione, aparentementeincapaz de se conter , no podemos estudar Lobisomens ainda, vamoscomear os hinkypunks...
 Srta. Granger  disse Snape com uma voz letalmente calma, eu tinha a impresso de que era eu que estava dando a aula e no asenhorita. E estou mandando todos 
abrirem a pgina 394 do livro.  Elecorreu os olhos pelaturma outra vez.  Todos Agora!
Com muitos olhares rancorosos de esguelha e gente resmungando, aturma abriu os livros.
 Qual de vocs sabe me dizer como  que se distingue umLobisomen de um lobo verdadeiro?  perguntou Snape.
Todos ficaram calados e imveis; todos exceto Hermione, cujamo, como acontecia tantas vezes, se erguera imediatamente no ar.
 Algum sabe?  insistiu Snape, fingindo no ver a mo dagarota. Seu sorriso enviesado reaparecera.  Vocs esto me dizendoque o Prof. Lupin sequer ensinou 
a vocs a diferena bsica entre...
 Ns j lhe informamos  interrompeu-o Parvati de repente, ainda no chegamos aos Lobisomens, ainda estamos...
 Silncio!  mandou Snape com rispidez.  Ora, ora, ora,nunca pensei que um dia encontraria uma turma de terceiro ano que nosoubesse reconhecerum Lobisomen 
quando o visse. Vou fazer questo de informar ao Prof. Dumbledore como vocs esto atrasados...
 Professor, por favor  tornou a pedir Hermione, cuja mocontinuava erguida , o Lobisomen se diferencia do lobo verdadeiro porpequenos detalhes. O focinho do 
Lobisomen...
 Esta  a segunda vez que a senhorita fala sem ser convidada disse Snape friamente.  Menos cinco pontos paraGrifinria porser uma intragvel sabe-tudo.
Hermnione ficou vermelhssima, baixou a mo e ficou olhando parao cho com os olhos cheios delgrimas. Um sinal do quanto  turma detestava Snape era quetodos 
olharam feio para ele, porque todos os alunos j tinham chamadoHermione de sabe-tudo pelo menosuma vez, e Rony, que xingava Hermione de sabe-tudo pelo menosduas 
vezes por semana, falou em voz alta:
 O senhor nos fez uma pergunta e Hermione sabe aresposta! Por que perguntou se no queria que ningum respondesse?
A turma percebeu instantaneamente que o colega fora longedemais. Snape caminhou at Rony lentamente, e a sala prendeu arespirao.
 Deteno, Weasley  disse Snape suavemente, o rostomuito prximo ao do garoto. e se algum dia eu o ouvir criticar o meumodo de ensinar outra vez, o senhor 
vai realmente se arrepender.
Ningum mais deu um pio durante o resto da aula. Ficaram sentadoscopiando dados sobre os Lobisomens do livro-texto, enquanto Snape rondavaas filas de carteiras,examinando 
o trabalho que os alunos tinham feito com o Prof. Lupin.
 Uma explicao muito insuficiente... Isto est errado, okappa  encontrado mais comumente na Monglia... OProf. Lupin deu nota oito em dez? Eu teria dado trs..
Quando a sineta finalmente tocou, Snape reteve a turma.
 Cada aluno vai escrever uma redao para me entregar, sobre asmaneiras de reconhecer e matar Lobisomens. Quero dois rolos de pergaminhosobre o assuntoe quero 
para segunda-feira de manh. Est na hora de algum dar um jeitonesta turma. Weasley, voc fica, precisamos combinar a suadeteno.
Harry e Hermione saram da sala com o resto da turma, queesperou at estar bastante longe para no ser ouvida e prorrompeuem furiosos discursos contra Snape.
 Snape nunca foi assim com nenhum dos outros professoresdeDefesa contra as Artes das Trevas, mesmo que quisesse o cargodeles comentou Harry com Hermione.  
Por que est perseguindo oLupin? Voc acha que tudo isso  por causa dos bichos-papes?
 No sei  disse Hermione pensativa. Mas vou realmentetorcer para o Prof. Lupin melhorar logo...
Rony alcanou-os cinco minutos depois, com uma raivadescomunal.
 Vocs sabem o que aquele...  (e xingou Snape de uma coisaque fez Hermione exclamar "Rony!")  vai me obrigar a fazer? Tenho que lavar as comadres da ala hospitalar 
Sem usar magia!  Ogaroto respirava fundo, os punhos cerrados.  Por que o Black nopodia ter se escondido na sala de Snape, hein? Podia ter acabadocom ele para 
ns!
Harry acordou extremamente cedo na manh seguinte; to cedo que aindaestava escuro. Por um momento pensou que tinha sidoacordado pelos rugidos do vento. Ento, 
sentiu uma brisa geladana nuca e sentou-se na cama de um salto  Pirraa, o poltergeist, andaraflutuandoao lado dele, soprando com fora em seu ouvido.
 Para que voc fez isso?  perguntou Harry, furioso.
Pirraa encheu as bochechas de ar, soprou com fora e disparou decostas para fora do dormitrio,dando gargalhadas.
Harry tateou procurando o despertador e olhou para o mostrador.
Eram quatroe meia. Amaldioando Pirraa, ele se virou e tentou voltar a dormir,mas era muito difcil, agora que estava acordado, no dar ateno trovoada que 
roncava no cu, ao vento que fustigava comviolncia as paredes do castelo e s rvores que rangiam ao longe, naFloresta Proibida. Dentro de algumas horasele estaria 
l fora no campo de Quadribol,enfrentando a tempestade. Por fim, ele perdeu as esperanas de voltar adormir, se levantou ese vestiu, apanhou a Nimbus 2000 e saiu 
silenciosamente do dormitrio.
Quando abriu a porta, alguma coisa passou roando por suaperna. Ele se abaixou bem a tempo de agarrar Bichento pela ponta dogrosso rabo e arrast-lo para fora.
 Sabe, acho que Rony tem razo sobre voc  disse Harry, desconfiado, aBichento.  H uma quantidade de ratos no castelo  v ca-los. Vindo  acrescentou o 
garoto, empurrando Bichentocom o p para faz-lo descer a escada.  Deixa o Perebas em paz. 
Orudo da tempestade era ainda mais alto na sala comunal.
Harry sabia que no adiantava imaginar que a partida seria cancelada; asdisputas de Quadribol no eram desmarcadas por ninharias como trovoadas.
Ainda assim, ele estava comeando a se sentirapreensivo. Olvio lhe apontara Cedrico Diggory no corredor; ogaroto era aluno do quinto ano e muito maior do que 
Harry. Os apanhadoresgeralmente eram leves e velozes, mas o peso de Diggory seriauma vantagem com um tempodesses porque seria menor a probabilidade do apanhador 
ser tirado decurso.
Harry matou as horas at amanhecer diante da lareira, levantando-sede vez em quando para impedir Bichento de tornar a subir, escondido, aescada para odormitrio 
dos garotos. Finalmente, ele calculou que j devia ser hora docaf da manh, ento se dirigiu sozinho ao buraco doretrato.
 Pare e lute, seu co sarnento!  berrou Sir Cadogan.
 Ah, cala essa boca  bocejou HarryEle se reanimou um pouco com uma grande tigela de mingau deaveia, e, no momento em que comeou a comer torradas, o restante 
daequipe aparecera no Salo.
 Vai ser uma partida dura  comentou Olvio, que no queriacomer nada.
 Pare de se preocupar, Olvio  disse Alicia paratranqiliz-lo , no vamos derreter com uma chuvinha  toa.
Era muitssimo mais do que uma chuvinha. Mas tal era apopularidade do Quadribol que a escola inteira apareceu para assistir partida, como sempre. Os jogadores,no 
entanto, desceram os jardins em direo ao campo, as cabeas curvadascontra a ferocidade do vento, os guarda-chuvas arrancados de suas mos.
Pouco antes de entrarno vestirio, Harry viu Malfoy, Grabbe e Goyle, rindo e apontando paraele protegidos por um enorme guarda-chuva, a caminho do estdio.
O time vestiu o uniforme escarlate e aguardou o discurso deOlvio que antecedia as partidas, mas no houve discurso. O capitotentou falar vrias vezes,fez um 
rudo esquisito de quem engole, depois sacudiu a cabea,desalentado, e fez sinal para os companheiros o seguirem.
O vento estava to forte que eles entraram em campo cambaleandopara os lados. Se os espectadores estavam aplaudindo, os aplausos eramabafados por novosroncos 
de trovo. A chuva batia nos culos de Harry. Como  que ele iaenxergar o pomo desse jeito?
Os jogadores da Lufa-Lufa se aproximavam pelo lado oposto docampo, usando vestes amarelo-canrio. Os capites foram ao encontro um dooutro e se apertaramas mos; 
Diggory sorriu para Wood, mas este agora no conseguia abrir aboca, parecia estarsofrendo de ttano, e fez um mero aceno com a cabea. Harry viu a boca deMadame 
Hooch formar as palavras "Montem em suas vassouras". Ele puxou op direito pingandolama e passou-o por cima de sua Nimbus 2000. Madame Hooch levou o apito boca 
e soprou, um som agudo e distante  e a partida comeou.
Harry subiu depressa, mas o vento puxava sua Nimbus ligeiramentepara o lado. Ele a segurou o mais firme que pde e deu umaguinada, apertando os olhos contra a 
chuva.
Cinco minutos depois, estava molhado at os ossos e enregelado,mal conseguia ver os companheiros de equipe e muito menos o minsculopomo. Voou para frentee para 
trs cruzando o campo e deixando pelo caminho vultos difusosvermelhos e amarelos, sem ter a menor idia do que estava acontecendo noresto da partida. Noconseguia 
ouvir os comentrios por causa do vento. Os espectadores seocultavam sob um mar de capas e guarda-chuvas arrebentados. Duas vezesHarry esteve muito pertode ser 
derrubado por um balao; seus culos estavam to embaados pelachuva que ele no os vira se aproximar.
Harry perdeu a noo do tempo. Tinha cada vez maior dificuldadede se manter aprumado na vassoura. O cu escurecia, como se a noitetivesse decidido chegarmais 
cedo. Duas vezes Harry quase colidiu com outro jogador, sem saber seera um companheiro de equipe ou um oponente; todos agora estavam toencharcados, e a chuvato 
grossa que ele mal conseguia distinguir algum...
Com o primeiro relmpago ouviu-se o som do apito de Madame Hooch;
Harry conseguiu mal e mal discernir, atravs dachuva, os contornos de Olvio, que faziasinal para ele pousar. O time inteiro enfiou os ps na lama.
 Eu pedi tempo!  berrou Olvio para seu time.  Venhamat aqui embaixo...
Os jogadores se agruparam na borda do campo debaixo de umgrande guarda-chuva; Harry tirou os culos e enxugou-os, apressado, nasvestes.
 Qual  o placar?
 Estamos cinqenta pontos na frente  informou Olvio ,mas a no ser que capturemos logo o pomo, vamos jogar noiteadentro.
 No tenho a menor chance com isso aqui  disse Harryexasperado, agitando os culos.
Naquele exato instante, Hermione apareceu do lado dele; segurava a capa por cima da cabea e inexplicavelmente tinha umlargo sorriso no rosto.
 Tenho uma idia, Harry! Me d seus culos, depressa!
O garoto entregou os culos e, enquanto o time observavaespantado, Hermione deu uma pancadinha neles com a varinha edisse:
 Impervius!
 Pronto!  disse, devolvendo os culos a Harry.  Isto vairepelir a gua!
Wood fez cara de quem seria capaz de beij-la.
 Genial!  gritou rouco para a garota que desapareceu no meiodos espectadores.  Muito bem, time, agora vamos arrebentar!
O feitio de Hermione resolvera o problema. Harry ainda estavainsensvel de tanto frio, ainda mais molhado do que jamais estivera navida, mas conseguiaver. Cheio 
de renovada determinao, ele impeliu a vassoura pelo arturbulento, espiando para todos os lados  procura do pomo, evitando umbalao, mergulhando porbaixo de 
Dggory, que voava na direo oposta...
Ouviu-se novamente o trovo, acompanhando um raio bifurcado. Apartida estava ficando mais perigosa a cada minuto. Harryprecisava chegar ao pomo depressa...
Ele se virou, tencionando rumar para o centro do campo, masnaquele momento, outrorelmpago iluminou as arquibancadas e Harry viu algo que o distraiucompletamente... 
A silhueta de um enorme co negro e peludo, claramente recortada contra ocu, imvel na ltima fila de cadeiras vazias.
As mos dormentes de Harry escorregaram do cabo da vassoura e suaNimbus afundou algunspalmos. Sacudindo a franja encharcada para longe da testa, ele tornoua apertar 
os olhos para ver as arquibancadas. O co desaparecera.
 Harry!  ele ouviu a voz angustiada de Wood vinda das balizasda Grifinria:  Harry, atrs de voc!
Harry olhou a toda volta desesperado. Cedrico Diggory subiaem grande velocidade e havia entre os dois um grozinho douradobrilhando no ar varrido de chuva...
Com um tremor de pnico, Harry se achatou contra o cabo davassoura e disparou em direo ao pomo.
 Anda!  rosnou ele para a Nimbus, a chuva fustigando seu rosto.  Mais depressa!
Mas alguma coisa estranha estava acontecendo. Um silncioinexplicvel foi caindo sobre o estdio. O vento, embora continuasseforte, se esqueceu momentaneamentede 
rugir. Era como se algum tivesse desligado o som, como se Harry, derepente, tivesse ficado surdo. 
 Que  que estava acontecendo?
Ento uma onda de frio terrivelmente familiar o assaltou,penetrou seu corpo, no mesmo instante em que ele tomava conscincia dealgo que andava l embaixono campo...
Antes que tivesse tempo para pensar, Harry desviou os olhosdo pomo e olhou para baixo.
No mnimo cem dementadores apontavam os rostos encapuzados paraele. Era como se houvesse gua gelada subindo at o seu peito, cortandoos lados do seu corpo.
E ento ele ouviu outra vez... Algum gritava, gritava dentro de suacabea... Uma mulher...
 "O Harry no, o Harry no, por favor o Harry no!
 Afaste-se, sua tola... Afaste-se, agora...
 "O Harry no, por favor, no, me leve, me mate no lugar dele...
Uma nvoa anestesiante rodopiava enchendo o crebro de Harry... Que  que ele estava fazendo? Por que  que estava voando? Precisavaajud-la... Ela ia morrer... 
Ia ser assassinada...
Ele foi caindo, caindo sem parar pela nvoa gelada.
 "Harry no! Por favor.. Tenha piedade... tenha piedade...
Uma voz aguda gargalhava, a mulher gritava, e Harry perdeu aconscincia.
 Que sorte que o cho estava to mole.
 Achei que ele estava mortinho.
 Mas ele nem quebrou os culos.
Harry ouvia as vozes murmurarem, mas no faziam sentido algum.
No tinha a menor idia de onde estava ou como chegara ali, ou o queandara fazendo antesde chegar. S sabia que cada centmetro do seu corpo estava doendo comose 
ele tivesse levado uma surra.
 Foi a coisa mais apavorante que j vi na vida. Mais apavorante... A coisa mais apavorante... Vultos negrosencapuzados... Frio... Gritos...
Harry abriu os olhos de repente. Estava deitado na alahospitalar. O time de Quadribolda Grifinria, sujo de lama da cabea aos ps, rodeava sua cama. Rony eHermione 
tambm estavam ali, parecendo que tinham acabado de sairde uma piscina.
 Harry!  exclamou Fred, cujo rosto estava extremamenteplido sob a lama. Como  que voc est se sentindo?
Era como se a memria de Harry estivesse avanando em altavelocidade. O relmpago, o Sinistro, o pomo e os dementadores...
 Que aconteceu?  perguntou, sentando-se na cama to derepente que todos reprimiram um grito de surpresa.
 Voc caiu da vassoura  contou Fred.  Deve ter cado... Deuns quinze metros!
 Pensamos que voc tivesse morrido  disse Aliciatrmula. Hermione fez um barulhinho esganiado. Tinha os olhos muitovermelhos.
 Mas o jogo  perguntou Harry.  Que aconteceu? Vamosjogar outra vez?
Ningum disse nada. A terrvel verdade penetrou em Harrycomo uma pedrada.
 Ns no... Perdemos?
 Diggory apanhou o pomo  informou Jorge.  Logo depoisde voc cair. Ele no percebeu o que tinha acontecido. Quando olhou paratrs e viu vocno cho, tentou 
paralisar o jogo. Queria um novo jogo. Mas tiveram umavitria justa... At Olvio admite isso.
 Onde est Olvio?  perguntou Harry, percebendosubitamente a ausncia do capito do time.
 Ainda est no banho  respondeu Fred.  Achamos que eleest tentando se afogar.
Harry abaixou a cabea at os joelhos, agarrando os cabeloscom as mos. Fred segurou-o pelos ombros e o sacudiu com fora.
 Anda, Harry, voc nunca perdeu o pomo antes.
 Tinha que haver uma primeira vez  disse Jorge.
 Mas a coisa no terminou aqui  disse Fred.  Perdemospor uma diferena de cem pontos, certo? Ento se Lufa-Lufa perderpara Corvinal e vencermos Corvinal e Sonserina...
 Lufa-Lufa ter que perder, no mnimo, por duzentospontos disse Jorge.
 Mas se eles vencerem Corvinal...
 Nem pensar, Corvinal  bom demais. Mas se Sonserinaperder para Lufa-Lufa...
 Tudo depende do nmero de pontos, uma margem de cempontos a mais ou a menos...
Harry ficou deitado ali, sem dizer uma palavra. Tinhamperdido... Pela primeira vez na vida, ele perdera uma partida deQuadribol.
Passados mais ou menos uns dez minutos, Madame Pomfreyveio dizer aos garotos que deixassem Harry em paz.
 A gente volta para ver voc mais tarde  disse Fred. No fique se martirizando, Harry, voc ainda  o melhor apanhador quej tivemos.
O time saiu, largando lama pelo caminho. Madame Pomfreyfechou a porta depois que eles passaram, uma expresso de censura norosto. Rony e Hermionese aproximaram 
mais da cama de Harry.
 Dumbledore ficou realmente furioso  contou Hermione coma voz trmula.  Nunca vi o diretor assim antes. Ele correu para o campoquando voc comeoua cair, agitou 
a varinha e voc meio que desacelerou antes de bater nocho. Depois, virou a varinha para os dementadores. Disparou uma coisaprateada contra eles. Os caras abandonaram 
o estdio na mesma hora... Ele ficou furioso que osdementadores tivessem entrado nos terrenos da escola. Ouvimos ele...
 A ele usou a magia para botar voc numa padiola  disseRony.  E saiu a p at a escola, com voc flutuando do lado, napadiola. Todo mundo pensou que voc estava...
A voz dele foi morrendo, mas Harry nem notou. Estava pensando noque os dementadores tinham feito aele... Na voz que gritava. Ergueu os olhos e deparoucom Rony 
e Hermione observando-o com tanta aflio que na mesma hora eleprocurou uma coisa banal para dizer.
 Algum apanhou a minha Nimbus?
Rony e Hermione se entreolharam depressa.
 Hum...
 Que foi?  perguntou Harry, olhando de um para o outro.
 Bem... Quando voc caiu a vassoura foi levada pelo vento disse Hermione, hesitante.
 E?
 E bateu... Bateu... Ah, Harry... Bateu no SalgueiroLutador.
As entranhas de Harry reviraram. O Salgueiro Lutador era umarvore violenta que se erguia sozinha no meio da propriedade.
 E?  insistiu ele, temendo a resposta.
 Bem, voc conhece o Salgueiro Lutador  disse Rony.  Ele.. Eleno gosta que batam nele.
 O Prof. Flitwick trouxe a vassoura de volta pouco antes devoc recuperar os sentidos  disse Hermione com uma voz mnima.
Devagarinho, ela foi se abaixando para apanhar uma saca aos seusps, despejou-a, e caram na cama uns pedacinhos de madeira e gravetos,tudo que restavada fiel 
vassoura de Harry, enfim derrotada.



CAPTULO DEZ
O Mapa do Maroto

Madame Pomfrey insistiu em manter Harry na ala hospitalar pelo resto dofim de semana. Ele no discutiu nem se queixou, mas no deixou jogarem nolixo os estilhaosde 
sua Nimbus 2000. Sabia que era uma atitude burra, sabia que a vassourano tinha conserto, mas o sentimento era mais forte que ele; era como setivesse perdidoum 
dos seus melhores amigos.
Uma procisso de amigos veio visit-lo, todos decididos a anim-lo.
Hagrid lhe mandou um buqu de flores com lagartinhas, que pareciamrepolhos amarelos,e Gina Weasley, corando furiosamente, apareceu com um carto de votos desade, 
feito por ela mesma, que cantava com voz esganiada a no ser queHarry o guardassefechado embaixo da fruteira. O time da Grifinria tornou a visitar ocompanheiro 
no domingo de manh, desta vez em companhia de Olvio, quedeclarou a Harry (numavoz de alm-tmulo) que no o responsabilizava pela derrota. Rony eHermione s 
deixavam a cabeceira de Harry  noite. Mas nada que ningumdissesse ou fizesse conseguiafaz-lo se sentir melhor, porque eles s conheciam metade das suaspreocupaes.
Ele no contara a ningum que vira o Sinistro, nem a Rony nem aHermione, porque sabia que o amigo entraria em pnico e a amiga caoariadele. O fato era,no entanto, 
que o Sinistro agora j aparecera duas vezes e ambas asaparies tinham sido seguidas por acidentes quase fatais; da primeiravez Harry quase fora atropeladopelo 
Nitibus Andante; da segunda, levara uma queda da vassoura de quasequinze metros de altura. Ser que o Sinistro ia atorment-lo at a morte?
Ser que ele, Harry,ia passar o resto da vida olhando por cima do ombro  procura da fera?
Alm disso havia os dementadores. Harry sentia mal-estar ehumilhao toda vez que pensava neles. Todos diziam que os guardas erammedonhos, masningum desmaiava 
sempre que se aproximava deles. Ningum mais ouviamentalmente os ecos da morte dos pais.
Isto porque agora Harry sabia a quem pertencia a tal voz. Ouvirao que ela dizia, ouvira-a continuamente nas longas noites passadas na alahospitalar quandoficava 
acordado, contemplando as listras que o luar formava no teto.
Quando os dementadores se aproximavam, ele ouvia os ltimos instantes devida de sua me, suatentativa de proteger o filho da sanha de Lord Voldemort e a gargalhadado 
bruxo antes de mat-la... Harry dava breves cochilos, mergulhando emsonhos cheios demos podres e pegajosas e splicas fossilizadas, acordando de repentepara 
voltar a pensar na voz da me.
Foi um alvio voltar  zoeira e  atividade da escola principal nasegunda-feira, e ser forado a pensar em outras coisas, ainda que tivessede aturar a implicnciade 
Draco Malfoy. O garoto no cabia em si de alegria com a derrota daGrifinria. Retirara finalmente as bandagens e comemorava a circunstnciade poder usar osdois 
braos novamente, fazendo espirituosas imitaes de Harry caindo davassoura. Malfoy passou a maior parte da aula seguinte de Poes, a queassistiram juntosna 
masmorra, fazendo imitaes dos dementadores; Rony finalmente sedescontrolou e atirou um enorme e gosmento corao de crocodilo emMalfoy, que o atingiu no rosto,o 
que fez Snape descontar cinqenta pontos da Grifinria.
 Se Snape vier dar aula de Defesa contra as Artes das Trevas denovo, vou me mandar  anunciou Rony quando seguiam para aclasse de Lupin depois do almoo.  V 
quem est l, Mione.
A garota espiou pela porta da sala.
 Tudo bem!
O Prof. Lupin voltara ao trabalho. Sem dvida tinha a aparnciade quem estivera doente. Suas vestes velhas estavam mais frouxas e haviaolheiras escurassob seus 
olhos; ainda assim, ele sorriu para os garotos que ocupavam seuslugares na classe e, em seguida, desataram a se queixar do comportamentode Snape na ausnciade 
Lupin.
 No  justo, ele estava s substituindo o senhor, por quepassou dever de casa?
 No sabemos nada de Lobisomens...
 Dois rolos de pergaminho!
 Vocs disseram ao Prof. Snape que ainda no estudamosLobisomens?  perguntou Lupin, franzindo ligeiramente a testa.
A balbrdia tornou a encher a sala.
 Dissemos, mas ele respondeu que estvamos muitoatrasados... 
 Ele no quis ouvir..
 Dois rolos de pergaminho!
O Prof. Lupin sorriu ao ver a expresso indignada nos rostos dosalunos.
 No se preocupem. Vou falar com o Prof. Snape. Noprecisam fazer a redao.
 Ah, no!  exclamou Hermione, muito desapontada.  J terminei aminha.
Tiveram uma aula muito gostosa. O Prof. Lupin trouxera uma caixade vidro contendo um hinkypunk,uma criaturinha de uma perna s, que parecia feita defiapos de 
fumaa, a aparncia frgil e inofensiva.
 O hinkypunk atrai os viajantes para os brejos  informouo professor enquanto os garotos faziam anotaes.  Vocs repararam nalanterna que eletraz pendurada 
na mo? Ele salta para frente... A pessoa acompanha aluz... Ento...
A criatura fez um horrvel barulho de suco contra o vidro dacaixa.
Quando a sineta tocou, todos guardaram o material e se dirigirampara a porta, Harry entre eles, mas...
 Espere um instante, Harry  chamou Lupin.  Gostaria dedar uma palavrinha com voc.
Harry deu meia-volta e observou o professor cobrir a caixa dohinkypunk com um pano.
 Soube do que houve no jogo  disse Lupin, virando-separa sua escrivaninha e comeando a guardar os livros na maleta  e sintomuito pelo acidentecom a sua vassoura. 
H alguma possibilidade de consert-la?
 No  respondeu Harry.  A rvore arrebentou-a em milpedacinhos.
Lupin suspirou.
 Plantaram o Salgueiro Lutador no ano em que cheguei emHogwarts. Os alunos costumavam brincar de tentar se aproximardo tronco e tocar a rvore com a mo. No fim, 
um garoto chamado DaviGudgeon quase perdeu um olho e fomos proibidos de chegar perto dosalgueiro. Uma vassoura noteria a menor chance.
 O senhor soube dos dementadores tambm?  perguntou Harry comdificuldade.
Lupin lanou um olhar rpido a Harry.
 Soube. Acho que nenhum de ns tinha visto o Prof. Dumbledoreto aborrecido. H algum tempo, eles esto ficando inquietos... Furiososcom a recusa do diretorde 
deixar que entrem na propriedade... Suponho que tenham sido eles arazo da sua queda.
 Foram.  Harry hesitou e, ento, a pergunta que queria fazerescapou de sua boca antes que pudesse cont-la.  Por qu? Por queeles me afetam desse jeito? Ser 
que sou apenas....
 No tem nada a ver com fraqueza  respondeu o professordepressa, como se tivesse lido o pensamento de Harry.  Osdementadores afetam voc pior do queos outros 
porque existem horrores no seu passado que no existem no dosoutros.
Um raio de sol de inverno entrou na sala, iluminando os cabelosgrisalhos de Lupin e os traos do seu rosto jovem.
 Os dementadores esto entre as criaturas mais malignas quevagam pela Terra. Infestam os lugares mais escuros e imundos, secomprazem com a decomposioe o desespero, 
esgotam a paz, a esperana e a felicidade do ar  suavolta. At os trouxas sentem a presena deles, embora no possam v-los. Chegue muito pertode um dementador 
e todo bom sentimento, toda lembrana feliz serosugados de voc. Se puder, o dementador se alimentar de voc o temposuficiente para transform-loem um semelhante... 
Desalmado e mau. No deixar nada em voc exceto aspiores experincias de sua vida. E o pior que aconteceu com voc, Harry, suficiente parafazer qualquer um 
cair da vassoura. Voc no tem do que se envergonhar.
 Quando eles chegam perto de mim...  Harry fixou o olhar namesa de Lupin, sentindo um n na garganta , ouo Voldemortassassinando minha me.
Lupin fez um movimento repentino com o brao como sefosse segurar o ombro de Harry, mas pensou melhor. Houve ummomento de silncio, depois...
 Por que  que eles tinham que ir ao jogo?  exclamou o garotoamargurado.
 Esto ficando famintos  disse Lupin tranquilamente,fechando a maleta com um estalo. Dumbledore no permite que eles entrem na escola, entoo suprimento de 
gente com que contavam secou... Acho que eles noconseguiram resistir  multido em torno do campo de Quadribol. Toda aexcitao... As emoesexacerbadas...  
a idia que fazem de um banquete.
 Azkaban deve ser horrvel  murmurou Harry. 
Lupinconcordou, srio.
 A fortaleza foi construda em uma ilhota, bem longe dacosta, mas no precisam de paredes nem de gua para manter osprisioneiros confinados, noquando eles j 
esto presos dentro da prpria cabea, incapazes de umnico pensamento agradvel. A maioria enlouquece em poucas semanas.
 Mas Sirius Black escapou  comentou Harry lentamente. Fugiu...
A maleta de Lupin escorregou da escrivaninha; ele teve que seabaixar depressa para apanh-la no ar.
   disse se endireitando.  Black deve ter encontrado umamaneira de combat-los. Eu no teria acreditado que isto fossepossvel... Dizem que os dementadoresesgotam 
os poderes de um bruxo que conviver um tempo demasiado longo comeles...
 O senhor fez aquele dementador no trem recuar  disseHarry de repente.
 H... Certas defesas que se pode usar  disse Lupin. Mas no trem havia apenas um dementador. Quanto maior o nmero, maisdifcil  resistir a eles.
 Que defesas?  perguntou Harry em seguida.  O senhorpode me ensinar?
 No tenho a pretenso de ser um especialista no combatea dementadores, Harry... Muito ao contrrio...
 Mas se os dementadores forem a outro jogo de Quadribol,preciso saber lutar contra eles...
Lupin avaliou o rosto decidido de Harry, hesitou, depois disse:
 Bem... Est bem. Vou tentar ajudar. Mas receio que vocter de esperar at o prximo trimestre. Tenho muito que fazer antesdas frias. Escolhi uma hora muito 
inconveniente para adoecer.
Com a promessa de receber aulas antidementadores de Lupin, opensamento de que talvez no precisasse mais ouvir a morte dame, e o fato de que Corvinal esmagara 
Lufa-Lufa na partida de Quadribolno final de novembro, o nimo de Harry deu uma guinada definitiva paracima. Afinal, Grifinriano fora eliminada da competio, 
embora o time no pudesse se dar aoluxo de perder mais uma partida. Olvio tornou a ficar possudo por umaenergia obsessiva,e treinou com o time com mais empenho 
que nunca, na chuvinha glida enevoenta que persistiu at dezembro. Harry no viu nem sinal dedementador nos terrenos daescola. A fria de Dumbledore parecia 
ter funcionado para mant-los emseus postos nas entradas.
Duas semanas antes do fim do trimestre, o cu clareou de repenteat atingir um branco leitoso e ofuscante, e os terrenos enlameados daescola amanheceram,certo 
dia, cobertos de cintilante geada. No interior do castelo, havia umrebulio de Natal no ar. Flitwick, o professor de Feitios, j enfeitara sua sala de aulacom 
luzes pisca-piscas que, quando foram ver, eram fadinhas voadoras deverdade. Os alunos estavam satisfeitos discutindoplanos para as frias de Natal. Tanto Ronyquanto 
Hermione haviam decidido permanecer em Hogwarts e, embora Ronydissesse que era porqueno ia conseguir aturar Percy duas semanas, e Hermione insistisseque precisava 
consultar a biblioteca, Harry no se deixou enganar; sabia que era para lhe fazerem companhia e se sentiu muito grato.
Para alegria de todos, exceto Harry, houve mais uma visita aHogsmeade no ltimo fim de semana do trimestre.
 Podemos fazer todas as nossas compras de Natal l!  exclamouHermione.  Mame e papai iriam adorar receber fios dentaisde menta da Dedosdemel!
Resignado com a idia de que seria o nico aluno do terceiro anoa no ir, Harry pediu emprestado a Olvio o livro Qual Vassoura, eresolveu passar o dialendo sobre 
as diferentes marcas. Ele andara montando uma vassoura daescola nos treinos do time, uma velhssima Shooting Star, que erademasiado lenta e instvel; decididamente 
precisava de uma vassoura nova.
Na manh de sbado em que os colegas iriam a Hogsmeade, Harry sedespediu de Rony e Hermione, embrulhados em capas ecachecis, tornou a subir a escadariade mrmore, 
sozinho, e tomou o caminho da Torre da Grifinria. A nevecomeara a cair do ladode fora das janelas e o castelo estava muito parado e silencioso.
 Psiu... Harry!
Ele se virou, a meio caminho do corredor do terceiro andar, e viuFred e Jorge espiando-o atrs da esttua de uma bruxa corcunda, de umolhos.
 Que  que vocs esto fazendo?  perguntou Harry,curioso.
 Vocs no vo a Hogsmeade?
 Antes de ir viemos fazer uma festinha para animar voc disse Fred, com uma piscadela misteriosa.  Venha at aqui...
O garoto indicou com a cabea uma sala de aula vazia, esquerda da esttua de um olho s. Harry acompanhou os gmeos. Jorgefechou a porta sem fazer barulho e se 
virou, sorrindo, para Harry.
 Presente de Natal antecipado para voc, Harry anunciou.
Fred tirou alguma coisa de dentro da capa com um gesto largo ecolocou-a em cima de uma carteira. Era um pedao de pergaminho, grande,quadrado e muito gasto,sem 
nada escrito na superfcie. Harry, desconfiando que fosse umadaquelas brincadeiras de Fred e Jorge, ficou parado olhando para opresente.
 E o que  que  isso?  perguntou.
 Isso, Harry,  o segredo do nosso sucesso  disse Jorge,dando uma palmadinha carinhosa no pergaminho.
 Di na gente dar esse presente para voc  disse Fred , masdecidimos, na noite passada, que voc precisamuito mais dele do que ns. E, de qualquer maneira,j 
o conhecemos de cor.  uma herana que vamos lhe deixar. Para falar averdade, no precisamos mais dele.
 E para que eu preciso de um pedao de pergaminho velho?  perguntou Harry.
 Um pedao de pergaminho velho!  exclamou Fred, fechandoos olhos com umacareta, como se Harry o tivesse ofendidomortalmente.  Explique a ele Jorge.
 Bem... Quando estvamos no primeiro ano, Harry... Jovens, descuidados e inocentes...
Harry abafou uma risada. Duvidava se algum dia os gmeosteriam sido inocentes.
 Bem, mais inocentes do que somos hoje... Nos metemos numa certaconfuso com Filch.
 Soltamos uma bomba de bosta no corredor e por algumarazo ele ficou aborrecido...
 Ento Filch nos arrastou at a sala dele e comeou a nosameaar com os castigos de costume...
 ... Deteno...
 ... Nos arrancar as tripas...
 ... E no pudemos deixar de reparar numa gaveta do arquivo deleem que estava escrito Confiscado e MuitoPerigoso.
 No precisam continuar...  exclamou Harry, comeando asorrir.
 Bem, que  que voc teria feito?  perguntou Fred. Jorge soltou mais uma bomba de bosta para distrair Filch, eu abridepressa a gaveta e tirei... Isto.
 No foi to desonesto quanto parece, sabe  comentouJorge.
 Calculamos que Filch nunca tivesse descoberto como usar o pergaminho.
 Mas, provavelmente suspeitou o que era ou no o teria confiscado.
 E vocs sabem como usar?
 Ah, sabemos  disse Fred, rindo.  Esta jia nos ensinoumais do que todos os professores da escola.
 Vocs esto me gozando  disse Harry, olhando para opedao velho e rasgado de pergaminho.
 Ah, ?  disse Jorge.
Ele apanhou a varinha, tocou o pergaminho de leve e disse:
 Juro solenemente que no pretendo fazer nada de bom.
Na mesma hora, linhas de tinta muito finas comearam a seespalhar como uma teia de aranha a partir do ponto em que a varinha deJorge tocara. Elas convergiram,se 
cruzaram, se abriram como um leque para os quatro cantos dopergaminho; em seguida, no alto, comearam a aflorar palavras, palavrasgrandes, floreadas, verdes,que 
diziam:
Os Srs. Aluado, Rabicho, Almofadinha e Pontas,fornecedores de recursos para bruxos malfeitores,tm a honra de apresentarO MAPA DO MAROTO.
Era um mapa que mostrava cada detalhe dos terrenos do castelo deHogwarts. O mais notvel, contudo, eram os pontinhos mnimos de tinta quese moviam em torno domapa, 
cada um com um rtulo em letra minscula. Pasmo, Harry se curvoupara examinar melhor. Um pontinho, no canto superior esquerdo, mostravaque oProf. Dumbledoreestava 
andando para l e para c em seu escritrio; a gata do zelador,Madame Nor-r-ra, rondava o segundo andar; e Pirraa, o poltergeist,naquele momento saltitavapela 
sala de trofus. E quando os olhos deHarry percorreram os corredores que to bem conhecia, ele notou mais umacoisa.
O mapa mostrava um conjunto de passagens em que ele nuncaentrara. E muitas pareciam levar...
 ... Diretamente a Hogsmeade  disse Fred, acompanhandouma delas com o dedo.  So sete ao todo. At agora Filch conhece essasquatro  ele as apontou, mas temos 
certeza de que somente ns conhecemos estas outras. No sepreocupe com a passagem por trs do espelho no quarto andar. Ns a usamosat o inverno passado,mas j 
desabou, est completamente bloqueada. E achamos que ningumjamais usou esta porque o Salgueiro Lutador foi plantado bem em cima daentrada. Mas, esta outraaqui 
leva diretamente ao poro da Dedosdemel. Ns j a usamos um monte devezes. E como voc talvez tenha notado, a entrada  bem ali do lado defora da sala, nacorcunda 
daquela velhota de um olho s.
 Aluado, Rabicho, Almofadinhas e Pontas  suspirou Jorge,dando um tapinha no cabealho do mapa.  Devemos tanto a eles.
 Almas nobres, que trabalharam incansavelmente paraajudar novas geraes de transgressores  disse Fred solenemente.
 Certo  acrescentou Jorge depressa.  No se esquea delimpar o mapa depois de us-lo...
 ... Seno qualquer um pode ler  recomendou Fred.
  s bater com a varinha mais uma vez e dizer "Malfeitofeito!", e o pergaminho torna a ficar branco.
 Portanto, jovem Harry  disse Fred, numa incrvelimitao de Percy , trate de se comportar.
 Vejo voc na Dedosdemel  despediu-se Jorge, piscando.
Os gmeos deixaram a sala, sorrindo satisfeitos consigo mesmos.
Harry ficou ali, contemplando o mapa milagroso. Acompanhou o pontinho detinta Madame Nor-r-ravirar  esquerda e parar para cheirar alguma coisa no cho. Se Filchrealmente 
no conhecia... Ele no teria que passar pelos dementadores...
Mas mesmo enquanto continuava ali, transbordante de excitao,uma coisa que ouvira, certa vez, o Sr. Weasley dizer aflorou emsua lembrana.
Nunca confie em nada que  capaz de pensar, se voc no pode veronde fica o seu crebro.
O mapa era um daqueles objetos mgicos perigosos sobre osquais o Sr. Weasley o prevenira... Recursos para bruxos malfeitores... Mas ento, raciocinouHarry, ele 
s queria usar o mapa para ir a Hogsmeade, no era quequisesse roubar alguma coisa ou atacar algum... E Fred e Jorge j ousavam havia anos, sem quenada de terrvel 
tivesse acontecido...
Harry acompanhou com o dedo a passagem secreta at aDedosdemel.
Depois, subitamente, como se obedecesse a uma ordem, enrolou omapa, guardou-o nas vestes e correu para a porta da sala de aula. Abriu-auns dedinhos. Nohavia 
ningum do lado de fora. Com muito cuidado, esgueirou-se da salaat as costas da esttua da bruxa de um olho s.
Que era mesmo que devia fazer? Puxou outra vez o mapa e viu, paraseu espanto, que um novo boneco de tinta aparecera no pergaminho,rotulado Harry Potter.
Estava parado exatamente no mesmo lugar que o verdadeiro Harry, mais oumenos na metade do corredor do terceiro andar. Harry observou-oatentamente. Seu pequenoeu 
de tinta parecia estar tocando a bruxa com uma varinha mnima. Ogaroto na mesma hora puxou a varinha real e deu um toque na esttua. Nadaaconteceu. Ele tornoua 
consultar o mapa. Um balo com um texto aparecera ao lado do seuboneco. Dentro do balo havia a palavra "Dissendium.
 Dissendium!  sussurrou Harry dando uma nova batida na bruxa depedra.
Na mesma hora, a corcunda da esttua se abriu o suficiente paraadmitir uma pessoa bem magra. Harry deu uma espiada rpida nos dois ladosdo corredor, guardououtra 
vez o mapa, se iou de cabea para dentro do buraco e deu umimpulso para frente.
Ele deslizou um bom pedao, descendo o que parecia um escorregade pedra e aterrissou na terra mida e fria. Levantou-se, ento, olhandoa toda volta. Estavaescuro 
como breu. Harry ergueu a varinha e murmurou:
 Lumus!  E pde ver que se encontrava em uma passagemmuito estreita, baixa e terrosa. Ergueu, ento, o mapa, tocou-o com aponta da varinha e dissebaixinho: 
 Malfeito feito!  Omapa ficou imediatamente branco. Ele o dobrou cuidadosamente,enfiou-o dentro das vestes, depois, o corao batendo rpido, aomesmo tempo 
excitado e apreensivo, Harry comeou a andar.
A passagem virava e tornava a virar, mais parecendo uma toca decoelho gigante do que qualquer outra coisa. Harry caminhou depressa porela, tropeando aquie ali 
no cho acidentado, segurando a varinha com firmeza  sua frente.
Levou uma eternidade, mas o garoto tinha o pensamento fixo nacapacidade da Dedosdemel repor suas foras. Depois do que lhe pareceu umahora, a passagemcomeou 
a subir. Ofegante, Harry apertou o passo, o rosto quente, os psmuito gelados.
Dez minutos mais tarde, chegou ao p de uns degraus de pedramuito gastos, que subiam a perder de vista. Tomando cuidado para nofazer barulho, Harry comeoua 
subir. Cem degraus, duzentos degraus, perdeu a conta, olhando para osps... Ento, sem aviso, sua cabea bateu em alguma coisa dura.
Parecia um alapo. Harry ficou parado ali, massageando ococuruto da cabea, apurando os ouvidos. No conseguia ouvir nenhum somem cima. Muito devagarinho,empurrou 
o alapo e espiou pela borda.
Deparou com um poro, cheio de caixotes e caixas. Harry subiupelo alapo e tornou a fech-lo.  Ele se fundiu to perfeitamente com osoalho empoeiradoque era 
impossvel saber que estava ali. O garoto avanou lentamente ata escada de madeira que levava ao andar superior. Agora decididamenteconseguia ouvirvozes, para 
no falar no tilintar de uma sineta e no abre e fecha de umaporta.
Pensando no que deveria fazer, Harry, de repente, ouviu umaporta se abrir muito prximo; algum ia descer a escada.
 E traga mais uma caixa de lesmas gelatinosas, querido, elespraticamente levaram tudo...  disse uma voz feminina.
Dois ps desceram a escada. Harry pulou para trs de um enormecaixote e esperou os passos se distanciarem. Ouviu ohomem deslocando caixas na parede oposta.
Talvez no tivesse outra oportunidade...
Rpida e silenciosamente, o garoto saiu abaixado do esconderijo esubiu as escadas; ao olhar para trs, viu um enormetraseiroe uma careca reluzente enfiada em 
uma caixa. Harry alcanoua porta no patamar da escada, escapuliu por ela e se encontrou atrsdo balco da Dedosdemel, abaixou-se, saiu quietinho de ladoe por 
fim se levantou.
A Dedosdemel estava to cheia de alunos de Hogwarts que ningumolhou duas vezes para Harry. O garoto foi passando entre eles, olhandopara os lados e reprimiuuma 
risada s de imaginar a expresso que apareceria na cara de porco doDuda se pudesse ver onde ele estava agora.
Havia prateleiras e mais prateleiras de doces com a aparnciamais apetitosa que se pode imaginar. Tabletesde nug, quadrados cor-de-rosa de sorvete de coco, caramelos 
cor demel; centenas de tipos de bombons em fileiras arrumadinhas; havia umabarrica enorme de feijezinhos de todos os sabores, Delcias gasosas as tais bolas 
de sorvete de fruta que faziam levitar que Ronymencionara , em outra parede havia os doces de "efeitos especiais": osmelhores chicles de babae bola (que enchiam 
a loja de bolas azulonas e se recusavam a estourardurante dias), o estranho e quebradio fio dental de menta, minsculosDiabinhos negros depimenta ("sopre fogo 
em seus amigos!"), Ratinhos de sorvete("oua seus dentes baterem e rangerem!"), Sapos de creme de menta ("faasua barriga saltar para valer!"),frgeis penas de 
algodo-doce e bombons explosivos.
Harry se espremeu entre os alunos do sexto ano que enchiam a lojae viu um letreiro pendurado no canto mais distante do salo (SABORESINCOMUNS). Rony eHermione 
estavam bem embaixo, examinando uma bandeja de pirulitos comgosto de sangue. Harry, sorrateiramente, foi parar atrs dos dois.
 Eca, no, Harry no vai querer esses, so para vampiro,imagino  ia dizendo Hermione.
 E esses aqui?  perguntou Rony, enfiando um vidro decachos de barata embaixo do nariz de Hermione.
 Decididamente no  disse Harry.
Rony quase deixou cair o vidro.
 Harry!  berrou Hermione.  Que  que voc est fazendoaqui? Como... Foi que voc...?
 Uau!  exclamou Rony, parecendo muito impressionado ,voc aprendeu a aparatar!
 Claro que no aprendi.  Harry baixou a voz de modo quenenhum dos alunos de sexto ano pudesse ouvir e contou aosamigos sobre o Mapa do Maroto.
 Como  que Fred e Jorge nunca me deram esse mapa? perguntou Rony indignado.  Eu sou irmo deles!
 Mas Harry no vai ficar com o mapa!  afirmou Hermionecomo se a idia fosse ridcula.  Vai entreg-lo  Prof. Minerva, no Harry?
 No, no vou no!  disse Harry.
 Voc  maluca?  exclamou Rony, arregalando os olhospara a garota.  Entregar uma coisa boa dessas?
 Se eu entregar, vou ter que contar onde foi que oarranjei. Filch ia saber que Fred e Jorge surrupiaram dele!
 Mas e o Sirius Black?  sibilou Hermione.  Ele poderiaestar usando uma das passagens do mapa para entrar no castelo! Osprofessores tm que saberdisso!
 Ele no pode estar entrando por uma passagem  retrucouHarry depressa.  Tem sete tneis secretos no mapa, certo? Fred e Jorgecalculam que Filchconhea uns 
quatro. E os outros trs... Um desabou, de modo que ningumpode passar. Outro tem o Salgueiro Lutador plantado na entrada, portanto,no se pode sair. E este que 
eu usei para chegar aqui... Bem...  realmente difcil ver aentrada dele no poro. Ento, a no ser que Black soubesse que havia umapassagem...
Harry hesitou. E se Black soubesse que havia uma passagemali? Rony, porm, pigarreou querendo sinalizar alguma coisa eapontou para um aviso colado dentro da loja 
de doces.


POR ORDEM DO MINISTRIO DA MAGIA

Lembramos aos nossos clientes que at nova ordem, os dementadores iropatrulhar as ruas de Hogsmeade todas as noites aps o pr-do-sol. A medidavisa garantir a 
seguranados habitantes de Hogsmeade e ser revogada quando Sirius Black forrecapturado, portanto,  aconselhvel que os clientes encerrem suascompras bem antes 
deanoitecer.
Feliz Natal.
 Esto vendo s?  falou Rony em voz baixa.  Eu gostaria de ver Blacktentar entrar na Dedosdemel com dementadores pululando por todo opovoado. Em todo o caso,Hermione, 
os donos da Dedosdemel ouviriam se algum arrombasse a loja,no? Elesmoram no primeiro andar!
 T, mas... Mas...  A garota parecia estar fazendo fora paraencontrar outro argumento.  Olha, ainda assim Harry no deviater vindo a Hogsmeade. Ele no tem 
autorizao! Se algum descobrir, elevai ficar enrascado at as orelhas! E ainda no anoiteceu... E se SiriusBlack aparecerhoje? Agora?
 Ia ter muito trabalho para encontrar Harry no meio disso a disse Rony indicando com a cabea as janelas de caixilhos, pelas quaisse via a nevasca rodopiando 
l fora.  Vamos, Mione,  Natal. Harrymerece uma folga.
Hermione mordeu o lbio, parecendo extremamente preocupada.
 Voc vai me denunciar?  perguntou Harry  amiga,sorrindo.
 AI... Claro que no... Mas sinceramente, Harry...
 Viu as delcias gasosas, Harry?  perguntou Rony,puxandoHarry e levando-o at a barrica em que se encontravam.  E as lesmasgelatinosas? E ospicols cidos? 
Fred me deu um desses quando eu tinha sete anos, fez umfuro que atravessou a minha lngua. Me lembro da mame pegando a vassourae baixando o paunele.  Rony ficou 
mirando, pensativo, a caixa de picols cidos.  Vocacha que Fred comeria um cacho de baratas se eu dissesse a ele que eraamendoim?
Depois que Rony e Hermione pagaram por todos os doces quecompraram, os trs saram da Dedosdemel para enfrentar a nevasca l fora.
Hogsmeade parecia um carto de Natal; as casas e lojas de telhadode colmo estavam cobertas por uma camada de neve fresca; havia coroas deazevinho nas portase 
fieiras de luzes encantadas penduradas nas rvores.
Harry estremeceu; ao contrrio dos amigos, ele no estava usandocasaco. Os trs saram caminhando pela rua, a cabea abaixada contra ovento, Rony e Hermionegritando 
por dentro dos cachecis.
 Ali  o Correio...
 A Zonko"s fica mais adiante.
 Podamos ir at a Casa dos Gritos...
 Vamos fazer o seguinte  sugeriu Rony com os dentesbatendo , vamos tomar uma cerveja amanteigada no Trs Vassouras?
Harry estava mais do que a fim; havia um vento cortante e suasmos estavam congelando. Ento, eles atravessaram a rua e minutos depoisentravam na minscula estalagem.
A sala estava chessima, barulhenta, quente e enfumaada.
Uma mulher tipo violo, com um rosto bonito, estava servindo um grupo debruxos desordeiros no bar.
 Aquela  a Madame Rosmerta  disse Rony.  Vou pegar asbebidas, est bem?  acrescentou, corando ligeiramente.
Harry e Hermione foram at o fundo do salo, onde havia umamesinha desocupada entre uma janela e uma bela rvore de Natalprxima  lareira. Rony voltouem cinco 
minutos, trazendo trs canecas espumantes de cervejaamanteigada.
 Feliz Natal!  desejou ele alegremente, erguendo a caneca.
Harry bebeu com gosto. Era a coisa mais deliciosa que j provarae parecia aquecer cada pedacinho dele, de dentro para fora.
Uma brisa repentina despenteou seus cabelos. A porta do TrsVassouras tornou a se abrir. Harry olhou por cima da borda dacaneca e se engasgou.
Os professores McGonagall e Flitwick tinham acabado de entrar nobar em meio a uma rajada de flocos de neve, seguidos de perto por Hagrid,que vinha absortoem uma 
conversa com um homem corpulento de chapu-coco verde-limo e umacapa de risca de giz  Cornlio Fudge, Ministro da Magia.
Numa frao de segundo, Rony e Hermione, ao mesmo tempo, tinhamposto as mos na cabea de Harry e feito o amigo escorregar do banquinhopara baixo da mesa.
Pingando cerveja amanteigada e se encolhendo para sumir de vista, Harry,agarrado  caneca, espiou os ps dos professores e de Fudge caminharemat o bar, parareme, 
em seguida, darem meia-volta e se dirigirem para onde ele estava.
Em algum lugar acima de sua cabea, Hermione sussurrou:
 Mobiliarbus!
A rvore de Natal ao lado da mesa se ergueu alguns centmetros docho, flutuou de lado e desceu com um baque suave bem diante da mesa dosgarotos, escondendo-osdos 
professores. Espiando por entre os ramos mais baixos e densos, Harryviu quatro conjuntos de ps de cadeira se afastarem da mesa bem ao lado,depois ouviu osresmungos 
e suspiros dos professores e do ministro ao se sentarem.
Em seguida, ele viu mais um par de ps, usando saltos altos,turquesa, cintilantes, e ouviu uma voz de mulher.
 Uma gua de Gilly pequena...
  minha  disse a voz da Prof. Minerva.
 A jarra de quento...
 Obrigado  disse Hagrid.
 Soda com xarope de cereja, gelo e guarda-sol...
 Hummm!  exclamou o Prof. Flitwick estalando os lbios.
 Para o senhor  o rum de groselha, ministro.
 Obrigado, Rosmerta, querida  disse a voz de Fudge.   umprazer rev-la, devo dizer. No quer nos acompanhar? Venha sesentar conosco...
 Bem, muito obrigada, ministro.
Harry acompanhou os saltos cintilantes se afastarem e retornarem.
Seu corao batia incomodamente na garganta. Por que no lhe ocorrera queeste era o ltimofim de semana do trimestre tambm para os professores? E quanto tempoeles 
ficariam sentados ali? Ele precisava de tempo para voltardiscretamente  Dedosdemel,se quisesse estar na escola ainda aquela noite... A perna de Hermione deuuma 
tremida nervosa perto dele.
 Ento, o que  que o traz a esse fim de mundo, ministro?  perguntou a voz de Madame Rosmerta.
Harry viu a parte de baixo do corpo de Fudge se virar na cadeira,como se verificasse se havia algum escutando. Depois respondeu em vozbaixa:
 Quem mais se no Sirius Black? Imagino que voc deve tersabido o que houve em Hogwarts no Dia das Bruxas?
 Para falar a verdade, ouvi um boato  admitiu MadameRosmerta.
 Voc contou ao bar inteiro, Hagrid?  perguntou aProf. Minerva, exasperada.
 O senhor acha que Black continua por aqui, ministro? perguntou Madame Rosmerta.
 Tenho certeza  respondeu Fudge laconicamente.
 O senhor sabe que os dementadores j revistaram o meubar duas vezes?  falou Madame Rosmerta, com uma ligeira irritao navoz.  Espantaram todosos meus fregueses... 
Isto  muito ruim para o comrcio, ministro.
 Rosmerta, querida, gosto tanto deles quanto voc  disse Fudge,constrangido.  uma precauo necessria... Infelizmente, mas veja s... Acabei deencontrar 
alguns. Esto furiosos comDumbledore porque ele no os deixa entrar nos terrenos da escola.
  claro que no  disse a Prof. Minerva, rispidamente. Como  que vamos ensinar com aqueles horrores por todo o lado?
 Apoiado, apoiado!  exclamou o Prof. Flitwick com vozesganiada, os ps balanando a um palmo do cho.
 Mesmo assim  disse Fudge em tom de dvida , eles estoaqui para proteger vocs todos de coisa muito pior... Ns todossabemos o que Black  capaz de fazer..
 Sabem, eu ainda acho difcil acreditar  disse MadameRosmertapensativamente.  De todas as pessoas que passaram para o lado dastrevas, SiriusBlack  o ltimo 
em que eu pensaria... Quero dizer, eu me lembro delequando era garoto em Hogwarts. Se algum tivesse me dito, ento, no queele iria se transformar,eu teria respondido 
que a pessoa tinha bebido quento demais.
 Voc no conhece nem metade do que ele fez Rosmerta disse Fudge com impacincia.  A maioria nem sabe o pior.
 Pior?  exclamou Madame Rosmerta, a voz animada decuriosidade.  O senhor quer dizer pior do que matar todos aquelescoitados?
 Isso mesmo.
 No posso acreditar. Que poderia ser pior?
 Voc diz que se lembra dele em Hogwarts, Rosmerta murmurou aProf. Minerva.  Voc se lembra quem era o melhoramigo dele?
 Claro  disse Madame Rosmerta, com uma risadinha. Nunca se via um sem o outro, no  mesmo? O nmero de vezes que os doisestiveram aqui, ah,me faziam rir o 
tempo todo. Uma dupla incrvel, Sirius Black e TiagoPotter!
Harry deixou cair a caneca com estrpito. Rony deu-lhe umpontap.
 Exatamente  disse a Prof. Minerva.  Black e Potterlderes de uma turminha. Os dois muito inteligentes,  claro, na verdadeexcepcionalmente inteligentes,mas 
acho que nunca tivemos uma dupla de criadores de confuses igual...
 No sei  disse Hagrid, dando uma risadinha.  Fred eJorge Weasley seriam preo duro para os dois.
 Poder-se-ia at pensar que Black e Potter eram irmos!
O Prof. Flitwick entrou na conversa. 
 Inseparveis!
 Claro que eram  comentou Fudge.  Potter confiava maisem Black do que em qualquer outro amigo. Nada mudou quandoos dois terminaram a escola. Black foi o padrinho 
quando Tiago se casoucom Llian. Depois, eles o escolheram para padrinho de Harry. O garotonem tem idia disso, claro. Vocs podem imaginar como isto o atormentaria.
 Por que Black acabou se aliando a Voc-Sabe-Quem? cochichou Madame Rosmerta.
 Foi muito pior do que isso, minha querida...  Fudgebaixou a voz e continuou numa espcie de sussurro grave.  Muita gentedesconhece que osPottersabiam que 
Voc-Sabe-Quem queria peg-los. Dumbledore, que naturalmentetrabalhava sem descanso contra Voc-Sabe-Quem, tinha um bom nmero deespies teis. Um delesavisou-o 
e ele, na mesma hora, alertou Tiago e Llian, Dumbledoreaconselhou os dois a se esconderem. Bem,  claro que no era fcil algumse esconder de Voc-Sabe-Quem.
Dumbledore sugeriu aos dois que teriam maiores chances de escapar seapelassem para o Feitio Fidelius.
 Como  que  isso?  perguntou Madame Rosmerta, ofegandode interesse, O Prof. Flitwick pigarreou.
 Um feitio extremamente complexo  explicou com a suavozinha fina , que implica esconder o segredo, por meio da magia, em umanica pessoa viva. A informao 
 guardada no ntimo da pessoa escolhida, ou fiel dosegredo, e torna-se impossvel encontr-la, a no ser,  claro, que ofiel do segredo resolva contara algum. 
Enquanto ele se mantiver calado, Voc-Sabe-Quem poderiarevistar o povoado em que Llian e Tiago viviam durante anos sem jamaisencontr-los, mesmo queficasse com 
o nariz grudado na janela da sala deles!
 Ento Black era o fiel do segredo dos Potter? sussurrou Madame Rosmerta.
 Naturalmente  respondeu a Prof. Minerva.  Tiago Pottercontou aDumbledore que Black preferiria morrer a contar onde eles estavam, queBlack estavapensando 
em se esconder tambm... Mesmo assim, Dumbledore continuoupreocupado. Eu me lembro que ele prprio se ofereceu para ser o fiel dosegredo dos Potter.
 Ele suspeitava de Black?  exclamou Madame Rosmerta.
 Ele tinha certeza de que algum intimo dos Potter tinhamantido Voc-Sabe-Quem informado dos movimentos do casal  respondeu aProf. Minervasombriamente.
 De fato, ele vinha suspeitandohavia algum tempo de que algum do nosso lado virara traidor e estavapassando muita informao para Voc-Sabe-Quem.
 Mas Tiago Potter insistiu em usar Black?
 Insistiu  disse Fudge com a voz carregada.  E ento, poucomais de uma semana depois de terem realizado o Feitio Fidelius...
 Black traiu os Potter?  murmurou Madame Rosmerta.
 Traiu. Black estava cansado do papel de agente duplo,estava pronto a declarar abertamente o seu apoio a Voc-Sabe-Quem, eparece que planejou fazerisso assim 
que os Potter morressem. Mas, como todos sabem,#Voc-Sabe-Quem encontrou sua perdio no pequeno Harry Potter. Despojado depoderes, extremamente enfraquecido,ele 
fugiu. E isto deixou Black numa posio realmente muito difcil. Seumestre cara no exato momento em que ele, Black, mostrara quem de fatoera, um traidor.  No 
teve outra escolha seno fugir...
 Vira-casaca imundo e podre!  exclamou Hagrid to altoque metade do bar se calou.
 Psiu!  fez a Prof. Minerva.
 Eu o encontrei!  rosnou Hagrid,  Devo ter sido altima pessoa que viu Black antes de ele matar toda aquela gente! Fui euque salvei Harry dacasa de Llian 
e Tiago depois que o casal morreu! Tirei o garoto dasrunas, coitadinho, com um grande corte na testa, e os pais mortos... ESirius Black aparece naquela moto voadora 
que ele costumava usar. Nunca me ocorreu o que eleestava fazendo ali. Eu no sabia que ele era o fiel do segredo de Lliane Tiago. Penseique tivesse acabado de 
saber da notcia do ataque de Voc-Sabe-Quem evindo ver o que era possvel fazer. Estava tremendo, branco. E vocssabem o que eu fiz? EUCONSOLEI O TRAIDOR ASSASSINO! 
 bradou Hagrid.
 Hagrid, por favor!  pediu a Prof. Minerva.  Falebaixo!
 Como  que eu ia saber que ele no estava abalado com amorte de Llian e Tiago? Que estava preocupado era com Voc-Sabe-Quem!
Ento ele disse: 
 "Med o Harry, Hagrid. Sou o padrinho dele, vou cuidar dele... Ah! Mas eutinha recebido ordens deDumbledore, e disse no, Dumbledore tinha me mandado levar 
Harrypara a casa dos tios. Black discordou, mas no fim cedeu. Me disse, ento,que eu podia pegar a moto dele para levar Harry. "No vou precisar maisdela", falou. 
Eu devia ter percebido, naquela hora, que alguma coisa noestava cheirando bem. Black adorava a moto. Por que estava dando ela paramim? Por que no iaprecisar 
mais da moto? A questo  que a moto era muito fcil delocalizar. Dumbledore sabia que ele tinha sido o fiel do segredo dos Potter. Blacksabia que iater que se 
mandar quela noite, sabia que era uma questo de horas at oMinistrio sair  procura dele. Mas e se eu tivesse entregado Harry a Black, hein?  Aposto comoele 
teria jogado o garoto no mar no meio do caminho. O filho dos melhoresamigos dele! Masquando um bruxo se alia ao lado das trevas, no tem mais nada nem ningumque 
tenha importncia para ele...
 histria de Hagrid seguiu-se um longo silncio. Ento,Madame Rosmerta falou com uma certa satisfao.
 Mas ele no conseguiu desaparecer, no foi? O Ministrioda Magia o agarrou no dia seguinte!
 Ah, se ao menos isso fosse verdade  lamentou Fudge comamargura.  No fomos ns que o encontramos. Foi o pequeno PedroPettigrew, outro amigodos Potter. Com 
certeza, enlouquecido de pesar e sabendo que Black fora ofiel do segredo dosPotter, Pedro foi pessoalmente atrs dele.
 Pettigrew... Aquele gordinho que sempre andava atrs dosdois em Hogwarts?  perguntou Madame Rosmerta.
 Ele venerava Black e Potter como se fossem heris  disse a Prof. Minerva.  No estava bem  altura deles em termos detalento. Muitas vezes fuisevera demais 
com ele. Podem imaginar agora como me... Como me arrependodisso...  Sua voz parecia a de algum que apanhara de repente umresfriado.
 Vamos, Minerva  consolou-a Fudge, com bondade. Pettigrew teve uma morte de heri. Testemunhas oculares, trouxas, claro, depois limpamos a memriadeles, nos 
contaram como Pettigrew encurralou Black. Dizem que elesoluava: "Llian e Tiago, Sirius! Como  que voc pde?" Ento fezmeno de apanhar a varinha.  Bem, naturalmente, 
Black foi mais rpido. Fez Pettigrew em pedacinhos...
A Prof. Minerva assoou o nariz e disse com a voz embargada:
 Menino burro... Menino tolo... Nunca teve jeito paraduelar... Deveria ter deixado isso para o ministrio...
 E vou dizer uma coisa, se eu tivesse chegado ao Blackantesde Pettigrew, no teria apelado para varinhas, eu teria despedaado eleaos bocadinhos  rosnou Hagrid.
 Voc no sabe o que est dizendo, Hagrid  disse Fudgecom severidade.  Ningum, a no ser bruxos de elite do Esquadro deExecuo das Leis daMagia, teria tido 
uma chance contra Black depois que ele foi encurralado. Na poca, eu era ministro jnior no Departamento de Catstrofes Mgicas,e fui um dos primeirosa chegar 
 cena depois que Black liquidou aquelas pessoas, nunca vou meesquecer. Ainda sonho com o que vi, s vezes. Uma cratera no meio da rua,to funda que rachoua tubulao 
de esgoto embaixo. Cadveres por toda a parte. Trouxasberrando. E Black parado ali, dando gargalhadas, diante do que restava dePettigrew... Um montede vestes 
ensangentadas e uns poucos, uns poucos fragmentos...
A voz de Fudge parou abruptamente. Ouviu-se o barulho decinco narizes sendo assoados.
 Bem, a tem voc, Rosmerta  disse Fudge com a vozcarregada.  Black foi levado por vinte policiais do Esquadro de Execuodas Leis da Magia ePettigrew recebeu 
a Ordem de Merlim, Primeira Classe, o que acho que foialgum consolo para a coitada da me dele. Black tem estado preso emAzkaban desde ento.
Madame Rosmerta deu um longo suspiro.
  verdade que ele  doido, ministro?
 Eu gostaria de poder dizer que   disse Fudgelentamente.  Acredito que  certo que a derrota do mestre odesequilibrou por algum tempo. O assassinatode Pettigrew 
e de todos aqueles trouxas foi trabalho de um homemdesesperado e acuado,cruel... Sem sentido. Mas eu encontrei Black na ltima inspeo que fiz Azkaban. Vocs 
sabem que a maioria dos prisioneiros l ficam sentados noescuro resmungando; no dizem coisa com coisa... Mas fiquei chocado com aaparncianormal deBlack. Conversou 
comigo muito racionalmente. Me deixou nervoso. Deu aimpresso de estar meramente entediado, perguntou se eu j tinha acabadode ler o meu jornal,com toda a tranqilidade, 
disse que sentia falta das palavras cruzadas.  Fiquei realmente espantado de ver o pouco efeito que osdementadores estavam causando nele,e, vejam, ele era um dos 
prisioneiros mais fortemente guardados do lugar.  Dementadores  porta da cela dia e noite.
 Mas para que o senhor acha que ele fugiu?  perguntouMadame Rosmerta.  Por Deus, ministro, ele no est tentando se juntar aVoc-Sabe-Quem, est?
 Eu diria que esse  o plano dele, hum, a longo prazo disse Fudge evasivamente.  Mas temos esperana de pegar Black bem antesdisso. Devo dizerque Voc-Sabe-Quem 
sozinho e sem amigos  uma coisa... Mas se tiver devolta o seu servial mais dedicado, estremeo s em pensar na rapidez comque se reergueria...
Ouviu-se um leve tilintar de copo em madeira. Algum pousara ocopo.
 Sabe, Cornlio, se voc vai jantar com o diretor, melhor voltarmos para o castelo  sugeriu a Prof. Minerva.
Um por um, os pares de ps  frente de Harry retomaram o peso dosseus donos; barras de capas rodopiaram no ar e os saltos cintilantes deMadame Rosmertadesapareceram 
atrs do balco do bar. A porta do Trs Vassouras tornou ase abrir, deixando entrar mais uma rajadade flocos de neve e os professores desapareceram.
 Harry?
Os rostos de Rony e Hermione surgiram embaixo da mesa. Osdois o encararam, sem encontrar palavras para falar.



CAPTULO ONZE
A Firebolt

Harry no tinha uma idia muito clara de como conseguira voltar ao poroda Dedosdemel, atravessar o tnel e sair mais uma vez no castelo. Ssabia que a viagemde 
volta parecia no ter demorado nada, e que ele mal se apercebera doque estava fazendo, porque sua cabea continuava a latejar com a conversaque acabara de ouvir.
Por que ningum lhe contara? Dumbledore, Hagrid, o Sr. Weasley,Cornlio Fudge... Por que ningum jamais mencionara o fato de que seuspais tinham morridoporque 
o melhor amigo deles os trara?
Rony e Hermione observavam Harry, muito nervosos, durante ojantar, sem sequer se atrever a conversar com ele sobre o que tinhamouvido, porque Percy estavasentado 
perto deles. Quando subiram para a concorrida sala comunal, foipara descobrir queFred e Jorge tinham soltado meia dzia de bombas de bosta num arroubode animao 
de fim de trimestre. Harry, que no queria que os gmeos lheperguntassem se tinha chegado ou no a Hogsmeade, subiu sorrateira esilenciosamente parao dormitrio 
vazio e foi direto ao seu armrio de cabeceira. Empurrou oslivros para um lado e no demorou nada a encontrar o que estavaprocurando  o lbum defotografias encadernado 
em couro que Hagrid lhe dera havia dois anos,repleto defotos mgicas de seus pais. O garoto se sentou na cama, fechou ocortinado e comeoua virar as pginas, 
procurando, at que...
Parou numa foto do dia do casamento dos pais. L estava seupai acenando para ele, sorridente, os rebeldes cabelos negros queHarry herdara apontando para todas 
as direes. L estava sua me,radiante de felicidade, de brao dado com o seu pai. E l... Aquele deviaser ele. O padrinho... Harry jamais lhe dera ateno antes.
Se no tivesse sabido que era a mesma pessoa, jamais teriapensado que era Black naquela velha foto. Seurosto no era encovado e macilento, mas bonito e risonho. 
J estariatrabalhando para Voldemort quando a foto fora tirada?
J estaria planejando as mortes das duas pessoas ao seu lado? Saberia queia enfrentar doze anos em Azkaban, doze anos que o tornariam irreconhecvel?
Mas os dementadores no o afetam, pensou Harry examinandoatentamente aquele rosto bonito e risonho. Ele no tem que ouvirminha me gritando quando eles chegam 
muito perto...
Harry fechou com violncia o lbum e, abaixando-se,guardou-o de novo no armrio, tirou as vestes e os culos e foi dormir,cuidando para que o cortinado o escondesse 
de todos.
A porta do dormitrio se abriu.
 Harry?  chamou a voz de Rony, hesitante.
Mas Harry continuou quieto, fingindo que estava dormindo. Ouviu oamigo se retirar e virou de barriga para cima, os olhosmuito abertos.
Um dio que ele jamais conhecera comeou a crescer dentro delecomo veneno. Viu Black rindo-se dele no escuro, como se algum tivessecolado a foto do lbumem seus 
olhos. Assistiu, como se estivesse vendo um filme, a Sirius Blackexplodir Pedro Pettigrew, (que lembrava Neville Longbottom), em milpedaos. Ouviu (emborano 
tivesse a menor idia do som que teria a voz de Black) um murmriobaixo e excitado. "Aconteceu, meu Senhor... os Potter me escolheram parafiel do seu segredo. 
E ento ouviu outra voz, rindo-se histericamente, a mesma risada queHarry ouvia mentalmente sempre que os dementadores se aproximavam...
 Harry, voc... Voc est com uma cara horrvel. O garoto s adormecera quando o dia ia raiando. Aoacordar, encontrou o dormitrio vazio, deserto, se vestiu e 
desceu para asala comunal, tambmvazia exceto pela presena de Rony, que comia sapos de creme de menta emassageava a barriga, e Hermione que espalhara os deveres 
de casa em cimade trs mesas.
 Onde foi todo mundo?  perguntou Harry.
 Embora! Hoje  o primeiro dia das frias, est lembrado?  respondeu Rony, observando o amigo atentamente.   quase horado almoo; eu ia subir para acord-lo 
daqui a pouquinho.
Harry afundou em uma poltrona junto  lareira. A neve continuavaacair l fora. Bichento estava esparramado diante da lareira como umgrande tapete amarelo-avermelhado.
 Realmente voc no est com uma cara muito boa, sabe disse Hermione, examinando ansiosa o rosto do garoto.
 Estou timo  retrucou ele.
 Harry, escuta aqui  disse Hermione trocando um olhar comRony , voc deve estar realmente perturbado com o que ouviuontem. Mas o importante  no fazer nenhuma 
bobagem.
 Como o qu?
 Como tentar ir atrs de Black  disse Rony depressa.
Harry percebeu que os dois tinham ensaiado aquela conversaenquanto ele estivera dormindo. No respondeu nada.
 Voc no vai, no  mesmo, Harry?  insistiu Hermione.
 Porque no vale a pena morrer por causa do Black  disseRony.
Harry olhou para os amigos. Eles pareciam no ter entendidoo problema.
 Vocs sabem o que eu vejo e ouo cada vez que umdementador se aproxima de mim?  Rony e Hermione sacudiram a cabea,apreensivos.  Ouo minhame gritar e suplicar 
a Voldemort. E se algum ouve a me gritar daquelejeito, pouco antes de morrer, no d para esquecer depressa. E sedescobre que algum queela acreditava ser amigo 
foi o traidor que ps Voldemort na pista dela...
 Mas no tem nada que voc possa fazer!  disse Hermioneimpressionada.  Os dementadores vo capturar Black e ele vai voltar aAzkaban e... E muito bem feito 
para ele!
 Voc ouviu o que Fudge disse. Black no  afetado porAzkaban como as pessoas normais. No  um castigo para ele como para os outros.
 Ento o que  que voc est dizendo?  perguntou Ronymuito tenso.  Voc quer... Matar Black ou coisa parecida?
 No seja bobo  disse Hermione, cuja voz transpareciapnico.  Harry no quer matar ningum, no  mesmo?
Mais uma vez Harry no respondeu. Ele no sabia o que queriafazer. S sabia que a idia de no fazer nada, enquanto Blackcontinuava em liberdade, era quase insuportvel.
 Malfoy sabe  disse ele de repente.  Vocs lembram do queele me disse na aula de Poes? "Se fosse eu, ia atrs dele sozinho... Ia querer vingana.
 Voc vai seguir o conselho de Malfoy em vez do nosso? perguntou Rony, enfurecido.  Escuta aqui... Voc sabe o que a me doPettigrew recebeu depois queBlack 
acabou com o filho dela? Papai me contou... A Ordem de Merlim,Primeira Classe, e o dedo de Pettigrew em uma caixa. Foi o maior pedaodele que conseguiramencontrar. 
Black  um louco, Harry, e  perigoso...
 O pai de Malfoy deve ter contado a ele  disse Harry,no dando ateno a Rony.  Fazia parte do crculo ntimo deVoldemort...
 Faz favor de dizer Voc-Sabe-Quem?  exclamou Rony com raiva.
 ... Ento obviamente, os Malfoy sabiam que Black estavatrabalhando para Voldemort...
 ... e Malfoy adoraria ver voc desintegrado em um milho de pedaos,como Pettigrew! Caia na real, Harry. A esperana deMalfoy  que voc seja morto antes de 
ele precisar jogar Quadribolcontra voc.
 Harry, por favor  pediu Hermione, os olhos agora brilhantes delgrimas , por favor, tenha juzo. Black fez uma coisa horrvel demais, masno corra riscos, 
 issoque Black quer... Ah, Harry,voc vai fazer o jogo do Black se for atrs dele. Seus pais no iamquerer que voc se machucasse, iam? Jamaisiam querer que 
voc sasse procurando o Black!
 Eu nunca vou saber o que eles iam querer, porque, graasao Black, nunca conversei com eles  disse Harry com rispidez.
Houve um silncio em que Bichento se espreguiou comdesenvoltura, flexionando as garras. O bolso de Rony estremeceu.
 Escuta  disse o garoto, obviamente procurando mudar deassunto , estamos de frias! J  quase Natal! Vamos... Vamos descerpara ver o Hagrid. No o visitamos 
h uma eternidade!
 No!  disse Hermione depressa.  Harry no pode sair docastelo, Rony...
 , vamos  disse Harry se endireitando na poltrona ,assim posso perguntar a ele por que nunca mencionou o Black quandome contou a histria dos meus pais!
Continuar a discusso sobre Sirius Black no era obviamente oque Rony tinha em mente.
 Ou poderamos jogar uma partida de xadrez  disse eledepressa  ou de bexigas. Percy deixou um jogo...
 No, vamos visitar Hagrid  disse Harry com firmeza.
Ento os trs apanharam as capas nos dormitrios e saram peloburaco do retrato (Levantem-se para lutar, seus vira-latas covardes!),desceram pelo castelovazio 
e cruzaram as portas de carvalho.
Os garotos caminharam sem pressa pelos jardins, deixando uma valarasa na neve faiscante e solta, as meias e as bainhas das capas foram semolhando e congelando.
A Floresta Proibida parecia que fora encantada, cada rvore se cobrira desalpicos prateados e a cabana de Hagrid lembrava um bolo com glac.
Rony bateu, mas no teve resposta.
 Ser que ele saiu?  perguntou Hermione, que tremia embaixo dacapa.
Rony encostou o ouvido na porta.
 Tem um barulho esquisito  disse.  Escuta s, ser o Canino?
Harry e Hermione encostaram os ouvidos na porta tambm. De dentroda cabana vinham uns gemidos baixos e soluantes.
 Ser que no  melhor a gente ir chamar algum?  perguntouRony, nervoso.
 Hagrid!  chamou Harry, dando socos na porta.  Hagrid, vocest a?
Ouviu-se um som de passos pesados, depois a porta se abriu com umrangido. Hagrid estava ali parado, com os olhosvermelhos e inchados, as lgrimas caindopelo seu 
colete de couro.
 Vocs souberam?  berrou ele, e se atirou no pescoo de Harry.
Tendo Hagrid no mnimo duas vezes o tamanho de um homem normal,isso no foi brincadeira. O garoto, quase desabando sob o peso dogigante, foi salvo porRony e Hermione, 
que seguraram um em cada brao de Hagrid, e o puxarampara dentro da cabana. O guarda-caa deixou-se conduzir atuma cadeira e se largou em cimada mesa, soluando 
descontrolado, o rosto brilhante de lgrimas queescorriam por sua barba embaraada.
 Hagrid, o que foi?  perguntou Hermione perplexa.
Harry reparou em uma carta de aparncia oficial aberta em cima da mesa.
 Que  isso, Hagrid?
Os soluos de Hagrid redobraram, mas ele empurrou a carta para ogaroto, que a apanhou e leu em voz alta:

Prezado Sr. Hagrid.
Dando prosseguimento ao nosso inqurito sobre o ataque dohipogrifo a um aluno seu, aceitamos as ponderaes do Prof. Dumbledore deque o senhor no  responsvelpelo 
lamentvel incidente.

 Bem, ento est tudo certo, Hagrid!  exclamou Rony, dando umapalmadinha no ombro do amigo. 
Mas Hagrid continuou a soluar, e fez sinalcom uma de suasgigantescas mos, convidando Harry a continuar a leitura da carta.

No entanto, devemos registrar a nossa preocupao quanto aohipogrifo em pauta. Decidimos acolhera reclamao oficial do Sr. Lcio Malfoy, e o caso serencaminhado 
 Comisso para Eliminao de Criaturas Perigosas. Aaudincia ter lugar em 20 de abril, e solicitamos que o senhor seapresente com o seuhipogrifo nos escritrios 
da Comisso, em Londres, nessa data.
Entrementes, o animal dever ser mantido preso e isolado.
Atenciosamente...
        
Seguia-se uma lista com os nomes dos conselheiros da escola.
 Ah!  exclamou Rony.  Mas voc disse que o Bicuo no  umhipogrifo bravo, Hagrid.  Aposto como ele vai se safar...
 Voc no conhece as grgulas da Comisso para Eliminao deCriaturas Perigosas!  respondeu Hagrid com a voz engasgada, enxugando osolhos na manga. Eles tm 
m vontade com as criaturas interessantes!
Um som repentino vindo de um canto da cabana fez Harry, Rony eHermione se virarem depressa. Bicuo, o hipogrifo, estava deitado a umcanto, mastigando algumacoisa 
que fazia escorrer sangue por todo o soalho.
 Eu no podia deixar ele amarrado l fora na neve!  explicouHagrid, sufocado.  Sozinho! No Natal.
Harry, Rony e Hermione se entreolharam. Nunca tinham concordadocom Hagrid sobre o que o guarda-caa chamava de "criaturas interessantese outras pessoaschamavam 
de "monstros aterrorizantes". Por outro lado, no parecia havernenhuma maldadeespecifica em Bicuo. De fato, pelos padres normais de Hagrid, o bichoera sem dvida 
engraadinho.
 Voc ter que preparar uma boa defesa, Hagrid  falouHermione, sentando-se e pondo a mo no brao macio do amigo.  Tenho certeza de que voc pode provar que 
Bicuo  seguro.
 No vai fazer nenhuma diferena!  soluou Hagrid. Aqueles demnios da Eliminao, eles so controlados por LcioMalfoy! Tm medo dele! E se eu perder o caso, 
Bicuo...
Hagrid passou o dedo rapidamente pela garganta, depois deixouescapar um lamento, e caiu para frente, deitando a cabeanos braos.
 E Dumbledore, Hagrid?  perguntou Harry.
 Ele j fez mais do que o suficiente por mim  gemeuHagrid.  J tem muito com que se ocupar s para segurar os dementadores fora docastelo e o Sirius Black rondando...
Rony e Hermione olharam depressa para Harry como se esperassemque o garoto fosse comear a criticar Hagrid por no ter contado averdade sobre Black. MasHarry 
no teve coragem de perguntar nada, no naquele momento em queestava vendo o amigo to infeliz e amedrontado.
 Escuta aqui, Hagrid  disse Harry , voc no podedesistir. Hermione tem razo, voc s precisa  deuma boa defesa. Podenos chamar como testemunhas...
 Tenho certeza de que j li um caso de algum queprovocou um hipogrifo  disse Hermione, pensativa  e o bicho foiinocentado. Vou procurar paravoc Hagrid, e 
verificar exatamente o que aconteceu.
Hagrid chorou ainda mais alto. Harry e Hermione olharampara Rony, pedindo ajuda.
 Hum... E se eu fizesse uma xcara de ch para ns? ofereceu-se o garoto.
Harry olhou para ele, espantado.
  o que a minha me faz sempre que algum est chateado murmurou Rony, encolhendo os ombros.
Finalmente, depois de muitas reafirmaes de ajuda, e umacaneca de ch fumegante diante dele, Hagrid assoou o nariz comum leno do tamanho de uma toalha de mesa 
e disse:
 Vocs tm razo. No posso me entregar assim. Tenho queme controlar...
Canino, o co de caar javalis, saiu timidamente debaixo damesa e descansou a cabea no joelho do dono.
 No tenho andado muito bem ultimamente  disse Hagrid,acariciando Canino com uma das mos e enxugando o rosto com a outra. Preocupado com o Bicuoe com a turma 
que no est gostando das minhas aulas...
 Ns gostamos!  mentiu Hermione na mesma hora.
 , elas so timas!  acrescentou Rony, cruzando osdedos embaixo da mesa. ... Como  que vo os vermes?
 Mortos  disse Hagrid sombriamente.  Alface demais.
 Ah, no!  exclamou Rony, com um trejeito de riso naboca.
 E esses dementadores fazendo eu me sentir pssimo e tudoo mais  disse Hagrid com um sbito estremecimento.  Tenho que passarpor eles todas asvezes que quero 
beber alguma coisa no Trs Vassouras.  como se euestivesse de volta a Azkaban...
Ele se calou e tomou um pouco de ch. Harry, Rony e Hermione oobservaram prendendo a respirao. Nunca tinham ouvido Hagrid falar desua breve estada emAzkaban. 
Depois de uma pausa, Hermione perguntou timidamente:
 L  muito ruim, Hagrid?
 Vocs no fazem idia  disse ele com a voz contida. Nunca estive em nenhum lugar assim. Pensei que ia endoidar. Ficavalembrando de coisashorrveis... O dia 
em que fui expulso de Hogwarts... O dia em que meu pai morreu... Odia em que tive de mandar Norberto embora...
Seus olhos se encheram de lgrimas. Norberto era o beb dragoque Hagrid ganhara certa vez em um jogo de cartas.
 A pessoa no consegue mais se lembrar de quem  depoisde algum tempo. E comea a achar que no vale a penaviver. Eu tinha esperana de morrer duranteo sono... 
Quando me soltaram, foi como se eu estivesse renascendo, tudovoltou como uma avalanche, foi a melhor sensao do mundo. E vejam bem,os dementadores nogostaram 
nada de me deixar sair.
 Mas voc era inocente!  exclamou Hermione.
Hagrid riu pelo nariz.
 Voc acha que eles se importam com isso? Que nada. Desdeque tenham umas centenas de seres humanos trancafiados com eles, parapoder sugar todaa felicidade deles, 
no esto nem a sealgum  ou no  culpado.
Hagrid ficou calado por um instante, olhando para o ch.
Depois disse em voz baixa:
 Pensei em deixar Bicuo ir embora... Tentar faz-lofugir.. Mas como  que a gente explica para um hipogrifo que ele tem quese esconder? E... Etenho medo de 
desrespeitar a lei...  Ele ergueu os olhos para osgarotos, as lgrimas outra vez escorrendo pelo rosto.  No quero nuncamais na vida voltar paraAzkaban.
A ida  cabana de Hagrid, embora no tivesse sido divertida, em todo ocaso, produzira o efeito que Rony e Hermione esperavam. Ainda que Harryno tivesse de modoalgum 
esquecido Black, no iria poder ficar pensando o tempo todo emvingana se quisesse ajudar Hagrid a vencer a causa contra a Comissopara Eliminao de CriaturasPerigosas. 
Ele, Rony e Hermione foram, no dia seguinte,  biblioteca, evoltaram ao vazio salocomunal, carregados de livros que poderiam ajudar a preparar a defesapara o 
Bicuo. Os trs se sentaram diante do fogo forte que havia nalareira e folhearam lentamente as pginas de livros empoeirados sobrecasos famosos de ferasque saram 
para roubar ou atacar gente, falando-se, ocasionalmente,quando deparavam com alguma coisa que servisse.
 Aqui tem uma coisa... Houve um caso em 1722... Mas ohipogrifo foi condenado, eca, olhems o que fizeram com ele, que coisa horrvel...
 Esse aqui pode ajudar, olhem... Um Manticora atacoualgum ferozmente em 1296, e deixaram o bicholivre... Ah... No, foisporque todos estavam com medo de se 
aproximar dele...
Nesse meio tempo, tinham sido armadas no resto do castelo asmagnficas decoraes de Natal, apesar de poucos alunos terem permanecidona escola para apreci-las.
Grossas serpentinas de folhas e frutos de azevinho foram penduradas peloscorredores, luzes misteriosas brilhavam dentro de cada armadura, e oSalo Principal tinhaas 
doze rvores de Natal de sempre, fulgurantes de estrelas douradas. Umcheiro forte e gostoso de comida invadia os corredores e, na altura danoite de Natal, estavato 
forte que at Perebas, no bolso de Rony, botou o nariz de fora paracheirar, esperanoso, o ar.
Na manh de Natal, Harry foi acordado com Rony atirandoum travesseiro nele.
 Os Presentes!
Harry apanhou os culos e colocou-os no rosto, tentandoenxergar, na penumbra, os ps da cama, onde aparecera um montinho depacotes. Rony j estava rasgando o papel 
que embrulhava os dele.
 Mais uma suter de mame... Outra vez marrom-avermelhada... Veja se voc tambm ganhou uma.
Harry ganhara. A Sra. Weasley lhe mandara uma suter vermelha como leo da Grifinria no peito, uma dzia de tortas de frutas secas enozes, um bolo deNatal e 
uma caixa com crocantes de nozes. Quando empurrou tudo isso paraum lado, ele viu um pacote fino e longo por baixo.
 Que  isso?  perguntou Rony, espiando, enquantosegurava nas mos um par de meias marrom-avermelhadas que acabara deabrir.
 No sei...
Harry rasgou o pacote e prendeu a respirao ao ver a magnficae reluzente vassoura que rolara sobre sua cama. Rony largou asmeias e pulou da cama dele para olhar 
mais de perto.
 Eu no acredito  disse com a voz rouca.
Era uma Firebolt, idntica  vassoura de sonho que Harrytinha ido ver todas as manhs no Beco Diagonal. O cabo brilhouquando ele a ergueu. Sentiu a vassoura vibrar 
e a soltou; elaficou flutuando no ar, sem apoio, na altura exata para ele mont-la.
Os olhos de Harry correram da placa de ouro com o nmerodo registro para a superfcie do cabo, dali para as lascas de btulaperfeitamente lisas e aerodinmicas 
que formavam a cauda.
 Quem lhe mandou essa vassoura?  perguntou Rony em vozbaixa.
 Procure a o carto  disse Harry.
Rony rasgou o resto do papel de embrulho da Firebolt.
 Nada! Caramba, quem gastaria tanto dinheiro com voc?
 Bem  disse Harry atordoado , aposto que no foram osDursley.
 Aposto que foi Dumbledore  disse Rony, agora rodeando aFirebolt, apreciando cada centmetro de sua glria.  Ele lhe mandou aCapa da Invisibilidadeanonimamente...
 Mas era do meu pai  respondeu Harry.  Dumbledore sestava passando a capa para mim. Ele no gastaria centenas degalees comigo. No pode sair dando coisas 
assim para alunos...
 Por isso mesmo  que no ia dizer que foi ele! concluiuRony.  Para um debilide feito o Malfoy no dizer que  favoritismo.  Ei, Harry...  Rony deu uma grande 
gargalhada.  Malfoy! Espera at elever voc montado nisso!  Vai ficar doente de inveja!  uma vassoura de padro internacional, ah,isso !
 No consigo acreditar  murmurou Harry, alisando aFirebolt, enquanto Rony afundava na cama dele, rindo de se acabar sde pensar no Malfoy.  Quem...?
 Eu sei  disse Rony se controlando.  Eu sei quempoderia ter sido... O Lupin.
 Qu?  disse Harry, agora comeando a rir tambm. Lupin? Olha, se ele tivesse tanto ouro assim, poderia comprar umas vestesnovas.
 , mas ele gosta de voc. E estava ausente quando a suaNimbus se arrebentou, e talvez tenha ouvido falar do acidente e resolvidovisitar o BecoDiagonal e comprar 
a vassoura para voc...
 Que  que voc quer dizer com estava ausente? perguntou Harry.  Ele estava doente quando eu joguei aquela partida.
 Bem, ele no estava na ala hospitalar  disse Rony.  Euestava l limpando comadres, cumprindo aquela deteno que o Snapeme deu, se lembra?
Harry franziu a testa para Rony.
 No posso imaginar Lupin comprando um presente desses.
 Do que  que vocs esto rindo?
Hermione acabara de entrar, vestindo um robe e segurandoBichento, que estava com a cara de extremo mau humor e um fio delantejoulas em volta do pescoo.
 No entra aqui com ele!  disse Rony, apanhando Perebasdepressa das profundezas desua cama e guardando-o no bolso do pijama. Mas Hermione noouviu. Largou Bichento 
na cama vazia de Smas e grudou os olhos,boquiaberta, na Firebolt.
 Ah, Harry! Quem lhe mandou isso?
 No tenho a menor idia. No tinha carto nem nada.
Para sua surpresa, Hermione no pareceu nem excitada nemintrigada com a informao. Pelo contrrio, ficou desapontada emordeu o lbio.
 Que  que voc tem?  perguntou Rony.
 No sei  respondeu Hermione lentamente , mas  meioesquisito, no ? Quero dizer, essa  uma vassoura muito boa, no ?
Rony suspirou, exasperado.
  a melhor vassoura que existe no mundo, Hermione.
 Ento deve ter sido realmente cara...
 Provavelmente custou mais do que todas as vassouras daSonserina, juntas  disse Rony alegremente.
 Bem... Quem iria mandar a Harry uma coisa to cara e nemao menos dizer que mandou?  perguntou Hermione.
 Quem quer saber disso?  retrucou Rony, impaciente. Escuta aqui, Harry, posso dar uma voltinha? Posso?
 Acho que ningum devia montar essa vassoura porenquanto!  disse Hermione com a voz esganiada.
Harry e Rony encararam a garota.
 Que  que voc acha que Harry vai fazer com ela... Varrer o cho?
Mas antes que Hermione pudesse responder, Bichento saltouda cama de Simas direto para o peito de Rony.
 TIRE-O-DAQUI!  berrou Rony, ao mesmo tempo em que asgarras de Bichento rasgaram seu pijama e Perebas tentou umafuga desesperada por cima do seuombro. Rony 
agarrou Perebas pelo rabo e mirou em Bichento um pontap malcalculado que acabou acertando o malo aos ps da cama de Harry,derrubou-o, e fez Ronypular pelo quarto 
uivando de dor.
O plo de Bichento de repente ficou em p. Um assobio altoe fino comeou a invadir o quarto. O bisbilhoscpio de bolso saltara dedentro das meiasvelhas do tio 
Vlter e sara rodopiando e cintilando pelo cho.
 Eu tinha me esquecido dele!  exclamou Harry, que seabaixou e recolheu o bisbilhoscpio.  Nunca uso estas meias se possoevitar...
O pequeno pio girava e assobiava na palma da mo dogaroto. Bichento sibilava e bufava paraele.
  melhor voc levar esse gato daqui, Hermione  disseRony furioso, sentando-se na cama de Harry e massageando o dedo do p. Ser que d paravoc guardar essa 
coisa?  acrescentou ele para Harry quando Hermione iase retirando do quarto. Os olhos amarelos de Bichento continuavam fixosnele, cheios demalcia.
Harry tornou a enfiar o bisbilhoscpio nas meias e atirou-o devolta ao malo. Tudo que se ouvia agora eram os gemidos de dor eraiva que Rony abafava. Perebas estava 
aninhado nas mos dodono. J fazia tempo que Harry o vira fora do bolso do amigo eteve a desagradvel surpresa de observar que Perebas, antigamente togordo, 
estava agora magrrimo; e tambm tinha perdidoplos em alguns pontos do corpo.
 Ele no est com uma aparncia muito boa, no ? comentou Harry.
  estresse!  respondeu Rony.  Ele at estaria bem seaquela bola idiota de plos o deixasse em paz.
Mas Harry, se lembrando que a mulher na loja de Animais Mgicosdissera que os ratos s viviam trs anos, no pde deixar de sentir que,a no ser que Perebastivesse 
poderes jamais revelados, ele estava chegando ao fim da vida. E,apesar das queixasfreqentes do amigo de que o rato estava chato e intil, ele tinhacertezade 
que Rony ficaria muito infeliz se o bicho morresse.
O esprito de Natal estava decididamente em baixa no salocomunal da Grifinria quela manh. Hermione prenderaBichento no dormitrio das meninas,mas estava furiosa 
com Rony por ter tentado chut-lo; Rony continuavafumegando de raiva com a nova tentativa que o gato fizera de comer seurato. Harry desistiude tentar fazer os 
dois se falarem e se ocupou em examinar a Firebolt,que trouxera com ele para a sala. Por alguma razo isto pareceu aborrecerHermione tambm;
Ela no fez comentrio algum, mas no parava de lanar olharescarrancudos  vassoura, como se esta tambm tivesse criticado Bichento.
 hora do almoo eles desceram para o Salo Principal edescobriram que as mesas das casas tinham sido encostadas nas paredesoutra vez e que uma nica mesafora 
posta para doze pessoas no meio do salo. Os professores Dumbledore,Minerva MeGonagall, Snape, Sprout e Flitwick estavam sentados  mesa, bemcomo Filch, ozelador, 
que tirara o avental marrom de uso dirio e estava enfatiotadocom uma casaca muito velha de aspecto mofado. Havia apenas mais trsalunos, dois novatosextremamente 
nervosos e um garoto mal-humorado da Sonserina.
 Feliz Natal!  desejou Dumbledore quando Harry, Rony eHermione se aproximaram da mesa.  Como ramos to poucos, mepareceu uma tolice usar as mesas das casas... 
Sentem-se, sentem-se!
Harry, Rony e Hermione se sentaram lado a lado na ponta damesa.
 Balas de estalo!  disse Dumbledore entusiasmado,oferecendo a ponta de um tubo prateado a Snape, que o pegou comrelutncia epuxou. Com um estampido, a bala 
se rompeu e surgiu um grande chapucnico de bruxo encimado por um urubu empalhado.
Harry, lembrando-se do bicho-papo, procurou os olhos de Rony eos dois sorriram; a boca de Snape se comprimiu e ele empurrou o chapupara Dumbledore, queo trocou 
pelo prprio chapu de bruxo na mesma hora.
 Podem avanar!  convidou ele aos presentes, sorrindopara todos.
Quando Harry estava se servindo de batatas assadas, as portas dosalo se abriram. Era a Prof. Sibila Trelawney, deslizando em direo mesa como se andassesobre 
rodas. Tinha posto um vestido verde de paets em homenagem ocasio, o que a fazia parecer mais que nunca uma liblula enorme ecintilante.
 Sibila, mas que surpresa agradvel!  saudou-aDumbledore, levantando-se.
 Estive consultando a minha bola de cristal, diretor disse a professora com a voz mais etrea e distante do mundo , e parameu espanto, me viabandonando o meu 
almoo solitrio para vir me reunir a vocs. Quem soueu para recusar uma inspirao do destino? Na mesma hora me apressei adeixar minha torree peo que me perdoem 
o atraso...
  claro  disse Dumbledore com os olhos cintilantes. Deixe-me apanhar uma cadeira para voc...
E, dizendo isso, usou a varinha para trazer, pelo ar, uma cadeiraque girou alguns segundos e pousou com um baque entre os professoresSnape e Minerva.
A Prof. Sibila, porm, no se sentou; seus enormes olhos comearam apassear pela mesa e ela subitamente deixou escapar um gritinho.
 No me atrevo, diretor! Se eu me sentar, seremos treze!  Nada poderia ser mais azarado! No vamos esquecer que quando trezecomem juntos, o primeiro a se levantar 
ser o primeiro a morrer!
 Vamos correr o risco, Sibila  disse a Prof. Minerva,impaciente.  Por favor, sente, o peru est esfriando.
Sibila hesitou, depois se acomodou na cadeira vazia, os olhosfechados e a boca contrada, como se estivesse  espera de um raioatingir a mesa. Minervaenfiou uma 
grande colher na terrina mais prxima.
 Tripas, Sibila?
A professora fingiu no ouvir. Reabriu os olhos, correu-os aoredor da mesa, mais uma vez, e perguntou:
 Mas onde est o nosso caro Prof. Lupin?
 Receio que o coitado esteja doente outra vez  disseDumbledore, fazendo um gesto para que todos comeassem a seservir.  Pouca sorte que isso fosse acontecer 
no dia de Natal.
 Mas com certeza voc j sabia disso, no, Sibila? disse a Prof. Minerva com as sobrancelhas erguidas.
Sibila lanou a Minerva um olhar gelado.
 Claro que sabia, Minerva  disse com a voz controlada. Mas a pessoa no deve fazer alarde de tudo que sabe. Muitas vezes finjoque no possuo Viso Interior 
para no deixar os outros nervosos.
 Isto explica muita coisa  disse a outra com azedume.
A voz da Prof. Sibila subitamente se tornou bem menos etrea.
 Se voc quer saber, Minerva, vi que o coitado do Prof. Lupin no vai estar conosco por muito tempo. E eleprprio parece saber que seu tempo  curto.  Decididamente 
fugiu quando eu me ofereci para consultar a bola de cristalpara ele...
 Imagine s  comentou Minerva secamente.
 Tenho minhas dvidas  disse Dumbledore, com a vozalegre, mas ligeiramente mais alta, o que ps um ponto final na conversadas duas  de que oProf. Lupin corra 
algum perigo iminente. Severo, voc preparou a poopara ele outra vez?
 Preparei, diretor  respondeu Snape.
 timo. Ento logo ele dever estar de p... Derek, vocj se serviu dessas salsichas apimentadas? Esto excelentes.
O garoto do primeiro ano ficou vermelhssimo quandoDumbledore se dirigiu a ele, e apanhou a travessa de salsichas com asmos trmulas.
A Prof. Sibila se comportou quase normalmente at o finzinho doalmoo de Natal, duas horas depois. Empapuados com a comida e aindausando os chapus dafesta, 
Harry e Rony se levantaram primeiro da mesa e ela deu um gritoagudo.
 Meus queridos! Qual dos dois se levantou da cadeiraprimeiro? Qual?
 No sei  respondeu Rony olhando preocupado para Harry.
 Duvido que v fazer muita diferena  disse a Prof. Minervacom frieza , a no ser que o tarado da machadinha esteja esperando afora para matar o primeiro 
que sair para o saguo.
At Rony riu. Sibila pareceu muitssimo ofendida.
 Vem com a gente?  perguntou Harry a Hermione.
 No  respondeu a garota.  Quero falar uma coisa com aProf. McGonagall.
 Provavelmente vai tentar ver se pode assistir a maisaulas  bocejou Rony quando se encaminhavam para o saguo de entrada,onde no encontraram nenhum louco da 
machadinha.
Quando chegaram ao buraco do retrato, encontraram Sir Cadogandesfrutando um almoo de Natal com dois frades, vrios ex-diretores deHogwarts e seu gordopnei. 
O cavaleiro levantou a viseira e brindou aos dois garotos com umajarra de quento.
 Feliz... Hic... Natal! Senha!
 Co desprezvel  disse Rony.
 E o mesmo para o senhor, meu senhor!  berrou Sir Cadoganquando o quadro se afastou para admitir os garotos.
Harry foi diretamente ao dormitrio, apanhou a Firebolt e oEstojo para Manuteno de Vassouras que Hermione lhe dera de presente deaniversrio, levou-ospara baixo 
e tentou encontrar o que fazer com a vassoura; mas no havialascas levantadas para aparar e o cabo ainda estava to reluzente que notinha sentido lhedar polimento. 
Ele e Rony ficaram ali admirando a vassoura de todos osngulos at que o buraco do retrato se abriu e Hermione entrou,acompanhada da Prof. Minerva.
Embora Minerva McGonagall fosse diretora da Grifinria, Harry sa vira antes na sala comunal uma vez, e para dar um aviso muito srio.
Ele e Rony a olharam,os dois segurando a Firebolt. Hermione contornou o lugar em que elesestavam, se sentou, apanhou o livro mais prximo e escondeu o rosto nele.
 Ento  isso?  perguntou a professora com o seu olharpenetrante, aproximando-se da lareira para examinar a Firebolt.  A Srta. Granger acabou deme informar 
que algum lhe mandou uma vassoura, Potter.
Harry e Rony se viraram para olhar Hermione. Surpreenderamsua testa corando por cima do livro, que ela segurava de cabeapara baixo.
 Posso?  perguntou McGonagall, mas no esperou respostapara tirar a vassoura das mos dos garotos. Examinou-a atentamente,do cabo s lascas.  Hum. E no havia 
nenhum bilhete, nenhum carto,Potter? Nenhuma mensagemde nenhum tipo?
 No  disse Harry sem compreender.
 Entendo... Bem, receio que tenha de levar a vassoura,Potter.
 Q... Qu?  exclamou Harry, ficando em p.  Por qu?
 Teremos que verificar se no est enfeitiada.  Naturalmente eu no sou especialista nesse assunto, mas imagino queMadameHooch e o Prof. Flitwick possam desmont-la...
 Desmont-la?  repetiu Rony, como se a professora fossemaluca.
 No deve levar mais do que umas semanas. Voc a receberde volta se tivermos certeza de que est limpa.
 A vassoura no tem nada errado!  exclamou Harry, a vozligeiramente trmula.  Francamente, professora..
 Voc no pode saber, Potter  disse a professora combondade , pelo menos at ter voado nela, e receio que isto esteja forade questo at noscertificarmos de 
que ningum a alterou. Eu o manterei informado.
A Prof. McGonagall deu meia-volta levando a Firebolt, eatravessou o buraco do retrato, que se fechou em seguida. Harry ficouobservando a professora partir,a 
latinha de cera de polimento ainda na mo. Rony, porm, se voltoucontra Hermione.
 Para que voc foi correndo contar  Prof. Minerva?
Hermione largou o livro de lado. Seu rosto continuava vermelho,mas ela se levantou e enfrentou Rony, desafiando-o.
 Porque achei, e a Prof. McGonagall concorda comigo,que provavelmente a vassoura foi mandada a Harry por Sirius Black!







CAPTULO DOZE
O Patrono

Harry sabia que Hermione tivera boa inteno, mas isso no o impedia deestar aborrecido com a amiga. Ele fora dono da melhor vassoura do mundopor breves horase 
agora, por interferncia dela, no sabia se iria rever a vassoura.
Harry tinha certeza de que, no momento, no havia problema algum com aFirebolt, mas em queestado ela ficaria depois de ser submetida a todo tipo de testeantifeitio?
Rony tambm estava furioso com Hermione. Na sua opinio,desmontar uma Firebolt nova em folha era nada menos que um ato criminoso.
Hermione, que continuavaconvicta de que agira visando o bem do amigo, comeou a evitar a salacomunal. Os dois garotos supunham que ela se refugiara na biblioteca 
eno tentaram persuadi-laa voltar. Em tudo por tudo, eles ficaram felizes quando o restante daescola voltou, pouco depois do Ano-Novo, e a Torre daGrifinria 
novamente se encheu de gentee rudos.
Olvio procurou Harry na vspera do novo trimestre comear.
 Teve um bom Natal?  perguntou ele e, em seguida, semesperar resposta, se sentou, baixou a voz e disse:  Andei pensandodurante o Natal, Harry.  Depois da ltima 
partida, entende. Se os dementadores forem ao prximo... Quero dizer... No podemos nos dar ao luxo devoc... Bem...
Olvio parou, parecendo constrangido.
 J estou cuidando disso  falou Harry depressa.  OProf. Lupin prometeu que me ensinaria a afastar os dementadores. Devemos comear esta semana. Ele falou que 
teria tempo depois doNatal.
 Ah  respondeu Olvio, o rosto se desanuviando.  Bem,nesse caso... Eu no queria realmente perder voc como apanhador,Harry j encomendou uma vassoura nova?
 No.
 Qu!  melhor voc se mexer, sabe, no vai poder montaraquela Shooting Star contra o time da Corvinal!
 Ele ganhou uma Firebolt de Natal  disse Rony.
 Uma Firebolt? No! Srio? Uma Firebolt de verdade?
 No precisa se excitar, Olvio  disse Harry deprimido.
 No est mais comigo. Foi confiscada.  E explicou tudo sobre aFirebolte como estava sendo verificada para saber se fora enfeitiada.
 Enfeitiada? Como poderia ter sido enfeitiada?
 Sirius Black  disse Harry, cansado.  Dizem que eleest querendo me pegar. Ento McGonagall calculou que poderia terme mandado a vassoura.
Descartando a informao de que um assassino famoso estavaatrs do seu apanhador, Olvio disse:
 Mas Black no poderia ter comprado uma Firebolt! Eleest fugindo! O pas inteiro est procura dele! Como  que iria simplesmente entrar na Artigosde Qualidade 
para Quadribol e comprar uma vassoura?
 Eu sei, mas ainda assim McGonagall quer desmont-la...
Olvio empalideceu.
 Vou falar com ela, Harry  prometeu.  Vou cham-la razo... Uma Firebolt... Uma autntica Firebolt, no nosso time... Elaquer queGrifinria ganhe tanto quanto 
ns... Vou faz-la ver o absurdo. UmaFirebolt...
As aulas recomearam no dia seguinte. A ltima coisa que algum ia quererfazer era passar duas horas l fora emuma fria manh de janeiro, mas Hagrid providenciarauma 
fogueira cheia de salamandras para alegria dos alunos, que passaramuma aulaincomumente boa juntando madeira e folhas secas para manter o fogo altoenquanto osbichinhos, 
que adoram chamas, subiam e desciam pelas toras embranquecidasde calor. A primeira aula de Adivinhaodo novo trimestre foi bem menos divertida; a Prof.Sibila 
estava agora comeando a ensinar quiromancia  turma e no perdeutempo para informar Harry de que ele possua a menor linha da vida queela j vira.
Mas era  aula de Defesa contra as Artes das Trevas que ele estavaansioso para chegar; depois da conversa com Olvio, queriacomear as aulas antidementadores o 
mais cedo possvel.
 Ah,  verdade  disse Lupin quando Harry o lembrou dapromessa no final da aula.  Vejamos... Que tal s oito horas da noite naquinta? A sala deaula de Histria 
da Magia deve ser suficientemente grande... Tenho quepensar muito como vamosfazer.  No podemos trazer um dementador real ao castelo para praticar...
 Ele continua com cara de doente, no acha?  perguntouRony quando caminhavam pelo corredor para ir jantar.  Que que voc acha que ele tem?
Ouviram um alto muxoxo de impacincia atrs deles. EraHermione que estivera sentada ao p de uma armadura, rearrumando amochila, to cheia de livros que no fechava.
 E por que  que voc esta fazendo muxoxo para a gente? perguntou Rony, irritado.
 Por nada  respondeu Hermione em tom de superioridade, passandoa mochila pelo ombro.
 Nada, no  disse Rony.  Eu estava imaginando qual seria oproblema de Lupin, e voc...
 Bem, ser que no est bvio?  disse a garota com um olhar desuperioridade de dar nos nervos.
 Se voc no quer dizer, no diga  retrucou Rony com rispidez.
 timo  disse Hermione, arrogante, e foi-se embora.
 Ela no sabe  disse Rony, olhando, rancoroso, para agarotaque se afastava.  S est tentando fazer a gente voltar a falar com ela.
Oito horas da noite de quinta-feira, Harry saiu da Torre da Grifinriapara a sala de Histria da Magia. Quando chegou, a sala estava escura evazia, mas ele acendeu 
as luzes com a varinha e jestava esperando havia uns cinco minutosquando o Prof. Lupin apareceu, trazendo uma grande caixa, que depositouem cima daescrivaninha 
do Prof. Binns.
 Que  isso?  perguntou Harry.
 Outro bicho-papo  respondeu Lupin tirando a capa.  andeipassando um pente fino no castelo desde tera-feira e porsorte encontrei este aqui escondido no arquivo 
do Sr. Filch.  omais prximo que chegaremos de um dementador de verdade, O bicho-papo setransformar emum dementador quando o vir, ento poderemos praticar. 
Posso guard-lo naminha sala quandono estiver em uso; tem um armrio embaixo da minha escrivaninha de queele vai gostar.
 Tudo bem  disse Harry procurando falar como se noestivesse nada apreensivo, mas apenas feliz por Lupin ter encontradoum substituto to bom para um dementador 
real.
 Ento...  O Prof. Lupin apanhou a varinha e fez sinalpara Harry imit-lo.  O feitio que vou tentar lhe ensinar faz parte damagia muito avanada,Harry, muito 
acima do Nvel Normal de Bruxaria.  chamado o Feitio doPatrono.
 O que  que ele faz?  perguntou Harry nervoso.
 Bem, quando funciona corretamente, ele conjura umPatrono, que  uma espcie de antidementador, um guardio que agecomo um escudo entre voc e o dementador.
Harry teve uma sbita viso de si mesmo agachado atrs de umvulto do tamanho de Hagrid segurando um enorme basto. OProf. Lupin continuou:
 O Patrono  um tipo de energia positiva, uma projeo daprpria coisa de que o dementador se alimenta: esperana, felicidade,desejo de sobrevivncia,mas ele 
no consegue sentir desesperana, como um ser humano real, porisso o dementador no pode afet-lo. Mas preciso preveni-lo, Harry, deque o feitio talvezseja demasiado 
avanado para voc. Muitos bruxos habilitados tmdificuldade de execut-lo.
 Que aspecto tem um Patrono?  perguntou Harry, curioso.
 Cada um  nico para o bruxo que o conjura.
 E como se conjura?
 Com uma frmula mgica, que s far efeito se vocestiver concentrado, com todas as suas foras, em uma nica lembranamuito feliz.
Harry procurou em sua mente uma lembrana feliz. Com certeza,nada que tivesse lhe acontecido na casa dos Dursley iria servir. Por fim,decidiu-se pelo momentoem 
que voou numa vassoura pela primeira vez.
 Certo  disse, procurando lembrar o mais exatamentepossvel da maravilhosa sensao devoar.
 A frmula  a seguinte  Lupin pigarreou para limpar agarganta. Expecto Patronum!
 Expecto Patronum!  repetiu Harry em voz baixa , Expecto...
 Est se concentrando com todas as foras em sualembrana feliz?
 Ah... Estou  respondeu Harry, forando depressa seupensamento a retornar quele primeiro vo de vassoura.  Expectopatrono.  No, patronum... Desculpe... Expecto 
Patronum!  Expecto Patronum!...  Alguma coisa se projetou subitamente da ponta de sua varinha; parecia um fiapo de gs prateado.
 O senhor viu isso?  perguntou Harry, excitado. Aconteceu uma coisa!
 Muito bem  aprovou Lupin sorrindo.  Certo, ento, estpronto para experimentar com umdementador?
 Estou  disse o garoto, segurando sua varinha com firmeza eindo para o meio dasala de aula deserta. Tentou manter o pensamento no vo, mas alguma coisano parava 
de interferir... A qualquer segundo agora, poderia tornar aouvir sua me... Mas ele no devia pensar nisso ou tornaria a ouvi-la, eele noqueria... Ou ser que 
queria?
Lupin segurou a tampa da caixa e levantou-a.
Um dementador se ergueu lentamente da caixa, o rosto encapuzadovirado paraHarry, uma mo luzidia, coberta de cascas de feridas, segurando a capa.
As luzesem volta da sala de aula piscaram e se apagaram. O dementador saiu dacaixa e comeou a se deslocar silenciosamente em direo a Harry,respirando profundamente,uma 
respirao vibrante. Uma onda de frio intensa o engolfou...
 Expecto patronum!  berrou Harry.  Expecto Patronum!
Mas a sala e o dementador foram se dissolvendo... Harry se viucaindo outra vez por um denso nevoeiro branco, e a voz de sua me maisalta que nunca, ecoavaem sua 
cabea... Harry no! Harry no! Por favor... farei qualquercoisa...
"Afaste-se. Afaste-se, menina...
 Harry!
Harry de repente recuperou os sentidos. Estava deitado de costasno cho. As luzes dasala tinham reacendido. Ele no precisouperguntar o que acontecera.
 Desculpe  murmurou, se sentando e sentindo o suor frioescorrer por dentro dos culos.
 Voc est bem?  perguntou Lupin.
 Estou...  Harry usou uma carteira para se levantar,apoiando-se nela.
 Tome aqui  Lupin lhe deu um sapo de chocolate.  Comaisso antes de tentarmos outra vez. Eu no esperava que voc conseguisseda primeira vez; de fato, ficaria 
assombrado se tivesse conseguido.
 Est piorando  murmurou Harry, mordendo a cabea dosapo.  Eu a ouvi mais alto dessavez... E ele... Voldemort.
Lupin parecia mais plido do que de costume.
 Harry, se voc no quiser continuar, vou compreendermuito bem...
 Eu quero!  exclamou Harry com vigor, enfiando o restodo sapo de chocolate na boca.  Tenho que continuar! O que vai acontecerse os dementadoresaparecerem na 
partida contra Corvinal? No posso me dar ao luxo de cairoutra vez. Se perdermos a partida, perderemos a Taa de Quadribol!
 Muito bem, ento...  disse Lupin.  Talvez queiraescolher outra lembrana, uma lembrana feliz, quero dizer, para seconcentrar... Essa primeiraparece que no 
foi bastante forte...
Harry fez um esforo mental e concluiu que sua emoo quandoGrifinria ganhara o Campeonato das Casas, no ano anterior, foradecididamente uma lembranamuito feliz. 
Segurou a varinha com fora, outra vez, e tomou posio nomeio da sala.
 Pronto?  perguntou Lupin segurando a tampa da caixa.
 Pronto  disse Harry, tentando por tudo encher a cabeade pensamentos felizes sobre a vitria de Grifinria, em lugar dospensamentos sombriossobre o que ia 
acontecer quando a caixa se abrisse.
 J!  disse Lupin destampando a caixa. A sala ficougelada e escura mais uma vez. O dementador avanou deslizando,inspirando com fora; a mo podre estendida 
para Harry...
 Expecto Patronum!  berrou Harry.  Expecto Patronum!  Expecto Pat...
Um nevoeiro branco obscureceu seus sentidos... Vultos grandese difusos moveram-se  sua volta... Ento ele ouviu uma nova voz,uma voz de homem, gritando em pnico... 
"Llian, leve Harry e v!  ele! V! Corra! Eu o atraso...
Os rudos de algum saindo aos tropeos de uma sala... Uma portase escancarando... Uma gargalhada aguda...
 Harry! Harry. Acorde...
Lupin dava tapinhas em seu rosto. Desta vez levou um minutoat Harry entender por que estava deitado no cho empoeirado deuma sala de aula.
 Ouvi meu pai  murmurou Harry   a primeira vez que oouo, ele tentou enfrentar Voldemort sozinho, para dar  minhame tempo de fugir...
O garoto de repente percebeu que havia em seu rostolgrimas misturadas ao suor. Abaixou a cabea o mais que pde e enxugouas lgrimas nas vestes,fingindo estar 
amarrando um sapato, para Lupin no ver.
 Voc ouviu Tiago?  disse Lupin numa voz estranha.
 Ouvi...  O rosto seco, Harry ergueu a cabea.  Porqu... O senhor conheceu meu pai?
 Eu... Para falar a verdade, conheci. Fomos amigos emHogwarts. Escute, Harry... Talvez devssemos parar por hoje. Este feitio absurdamenteavanado... Eu no 
devia ter sugerido que voc se submetesse a essa...
 No!  disse Harry e tornou a se levantar.  Vou tentarmais uma vez! No estou pensando em lembranas muito felizes,  sisso... Espere a...
O garoto puxou pela memria. Uma lembrana realmente, masrealmentefeliz... Uma que ele pudesse transformar em umPatrono vlido e forte...
O momento em que ele descobrira que era bruxo e ia deixara casa dos Dursley para freqentar Hogwarts! Se isso no fosse umalembrana feliz, eleno sabia qual 
seria... Concentrando-se com todas as foras no quesentira quando compreendeu que ia deixar a Rua dos Alfeneiros, Harry selevantou e ficou de frentepara a caixa 
mais uma vez.
 Pronto?  perguntou Lupin, que parecia fazer issocontrariando o seu bom senso.  Concentrou-se com firmeza? Muitobem... J!
Ele tirou a tampa da caixa pela terceira vez, e o dementador selevantou; a sala esfriou e escureceu.
 EXPECTO PATRONUM!  berrou Harry.  EXPECTOPATRONUM! EXPECTO PATRONUM!
A gritaria dentro da cabea de Harry recomeara  exceto quedesta vez, parecia vir de um rdio mal sintonizado  fraca eforte efraca outra vez... ele continuava 
a ver o dementador  que parara ento, um enorme vulto prateado irrompeu da ponta de sua varinha e ficoupairando entre ele eo dementador, e, embora suas pernas 
tivessem perdido as foras, Harrycontinuava de p, por quanto tempo ele no tinha muita certeza...
 Riddikulus.  bradou Lupin saltando  frente.
Ouviu-se um estalo muito alto e o difano Patrono desapareceujuntamente com o dementador; o garoto afundou em uma cadeira, sentindo aexausto de quem correramais 
de um quilmetro, e as pernas trmulas. Pelo canto do olho, viu oProf. Lupin enfiar,  fora, o bicho-papo na caixa, com a varinha; elese transformou maisuma 
vez em uma bola prateada.
 Excelente!  exclamou Lupin, aproximando-se do garoto. Excelente Harry! Decididamente foi um comeo!
 Podemos tentar mais uma vez? S mais umazinha?
 Agora, no  disse Lupin com firmeza.  Voc j fez o bastantepor uma noite. Tome...
E deu a Harry uma enorme barra do melhor chocolate da Dedosdemel.
 Coma bastante ou Madame Pomfrey vai querer me matar.  mesmahora na semana que vem?
 Ok  concordou Harry. Ele deu uma dentada no chocolate enquantoobservava Lupin apagar as luzes que tinham reacendido com odesaparecimento do dementador.
Acabava de lhe ocorrer um pensamento.
 Prof. Lupin, se o senhor conheceu meu pai, ento deve terconhecido Sirius Black, tambm.
Lupin se virou na mesma hora.
 Que foi que lhe deu essa idia?  perguntou ele com rispidez.
 Nada... Quero dizer, eu soube que eles tambm eram amigos emHogwarts...
O rosto de Lupin se descontraiu.
 , eu o conheci  disse brevemente.  Ou pensei que o conhecia.  melhor voc ir andando, Harry, est ficando tarde.
O garoto saiu da sala, andou um pouco pelo corredor, dobrouum canto, depois se desviou para trs de uma armadura e se sentouem sua base para terminar o chocolate, 
desejando que no tivessemencionado Black, pois Lupin obviamente no gostava de tocarnesse assunto. Ento os pensamentos de Harry foram vagando aos poucospara 
sua me e seu pai.
Ele se sentiu esgotado e estranhamente vazio, ainda que estivesseempanturrado de chocolate. Por mais horrvel que fosse ouvir os ltimosmomentos de seuspais repassarem 
por sua cabea, eles tinham sido os nicos em que Harryouvira as vozes dos dois desde que era pequeno. Mas ele no seria capazde produzir um Patronoadequado se 
ficasse desejando ouvir os pais novamente...
 Eles esto mortos  disse a si mesmo com severidade.  Estomortos e ficar ouvindo seus ecos no vai traz-los de volta.  melhorvoc se controlar sequiser 
aquela Taa de Quadribol.
Ele se levantou, atochou o ltimo pedao de chocolate na bocae rumou para a Torre da Grifinria.
Corvinal jogou contra Sonserina uma semana depois doinicio dosemestre. Sonserina ganhou, mas foi uma vitria apertada.
SegundoOlvio, isto era uma boa notcia para Grifinria, quetiraria o segundolugar se tambm batesse Corvinal. Portanto, o capitoaumentouo nmero de treinos 
para cinco por semana. Istosignificou que comas aulas antidementadores de Lupin, que em si eram maisexaustivasque os treinos de Quadribol, s sobrara a Harry 
umanoite por semana para fazer todos os deveres de casa. Ainda assim, eleno estavaaparentando tanto desgaste quanto Hermione, cuja imensacarga detrabalho parecia 
estar finalmente cansando-a. Todas asnoites, semfalta, Hermione era vista a um canto da sala comunal,vrias mesascheias de livros, tabelas de Aritmancia, dicionrios 
derunas,diagramas de trouxas levantando grandes objetos e ainda fichrios e maisfichrios de extensas anotaes; ela pouco falava com oscolegas erespondia mal 
quando era interrompida.
 Como  que ela est fazendo isso?  murmurou RonyparaHarry certa noite, quando este se sentara para prepararumaredao difcil sobre venenos indetectveis 
pedida por Snape. Harryergueu a cabea. Mal conseguiu divisar Hermione por trsda pilhainstvel de livros.
 Isso o qu?
 Assistindo a todas as aulas!  disse Rony.  Ouvi Mioneconversando com a Prof. Vector, aquela bruxa da Aritmancia, hoje demanh. Estavam discutindo a aula de 
ontem, mas Mione nopodia ter estado l, porque estava conosco na de Trato das CriaturasMgicas! E Ernesto McMillan me disse que ela nunca faltou a nenhuma aulade 
Estudos dos Trouxas,mas metade das aulas so no mesmo horrio de Adivinhao, e ela tambmnunca faltou a nenhuma l!
Harry no tinha tempo, naquele momento, para desvendar o mistriodos horrios impossveis de Hermione; ele realmente precisava terminar otrabalho paraSnape. Dois 
segundos depois, no entanto, foi novamente interrompido,desta vez por Olvio.
 Ms notcias Harry. Acabei de ir falar com a Prof. McGonagallsobre a Firebolt.  Ela... Hum... Foi um pouco grossa comigo. Me disse que as minhasprioridadesestavam 
trocadas. Parece que entendeu que eu estava mais preocupado emganhar a Taa do que com as suas chances de sobrevivncia. S porque eudisse que no me importavase 
a vassoura o derrubasse, desde que voc apanhasse o pomo primeiro. Olvio sacudiu a cabea, incrdulo.  Francamente, o jeito como elagritou comigo dava at para 
pensar que eu tinha dito alguma coisahorrvel.. Ento perguntei quantotempo mais ela ia ficar com a vassoura...  Olvio amarrou a cara eimitou a vozsevera da 
professora: O tempo que for preciso, Wood"... Acho que estna hora de voc encomendar uma vassoura nova, Harry. Tem um formulrio depedido no finaldoQual... 
Vassoura... voc podia comprar uma Nimbus 2001, como a doMalfoy.
 No vou comprar nada que Malfoy ache bom  disse Harry em tomdefinitivo.
Janeiro transitou para fevereiro imperceptivelmente, sem alterao nofrio extremo que fazia. A partida contra Corvnal estava cada dia maisprxima, mas Harry aindano 
encomendara a vassoura nova. Ele agora pedia  Prof. McGonagallnotcias daFirebolt depois da aula de Transformao. Rony parava, cheio deesperana, ao ladodele, 
Hermione passava depressa com o rosto virado.
 No, Potter, ainda no posso devolv-la  disse a professora nadcima segunda vez que isto aconteceu, antes mesmo queele abrisse a boca para perguntar.  J 
a verificamos com relao maioria dos feitios comuns, mas o Prof. Flitwck acredita quea vassoura possa estar carregando um Feitio de Velocidade. Eu oinformarei 
quando tivermos terminado a verificao. Agora, por favor,pare de me pressionar.
Para piorar as coisas, as aulas antidementadores no estavamcorrendo to bem quanto Harry esperara. Em vrias sesses ele fora capazde produzir um vultoindistinto 
e prateado, todas as vezes que o dementador se aproximaradele, mas era um Patrono demasiado fraco para afugentar o dementador. Anica coisa que faziaera pairar 
no ar, como uma nuvem semitransparente, e esgotar a energia deHarry enquanto o garoto lutava para mant-lo presente. Harry sentiu raivade si mesmo,e culpa pelo 
desejo secreto de ouvir mais uma vez as vozes dos pais.
 Voc est esperando demais de si mesmo  disse oProf. Lupin com severidade, na quarta semana de treino.  Para um bruxode treze anos, at mesmoum Patrono pouco 
ntido  um grande feito. Voc no est desmaiando mais,no ?
 Eu pensei que um Patrono... Transformasse osdementadores em alguma coisa  disse Harry desanimado.  Fizesse-osdesaparecer...
 O verdadeiro Patrono de fato faz isso. Mas voc jconseguiu muito em pouqussimo tempo. Se os dementadores aparecerem nasuaprxima partida de Quadribol, voc 
poder mant-los  distncia em temposuficiente para voltar ao cho.
 O senhor disse que  mais difcil quando h um montedeles.
 Tenho total confiana em voc  respondeu Lupinsorrindo.  Tome... Voc mereceu uma bebida, uma coisa do Trs Vassouras. Voc nodeve ter provado antes...
O professor tirou duas garrafinhas da maleta.
 Cerveja amanteigada!  exclamou Harry sem pensar.  Ah,eu gosto disso!
Lupin ergueu uma sobrancelha.
 Ah... Rony e Hermione trouxeram para mim de Hogsmeade mentiu Harry depressa.
 Entendo  disse Lupin, embora continuasse a parecerligeiramente desconfiado.  Bem... Vamos brindar  vitria de Grifinriasobre Corvinal! Noque, como professor, 
eu deva tomar partido...  acrescentou ele depressa.
Os dois beberam a cerveja amanteigada em silncio, at queHarry disse uma coisa que o estava deixando intrigado havia algumtempo.
 Que  que tem por baixo do capuz do dementador?
O professor baixou a garrafinha pensativo.
 Hummm... Bem, as nicas pessoas que realmente sabem noesto em condies de nos responder. Veja, o dementador tira ocapuz somente para usar sua ltima arma, 
a pior.
 Que  qual?
 O Beijo do Dementador  disse Lupin com um sorrisoenviesado.   o que do naqueles que eles querem destruir completamente. Suponho que devam teralgum tipo de 
boca sob o capuz, porque ferram as mandbulas na boca davtima... E sugam sua alma.
Harry, sem querer, cuspiu um pouco de cerveja amanteigada.
 Qu... Eles matam...?
 Ah, no  disse Lupin.  Fazem muito pior. A pessoa podeviver sem alma, sabe, desde que o crebro e o corao continuem trabalhando. Mas perdea conscincia do 
eu, a memria... Tudo. No tem chance alguma de serecuperar. Apenas... Existe. Como uma concha vazia. E a alma fica parasempre... Perdida.
Lupin bebeu mais um pouco da cerveja, depois continuou:
  o destino que espera Sirius Black. Li no Profeta Dirio hojede manh, o ministro deu aos dementadores permisso para fazerem isso seo encontrarem.
Harry ficou confuso por um instante com a idia de algum tera alma sugada pela boca. Mas depois pensou em Black.
 Ele merece  disse de repente.
 Voc acha?  perguntou Lupin sem pensar muito.  Vocacha mesmo que algum merece isso?
 Acho  disse Harry resistindo.  Por... Causa de umascoisas...
Ele gostaria de ter contado a Lupin a conversa que ouvira no TrsVassouras a respeito de Black ter trado seus pais, mas isto teriaimplicado em revelarque fora 
a Hogsmeade sem autorizao, e ele sabia que o professor no iagostar nem um pouco disso. Ento, terminou a cerveja amanteigada,agradeceu a Lupin e deixoua sala 
de Histria da Magia.
Harry gostaria de no ter perguntado o que havia por baixo docapuz de um dementador, a resposta fora horrvel, e ele ficou toperdido em consideraes sobre o 
que seria ter a alma sugada quedeu um encontro na Prof. Minerva no meio da escada.
 Preste ateno por onde anda, Potter!
 Desculpe, professora...
 Estive agorinha mesmo procurando voc na sala comunal daGrifinria. Bem, tome aqui, fizemos tudo que pudemos imaginar, e pareceque no h nadaerrado com a vassoura. 
Voc tem um timo amigo em algum lugar, Potter...
O queixo de Harry caiu. A professora estava lhe devolvendoa Firebolt, cujo aspecto continuava magnfico como sempre fora.
 Posso ficar com ela?  perguntou Harry com a voz fraca.  Srio?
 Srio  disse a professora sorrindo.  Acho que voc vaiprecisar pegar o jeito dela antes da partida de sbado, no? E Potter... Faa fora paraganhar, sim? 
Ou vamos ficar fora do campeonato pelo oitavo ano seguido,como o Prof. Snape teve a bondade de me lembrar ainda ontem  noite...
Sem fala, Harry carregou a Firebolt escada acima para a Torreda Grifinria. Quando dobrou um canto, viu Rony, que corria aoseu encontro, rindo de orelha a orelha.
 Ela devolveu? Que maravilha! Escuta, posso dar aquelavoltinha? Amanh?
 Claro... Qualquer coisa...  disse Harry seu coraomais leve do que estivera naquele ltimo ms.  Quer saber de umacoisa... Devamos fazer aspazes com a Mione... 
Ela s estava querendo ajudar...
 Tudo bem  concordou Rony.  Ela est na sala comunalagora, estudando, para variar...
Quando entraram no corredor para a Torre da Grifinria, viramNeville Longbottom insistindo com Sir Cadogan, que aparentemente serecusava a deix-lo entrar.
 Eu anotei!  dizia Neville com voz de choro.  Mas devoter deixado cair em algum lugar!
 Vou mesmo acreditar!  bradou Sir Cadogan. Depois,avistando Harry e Rony.  Boa noite, meus valentes soldados! Venham metereste louco a ferros.  Ele est tentando 
entrar  fora nas cmaras interiores!
 Ah, cala a boca  exclamou Rony quando ele e Harryemparelharam com Neville.
 Perdi a senha!  contou o garoto, infeliz.  Fiz SirCadogan me dizer quais eram as senhas que ia usar esta semana, porque eleno pra de mudar e agora no sei 
o que fiz com elas!
 Odsbdiquins  disse Harry a Sir Cadogan, que ficoudesapontadssimo e, com relutncia, girou o quadro para a frente paradeix-los entrar na sala comunal. Houve 
um sbito murmrio deexcitao em que todas as cabeas se viraram e, no momentoseguinte Harry foi cercado pelos colegas que exclamavam, assombrados coma Firebolt.
 Onde foi que voc arranjou essa vassoura, Harry?
 Deixa eu dar uma voltinha?
 Voc j andou nela, Harry?
 Corvinal no vai ter a menor chance, o pessoal l usaCleansweep Sevens!
 Me deixa s segur-la um pouquinho, Harry?
Passados uns dez minutos mais ou menos, durante os quais aFirebolt passou de mo em mo, e foi admirada de todos os ngulos, agarotada se dispersou e Harrye Rony 
puderam ver Hermione direito, a nica pessoa que no tinha corridoao encontro dos garotos, curvada sobre seu trabalho, evitando encontrar oolhar deles.
Harry e Rony se aproximaram da mesa e finalmente Hermione ergueu acabea.
 Me devolveram a vassoura  disse Harry, sorrindo para aamiga e erguendo a Firebolt no ar.
 Est vendo, Mione? No havia nada errado com ela  disseRony.
 Bem... Mas podia ter havido! Quero dizer, pelo menosagora voc sabe que ela  segura!
 , suponho que sim  disse Harry.   melhor eu irguard-la l em cima...
 Eu levo!  disse Rony ansioso.  Tenho que dar o tnicoa Perebas.
Rony apanhou a vassoura e, segurando-a como se fosse devidro, levou-a escada acima para o dormitrio dos meninos.
 Posso me sentar, ento?  perguntou Harry a Hermione.
 Suponho que sim  disse a garota, tirando uma grandepilha de pergaminhos de uma cadeira.
Harry deu uma olhada na mesa atravancada, no longo trabalho deAritmancia em que a tinta ainda estava molhada, no trabalho ainda maislongo de Estudos dosTrouxas 
("Explique por que os trouxas precisam de eletricidade") e natraduo de runas em queHermione trabalhava agora.
 Como  que voc est conseguindo dar conta de tudo isso?  perguntou o garoto.
 Ah, bem... Voc sabe, trabalhando  bea.  De perto, Harryviu que ela parecia quase to cansada quanto Lupin.
 Por que voc no tranca algumas matrias?  perguntou ogaroto, observando-a erguer os livros para procurar o dicionrioderunas.
 Eu no poderia fazer isso!  respondeu Hermione,escandalizada.
 Aritmancia parece horrvel  comentou Harry, apanhandouma complicada tabela numrica.
 Ah, no,  maravilhosa!  respondeu Hermione sria.   aminha matria favorita! ...
Mas exatamente o que era maravilhoso na Aritmancia, Harryjamais chegou a saber. Naquele exato momento, um gritoestrangulado ecoou pela escadado dormitrio dos 
meninos. Todos nasala se calaram e olharam petrificados para a subida. Entoouviram os passos apressados de Rony, cada vez mais fortes... E emseguida ele apareceu, 
arrastando um lenol.
 OLHA!  berrou ele, se dirigindo  mesa de Hermione.  OLHA!  berrou de novo, sacudindo o lenol na cara da garota.
 Rony, que...?
 PEREBAS! OLHE! PEREBAS!
Hermione procurava afastar o corpo, com uma expresso de totalperplexidade. Harry olhou para o lenol que Rony segurava. Havia algumacoisa vermelha nele.
Alguma coisa que se parecia horrivelmente com...
 SANGUE!  bradou Rony no silncio de atordoamento queinvadiu a sala.  ELE DESAPARECEU! E SABE O QUE TINHANO CHO?
 N... No  respondeu Hermione com a voz trmula.
Rony atirou uma coisa em cima da traduo de runas de Hermione. Ela eHarry se curvaram paraver.
Em cima das estranhas formas pontiagudas havia vrios plos de felino,compridos e amarelo-avermelhados.





CAPTULO TREZE
Grifinria versus Corvinal

Parecia o fim da amizade entre Rony e Hermione. Estavam to zangados umcom o outro que Harry no conseguia ver como poderiam, um dia, fazer aspazes.
Rony estava enfurecido porque Hermione nunca levara a srio astentativas de Bichento para devorar Perebas, no se dera o trabalho devigi-lo de perto econtinuava 
fingindo que o gato era inocente, sugerindo que Ronyprocurasse Perebas embaixo das camas dos garotos. Por sua vez, Hermioneinsistia ferozmente que Ronyno tinha 
provas de que Bichento devorara Perebas, que os plos talvezestivessem no dormitrio desde o Natal, e que o garoto alimentarapreconceitos contra o gatodesde que 
Bichento aterrissara na cabea dele na Animais Mgicos.
Pessoalmente, Harry tinha certeza de que Bichento comera Perebas,e quando tentou mostrar a Hermione que todas as evidncias apontavamnessa direo, a garotazangara-se 
com ele tambm.
 Tudo bem, fique do lado do Rony, eu sabia que voc iafazer isso!  disse ela com voz aguda.  Primeiro a Firebolt, agoraPerebas, tudo  minhaculpa, no ? Ento 
me deixe em paz, Harry tenho muito trabalho a fazer.
Rony estava realmente sofrendo muito com a perda do rato.
 Vamos, Rony, voc vivia dizendo que Perebas era chato disse Fred para consol-lo.  E seu rato estava doente havia sculos,estava definhando.  Provavelmente 
foi melhor para ele morrer depressa, de uma engolida,provavelmente nem sofreu.
 Fred!  exclamou Gina, indignada.
 Ele s fazia comer e dormir, Rony, voc mesmo dizia  argumentou Jorge.
 Ele mordeu Goyle para nos defender uma vez!  disse Rony, infeliz. Lembra, Harry?
 ,  verdade  confirmou o amigo.
 Foi o ponto alto da vida dele  disse Fred, incapaz de manter acara sria.  Que a cicatriz no dedo de Goyle seja uma homenagemeterna a memria de Perebas. Ah, 
sai dessa, Rony, vai at Hogsmeadee compra um rato novo. Que adianta ficar se lamentando?
Numa ltima tentativa de animar Rony, Harry o convenceu a ir aoltimo treino do time daGrifinria, antes da partida com Corvinal, para poder dar uma voltana Firebolt 
quando terminassem. Isto pareceu, por um momento, desviar ospensamentos de Rony em Perebas ("Grande! Posso tentar fazer unsgols montado na vassoura?"),e os dois 
saram para o campo de Quadribol juntos.
Madame Hooch, que continuava a supervisionar os treinos daGrifinria para vigiar Harry, ficou to impressionada com a Fireboltquanto todo mundo que a vira.
A professora pegou a vassoura antes da decolagem e exps aos jogadoressua opinio profissional.
 Olhem s o equilbrio deste modelo! Se a srie Nimbustem algum defeito,  uma ligeira queda para a cauda, observa-se quedepois de alguns anosisto se transforma 
num arrasto. Atualizaram o cabo tambm, mais fino doque as Cleansweeps, lembra as antigas Silver Arrows, uma pena que tenhamparado de fabric-las. Foi nelas que 
aprendi a voar, e tambm eram excelentes vassouras...
E a professora continuou nessa disposio por algum tempoat que Olvio a interrompeu:
 Hum... Madame Hooch? Ser que a senhora podia devolver avassoura a Harry? Temos que treinar...
 Ah, certo... Tome aqui, Potter  disse ela.  Vou mesentar ali adiante com Weasley...
Ela e Rony deixaram o campo e foram se sentar na arquibancada, eo time da Grifinria se agrupou em torno de Olvio paraouvir as ltimas instrues para o jogo 
do dia seguinte.
 Harry, acabei de descobrir quem vai jogar como apanhadorna Corvinal.  a Cho Chang: uma garota do quarto ano e muito boa... Paraser sincero eutinha esperanas 
de que ela no tivesse voltado  forma, ela teve algunsproblemas com contuses...  Olvio fez cara feia para assinalar seudesagrado pela plenarecuperao de 
Cho Chang, depois continuou:  Por outro lado ela montaumaComet 260, que vai parecer uma piada ao lado da Firebolt. Olvio lanou um olhar de fervorosa admirao 
 vassoura deHarry, depois disse:  Muito bem, pessoal, vamos...
Ento, finalmente, Harry montou na Firebolt, e deu impulso paralevantar vo.
Foi melhor do que ele jamais sonhara. A Firebolt virava ao menortoque; parecia obedecer a seus pensamentos em vez de suas mos; elaatravessou o campo atal velocidade 
que o estdio se transformou em um borro verde e cinza;
Harry mudou de direo to instantaneamente que Alicia Spinnet soltou umgrito, e no instanteseguinte ele entrou em um mergulho absolutamente controlado, raspando 
ogramado com as pontas dos ps antes de tornar a subir nove, doze, quinzemetros no ar.
 Harry, vou soltar o pomo!  gritou Olvio.
O garoto virou a vassoura e apostou corrida com um balaoem direo s balizas; venceu-o com facilidade, viu o pomo disparar dascostas de Olvioe em dez segundos 
j o tinha seguro na mo.
O time aplaudiu enlouquecido. Harry tornou a soltar opomo, deu-lhe um minuto de dianteira e disparou atrs dele, desviando-sedos outros jogadores; depois, localizou-o 
prximo ao joelho de Katie Beli, fez uma volta emtorno da garota e apanhou o pomo mais uma vez.
Foi o melhor treino que ele j fizera; os jogadores, inspiradospela presena da Firebolt na equipe, realizavam movimentos impecveis, e,no momento em quevoltaram 
ao cho, Olvio no teve uma nica crtica a fazer, o que, comoJorge Weasley enfatizou, era a primeirssima vez que acontecia.
 No vejo o que  que vai nos deter amanh!  disseOlvio.  A no ser que... Harry, voc resolveu o seu problema com odementador, no resolveu?
 Resolvi  disse Harry pensando no seu dbil Patrono edesejando que ele fosse mais forte.
 Os dementadores no vo aparecer outra vez, Olvio. Dumbledore explodiria  disse Fred, confiante.
 Bem, esperemos que no  disse Olvio.  Em todo ocaso... Bom trabalho, pessoal. Vamos voltar para aTorre... Dormir cedo...
 Eu vou ficar mais um pouco; Rony quer dar uma volta naFirebolt  avisou Harry a Olvio, e, enquanto os outros jogadores sedirigiam aos vestirios,Harry foi 
ao encontro de Rony, que saltou a barreira que separava o campodas arquibancadas com omesmo fim. Madame Hooch adormecera onde estava.
 Manda ver  disse Harry, entregando ao amigo a Firebolt.
Rony, uma expresso de xtase no rosto, montou na vassoura edisparou pela crescente escurido, enquanto Harry andava em volta docampo, observando-o. Janoitecera 
quando Madame Hooch acordou assustada, ralhou com os garotospor no a terem acordado e insistiu que voltassem ao castelo.
Harry ps a Firebolt no ombro, e ele e Rony saram do estdiosombrio, discutindo o desempenho suavssimo da vassoura, sua fenomenalacelerao e suas curvasprecisas. 
Estavam na metade do trajeto para o castelo quando Harry,olhando para a esquerda, viu uma coisa que fez seu corao dar umacambalhota no peito  um parde olhos 
que luziam na escurido.
Harry paralisou, o corao martelando as costelas.
 Que foi?  perguntou Rony.
Harry apontou. Rony puxou a varinha e murmurou:
 Lumus!
Um raio de luz se projetou pelo gramado, bateu no p de umarvore e iluminou seus ramos; l, agachado entre as folhas que brotavam,estava Bichento.
 D o fora daqui!  bradou Rony curvando-se para apanhar umapedra cada no cho, mas antes que pudesse fazer mais alguma coisa,Bichento havia desaparecidocom 
um nico movimento do longo rabo amarelo-avermelhado.
 Est vendo?  exclamou Rony, furioso, largando a pedra no cho.  Ela continua deixando o gato andar por onde quer, provavelmente comendouns dois passarinhoscomo 
guarnio para acompanhar o Perebas...
Harry no comentou nada. Inspirou profundamente sentindo o alvioinvadi-lo; por um momento tivera certeza de que aqueles olhos pertenciamao Sinistro. Osdois garotos 
retomaram, mais uma vez, a caminhada para o castelo. Umpouco envergonhado pelo momento de pnico, Harry no comentou nada comRony, nem olhou maispara a esquerda 
nem para a direita at chegarem ao bem iluminado saguode entrada.
Harry desceu para tomar caf na manh seguinte com os outrosgarotos do dormitrio, todos os quais pareciam achar que a Fireboltmerecia uma espcie de guarda de 
honra. Quando Harryentrou no Salo Principal, as cabeas se voltaram para a vassoura, ehouve muitos comentrios excitados. Harry viu, com enorme satisfao, quetodo 
o time da Sonserina faziacara de assombro.
 Voc viu a cara dele?  perguntou Rony com vontade derir, virando-se para olhar Malfoy.  Ele nem consegue acreditar! Genial!
Olvio, tambm, usufrua da glria que a Firebolt refletia.
 Ponha ela aqui, Harry  sugeriu o capito, ajeitando avassoura no meio da mesa e girando-a cuidadosamente de modo a deixar amarca visvel. Osalunos das mesas 
da Corvinal e da Lufa-Lufa no demoraram a ir olh-la deperto. Cedrico Diggory se aproximou para cumprimentar Harry por teradquirido uma substitutato esplndida 
para sua Nimbus e a namorada de Percy, PenelopeClearwater, da Corvinal, chegou a perguntar se podia segurar a Firebolt.
 Ora, ora, Penelope, nada de sabotagem!  disse Percycordialmente, enquanto ela mirava aFirebolt.
 Penelope e eu fizemos uma aposta  contou ele ao time. Dez galees no vencedor da partida!
A garota tornou a pousar a vassoura, agradeceu a Harry e voltou sua mesa.
 Harry, no deixe de ganhar  recomendou Percy numsussurro urgente.  Euno tenho dez galees. Estou indo, Penny!  Ecorreu para comer uma torrada com a garota.
 Tem certeza que voc sabe montar nessa vassoura, Potter?  disse uma voz arrastada e fria.
Draco Malfoy chegara para dar uma espiada, seguido de pertopor Crabbe e Goyle.
 Acho que sim  disse Harry, descontrado.
 Tem muitas caractersticas especiais, no ?  disseMalfoy, os olhos brilhando de malcia.  Pena que no venha com um pra-quedas,para o caso de voc chegar 
muito perto de um dementador.
Crabbe e Goyle deram risadinhas.
 Pena que voc no possa acrescentar braos na sua, Draco retrucou Harry.  Assim ela poderia apanhar o pomo para voc.
Os jogadores da Grifnria deram grandes gargalhadas. Osolhos claros de Draco se estreitaram e ele se afastou. Os doisgarotos observaram Draco se reunir aos demais 
jogadores da Sonserina,que juntaram as cabeas, sem dvida para perguntar a ele se a vassoura deHarry era realmente uma Firebolt.
As quinze para as onze, o time da Grifinria saiu em direo aovestirio. O tempo no poderia estar mais diferente do que o do dia dapartida com Lufa-Lufa.
Fazia um dia claro e frio com uma levssima brisa; desta vez no haveriaproblemas de visibilidade e Harry, embora nervoso, estava comeando asentir a excitaoque 
somente uma partida de Quadribol era capaz de produzir. Eles ouviramo resto da escola entrando, mais alm, no estdio. Harry despiu as vestesnegras da escola,tirou 
a varinha do bolso e enfiou-a na camiseta que ia usar por baixo douniforme de Quadribol. S esperava que no fosse preciso us-la. Derepente lhe ocorreuuma dvida: 
Se o Prof. Lupin estaria no meio da multido, assistindo partida.
 Vocs sabem o que temos de fazer  disse Olvio quando otime se preparava para deixar o vestirio.  Se perdermos esta partida,estaremos forado campeonato. 
Vocs s tm que voar como fizeram no treino de ontem, evamos nos dar bem!
Os jogadores saram do vestirio para o campo debaixo detumultuosos aplausos. O time da Corvinal, vestido de azul, j estavaparado no meio do campo. Aapanhadora, 
Cho Chang, era a nica menina da equipe. Era mais baixa doque Harry quase uma cabea, e, por mais nervoso que estivesse, ele nopde deixar de repararque era 
uma garota muito bonita. Cho sorriu para ele quando os timesficaram frente a frente, atrs dos capites, e o garoto sentiuuma ligeira pulsao na regiodo baixo 
ventre que ele achou que no tinha relao alguma com o seunervosismo.
 Wood, Davies, apertem-se as mos  disse Madame Hooch,eficiente, e Olvio apertou a mo do capito de Corvinal.  Montem nas vassouras... Quando eu apitar... 
Trs, dois, um...
Harry deu o impulso para subir, e a Firebolt voou mais alto emais veloz do que qualquer outra vassoura; ele sobrevoou o estdio ecomeou a espiar paratodos os 
lados  procura do pomo, prestando ateno aos comentrios queestavam sendo irradiados pelo amigo dos gmeos Weasley, Lino Jordan.
 Foi dado incio  partida, e a grande novidade  a Firebolt queHarryPotter est montando pelo time da Grifinria. Segundo a Qual Vassoura, aFireboltser a 
montaria escolhida pelos times nacionais para o Campeonato Mundialdeste ano...
 Jordan, voc se importa de nos dizer o que est acontecendono campo?  interrompeu-o a voz da Prof. McGonagall.
 Certo, professora, eu s estava situando os ouvintes... A Firebolt, alis, tem um freio automtico e...
 Jordan!
 Ok, Ok, Grifinria tem a posse da goles, Katie Bell da Grifinriaest voando em direo  baliza...
Harry passou veloz por Katie,  procura de um reflexo dourado, ereparou que Cho Chang o seguia muito de perto. No havia dvida de que agarota era um excelentepiloto 
 no parava de cortar sua frente, forando-o a mudar de direo.
 Mostre a ela sua acelerao, Harry!  berrou Fred ao passardisparado em perseguio de um balao que seguia na direo deAlicia.
Harry impulsionou a Firebolt quando contornaram as balizas daCorvinal, e Cho ficou para trs. No momento exato em que Katie conseguiamarcar o primeiro golda partida 
e o lado do campo da Grifinria enlouquecia de entusiasmo,Harryviu... O pomo estava perto do cho, esvoaando prximo  barreira.
Harry mergulhou; Cho percebeu o seu movimento e disparouatrs dele. O garoto foi aumentando a velocidade, tomado de excitao; osmergulhos eram suaespecialidade, 
estava a trs metros...
Ento um balao, arremessado por um dos batedores de Corvinal,saiu a roda, Harry nem viu de onde; ele mudou de rumo, evitando o petardopor um dedo, e,naqueles 
segundos cruciais, o pomo sumiu.
Houve um grande "ooooooh" de desapontamento da torcida deGrifinria, mas muitos aplausos de Corvinal para o seu batedor. JorgeWeasley deu vazo ao quesentia lanando 
um segundo balao diretamente contra o autor doarremesso, que, por sua vez, foi forado a dar uma cambalhota em pleno arpara evitar a coliso.
 Grifinria lidera por oitenta pontos a zero, e olhe s odesempenho daquela Firebolt! Potter agora est realmente mostrando o queela  capaz de fazer,vejam como 
muda de direo  a Comet de Chang simplesmente no  preopara ela, o balanceamento preciso daFirebolt  visvel nesses longos...
 JORDAN! VOC EST GANHANDO PARA ANUNCIAR A FIREBOLT? VOLTE AIRRADIAR O JOGO!
Corvinal comeou a jogar na retranca; j tinha marcado trsgols, o que deixava Grifinria apenas cinqenta pontos  frente ese Cho apanhasse o pomo antes deles, 
Corvinal ganharia a partida.
Harry reduziu a altitude, evitando por um triz um artilheiro deCorvinal, e esquadrinhou nervosamente o campo, umlampejo deouro, um adejar de asinhas, o pomo estava 
circulando abaliza deGrifinria...
Harry acelerou, os olhos fixos no pontinho dourado frente,mas nesse instante, Cho apareceu de repente, bloqueandosuaviso...
 HARRY, ISSO NO  HORA PARA CAVALHEIRISMOS! berrou Olvio quando o garoto deu uma guinada para evitara coliso.  SE FOR PRECISO, DERRUBE-A DA VASSOURA!
Harry se virou e avistou Cho; a garota estava sorrindo.
O pomo sumira outra vez. Ele apontou a vassoura para o alto e logochegou a sessenta metros sobre o campo. Pelo canto do olho, ele viuCho seguindo-o... Ela resolvera 
marc-lo em vez deprocurar opomo sozinha. Muito bem, ento... Se queria segui-lo,teria quearcar com as conseqncias...
Harry mergulhou outra vez, e Cho, pensando que eleavistarao pomo, tentou acompanh-lo; ele desfez o mergulhoabruptamente; Cho continuou a descida veloz; ele subiu 
mais uma vez,como uma bala, e ento viu-o, pela terceira vez, o pomo cintilavamuito acima do campo, do lado da Corvinal.
Harry acelerou; a muitos metros abaixo Cho fez o mesmo.
Elefoi reduzindo a distncia, se aproximando mais do pomo acadasegundo... Ento...
 Oh!  gritou Cho, apontando.
Distrado, Harry olhou para baixo.
Trs dementadores, trs dementadores altos, negros, lembaixo, olhavam para ele.
Harry nem parou para pensar. Enfiou a mo pelo decotedesuas vestes, sacou a varinha e berrou:
 Expecto patronum!
Uma coisa branco-prateada, uma coisa enorme, irrompeudesua varinha. Ele percebeu que apontara diretamente paraosdementadores, mas no parou para ver o efeito; 
sua mente continuavamilagrosamente clara, ele olhou para a frente estava quase l.
Estendeu a mo que ainda segurava a varinha e conseguiufechar osdedos sobre o pequeno pomo que se debatia.
Soou o apito de Madame Hooch. Harry se virou no ar e viuseis borres vermelhos voando em sua direo; no momento seguinte, o timeo abraava com tanta fora que 
ele quase foiarrancado da vassoura. Ouvia-se l embaixo os brados da torcida daGrifinria em meio aos espectadores.
 A, garoto!  Olvio no parava de berrar. Alicia,Angelina e Katie, todas, tinham beijado Harry; Fred o abraara com tantafora que ele achouque sua cabea 
ia saltar do corpo. Em completa desordem, o time conseguiuvoltar ao campo. Harry desmontou a vassoura, levantou a cabea e viu umbando detorcedoresda Grifinria 
saltar para dentro do campo, Rony  frente. Antes que dessepor si, fora engolfado pela turma que gritava aplaudindo-o.
 Sim!  gritava Rony, puxando com fora o brao de Harryeerguendo-o no ar.  Sim! Sim!
 Grande partida, Harry!  disse Percy, feliz.  Dezgalees para mim! Preciso procurar Penelope, com licena...
 Parabns, Harry!  bradou Simas Finnigan.
 Brilhante!  berrou Hagrid por cima das cabeas dosalunos da Grifinria que acorriam.
 Foi um Patrono impressionante  disse uma voz no ouvidodeHarry.
Harry se virou e viu o Prof. Lupin, que parecia ao mesmo tempoabalado e satisfeito.
 Os dementadores no me afetaram nada!  exclamou Harryexcitado,  Eu no senti nada!
 Foi porque eles... Hum... No eram dementadores explicou o professor.  Venha ver...
Ele desvencilhou Harry da aglomerao at poderem ver a lateraldo campo.
 Voc deu um grande susto no Sr. Malfoy  disse Lupin.
Harry arregalou os olhos. Amontoados no cho estavam Malfoy,Crabbe,Goyle e Marcos Flint, o capito do time da Sonserna, lutando para sedespir das vestesnegras 
e longas com capuzes. Pelo jeito Malfoy estivera em p nos ombrosde Goyle. Parada ao lado deles, com uma expresso defria no rosto, estava a Prof. Minerva.
 Um truque indigno!  bradava ela.  Uma tentativa baixae covarde de sabotar o apanhador de Grifinria! Deteno para todose menos cinqenta pontos para Sonserina! 
Vou falar com o Prof. Dumbledore, no se iludam! Ah, a vem ele agora!
Se alguma coisa podia selar a vitria de Grifinria, era isso.
Ron, que pelejara para chegar at Harry, se dobrava de tanto rir, aocontemplar Malfoy tentando sair da veste, a cabea de Goyle ainda presal dentro.
 Vamos, Harry! Disse Jorge procurando se aproximar. Festa! SalaComunal da Grifinria, agora!
 Certo  respondeu Harry, sentindo-se mais feliz do quese lembrava de ter se sentido havia muito tempo. Ele e o restante do timeabriram caminho,ainda de vestes 
vermelhas, para fora do estdio e de volta ao castelo.
A sensao era de que j tinham ganhado a Taa de Quadribol; afesta durou o dia inteiro e se prolongou at tarde da noite. Fred eJorge Weasley desapareceram algumas 
horas e voltaram com braadas degarrafinhas de cerveja amanteigada, abbora espumante evrios sacos de doces da Dedosdemel.
 Como foi que voc fez isso?!  gritou Angelina Johnsonquando Jorge comeou a atirar sapos dementa nos colegas.
 Com uma ajudinha de Aluado, Rabicho, Almofadinhas ePontas  murmurou Fred ao ouvido de Harry. Somente uma pessoa no participava da comemorao. Hermione, porincrvel 
que parea, estava sentada a um canto, tentando ler um enormelivro intituladoVida Domstica e Hbitos Sociais dos Trouxas Britnicos. Harry se afastouda mesa 
em que Fred e Jorge comeavam a fazer malabarismos com asgarrafinhas de cervejaamanteigada e foi at a amiga.
 Voc ao menos foi ao jogo?  perguntou ele.
 Claro que fui  respondeu Hermione numa vozestranhamente aguda, sem levantar a cabea.  E estou muito contente quea gente tenha ganhado, e achoque voc jogou 
realmente bem, mas tenho que ler isso aqui at segunda-feira.
 Vamos, Mione, venha comer alguma coisa  convidou Harry,enquanto olhava para Rony e se perguntava se ele teria suficientebom humor para guardar a machadinha 
de guerra.
 No posso, Harry. Ainda tenho quatrocentas e vinte eduas pginas para ler  respondeu a garota, agora num tom ligeiramentehistrico.  De qualquermodo...  
a garota olhou para Rony, tambm , ele no quer a minhacompanhia.
Quanto a isso, no havia o que discutir, porque Rony escolheuaquele momento para dizer em voz alta:
 Se Perebas no tivesse sido devorado, ele poderia tercomido uma mosca de chocolate. Ele gostava tanto...
Hermione caiu no choro. Antes que Harry pudesse dizer algumacoisa, ela meteu o enorme livro embaixo do brao e, ainda soluando,correu para a escada dodormitrio 
das meninas e desapareceu de vista.
 Ser que voc no podia dar a ela um tempo?  perguntouHarry a Rony em voz baixa.
 No  respondeu o garoto com firmeza.  Se ela ao menos mostrasseque lamenta, mas jamais vai admitir que errou, a Hermione. Continua aagir como se Perebastivesse 
tirado frias ou qualquer coisa do gnero.
A festa da Grifinria s terminou quando a Prof. Minerva apareceuvestida com o seu robe de tecido escocs e os cabelos presos numa rede, uma hora damanh, para 
insistir que todos fossem se deitar. Harry e Rony subiram asescadas para o dormitrio, ainda discutindo a partida. Por fim, exausto,Harry se enfiouna cama, ajeitou 
o cortinado de sua cama para esconder um raio de luar,se deitou de costas e sentiu que adormecia quase instantaneamente...
Teve um sonho muito estranho. Estava andando por uma floresta, aFirebolt ao ombro, seguindo uma coisa branco-prateada. Ela avanava entreas rvores e Harrys 
conseguia avist-la entre a folhagem. Ansioso para alcan-la, apressouo passo, mas ao fazer isso, a coisa que ele perseguia acelerou tambm.
Harry comeou acorrer e,  frente dele, ouviu cascos que ganhavam velocidade. Agora eleestava correndo desabalado e,  frente, ouvia a coisa galopar. Ento elefez 
uma curva paradentro de uma clareira e...
 AAAAAAAAAAAIIIIIIIIIII! NAAAAAAAAO!
Harry acordou subitamente como se algum o tivesse esbofeteado.
Desorientado na escurido total agarrou as cortinas ouvia movimentos asua volta e a vozde Simas Finnigan do outro lado do quarto:
 Que  que est acontecendo?
Harry achou ter ouvido a porta do dormitrio bater.  Finalmente, #encontrando a abertura das cortinas, puxou-as para um lado comviolncia e, na mesma hora, Dino 
Thomas acendeu o abajur. Rony estava sentado na cama, as cortinas rasgadas dos doislados, uma expresso de absoluto terror no rosto.
 Black! Sirius Black! Com uma faca!
 Que!
 Aqui! Agorinha mesmo! Cortou as cortinas! Me acordou!
 Voc tem certeza de que no sonhou, Rony?  perguntouDino.
 Olha s as cortinas! Estou dizendo, ele esteve aqui!
Todos os garotos saltaram das camas; Harry alcanou a portado dormitrio primeiro que os outros e desceu correndo as escadas.
Portas se abriram s suas costas e vozes cheias de sono chamaram.
 Quem gritou?
 Que  que vocs esto fazendo?
A sala comunal estava iluminada com o brilho das chamas que seextinguiam na lareira, ainda atulhada com os restos da festa. Estavadeserta.
 Voc tem certeza de que no estava dormindo, Rony?
 Estou dizendo que vi Black!
 Que barulheira  essa?
 A Prof. McGonagall nos mandou para a cama! Algumasgarotas tinham descido, vestindo os robes e bocejando. Os garotos tambmforam reaparecendo.
 Que timo, vamos continuar?  perguntou Fred Weasleyanimado.
 Todos de volta para cima!  falou Percy, que entroucorrendo na sala comunal prendendo o distintivo de monitor-chefe nopijama enquanto falava.
 Percy... Sirius Black!  disse Rony com a voz fraca. No nosso dormitrio! Com uma faca! Me acordou!
A sala comunal mergulhou em silncio.
 Que bobagem!  exclamou Percy parecendo espantado. Voc comeu demais, Rony... Teve um pesadelo...
 Estou lhe dizendo...
 Agora, francamente, j  demais!
A Prof. Minerva estava de volta. Ela bateu o retrato ao entrar nasala comunal e olhou furiosa para todos.
 Estou encantada que Grifinria tenha ganho a partida,mas isto est ficando ridculo! Percy, eu esperava mais de voc!
 Com certeza eu no autorizei isso, professora! defendeu-sePercy, se empertigando, indignado.  Estava justamente dizendoa todos para voltarem para a cama! 
Meu irmo Rony teve um pesadelo...
 NO FOI UM PESADELO!  berrou Rony.  PROFESSORA, EU ACORDEI ESIRIUS BLACK ESTAVA PARADO AOMEU LADO SEGURANDO UMA FACA!
A professora encarou-o.
 No seja ridculo, Weasley, como seria possvel elepassar pelo buraco do retrato?
 Pergunte a ele!  respondeu Rony apontando um dedo trmulo parao avesso do retrato de Sir Cadogan.  Pergunte se ele viu...
Com um olhar penetrante e desconfiado para Rony, a professoraempurrou o retrato e saiu. Todos na sala procuraram escutarprendendo a respirao.
 Sir Cadogan, o senhor acabou de deixar um homem entrarna Torre da Grifinria?
 Certamente, minha boa senhora!  exclamou o cavaleiro.
Fez-se um silncio de espanto, tanto dentro quanto fora da salacomunal.
 O senhor... O senhor deixou? Mas... E a senha?
 Ele sabia!  respondeu Sir Cadogan com orgulho.  Tinhaas senhas da semana inteira, minha senhora! Leu-as em um pedacinho depapel!
A professora tornou a passar pelo buraco do retrato e encarouos alunos atordoados. Estava branca como giz.
 Quem foi  perguntou ela com a voz trmula , quem foi acriatura abissalmente tola que anotou as senhas desta semana e aslargou por a?
Fez-se um silncio absoluto, quebrado por gritinhos quaseinaudveis de terror. Neville Longbottom, tremendo da cabea spontas dos chinelos fofos, ergueu a mo 
no ar.











CAPTULO CATORZE
O ressentimento de Snape

Ningum na Torre da Grifinria dormiu quela noite. Todos sabiam que ocastelo estava sendo revistado novamente e os alunos da casa permaneceramacordados na salacomunal, 
esperando para saber se Black fora apanhado. A Prof. Minervavoltou ao amanhecer para informar que, mais uma vez, ele escapara.
Durante todo o dia, onde quer que fossem, os garotos percebiamsinais de uma segurana mais rigorosa; o Prof. Flitwick podia ser visto,s portas de entradado 
castelo, ensinando-os a reconhecer uma grande foto de Sirius Black;
Filch, de repente, andava para cima e para baixo nos corredores, pregandotbuas em tudo,desde minsculas fendas nas paredes at tocas de camundongos. Sir Cadoganfora 
demitido. Repuseram seu retrato no solitrio patamar do stimo andare a Mulher Gordavoltou ao seu lugar. Fora competentemente restaurada, mas continuavanervosssima 
e s concordara em voltar ao trabalho com a condio dereceber mais proteo.
Um bando de trasgos carrancudos tinha sido contratado para guard-la.
Eles percorriam o corredor em um grupo ameaador, falando em rosnados ecomparando o tamanhodos seus bastes.
Harry no pde deixar de reparar que a esttua da bruxa de umolhos, no terceiro andar, continuava sem guarda nem bloqueio. Parecia queFred e Jorge tinhamrazo 
em pensar que eles e agora Harry Potter, Rony e Hermione eramos nicos que conheciam a passagem secreta a que a bruxa dava acesso.
 Voc acha que devemos contar a algum?  perguntou Harry aRony.
 A gente sabe que Black no est entrando pela Dedosdemel disse Rony descartando a idia.  Saberamos se a loja tivesse sidoarrombada.
Harry ficou contente que Rony pensasse como ele. Se a bruxade um olho s tambm fosse fechada com tbuas, ele no poderia voltar aHogsmeade.
Rony se transformara numa celebridade instantnea. Pela primeiravez na vida, as pessoas prestavam mais ateno a ele do que a Harry e eraevidente que eleestava 
gostando bastante da experincia. Embora ainda estivesse muitoabalado com os acontecimentos da noite anterior, ficava feliz de contar aquantos perguntassemo que 
acontecera, com riqueza de detalhes.
 ... Eu estava dormindo e ouvi barulho de pano cortado eachei que estava sonhando, sabe? Mas a senti uma correnteza de ar... Acordei e vi que ocortinado de um 
lado da minha cama tinha sido arrancado... Me virei... Evi Black parado ali... Como um esqueleto, os cabelos imundos... Segurandoum faco comprido,devia ter uns 
trinta centmetros... E ele olhou para mim e eu olhei paraele, ento eu soltei um berro e ele se mandou.
 Mas por qu?  Rony acrescentou para Harry quando o grupo degarotas do segundo ano, que estivera escutando sua histriaenregelante, se afastou.  Por que foi 
que ele correu?
Harry andara se perguntando a mesma coisa. Por que Black, aoverificar que escolhera a cama errada, no silenciara Rony e procuraraHarry? Ele j provaradoze anos 
antes que no se importava de matar gente inocente, e desta vezs precisava enfrentar cinco garotos desarmados, quatro dos quaisadormecidos.
 Ele devia saber que ia ter problemas para sair docastelo depois que voc gritasse e acordasse todo mundo  disse Harry,pensativo.  Teria quematar a casa toda 
para passar pelo buraco do retrato... E teria dado decara com os professores...
Neville caiu em total desgraa. A Prof.  McGonagall estava tofuriosa com ele que o banira de todas as futuras visitas a Hogsmeade, lhedera uma detenoe proibira 
todos de lhe informarem a senha para a torre. O coitado eraobrigado a esperar do lado de fora da sala comunal, todas as noites, atalgum deix-lo entrar,enquanto 
os trasgos da segurana caoavam dele. Nenhum desses castigos,porm, chegou nem prximo do que sua av lhe reservara. Dois dias depoisda invaso de Black,ela 
mandou a Neville a pior coisa que um aluno de Hogwarts podia receberna hora do caf damanh um berrador.
As corujas da escola entraram voando pelo Salo Principaltrazendo o correio, como de costume, e Neville se engasgou quando aenorme coruja pousou diante dele com 
um envelope vermelho preso no bico.
Harry e Rony, que estavam sentados em frente, reconheceram imediatamenteque a carta eraum berrador. Rony recebera um da Sra. Weasley no ano anterior.
 Apanha ela logo, Neville  aconselhou Rony.
Neville no precisou que lhe dissessem duas vezes. Agarrou oenvelope e, segurando-o  frente como se fosse uma bomba, saiu correndodo Salo em meio sexploses 
de riso da mesa da Sonserina. Todos ouviram o berrador dispararno saguo de entrada. A voz da av de Neville, com o volume normalmagicamente ampliadocem vezes, 
bradava que ele envergonhara a famlia inteira.
Harry estava to ocupado sentindo pena de Neville que nemreparou imediatamente que havia uma carta para ele tambm.
Edwiges atraiu sua ateno beliscando-o com fora no pulso.
 Ai! Ah... Obrigado, Edwiges.
Harry rasgou o envelope enquanto a coruja se servia dos flocosde milho de Neville. O bilhete dentro do envelope dizia o seguinte:

Caros Harry e Rony
Querem vir tomar ch comigo hoje  tarde por volta das seis?
Irei buscar vocs no castelo.
ESPEREM POR MIM NO SAGUO DE ENTRADA; VOCS NO PODEM SAIRSOZINHOS.
 Abraos,Hagrid.

 Ele provavelmente quer saber as novidades sobre Black  disse Rony.
Assim, s seis horas daquela tarde, Harry e Rony saram daTorre da Grifinria, passaram pelos trasgos de segurana e rumaram para osaguo de entrada.
Hagrid j estava  espera.
 Est bem, Hagrid!  exclamou Rony.  Imagino que voc queirasaber o que aconteceu no sbado  noite,  isso?
 J soube de tudo  disse Hagrid, abrindo a porta de entrada elevando-os para fora.
 Ah  exclamou Rony, parecendo ligeiramente desconcertado.
A primeira coisa que viram ao entrar na cabana de Hagrid foiBicuo estirado em cima da colcha de retalhos de Hagrid, as enormes asasfechadas junto ao corpo, apreciandoum 
prato de doninhas mortas. Ao desviar o olhar dessa viso repugnante,Harry viu um gigantesco traje peludo e umamedonha gravata amarela e laranja pendurados no 
alto da porta do armrio.
 Para que  isso, Hagrid?  perguntou Harry.
 O caso de Bicuo contra a Comisso para Eliminao deCriaturas Perigosas. Nesta sexta-feira. Ele e eu vamos a Londres juntos. Reservei duas camasno Nitibus...
Harry sentiu uma pontada incmoda de remorso. Esquecera-secompletamente que o julgamento de Bicuo estava to prximo e, ajulgar pela expresso constrangida no 
rosto de Rony, ele tambm. Os doistinham se esquecidoigualmente da promessa de ajudar Hagrid a preparar a defesa de Bicuo; achegada da Firebolttinha varrido 
a promessa do pensamento dos garotos.
Hagrid serviu ch e ofereceu um prato de pezinhos aos garotos,que tiveram o bom senso de no aceitar; tinham muita experincia com aculinria do guarda-caa.
 Tenho uma coisa para conversar com vocs dois  disseHagrid sentando-se entre os garotos, com o ar anormalmente srio.
 O qu? -perguntou Harry.
 Mione  respondeu Hagrid.
 Que  que tem a Mione?  perguntou Rony. 
 Ela est num estado de cortar o corao,  isso que tem.  Veio me visitar muitas vezes desde o Natal. Se sente solitria. Primeirovocs no estavamfalando com 
ela por causa da Firebolt, agora vocs no esto falando porcausa do gato...
 ... Que comeu Perebas!  interps Rony, zangado.
 Porque o gato dela fez o que todos os gatos fazem insistiu Hagrid.  Ela j chorou muito, sabem. Est passando por um maumomento. Abocanhou maisdo que pode 
mastigar, se querem saber, todo o trabalho que est tentandofazer. E ainda arranjou tempo para me ajudar no caso do Bicuo, vejambem... Encontrou ummaterial realmente 
bom para mim... Acho que ele ter uma boa chanceagora...
 Hagrid, ns devamos ter ajudado tambm, desculpe... comeou Harry, sem jeito.
 No estou cobrando nada  disse Hagrid, dispensando asdesculpas.  Deus sabe que voc teve muito com que se ocupar. Vivoc praticando Quadribol todas as horas 
do dia e da noite, mastenho que dizer uma coisa, pensei que vocs davam mais valor  amiga doque a vassouras e ratos. ɠs isso.
Harry e Rony trocaram olhares constrangidos.
 Bem nervosa ela ficou, quando Black quase esfaqueouvoc, Rony.  Ela tem o corao no lugar, a Mione, e vocs se recusando afalar com ela...
 Se ela ao menos se livrasse daquele gato, eu voltaria afalar com ela!  disse Rony, zangado.  Masela continua do lado do Bichento.  um manaco e ela no quer 
ouvir nem uma palavra contra ele!
 Ah, bem, as pessoas podem ser obtusas quando se trata debichos de estimao  disse Hagrid sabiamente.
s costas dele, Bicuo cuspiu uns ossosde doninha em cima do travesseiro.
Os trs passaram o resto da visita discutindo a nova chance deGrifinria concorrer  Taa de Quadribol. s nove horas, Hagridacompanhou-os de volta ao castelo.
Um grande grupo de alunos se achava aglomerado em tornodo quadro de avisos quando eles chegaram  sala comunal.
 Hogsmeade no prximo fim de semana!  disse Rony, seesticando por cima da cabea dos colegas para ler o aviso.  Que  quevoc acha?  acrescentouem voz baixa 
quando os dois foram se sentar.
 Bem, Filch no mexeu na passagem para a Dedosdemel... ponderou Harry, ainda mais baixo.
 Harry!  disse algum bem no seu ouvido direito. Harryse assustou e, ao se virar, viu Hermione, que estava sentada  mesa logoatrs deles e abrirauma brecha 
na parede de livros que a escondia.
 Harry se voc for a Hogsmea outra vez... Vou contar  Prof. McGonagall sobre aquele mapa!  ameaou ela.
 Voc est ouvindo algum falar, Harry?  rosnou Rony,sem olhar para Hermione.
 Rony, como  que pode deixar ele o acompanhar? Depois doque o Sirius Black fez avoc, quero dizer, vou contar...
 Ento agora voc est tentando provocar a expulso doHarry!  disse Rony, furioso.  No acha suficiente o mal que vocj fez este ano?
Hermione abriu a boca para responder, mas com um assobiosuave, Bichento saltou para o seu colo. A garota lanou um olharassustado  cara que Rony fazia, recolheu 
Bichento e saiu correndo para odormitrio das meninas.
 Ento, e a?  perguntou Rony a Harry como se notivesse havido interrupo.  Vamos, da ltima vez que fomos voc noviu nada. Voc ainda nem entrou na Zonkos!
Harry espiou para os lados para verificar se Hermione no estavapor perto ouvindo.
 Tudo bem. Mas desta vez vou levar a minha Capa daInvisibilidade.
Na manh de sbado, Harry guardou a Capa da Invisibilidade na mochila,meteu o Mapa do Maroto no bolso e foi tomar caf com todo mundo.  mesa,Hermione no paravade 
lhe lanar olhares desconfiados, mas ele evitou encarar a amiga e teveo cuidado de deixar que ela o visse subindo a escadaria de mrmore nosaguo de entrada,quando 
os outros alunos se dirigiam s portas de entrada.
 Tchau!  gritou Harry para Rony.  A gente se v quandovoc voltar.
Rony sorriu e piscou um olho.
Harry correu ao terceiro andar, tirando o Mapa do Maroto do bolsoenquanto subia. Agachado atrs da bruxa de um olhos, ele o abriu. Um pontinho vinha semovendo 
em sua direo. Harry apertou os olhos para enxergar melhor. Apequena legenda ao lado informava que era Neville Longbottom.
Harry puxou depressa a varinha, murmurou Dissemdum! eenfiou a mochila na esttua, mas antes que pudesse entrar Nevilleapareceu no canto do corredor.
 Harry! Eu me esqueci que voc tambm no ia a Hogsmeade!
 Oi, Neville  disse Harry, afastando-se rapidamente daesttua e empurrando o mapa para dentro do bolso.  Que  que vocvai fazer?
 Nada  disse Neville encolhendo os ombros.  Que tal umapartida deSnap Explosivo?
 Hum... Agora no... Eu estava indo  biblioteca fazeraquela redao sobre os vampiros que Lupin pediu...
 Eu vou com voc!  disse Neville, animado.  Eu tambmno fiz!
 Hum... Espera a, ah, me esqueci, j terminei ontem noite!
 Que timo, ento voc pode me ajudar!  disseNeville, orosto redondo demonstrando ansiedade.  No consigoentenderaquela histria do alho, eles tm que comer 
ou...
Com uma pequena exclamao, ele se calou, espiando porcima do ombro de Harry.
Era Snape. Neville deu um passo rpido para trs deHarry.
 E o que  que vocs esto fazendo aqui?  perguntouSnape. Que parou e olhou de um garoto para o outro.  Que lugarestranho para se encontrarem...
Para imensa inquietao de Harry, os olhos negros deSnapecorreram para as portas ao lado de cada um deles e emseguida paraa bruxa de um olho s.
 Ns no... Marcamos encontro aqui. S nosencontramos,por acaso.
 Verdade? Voc tem o hbito de aparecer em lugaresinesperados, Potter, e raramente sem uma boa razo... Sugiro que os doisvoltem  Torre da Grifinria que  o 
seu lugar.
Harry e Neville saram sem dizer mais nada. Quandoviraramum canto, Harry olhou para trs. Snape estava passando amo nabruxa de um olho s, examinando-a atentamente.
Harry conseguiu se livrar de Neville no retrato daMulherGorda, dizendo-lhe a senha, e, depois, fingindo quedeixara aredao na biblioteca, deu meia-volta. Uma 
vez longe das vistas dostrasgos de segurana, ele tornou a tirar o mapa do bolsoe segur-lo bem junto ao nariz.
O corredor do terceiro andar parecia estar deserto.
Harryexaminou o mapa cuidadosamente e viu, com uma sensao de alvio,que o pontinho Severo Snape voltara  sua sala.
Correu, ento, at a bruxa de um olho s, abriu acorcunda,desceu o corpo por ela e se largou para ir ao encontro desuamochila no fim do escorrega. Apagou, ento, 
o Mapa doMaroto esaiu correndo.
Harry, inteiramente escondido sob a Capa da Invisibilidade, saiu aluz do sol  porta da Dedosdemel e cutucou Rony nas costas.
 Sou eu  murmurou.
 Que foi que o atrasou?  sibilou Rony.
 Snape estava rondando o corredor...
Os garotos saram andando pela rua principal.
 Onde  que voc est?  Rony perguntava toda hora pelo canto daboca.  Ainda est a? Que coisa mais estranha...
Eles foram ao correio; Rony fingiu estar verificando o preo deuma coruja paraGuino Egito para que Harry pudesse dar uma boa olhada em tudo. As corujasestavam 
pousadas e piavam baixinho para ele, no mnimo umas trezentas; desde as cinzentas de grande porte at as muito pequenas("Somente para entregas locais"),que eram 
to mnimas que caberiam na palma da mo do garoto.
Depois, visitaram a Zonko's, que estava to apinhada deestudantes que Harry precisou tomar um cuidado enorme para no pisar emningum e, com isso, desencadearo 
pnico. Havia logros e brincadeiras para satisfazer at os sonhos maisabsurdos de Fred e Jorge; Harry cochichou ordens para Rony e lhe passouum pouco de ouropor 
baixo da capa. Os dois deixaram a Zonko's com as bolsas de dinheirobastante mais leves do que quando entraram, mas os bolsos iamestufados de bombas de bosta,soluos 
doces, sabo de ovas de sapo e, para cada um, uma xcara quemordia o nariz.
Fazia um tempo firme, de brisa suave, e nenhum dos garotos tinhavontade de ficar dentro de casa, por isso eles passaram direto pelo TrsVassouras e subiramuma 
ladeira para visitar a Casa dos Gritos, o lugar mais mal-assombradoda Gr-Bretanha. Ficava um pouco mais alta do que o resto do povoado, emesmo durante o diaprovocava 
certos arrepios, com suas janelas fechadas com tbuas e umjardim mido e malcuidado.
 At os fantasmas de Hogwarts evitam a casa  disse Rony quandose debruavam na cerca para apreci-la.  Perguntei a Nick Quase semCabea... Ele diz quesoube 
que mora ai uma turma da pesada. Ningum consegue entrar. Fred eJorge tentaram,  claro, mas todas as entradas esto tampadas...
Harry, cheio de calor por causa da subida estava pensando emtirar a capa por unsminutinhos quando ouviu vozes que se aproximavam. Havia gente subindo emdireo 
 casa pelo outro lado da elevao; momentos depois, Malfoyapareceu, seguido de perto por Crabbe e Goyle. Malfoy vinha falando.
 ... Devo receber uma coruja do meu pai a qualquer hora. Eleteve que ir  audincia para depor sobre o meu brao... Que ficouinutilizado durante trs meses...
Crabbe e Goyle riram.
 Eu bem que gostaria de ouvir aquele paspalho grisalhose defender... "Eleno tem uma natureza m, honestamente aquele hipogrifo pode se considerarmorto...
Malfoy de repente avistou Rony. Seu rosto plido se abriu numsorriso maldoso.
 Que  que voc anda fazendo, Weasley?
Malfoy ergueu os olhos para a casa em runas, s costas deRony.
 Acho que voc gostaria de morar aqui, no, Weasiey? Sonhando com um quartos para voc? Ouvi falar que a sua famliatoda dorme em um quarto s,  verdade?
Harry segurou as vestes de Rony pelas costas para impedi-lo depular em cima de Malfoy.
 Deixe-o comigo  sibilou ao ouvido de Rony.
A oportunidade era perfeita demais para ser desperdiada. Harrycaminhou silenciosamente at as costas de Malfoy, Crabbe e Goyle,se abaixou e apanhou no caminho 
uma mo bem cheia de lama.
 Estvamos mesmo discutindo sobre seu amigo Hagrid disse Malfoy a Rony.  Tentando imaginar o que ele est dizendo Comisso para Eliminao deCriaturas Perigosas. 
Voc acha que ele vai chorar quando cortarem...
SPLASH!
A cabea de Malfoy foi empurrada para frente quando a lamao atingiu; e, de repente, de seus cabelos louro-prateados comearam aescorrer lama.
 Quem...?
Rony teve que se segurar na cerca para no cair de tanto rir.
Malfoy, Crabbe e Goyle se viraram no mesmo lugar, olhando para todosos lados, agitados, enquanto Malfoy tentava limpar os cabelos.
 Que foi isso? Quem fez isso?
  muito mal-assombrado isso aqui, no , no?  falou Rony, comarde quem est comentando o tempo.
Crabbe e Goyle ficaram assustados. Seus msculos avantajadoseram inteis contra fantasmas. Malfoy examinava, furioso, a paisagemdeserta.
Harry se esgueirou pelo caminho at uma poa particularmentecheia de lama esverdeada e malcheirosa.
SPLASH!
Desta vez os atingidos foram Crabbe e Goyle. Goyle deu pulosfrenticos, tentando tirar a lama dos olhos midos e inexpressivos.
 Veio dali!  disse Malfoy, limpando o rosto e detendo o olharem um ponto a uns dois metros  esquerda de Harry.
Crabbe avanou inseguro, os braos compridos estendidos frente, como um morto vivo.
Harry rodeou Crabbe, apanhou um pedao de pau e arremessou-ocontra as costas dele. E se dobrou com risadas silenciosas quando ogaroto fez uma pirueta noar, tentando 
ver quem o atacara. Como Rony foi a nica pessoa que eleviu, foi para ele que Crabbe avanou, mas Harry esticou a perna. O garototropeou e seuenorme p chato 
se prendeu na barra da capa de Harry. Este sentiu umgrande puxo e a capa escorregou do seu rosto.
Por uma frao de segundo, Malfoy arregalou os olhos e ofitou.
 HARRRRRY!  berrou ele, apontando para a cabea de Harry.
Ento, deu as costas e fugiu a toda, morro abaixo, com Crabbe eGoyle nos seus calcanhares.
Harry puxou a capa para cima, mas o estrago j estava feito.
 Harry!  chamou Rony, avanando aos tropeos at o pontoem que o amigo desaparecera.   melhor voc correr! Se Malfoycontar a algum,  melhor voc j ter voltado 
ao castelo, depressa...
 Vejo voc mais tarde  disse Harry e, sem mais uma palavra,desceu correndo pelo caminho, em direo a Hogsmeade.
Ser que Malfoy acreditaria no que vira? Ser que algumacreditaria em Malfoy? Ningum sabia da existncia da Capa daInvisibilidade, ningum exceto Dumbledore.
O estmago de Harry deu cambalhotas, o diretor saberia exatamente o queacontecera, se Malfoy dissesse alguma coisa...
O garoto voltou  Dedosdemel,  escada que levava aoporo, atravessou a distncia que o separava do alapo e entrou,ento tirou a capa, meteu-adebaixo do brao 
e correu, desabalado, pela passagem... Malfoy chegariaprimeiro... Quanto tempo levaria para encontrar um professor? Ofegante,uma dor forte dolado, Harry no diminuiu 
a velocidade at alcanar o escorrega de pedra.
Teria que deixar a capa ali, seria muito bandeiroso se Malfoy tivesseavisado um professor.
Escondeu-a num canto escuro e comeou a subir, o mais depressa que pde,suas mos suadas escorregando naborda do escorrega. Quando chegou  corcunda da bruxa tocou-lhe 
com a varinha, enfiou a cabea para fora e deu um impulso para sair. A corcunda sefechou e na hora que ele saltou de trs da esttua ouviu passos que seaproximavam 
apressados.
Era Snape. Rapidamente o professor alcanou Harry, as vestespretas farfalhando, e parou diante dele.
 Ento  falou.
O professor tinha uma expresso de triunfo reprimido norosto. Harry tentou parecer inocente, embora muito consciente do seurosto suado e das mosenlameadas, que 
ele escondeu depressa nos bolsos.
 Venha comigo, Potter  disse Snape.
Harry o acompanhou at o andar de baixo, tentando limpar asmos no avesso das vestes, sem que Snape notasse. Dali desceram masmorras e  sala de Snape.
O garoto s estivera ali antes uma vez e fora tambm porum problema muito srio. Desde ento Snape adquirira mais umas coisashorrveis e viscosasconservadas em 
frascos, todos arrumados nas prateleiras atrs de suaescrivaninha, refletindo as chamas da lareira e contribuindo ainda maispara tornar a atmosferaameaadora.
 Sente-se  mandou Snape.
Harry se sentou. O professor, no entanto, continuou em p.
 O Sr. Malfoy acabou de vir me contar uma histriaestranha,Potter.
Harry ficou calado.
 Ele me contou que estava na Casa dos Gritos quandodeparou com Weasley, aparentemente sozinho.
Ainda assim, Harry no falou nada.
 O Sr. Malfoy diz que estava parado, falando com Weasley,quando um pelotao de lama o atingiu na nuca. Como  que vocacha que isso aconteceu?
Harry tentou parecer levemente surpreso.
 No sei, professor.
Os olhos de Snape perfuravam os de Harry. Era exatamente a mesmasensao de tentar dominar um hipogrifo com o olhar. Ogaroto fez fora para no piscar.
 O Sr. Malfoy ento viu uma extraordinria apario. Vocpode imaginar o que teria sido, Potter?
 No  respondeu Harry, agora tentando parecerinocentemente curioso.
 Foi a sua cabea, Potter. Flutuando no ar.
Fez-se um longo silncio.
 Talvez seja bom ele ir procurar Madame Pomfrey  sugeriuHarry.  Se anda vendo coisas como...
 Que  que a sua cabea estaria fazendo em Hogsmeade,Potter?  perguntou Snape suavemente.  A sua cabea no tem permisso deir a Hogsmeade.  Nenhuma parte do 
seu corpo tem permisso de ir a Hogsmeade.
 Eu sei, professor  respondeu Harry, tentando manter orosto despojado de culpa ou medo.  Parece que Malfoy est sofrendoalucina...
 Malfoy no est sofrendo alucinaes  rosnou Snape, securvando com as mos apoiadas nos braos da cadeira de Harry, de modo queos rostos dosdois ficaram afastados 
apenas trinta centmetros. Se a sua cabea estavaem Hogsmeade, ento o resto do seu corpo tambm estava.
 Estive na Torre da Grifinria. Como o senhor memandou...
 Algum pode confirmar isso?
Harry no respondeu. A boca de Snape se torceu num feio sorriso.
 Ento  disse ele se endireitando.  Todo mundo, doMinistro da Magia para baixo, est tentando manter o famoso Harry Pottera salvo de Sirius Black.  Mas o famoso 
Harry Potter faz as suas prprias leis. Que as pessoascomuns se preocupem com a sua segurana! O famoso Harry Potter vai aondequer, sem medir as conseqncias.
Harry ficou calado. Snape estava tentando provoc-lo a dizer averdade. Pois ele no ia dizer. Snape no tinha provas, ainda.
  extraordinrio como voc se parece com o seu pai,Potter disse Snape de repente, os olhos brilhando. Ele tambm eramuitssimo arrogante. Um pequeno talento 
no campo deQuadribol o fazia pensar que estava acimados demais. Exibia-se pela escola com seus amigos e admiradores... Asemelhana entre vocs dois  fantstica.
 Meu pai no se exibia  disse Harry, antes que pudessese refrear.  E eu tambm no.
 Seu pai tambm no ligava para as regras  continuou Snape,aproveitando a vantagem obtida, seu rosto magro cheio de malcia.  Regras foram feitas para meros 
mortais, no para vencedores da Taa deQuadribol. Era to cheio de si...
 CALE A BOCA!
Harry, de repente, se levantou. Uma raiva como ele no sentiadesde a ltima noite na Rua dos Alfeneiros atravessou seu corpo. Ele nose importou que orosto de 
Snape tivesse enrijecido, que os olhos negros lampejassemperigosamente.
 Que foi que voc disse a mim, Potter?
 Disse para parar de falar do meu pai!  berrou Harry.  Conheoa verdade, est bem? Ele salvou sua vida.  Dumbledore me contou! O senhor nem estaria aqui seno 
fosse o meupai!
A pele macilenta de Snape ficou da cor de leite azedo.
 E o diretor lhe contou as circunstncias em que seu pai salvoua minha vida?  sussurrou.  Ou ser que considerou os detalhes demasiado indigestosparaos ouvidos 
delicados do precioso Potter?
Harry mordeu o lbio. No sabia o que acontecera e no queriaadmiti-lo, mas Snape parecia ter adivinhado a verdade.
 Eu detestaria que voc sasse por a com uma idia falsa sobreseu pai, Potter  disse ele, com um sorriso horrvel deformando-lhe orosto.  Ser quevoc andou 
imaginando um glorioso ato de herosmo? Ento me d licenapara corrigi-lo: o seu santo paizinho e seus amigos me pregaram uma peamuito divertida queteria provocado 
a minha morte se o seu pai no tivesse se acovardado noltimo instante. No houve coragem alguma no que ele fez. Estava salvandoa prpria pelejunto com a minha. 
Se a pea tivesse chegado ao fim, ele teria sidoexpulso de Hogwarts.
Os dentes irregulares e amarelados de Snape estavam arreganhados.
 Vire seus bolsos pelo avesso, Potter!  disse ele, de sbito, ecom rispidez.
Harry no se mexeu. Sentia o sangue latejar nos ouvidos.
 Vire seus bolsos pelo avesso ou vamos ver o diretor agora! Peloavesso, Potter!
Gelado de medo, Harry tirou do bolso a saca com artigos daZonko's e o Mapa do Maroto.
Snape apanhou a saca da Zonko's.
 Foi Rony que me deu  informou Harry, rezando para teruma chance de avisar Rony antes que Snape o visse.  Ele... Trouxe paramim de Hogsmeade da ltima vez...
 Verdade? E voc anda carregando isso desde ento? Quecomovente... E o que  isto?
Snape apanhara o mapa. Harry tentou com todas as forasmanter o rosto impassvel.
 Um pedao de pergaminho  disse, sacudindo os ombros.
Snape revirou-o, mantendo os olhos fixos em Harry.
 Com certeza voc no precisa de um pedao de pergaminhoto velho?  comentou.  Por que no... Jog-lo fora?
Ele estendeu a mo para a lareira.
 No!  exclamou Harry depressa.
 Ento  disse Snape com as narinas trmulas.  Ser que mais um precioso presente do Sr. Weasley?  Ou ser que  outra coisa? Uma carta, talvez,escrita com 
tinta invisvel? Ou instrues para ir a Hogsmeade sem passarpelos dementadores?
Harry piscou. Os olhos de Snape brilharam.
 Vejamos, vejamos...  murmurou ele, puxando a varinha ealisando o mapa em cima da escrivaninha.  Revele o seu segredo!  disse, tocando o pergaminho com a varinha.
Nada aconteceu. Harry fechou as mos para impedi-las detremer.
 Mostre-se!  disse Snape, dando uma batida forte nomapa.
O mapa continuou em branco. Harry inspirou profundamentepara se acalmar.
 Severo Snape, professor desta escola, ordena que vocrevele a informao que est ocultando!  disse ele, batendo no mapacom a varinha.
Como se uma mo invisvel estivesse escrevendo, comearam asurgir palavras na superfcie lisa do mapa.

O Sr. Aluado apresenta seus cumprimentos ao Prof. Snape epede que eleno meta seu nariz anormalmente grande no que no  de suaconta.

Snape congelou. Harry arregalou os olhos, para a mensagem,aparvalhado. Mas o mapa no parou a. Outras frases apareceramembaixo da primeira.

O Sr. Pontas concorda com o Sr. Aluado e gostaria de acrescentarque o Prof. Snape  um safado mal acabado.

Teria sido muito engraado se a situao no fosse to grave. Ehavia mais...

O Sr. Almofadinhas gostaria de deixar registrado o seu espanto deque um idiota desse calibre tenha chegado a professor.

Harry fechou os olhos horrorizado. Quando os reabriu, o mapatinha dito a ltima palavra.
O Sr. Rabicho deseja ao Prof. Snape um bom dia e aconselha a esseseboso que lave os cabelos.

Harry esperou a pancada atingi-lo.
 Ento  disse Snape suavemente.  Veremos...
O professor foi at a lareira, agarrou um punhado de pbrilhante e atirou-o nas chamas.
 Lupin!  gritou Snape para o fogo.  Quero dar umapalavrinha com voc!
Absolutamente perplexo, Harry olhou para o fogo. Surgiu umasombra enorme que rodopiava muito depressa. Segundos depois, oProf. Lupin saa da lareira, sacudindoas 
cinzas das roupas enxovalhadas.
 Voc me chamou, Severo?  perguntou Lupin suavemente.
 Claro que chamei  retrucou Snape, o rosto contorcido defria ao voltar para sua escrivaninha.  Acabei de pedir a Potterpara esvaziar os bolsos. Ele trazia 
isto com ele.
Snape apontou para o pergaminho, em que as palavras dos Srs. Aluado, Rabicho, Almofadinhas e Pontas ainda brilhavam. Umaexpresso estranha e reservada apareceu 
no rosto de Lupin.
 E da?
Lupin continuou a olhar fixamente para o mapa. Harry teve aimpresso de que ele estava avaliando a situao muito rapidamente.
 E ento?  insistiu Snape.  Este pergaminho obviamenteest repleto de magia negra. Pelo visto isto  a sua especialidade,Lupin. Onde voc acha que Potter arranjou 
uma coisa dessas?
Lupin ergueu a cabea e, com um levssimo relanceio na direo deHarry, alertou-o para no interromp-lo.
 Repleto de magia negra?  repetiu ele.   isso mesmoque voc acha, Severo? A mim parece apenas um mero pedao de pergaminhoque insulta quem ol. Infantil, 
mas com certeza nada perigoso. Imagino que Harry o tenhacomprado numa loja delogros e brincadeiras...
 Verdade?  O queixo de Snape tinha endurecido de raiva.
Voc acha que uma loja de logros e brincadeiras podia ter vendidoa ele uma coisa dessas? Voc no acha que  mais provvel que eleo tenha obtido diretamente 
dos fabricantes?
Harry no entendeu o que Snape dizia. E, aparentemente,Lupin tambm no.
 Voc quer dizer, do Sr. Rabicho ou um dos outros? Harry,voc conhece algum desses homens?
 No  respondeu Harry depressa.
 Est vendo, Severo?  disse Lupin voltando-se paraSnape.  A mim parece um produto daZonko's...
Bem na hora, Rony irrompeu pela sala. Estava completamentesem flego e parou diante da escrivaninha de Snape, a mo apertando opeito, tentando falar.
 Eu... Dei... Isso... A... Harry  disse sufocado. Comprei... NaZonko's... H... Sculos...
 Bem!  disse Lupin batendo palmas e olhando  sua voltaanimado.  Isso parece esclarecer tudo! Severo, vou devolver isto, posso?
 Ele dobrou omapa e o guardou nas vestes.  Harry e Rony, venham comigo, preciso daruma palavra sobre a redao dos vampiros, voc nos d licena, Severo...
Harry no se atreveu a olhar para Snape ao deixarem a sala doprofessor. Ele, Rony e Lupin voltaram ao saguo de entrada antesde se falarem. Ento Harry se dirigiu 
a Lupin.
 Professor, eu...
 No quero ouvir explicaes  disse Lupin aborrecido.
Espiou o saguo vazio e baixou a voz. 
 Por acaso eu sei que este mapafoi confiscado peloSr. Filch h muitos anos. , eu sei que  um mapa disse ele aos surpresos garotos.  No quero saber como 
voc o obteve. Estou abismado, no entanto, que no o tenha entregado a algumresponsvel. Especialmentedepois do que aconteceu na ltima vez em que um aluno deixou 
umainformao sobre o castelo largada por a. E no posso deixar voc ficarcom o mapa, Harry.
O garoto esperara isso e estava demasiado ansioso por informaespara protestar.
 Por que Snape achou que eu tinha obtido o mapa dosfabricantes?
 Por que...  Lupin hesitou , porque a inteno desses fabricantes demapas era atra-lo para fora da escola. Teriam achado issomuitssimo divertido.
 O senhor os conhece?  perguntou Harry impressionado.
 J nos encontramos  disse o professor com rispidez.
Olhava para Harry mais srio do que jamais olhara.
 No espere que lhe d cobertura outra vez, Harry. No possofazer voc levar Sirius Black a srio. Mas eu teria pensado que o quevoc ouve quando os dementadoresse 
aproximam teria produzido algum efeito em voc. Os seus pais deram avida para mant-lo vivo, Harry.  uma retribuio indigente, trocar osacrifcio deles poruma 
saca de truques mgicos.
O professor se afastou, deixando Harry se sentindo muitopior do que em qualquer momento que passara na sala de Snape. Lentamente,ele e Rony subirama escadaria 
de mrmore. Quando Harry passou pela bruxa de um olho s,lembrou-se da Capa da Invisibilidade que continuava l embaixo, mas ele nose atreveu a ir busc-la.
 A culpa  minha  disse Rony sem rodeios.  Eu oconvenci a ir. Lupin tem razo, foi uma estupidez e no devamos terfeitoIsso...
Ele parou de falar; tinham chegado ao corredor onde os trasgos desegurana estavam patrulhando e Hermione vinha ao encontro dos dois. Umaolhada no rostodela convenceu 
Harry de que ela ouvira falar do que acontecera. Sentiu umpeso no corao.  Ser que ela contara Prof. McGonagall?
 Veio tripudiar?  perguntou Rony ferozmente quando agarota parou diante deles.  Ou acabou de nos denunciar?
 No  respondeu Hermione. Ela segurava uma carta nasmos e seus lbios tremiam.  S achei que vocs deviam saber... Hagrid perdeu o caso. Bicuo vai ser executado.








CAPTULO QUINZE
A Final do Campeonato de Quadribol

 Ele... Ele me mandou isto  disse Hermione entregando a carta.
Harry apanhou-a. O pergaminho estava mido, e enormesgotas de lgrimas tinham borrado to completamente a tinta emalguns pontos que era difcil ler a carta.
Cara Mione,
Perdemos. Tive permisso de trazer Bicuo de volta a Hogwarts.
A data de execuo vai ser marcada.
Bicucinho gostou de Londres.
No vou esquecer toda a ajuda que voc nos deu.
Hagrid.

 Eles no podem fazer isso  disse Harry.  No podem.  Bicuono  perigoso.
 O pai de Malfoy deve ter intimidado a Comisso, paraelafazer isso  disse Hermione, enxugando as lgrimas. Vocs sabemcomo ele . Os outros so um bando de 
velhos caducos ebobos eficaram com medo. Mas vai haver recurso, sempre h. Sque noconsigo ver nenhuma esperana... Nada vai mudar at l.
 Vai, sim  disse Rony com ferocidade.  Voc no vaiter quefazer o trabalho todo sozinha desta vez, Mione. Eu vouajudar.
 Ah, Rony!
Hermione atirou os braos ao pescoo de Rony e desaboucompletamente. Rony, com cara de terror, acariciou muitosemjeito o topo da cabea da garota. Finalmente, 
ela seafastou.
 Rony, eu realmente sinto muito, muito mesmo, peloPerebas...  soluou ela.
 Ah... Bem... Ele estava velho  disse Rony, parecendomuitssimo aliviadopor Hermione o ter soltado.  E estava ficando meiointil. Nunca se sabe, talvez mame 
e papai me comprem uma coruja agora.
As medidas de segurana impostas aos alunos desde a segunda invaso deBlack impediram que Harry, Rony e Hermione fossem visitar Hagrid  noite.
A nica oportunidadeque tinham de falar com ele era durante a aula de Trato das CriaturasMgicas.
Ele parecia ter ficado aparvalhado com o veredicto da Comisso.
  tudo minha culpa. Me atrapalhei para falar. Eles estavamsentados l, vestidos de preto, e eu no parava de deixar cair as minhasanotaes e esqueceras datas 
que voc viu pra mim, Mione. Depois Lcio Malfoy ficou em p efalou, e a Comisso fez exatamente o que ele mandou...
 Ainda tem recurso!  disse Rony ferozmente.  No desistaainda, estamos trabalhando nisso!
Os quatro regressavam ao castelo com o restante da classe. frente, viam MaIfoy, que caminhava com Crabbe e Goyle e noparava de olhar para trs, rindo com ar 
de deboche.
 No adianta, Rony  disse Hagrid, muito triste, quando chegavam entrada do castelo.  Aquela comisso faz o que Lcio Malfoy manda. Eus vou tomar providnciaspara 
que os ltimos dias do Bicucinho sejam os mais felizes que teve navida. Devo isso a ele...
Hagrid deu meia-volta e saiu correndo em direo  sua cabana, orosto escondido no leno.
 Olhem s ele chorando feito um bebezo!
Malfoy, Crabbe e Goyle tinham parado s portas do castelo,escutando.
 Vocs j viram uma coisa mais pattica?  perguntou Malfoy.
 E dizem que ele  nosso professor!
Harry e Rony se voltaram com violncia para Malfoy, masHermione chegou primeiro.
-P!
Ela deu um tapa na cara de Malfoy com toda a fora que conseguiureunir. Malfoycambaleou. Harry, Rony, Crabbe e Goyleficaram parados, estupefatos, enquanto Hermione 
tornava a levantar a mo.
 No se atreva a chamar Hagrid de pattico, seu sujo... Seu perverso...
 Mione!  exclamou Rony com a voz fraca, e tentou segurara mo da garota ao v-la tomar novo impulso.
 Sai, Rony!
Hermione puxou a varinha. Malfoy recuou. Crabbe e Goyleolharam para ele pedindo instrues, inteiramente abobados.
 Vamos  murmurou Malfoy e, num instante, os trs tinhamdesaparecido no corredor que levava s masmorras.
 Mione! tornou a exclamar Rony, parecendo ao mesmo tempoespantado e impressionado.
 Harry, acho bom voc dar uma surra nele na final deQuadribol!  disse a garota com a voz esganiada.  Acho bom dar, porqueno vou suportar ver Sonserina vencer!
 Est na hora da aula de Feitios  disse Rony, aindaolhando para Hermione.   melhor a gente ir andando.
E os trs subiram correndo a escadaria de mrmore para chegar classe do Prof. Flitwick.
 Vocs esto atrasados, garotos!  disse o professor, emtom de censura, quando Harry abriu a porta dasala.  Vamos, depressa, tirem as varinhas,hoje estamos 
fazendo experincias com os feitios para animar, jdividimos os pares...
Harry e Rony correram para as carteiras ao fundo e abriram asmochilas. Rony olhou para trs.
 Aonde  que foi a Mione?
Harry tambm a procurou. Hermione no entrara na sala, noentanto, Harry sabia que a garota estivera bem ao seu lado quandoele abrira a porta.
 Que coisa esquisita  comentou Harry, encarando Rony. Vai ver... Vai ver ela foi ao banheiro ou outra coisaqualquer.
Mas a garota no apareceu durante toda a aula.
 Ela bem que precisava de um feitio para animar, tambm comentou Rony quando os alunos saram para almoar, todos muitosorridentes, os feitiospara animar 
tinham deixado em todos uma sensao de grande contentamento.
Hermione no apareceu no almoo tampouco. Na altura emque terminaram a torta de ma, os efeitos dos feitios estavam sedissipando, e Harry e Rony comearam a 
se preocupar um pouco.
 Voc acha que Draco fez alguma coisa a ela?  perguntouRony, ansioso, quando seguiam apressados para a Torre da Grifinria.
Passaram pelos trasgos de segurana, deram a senha  MulherGorda ("Flibbertigibbet") e treparam pelo buraco do retrato parachegar  sala comunal.
Hermione estava sentada  mesa, profundamente adormecida, acabea pousada sobre um livro aberto de Aritmancia. Os garotos sesentaram, um de cada lado.
Harry cutucou-a de leve para acord-la.
 !... Qu?  exclamou Hermione, acordando e olhandoassustada para os lados.  J est na hora de ir?
 !... Qual  a aula quetemos agora?
 Adivinhao, mas s daqui a vinte minutos  respondeuHarry Mione, por que voc no foi  aula de Feitios?
 Qu? Ah no!  guinchou Hermione.  Me esqueci de ir aula de Feitios!
 Mas como  que voc pde esquecer?  perguntou Harry. Voc estava conosco at chegarmos  porta da sala de aula!
 Eu no acredito!  lamentou-se Hermione.  O Prof. Flitwick ficou aborrecido? Ah, foi o Malfoy, eu estava pensando nele eme atrapalhei!
 Sabe de uma coisa, Mione?  disse Rony, olhando para olivro de Aritmancia que a garota estivera usando como travesseiro.
 Acho que voc est sofrendo um colapso mental. Est tentando fazercoisas demais.
 No estou, no!  retrucou ela, afastando os cabelos dosolhos e procurando a mochila, com um ar de desamparo.  Foi s um engano!   melhor eu procuraro Prof. 
Flitwick e pedir desculpas... Vejo vocs na aula de Adivinhao!
Hermione se reuniu aos dois garotos ao p da escada para a salada Prof. Sibila, vinte minutos mais tarde, com um ar extremamenteencabulado.
 No posso acreditar que perdi os feitios para animar! Eaposto como vo cair nos exames; o Prof. Flitwick insinuou quepoderiam cair!
Juntos, eles subiram a escada para a sala escura e abafada datorre. Brilhando em cada mesinha havia uma bola de cristal cheiade uma nvoa branco-prola.
Harry, Rony e Hermione se sentaram juntos  mesma mesa bamba.
 Pensei que no amos comear bolas de cristal antes doprximo trimestre  resmungou Rony, lanando  sala um olhar preocupado, procura da professora,caso ela 
estivesse espreitando por ali.
 No reclame, isso significa que terminamos quiromancia murmurou Harry em resposta.  Eu j estava ficando cheio de ver Trelawneyfazer caretade aflio todas 
as vezes que examinava as minhas mos.
 Bom dia para todos!  saudou a voz etrea e familiar, ea professora saiu das sombras em suacostumeira e dramtica apario. Parvati e LiI estremeceramde excitao, 
os rostos iluminados pelo brilho leitoso das bolas decristal.
 Resolvi comear a bola de cristal mais cedo do que tinhaplanejado  disse a professora, sentada de costas para a lareira, olhandopara a turma.  As Parcas me 
informaram que o exame de vocs em junho tratar do orbe,e estou ansiosa para oferecer-lhes muita prtica.
Hermione deu uma risadinha.
 Bem, francamente... "as Parcas a informaram"... Quem que prepara o exame? Ela mesma! Que profecia assombrosa!  continuou agarota sem se preocuparem manter 
a voz baixa. Harry e Rony sufocaram risadinhas.
Era difcil dizer se a professora os ouvira, pois seu rostoestavaoculto pelas sombras. Ela, no entanto, continuou como se notivesse ouvido.
 A vidncia com a bola de cristal  uma arte particularmenterequintada disse em tom sonhador.  Por isso no espero quevocs vejam alguma coisa ao procuraremexaminar 
pela primeira vez as profundezas infinitas do orbe. Vamoscomear praticando o relaxamento da mente consciente e da viso exterior Rony comeou a soltarrisadinhas 
irrefreveis e precisou meter o punho na boca para abafar osom  para vocs poderem limpar a viso interior e a supraconscincia.  Talvez, se tivermossorte, alguns 
de vocs consigam ver alguma coisa antes do fim da aula.
E ento comearam a praticar. Harry, pelo menos, sentiu-seextremamente bobo de mirar a bola de cristal, tentando manter amente vazia, enquanto pensamentos do tipo 
"que coisa maisidiota no paravam de lhe ocorrer. Rony no ajudava nada com seusacessos de riso silencioso nem Hermione com seus muxoxos.
 Viram alguma coisa?  perguntou Harry aos dois, depoisde manter os olhos fixos na bola uns quinze minutos.
 J, tem uma queimadura no tampo dessa mesa  disse Ronyapontando.  Algum derrubou uma vela.
 Isto  uma baita perda de tempo  sibilou Hermione.  Eupodia estar praticando alguma coisa til. Podia estar recuperando amatria de feitios para animar...
A Prof. Sibila passou farfalhando.
 Algum gostaria que eu ajudasse a interpretar osportentos obscuros que aparecem em seu orbe?  murmurou sobrepondo avoz ao tilintar dos seus badulaques.
 Eu no preciso de ajuda  sussurrou Rony.   bvio oque isto significa. Vai haver um nevoeiro daqueles hoje  noite.
Harry e Hermione explodiram em risadas.
 Ora, francamente!  exclamou a Prof. Trelawney quandotodas as cabeas dos alunos se viraram em sua direo.
Parvati e Lil fizeram caras escandalizadas.
 Vocs esto perturbando as vibraes da vidente!
A professora se aproximou da mesa dos garotos e espiou as bolasde cristal dos trs. Harry sentiu um grande desnimo. Tinhacerteza de que sabia o que viria a seguir...
 Vejo algo aqui!  sussurrou a professora, aproximando orosto da bola, de modo que esta se refletiu duas vezes em seus enormesculos.  Algumacoisa que se move... 
Mas o que  isso?
Harry estava preparado para apostar tudo que tinha, inclusivea Firebolt, que, seja o que fosse, no seria uma boa notcia. E nodeu outra...
 Meu querido...  sussurrou a professora, erguendo osolhos para ele.  Est aqui, mais claro que antes... Meu querido,aproximando-se de voc, cadavez mais perto... 
O Sin...
 Ah, pelo amor de Deus  exclamou Hermione em voz alta. No  aquele ridculo Sinistro outra vez!
A Prof. Sibila ergueu os enormes olhos para a garota. Parvaticochichou alguma coisa com Lil, e as duas olharam feio para Hermionetambm. A professorase ergueu, 
fitando Hermione com inconfundvel raiva.
 Sinto dizer que do instante em que voc entrou nestasala, minha querida, ficou evidente que no tinha o talento que a nobrearte da Adivinhao exige. Na verdade, 
eu no me lembro dejamais ter encontrado uma aluna cuja mente fosse to irreparavelmenteterrena.
Seguiu-se um momento de silncio. Ento...
 timo!  exclamou Hermione, de repente, levantando-se eenfiando o exemplar de Esclarecendo oFuturo na mochila.  timo!  repetiu, atirando a mochila sobre o 
ombro e quase derrubandoRony da cadeira.  Eu desisto! Vou-me embora.
E para assombro da turma, Hermione se dirigiu ao alapo,abriu-o com um pontap e desceu a escada, desaparecendo de vista.
Levou alguns minutos para todos se aquietarem outra vez. Aprofessora parecia ter se esquecido completamente do Sinistro.
Deu as costas, bruscamente,  mesa de Harry e Rony, respirando forte eajeitando o difano xale mais pertodo corpo.
 Oooooh!  exclamou Lil de repente, assustando todo mundo.  Ooooooh, Prof. Sibila, acabei de me lembrar! A senhora viu a Hermionenos deixando, no foi? No 
foi, professora? Na altura da Pscoa, algumaqui vai deixar onosso convvio para sempre! A senhora disse isso h um tempo,professora!
Sibila sorriu suavemente.
  verdade, minha querida, eu sabia que a Srta. Grangeriria nos deixar. Esperemos, no entanto, que tenhamos nos enganadocom os sinais... A viso interior pode 
ser um fardo, sabem...
Lil e Parvati pareceram profundamente interessadas e trocaram delugar para que a professora pudesse parar  mesa delas.
 Um dia Hermione vai capotar, hein?  murmurou Rony para Harry,fazendo cara de espanto.
 ...
Harry examinou mais uma vez a bola de cristal, mas no viu nadaalm de uma nvoa espiralada. Ser que a professora vira, defato, o Sinistro novamente?
Ser que ele, Harry, veria? A ltima coisa de que precisava era outroacidente quase fatal, com a final de Quadribol cada dia mais prxima.
As frias da Pscoa no foram exatamente relaxantes. Os alunos doterceiro ano nunca tinham recebido tantos deveres para casa.
Neville Longbottom parecia s vsperas de um colapso nervoso, e noera o nico.
 Chamam a isso de frias!  bradou Simas Finnigan certatarde na sala comunal.  Ainda faltam sculos para os exames, qual  adeles!
Mas ningum tinha tanto a fazer quanto Hermione. Mesmo semAdivinhao, ela estava estudando mais matrias do que todos os outros.
Em geral era a ltimaa deixar a sala comunal  noite, a primeira a chegar na biblioteca namanh seguinte; tinha olheiras iguais as de Lupin e parecia estarconstantemente 
prestes acair no choro.
Rony assumira a responsabilidade pelo recurso de Bicuo. Quandono estava cuidando dos prprios deveres, estava examinando volumesgrossssimos com ttulosdo tipo 
O Manual da Psicologia do Hipogrifo e Ave ou Vilo? Um EstudoSobre a Brutalidade doHipogrifo. Ficou to absorto que at se esqueceu de ser antipticocom o Bichento.
Entrementes, Harry teve que encaixar os deveres entre os treinosdirios de Quadribol, para no falar das interminveis discusses detticas com Olvio.
A partida Grifinria x Sonserina fora marcada para o primeiro sbado depoisdas frias da Pscoa. Sonserina liderava o campeonato por exatos duzentospontos. Istosignificava 
(conforme Olvio no parava de lembrar ao seu time) que elesprecisavam vencer a partida por um nmero de pontos superior a duzentospara ganhar a Taa.
Significava, ainda, que a responsabilidade de vencer cabia em grandeparte a Harry, porque capturar o pomo valia cento ecinqenta pontos.
 Por isso voc deve capturar o pomo somente quando obtivermosuma vantagem de mais de cinqenta pontos  dizia Olvio a Harryconstantemente.  S se tivermosmais 
de cinqenta pontos Harry, seno ganhamos a partida mas perdemos ataa. Voc entendeu bem? Voc s pode apanhar o pomo se tivermos...
 J SEI, OLVIO!  berrou Harry.
Toda a Grifinria estava obcecada com a prxima partida. A casano ganhava a Taa de Quadribol desde que o lendrio Carlinhos Weasley (osegundo irmo maisvelho 
de Rony) jogara como apanhador. Mas Harry duvidava se algum nomundo, mesmo Olvio, queria essa vitria tanto quanto ele. A inimizadeentre Harry e Malfoyatingira 
o auge. Malfoy ainda sofria com o incidente da pelota de lama emHogsmeade e ficara ainda mais furioso queHarry tivesse conseguido escapar do castigo.
Harry, por sua vez, no se esquecia da tentativa de Malfoy de sabot-lodurante o jogocontra Corvinal, mas foi o caso de Bicuo que o deixou ainda maisdecidido 
a vencer Malfoy diante da escola inteira.
Nunca, na lembrana de ningum, uma partida se aproximara com umaatmosfera to carregada. Quando as frias terminaram, a tenso entre osdois times e suascasas 
estava a ponto de explodir. Pequenas brigas irrompiam noscorredores, que culminaram em um incidente perverso, no qual umquartanista da Grifinria e um sextanistada 
Sonserina acabaram na ala hospitalar, com alhos pors brotando dosouvidos.
Harry, pessoalmente, estava passando um mau pedao. No podia ire vir sem que os alunos da Sonserina esticassem as pernas tentando faz-lotropear; Crabbee Goyle 
no paravam de aparecer onde quer que ele estivesse e se afastardesapontados quando o viam cercado de colegas. Olvio dera instruespara que Harry estivessesempre 
acompanhado em todo lugar, para a eventualidade de algum aluno daSonserina querer inutiliz-lo para o jogo. Toda aGrifinria assumiu o desafio com entusiasmo,tornando 
impossvel Harry chegar s aulas na hora certa, porque andavarodeado por uma aglomerao de colegas barulhentos. Mas o garoto sepreocupava mais com asegurana 
da Firebolt do que com a prpria. Quando no estava voando, eletrancava a vassoura no malo e muitas vezes dava uma corrida  Torre daGrifinria, nosintervalos 
das aulas, para verificar se ela continuava l.
Todas as atividades normais na sala comunal foram abandonadasna vspera do jogo. At Hermione pusera os livros de lado.
 No consigo estudar, no consigo me concentrar comentou ela, nervosa.
Havia uma grande algazarra. Fred e Jorge Weasley enfrentavam apresso agindo com mais barulho e exuberncia que nunca. Olvio estava aum canto debruadosobre 
a maquete de um campo de Quadribol, empurrando bonequinhos com avarinha e resmungando. Angelina, Alicia e Katie riam das piadas de Fred eJorge. Harry sesentara 
com Rony e Hermione afastado do centro das atividades, procurandono pensar no dia seguinte, porque toda vezque o fazia, tinha a terrvel sensao de que alguma 
coisa enormeestava tentando voltar do seu estmago.
 Voc vai se sair bem  disse Hermione a ele, embora parecessedecididamente aterrorizada.
 Voc tem uma Firebolt!  animou-o Rony.
 ...  respondeu Harry, o estmago se revirando.
Foi um alvio quando Wood se levantou e gritou:
 Time! Cama!
Harry dormiu mal. Primeiro, sonhou que perdera a hora e que Hoodgritava "Onde  que voc se meteu? Tivemos que chamar Neville parasubstitu-lo!".  Depois sonhouque 
Malfoy e o resto do time da Sonserina chegavam para a partidamontados em drages. Harry voava a uma velocidade vertiginosa, tentandoevitar o jorro de chamasque 
saa da boca da montaria de Malfoy, quando percebeu que esquecera suavassoura. Comeou, ento, a cair pelo ar e acordou assustado.
Levou alguns segundos para se lembrar que a partida ainda no serealizara, que estava seguro em sua cama, e que, decididamente, o time daSonserina noteria permisso 
para jogar montado em drages. Sentiu uma sede enorme. Omais silenciosamente que pde, levantou-se da cama de colunas e foi seservir de gua deuma jarra de prata 
sob a janela.
No havia movimento nem som nos jardins. Nenhum sopro de ventoperturbava as copas das rvores na Floresta Proibida; o Salgueiro Lutadorestava imvel etranspirava 
inocncia. Parecia que as condies para a partida seriamperfeitas.
Harry pousou o copo e j ia voltar para a cama quando algumacoisa prendeu sua ateno. Havia um animal rondando o gramadoprateado.
Harry correu  sua mesa-de-cabeceira, apanhou os culos,colocou-os, e voltou depressa  janela. No podia ser o Sinistro  noagora  no na vspera da partida...
Ele tornou a espiar os jardins e, depois de uma busca ansiosa,localizou-o. O animal ia contornando a orla da floresta agora...
No era o Sinistro... Era um gato... Harry agarrou o peitoril dajanela aliviado ao reconhecer aquele rabo de escovinha. Era s oBichento...
Mas seria s o Bichento? Harry apurou a vista, esborrachando onariz contra a vidraa. Bichento parecia ter parado. O menino tevecerteza de que estava vendo outra 
coisa andando sob a sombra das rvores,tambm.  Naquele momento, ele apareceu, um co gigantesco, peludo enegro, que se movia sorrateiramente pelos gramados. Bichento 
caminhava aoseu lado. Harry arregalouos olhos. Que significaria isso? Se Bichento tambm via o co, como  queele podia ser um agouro da morte de Harry?
 Rony!  sibilou Harry.  Rony acorda!
 Hum?
 Preciso que voc me diga se v uma coisa!
 T tudo escuro, Harry  murmurou o amigo com a vozempastada.  Do que  que voc est falando?
 Ali embaixo...
Harry espiou depressa pela janela.
Bichento e o co haviam desaparecido. Ele subiu, ento, nopeitoril para ver l embaixo, nas sombras do castelo, mas os bichosno estavam mais l. Aonde teriam 
ido?
Um forte ronco lhe informou que Rony tornara a cair no sono.
Harry e o resto do time da Grifinria entraram no Salo Principal, no diaseguinte, sob uma tempestade de aplausos. O garoto no pde deixar de darum grande sorrisoquando 
viu que as mesas da Corvinal e Lufa-Lufa os aplaudiam tambm. Amesa da Sonserina vaiou alto quando eles passaram. Harry reparou queMalfoy parecia mais plidodo 
que de costume.
Olvio passou o caf da manh inteiro insistindo para que o timecomesse, sem, contudo, se servir de nada. Depois apressou-os a sedirigirem ao campo antesque os 
outros tivessem terminado, para terem uma idia das condies dejogo. Quando saram do Salo Principal, receberam novos aplausos.
 Boa sorte, Harry!  gritou Cho. Harry sentiu o rostocorar.
 Ok... No tem vento... O sol est meio forte, o que podeprejudicar a viso, tomem cuidado... O cho est bem firme, bom, issovai nos dar um bom impulso inicial...
Olvio andou pelo campo examinando tudo, com o time atrs.
Finalmente, eles viram as portas do castelo se abrirem ao longe e orestante da escola se espalhar pelos gramados.
 Vestirio  disse Olvio tenso.
Ningum falou enquanto se despiam e vestiam os uniformesvermelhos. Harry ficou imaginando setodos estariam se sentindo como ele: como se tivesse comidoalguma 
coisa que se mexia demais dentro da barriga. No parecia tertranscorrido mais que um segundo quando ele ouviuOlvio dizer:
 Ok, pessoal, vamos...
O time entrou em campo sob uma onda gigantesca de aplausos, Trsquartos da torcida usavam rosetas vermelhas, agitavam bandeiras vermelhascom o leo daGrifinria 
ou faixas com palavras de ordem: "PRA FRENTE GRIFINRIA!" e "ACOPAS DOS LEES!.
Atrs das balizas da Sonserina, porm, duzentos torcedores se cobriamde verde; a serpente prateada da casa brilhava em suas bandeiras e o Prof. Snape estava sentado 
na primeira fila, vestindo verde como os demais,exibindo um sorrisomuito sinistro.
 E a vem o time da Grifinria!  bradou Lino Jordan, que, comosempre, fazia a irradiao.  Potter,Bell, Johnson, Spinnet, Weasley, Weasley e Wood. Consideradopor 
todos o melhor time que Hogwarts j viu em muitos anos...
Os comentrios de Lino foram abafados por uma onda de vaiasda torcida da Sonserina.
 E a vem o time da Sonserina, liderado pelo capito Flint. Elefez algumas alteraes no esquema ttico e parece ter preferido opeso  qualidade...
Mais vaias da torcida da Sonserina. Harry, porm, achou queLino tinha razo. Malfoy era, sem discusso, o menor jogador dotime; todos os outros eram enormes.
 Capites, apertem-se as mos!  disse Madame Hooch.
Flint e Wood se aproximaram e apertaram as mos comfora; davam a impresso de que estavam querendo quebrar osdedos um do outro.
 Montem nas vassouras!  disse Madame Hooch.  Trs... Dois... Um...
O som do seu apito se perdeu no estrondo das torcidas na hora emque as catorze vassouras levantaram vo. Harry sentiu oscabelos voarem para longe da testa; seu 
nervosismo o abandonou na excitao do vo; olhou para os lados e viuMalfoy na sua esteira eaumentou a velocidade para ir  procura do pomo.
 E Grifinria com a posse da bola, Alicia Spinnet da Grifinriacom a goles, voando direto para as balizas da Sonserina, em boaforma, Alicia! Arre, no, a goles 
foi interceptada porWarrington. Warrington da Sonserina partindo em velocidade pelocampo.
PAM!  
 Uma boa rebatida de um balao por JorgeWeasley,Warrington deixa cair a goles, que  apanhada por... Johnson,Grifinria com a posse da bola outra vez, a Angelina, 
bom desvio deMontague.  Se abaixa Angelina, a vem um balao!  ELAMARCA!  DEZ A ZERO PARA GRIFINRIA!
Angelina deu um soco no ar ao sobrevoar o extremo docampo; o mar vermelho nas arquibancadas berrou de felicidade...
OUCH! 
Angelina quase foi derrubada da vassoura por MarcosFlint aocolidir em cheio com ela. 
 Desculpe!  disse Flint enquanto os torcedores lembaixovaiavam.  Desculpe eu no vi a jogadora!
No demorou muito, Fred Weasley atirou o basto contraacabea de Flint, cujo nariz bateu com fora no cabo da vassoura ecomeou a sangrar.
 Chega!  gritou Madame Hooch, mergulhando entre osdois.  Pnalti contra Grifinria pelo ataque gratuito aoartilheirodo seu adversrio! Pnalti contra Sonserina 
por prejuzointencional ao artilheiro do seu adversrio!
 Ah nem vem!  berrou Fred, mas Madame Hooch apitou eAlicia se adiantou para cobrar o pnalti.
 A, Alicia!  gritou Lino no silncio que se abaterasobre as arquibancadas.  SIM, SENHORES! ELA FUROU O GOLEIRO!  VINTE A ZERO PARA GRIFINRIA!
Harry deu uma guinada na Firebolt para ver Flint,ainda sangrando  bea, voar para cobrar opnalti contra Sonserina. Olviosobrevoava as balizas de Grifinria, 
os maxilarescontrados.
  claro que Wood  um esplndido goleiro!  comentouLino Jordan para os ouvintes enquanto Flint aguardava o apito deMadame Hooch. Esplndido! Difcil de vazar 
 muitodifcilmesmo  SIM SENHORES! EU NO ACREDITO! ELE AGARROU ABOLA!
Aliviado, Harry se afastou velozmente, espiando paratodos oslados  procura do pomo, mas sem perder nenhuma palavradoscomentrios de Lino. Era fundamental para 
ele manter Malfoy afastado dopomo at Grifinria atingircinqenta pontos de vantagem.
 Grifinria com a posse, no, Sonserina com a posse,no! Grifinria retoma a posse e  Katie Bell, Katie Bell de Grifinria com agoles, a jogadora corta o campo 
 FOI INTENCIONAL!
Montague, um artilheiro de Sonserina, cortou a frente de Katie eem vez de agarrar a goles, agarrou a cabea da jogadora. Katie deu umacambalhota no ar,conseguiu 
continuar montada, mas deixou cair a goles.
O apito de Madame Hooch soou mais uma vez ao sobrevoar Montague ecomear a gritar com ele. Um minuto depois,Katie tinha marcado mais um pnalti contra a defesa 
da Sonserina.
 TRINTA A ZERO! TOMA, SEU SUJO, SEU COVARDE...
 Jordan, se voc no consegue irradiar imparcialmente...
 Estou irradiando o que acontece, professora!
Harry sentiu um grande tremor de excitao. Acabara de ver opomo, refulgia ao p de uma das balizas da Grifinria, mas eleno devia apanh-lo por ora e se Malfoy 
o visse...
Fingindo uma expresso de sbita concentrao, Harry deu meia-voltana Firebolt e correu em direo ao campo da Sonserina, a manobra funcionou. Malfoy saiu a toda 
velocidade atrs dele, pensandoevidentemente que Harry vira o pomo l...
CHISPA.
Um dos balaos passou voando pela orelha direita de Harry,arremessado pelo gigantesco batedor da Sonserina, Derrick. Ento,novamente...
CHISPA.
O segundo balao roou pelo cotovelo de Harry. O outro batedor,Bole, vinha se aproximando.
Harry teve um vislumbre fugaz de Bole e Derrick voando emsua direo, com os bastes erguidos...
Virou a Firebolt para o alto no ltimo segundo e os doisbatedores colidiram com um baque de provocar nuseas.
 H! H! H!  bradou Lino Jordan quando os batedores da Sonserinase separaram, levando as mos  cabea.
 Mau jeito, rapazes! Vo ter que acordar mais cedo para vencerumaFirebolt! E Grifinria fica com a posse da bola mais uma vez, quandoJohnson toma a goles, Flint 
emparelhado com ela, mete o dedo no olho dele, Angelina!  fois uma brincadeira, professora, s uma brincadeira ah no Flint toma a bola, Flint voapara as balizas 
de Grifinria, agora  com voc Wood, agarra...
Mas Flint marcou; houve uma erupo de vivas do lado deSonserina e Lino xingou tanto que a Prof. Minerva McGonagall tentouarrancar o megafonemgico das mos 
dele.
 Desculpe professora, desculpe! No vai acontecer de novo!
 Ento,Grifinria est  frente, trinta a dez, e Grifinria tem aposse...
O jogo estava deteriorando no mais sujo de que Harry jparticipara. Enraivecidos porque Grifinria tomara a dianteira desde oinicio, os adversrios estavamrapidamente 
recorrendo a todos os meios para roubar a goles. Bole atingiuAlicia com o basto e tentou alegar que pensara que era umbalao. Jorge Weasley foi forra dando 
uma cotovelada na cara de Bole. Madame Hooch puniu os doistimes e Wood fez mais uma defesa espetacular, elevando o placar paraquarenta a dez para Grifinria.
O pomo tornara a desaparecer. Malfoy continuou a acompanhar Harryde perto quando o garoto sobrevoou o campo, procurando, agora, o pomo,quandoGrifinria estiver 
cinqenta pontos  frente...
Katie marcou. Cinqenta a dez. Fred e Jorge Weasley mergulharamcercando a garota, os bastes erguidos, caso os jogadores da Sonserinapensassem em se vingar.
Bole e Derrick aproveitaram a ausncia de Fred e Jorge para arremessar osdois balaos em Wood; eles o atingiram no estmago, um aps o outro, e ogoleiro viroude 
cabea para baixo no ar, agarrando-se  vassoura, completamente semar.
Madame Hooch ficou fora de si.
 No se ataca o goleiro a no ser que a goles esteja narea.  gritou ela para Bole e Derrick.  Pnalti a favor da Grifinria!
 Angelina marcou. Sessenta a dez. 
Instantes depois Fred Weasleyarremessou um balao contra Warrington, derrubando a goles de suas mos;
Alicia apanhoua bola e enterrou-a no gol da Sonserina. 
 Setenta a dez.
A torcida da Grifinria l embaixo estava rouca de tanto gritar,a casa passara sessenta pontos  frente e se Harry apanhasse o pomonaquele momento, aTaa seria 
dela. O garoto chegava quase a sentir as centenas de olhosacompanhando-o enquanto sobrevoava o campo, muito acima das equipes, comMalfoy correndo atrsdele. Ento 
Harry o viu. O pomo estava brilhando seis metros acima dele.
O garoto imprimiu maior velocidade  vassoura; o vento rugiuem seus ouvidos; ele estendeu a mo, mas, de repente, a Firebolt comeoua desacelerar...
Horrorizado, ele olhou para os lados. Malfoy se atirara parafrente, agarrara a cauda da Firebolt e procurava atras-la.
 Seu...
Harry se enfureceu o suficiente para bater em Malfoy, mas noconseguiu alcan-lo. Malfoy ofegava com o esforo de segurar a Firebolt,porm seus olhosbrilhavam 
de malcia. Conseguira o seu intento, o pomo tornara adesaparecer.
 Pnalti! Pnalti a favor da Grifinria! Nunca vi uma tticaigual!  Madame Hooch guinchava, enquanto velozmente se dirigiaat o ponto em que Malfoy deslizava 
de volta  sua Nimbus 2001.
 SEU SAFADO NOJENTO!   urrava Lino Jordan no megafone, saltandofora do alcance da Prof. McGonagall.  SEU SAFADONOJENTO, FILHO...
A professora nem se deu o trabalho de ralhar com Lino. Naverdade ela sacudia o dedo na direo de Malfoy, seu chapu carada cabea, e ela tambm berrava furiosamente.
Alicia cobrou o pnalti para Grifinria, mas estava to zangadaque errou por mais de meio metro, O time daGrifinria comeou a perder a concentrao eos jogadores 
da Sonserina, encantados com a falta de Malfoy em cima deHarry, se sentiam estimulados a tentar vos mais altos.
 Sonserina com a posse, Sonserina corre para o gol... Montaguemarca.  gemeu Lino.  Setenta a vinte paraGrifinria...
Harry agora estava marcando Malfoy to de perto que os joelhosdos dois se batiam o tempo todo. Harry no ia deixar Malfoysequer se aproximar do pomo...
 Sai da frente, Potter!  gritou Malfoy, frustrado, ao tentar sevirar e deparar com Harry no bloqueio.
 Angelina Johnson pega a goles para Grifinria, a Angelina,VAI, VAI!
Harry olhou para os lados. Todos os jogadores da Sonserina, aexceo de Malfoy, estavam correndo pelo campo em direo aAngelina, inclusive o goleiro do time, 
todos iam bloque-la...
Harry deu meia-volta na Firebolt, curvou-se at deitar o corposobre seu cabo, e impeliu-a para frente. Como uma bala, ele seprecipitou em alta velocidade contra 
os jogadores da Sonserina.
 AAAAAAAAIIIIIIIII!
Os jogadores se dispersaram quando viram a Fireboltvindo; ocaminho de Angelina ficou desimpedido.
 ELA MARCOU! ELA MARCOU! Grifinria lidera poroitenta a vinte!
Harry, que quase mergulhara de cabea nasarquibancadas,parou derrapando no ar, inverteu a direo da vassoura evoltou atoda para o meio do campo.
E ento ele viu uma coisa que fez o seu corao parar.
Malfoyestava mergulhando, uma expresso de triunfo no rosto,l amenos de um metro acima do gramado, l embaixo, havia um minsculoreflexo dourado.
Harry apontou a Firebolt para baixo, mas Malfoy estavaquilmetros  sua frente.
 Vai! Vai! Vai!  Harry dizia  vassoura. A distnciaque oseparava de Malfoy foi diminuindo. Harry deitou-se nocabo davassoura quando viu Bole arremessar um 
balao contra ele,jencostara nos calcanhares de Malfoy, emparelhou...
Harry se atirou  frente, tirou as mos da vassoura.
Afastou obrao de Malfoy do caminho com um empurro e...
 PEGOU!
Tirou, ento, a vassoura do mergulho, a mo no ar, e oestdioexplodiu. Harry sobrevoou as arquibancadas, um zumbidoestranho nos ouvidos. A bolinha de ouro estava 
bem segura em suamo, batendo inutilmente as asinhas contra seus dedos.
No momento seguinte, Wood veio voando ao seu encontro,quase cego pelas lgrimas; agarrou Harry pelo pescoo esoluousem se conter no ombro do garoto. Harry sentiu 
doisgrandes trancosquando Fred e Jorge colidiram com eles; depois as vozes de Alicia eKatie:
 Ganhamos a Taa! Ganhamos a Taa!
Embotados num abrao de muitos braos, o time daGrifinria foi descendo, berrando roucamente, de volta ao cho.
Onda sobre onda de torcedores vermelhos saltou asbarreirasdo campo. Choveram mos nas costas dos jogadores. Harryteveuma impresso confusa de rudo e corpos 
que o empurravam.
Ento ele e o resto do time foram erguidos nosombros dos torcedores. Empurrado para a luz, ele viu Hagrid, emplastradoderosas vermelhas...
 Voc os derrotou, Harry, voc os derrotou! Espere at eu contara Bicuo!
L estava Percy, pulando que nem maluco, toda a dignidadeesquecida. A Prof. Minerva soluava mais at que Wood, enxugando os olhoscom uma enorme bandeirada Grifinria; 
e l, lutando para chegar a Harry, vinham Rony e Hermione.
Faltaram palavras aos amigos. Simplesmente sorriram radiantes ao verHarry ser carregadopara a arquibancada onde Dumbledore aguardava de p com a enorme Taa deQuadribol.
Se ao menos tivesse havido um dementador por ali... Quando umWood, soluante, passou a Taa a Harry e este a ergueu no ar, o garotosentiu que seria capazde produzir 
o melhor Patrono do mundo.



CAPTULO DEZESSEIS
A predio da professora Trelawney

A euforia que Harry sentiu por ter finalmente ganhado a Taa de Quadriboldurou pelo menos uma semana. At o tempo parecia estar comemorando; medida que junhose 
aproximava, os dias foram desanuviando e se tornando quentes, e s oque as pessoas tinham vontade de fazer era passear pela propriedade e selargar no gramadocom 
vrios litros de suco de abbora gelado do lado, e talvez jogar umapartida descontrada de bexigas ou apreciar a lula gigantesca nadar,sonhadora, pela superfciedo 
lago.
Mas isso no era possvel. Os exames estavam s portas e em lugarde se demorarem pelos jardins, os alunos tinham de permanecer no castelo,e tentar obrigaro crebro 
a se concentrar em meio aos sopros mornos de vero que entravampelas janelas. At mesmo Fred e Jorge Weasley tinham sido vistosestudando; estavam emvsperas de 
fazer o exame de N.O.M.s. (Nveis Ordinrios em Magia) Percy,por sua vez, estava se preparando para os exames de N.I.E.M.s (NveisIncrivelmente Exaustivosem 
Magia), o diploma mais avanado que Hogwarts oferecia. Como Percytinha esperana de ingressar no Ministrio da Magia, precisava de notasmuito altas. Por isso,a 
cada dia ficava mais nervoso, e passava castigos severos para qualqueraluno que perturbasse atranqilidade da sala comunal  noite. De fato, a nica pessoa queparecia 
mais ansiosa do que Percy era Hermione.
Harry e Rony tinham desistido de perguntar  amiga comofazia para freqentar vrias aulas ao mesmo tempo, mas no conseguiram seconter, quando viram o horrio 
dos exames que a amigapreparara para si. Na primeira coluna lia-se:

Segunda-Feira:
9h  Aritmancia
9h  Transformao
Almoo
1:30h  Feitios
1:30h  Runas antigas

 Mione?  perguntou Rony com muita cautela, porque ultimamenteela era bem capaz de explodir se a interrompiam. Hum... Voc tem certeza de que copiou esseshorrios 
direito?
 Qu?  retrucou Hermione com aspereza, apanhando ohorrio de exames para conferi-lo.  Claro que copiei.
 Ser que adianta perguntar como voc vai prestar doisexames na mesma hora?  perguntouHarry.
 No  respondeu Hermione, impaciente.  Algum de vocsviu o meu livro Numerologia e Gramtica?
 Ah, eu vi, apanhei emprestado para ler na cama antes dedormir  disse Rony, mas bem baixinho. Hermione comeou a remexer nomonte de rolos de pergaminhoque tinha 
sobre a mesa,  procura do livro. Nesse instante, ouviram umfarfalhar  janela e Edwiges entrou com um bilhete bem seguro no bico.
  do Hagrid  disse Harry, abrindo o bilhete.   orecurso de Bicuo, est marcado para o dia seis.
  o dia em que terminamos os exames  disse Hermione,ainda procurando o livro de Aritmancia por toda a parte.
 E eles vm aqui para o julgamento  disse Harry,continuando a ler o bilhete.  Algum do Ministrio da Magia e... E ocarrasco.
Hermione ergueu a cabea, assustada.
 Vo trazer o carrasco para o julgamento do recurso! Masassim parece que j decidiram!
 , parece  disse Harry lentamente.
 No podem fazer isso!  bradou Rony.  Gastei sculoslendo para Hagrid o material que havia; no podem simplesmente desprezartudo!
Mas Harry teve a terrvel sensao de que a Comisso paraEliminao de Criaturas Perigosas j tivera a opinio formada pelo Sr. Lcio Malfoy. Draco, queandava 
visivelmente moderado desde a vitria da Grifinria na final deQuadribol, nos ltimos dias parecia ter recuperado um pouco da sua antigaarrogncia. Peloscomentrios 
desdenhosos que Harry ouvia, Malfoy tinha certeza deque Bicuo ia ser eliminado e parecia satisfeitssimo consigomesmo por ter provocado tal efeito. Nessas ocasies, 
Harry faziaum esforo enorme para no imitar Hermione e meter a mo na cara deMalfoy. E o pior de tudo era que os garotos no tinham tempo nemoportunidade de 
ir ver Hagrid,porque as novas e rigorosas medidas de segurana continuavam em vigor, eHarry no recuperara a Capa da Invisibilidade que deixara na entrada dabruxa 
de um olhos.
A semana dos exames comeou e um silncio anormal se abateu sobre ocastelo. Os alunos do terceiro ano saram do exame de Transformao nahora do almoo, na segunda-feira,cansado



s e plidos, comparando respostas e lamentando a dificuldade dastarefas propostas, que inclura transformar um bule de ch em um cgado.
Hermione irritouos colegas ao comentar que seu cgado parecia mais uma tartaruga, o queera uma preocupao mnimadiante das preocupaes dos demais.
 O meu tinha um bico no lugar do rabo, quepesadelo...
 Era para os cgados soltarem vapor?
 No final, o meu continuava com uma pintura desalgueiroestampada no casco, vocs acham que vou perderpontos por isso?
Depois de um almoo apressado, os garotosvoltaram diretopara cima para fazer o exame de feitios.
Hermione estava certa; oProf. Flitwick realmente pediu feitios paraanimar. Harryexagerou um pouco nos dele, por puro nervosismo, e Rony, que era seupar acabou 
com acessos de riso histrico eprecisou ser levado parauma sala sossegada, onde ficou uma hora, at tercondies de fazero exame. Depois do jantar os alunos 
voltaram ssalas comunais,no para relaxar, mas para comear a estudarTrato das CriaturasMgicas, Poes e Astronomia.
Hagrid aplicou o exame de Trato das CriaturasMgicas namanh seguinte com um ar deveras preocupado; seucoraoparecia estar longe dali. Providenciara uma grande 
barrica com vermesfrescos para a turma e avisou que para passar noexame, os vermesde cada aluno deveriam continuar vivos ao fim deuma hora. Umavez que os vermes 
se criavam melhor quando deixados em paz, foio exame mais fcil que qualquer aluno teve deprestar, o que tambm deu a Harry, Hermione e Rony bastante tempo paraconversarem 
com Hagrid.
 Bicucinho est ficando um pouco deprimido  contou oamigo, curvando-se sob o pretexto de verificar se o verme de Harry aindaestava vivo.  Est preso em casa 
h tempo demais. Ainda assim... Depoisde amanh a gentevai saber se vo julgar a favor ou contra...
Os trs garotos tiveram exame de Poes naquela tarde, que foi umdesastre inominvel. Por mais que se esforasse, Harry no conseguiaengrossar a sua infusopara 
confundir, e Snape, observando-o com um ar de satisfao vingativa,lanou em suas anotaes uma coisa que lembrava muito um zero, antes dese afastar.
Depois veio o exame de Astronomia  meia-noite, na torre maisalta do castelo; Histria da Magia na quarta-feira de manh, em que Harryescreveu tudo queFlorean 
Fortescue lhe contara sobre a caa s bruxas na Idade Mdia,enquanto desejava ter ali na sala sufocante um daqueles sundaes de choconozes.
Na quarta-feira tarde foi a vez de Herbologia, nas estufas, sob um sol de cozinhar osmiolos; depois voltaram mais uma vez  sala comunal, com as nucasqueimadas, 
imaginandoque no dia seguinte, quela hora, os exames finalmente teriam terminado.
O antepenltimo exame, na quinta-feira pela manh, foi Defesacontra as Artes das Trevas. OProf. Lupin preparara o exame mais incomum que eles j tinhamfeito; 
uma espcie de corrida de obstculos ao ar livre, debaixo de sol,em que tinham que atravessar um lago fundo o suficiente para se remar,onde havia umgrindylow, 
em seguida, uma srie de crateras cheias de barretesvermelhos, depois umtrecho de pntano, desconsiderando as informaes enganosas dadas por umhinkypunk , e,por 
fim, subir em um velho tronco e enfrentar um novo bicho-papo.
 Excelente, Harry  murmurou Lupin quando Harry desceu dotronco, sorrindo.  Notamxima.
Animado com o seu sucesso, Harry ficou por ali para ver os examesde Rony e Hermione. Rony foi bem at chegar a vez dohinkypunk, que conseguiu confundi-loe faz-lo 
afundar at a cintura em um atoleiro. Hermione fez tudoperfeitamenteat chegar ao tronco em que havia o bicho-papo. Depois de passar umminuto ali,a garota saiu 
correndo aos berros.
 Hermione  exclamou Lupin, assustado.  Que foi que aconteceu?
-A P... P.. Prof. McGonagall!  ofegou Hermione apontando para otronco.  Ela disse que eu levei bomba em tudo!
Demorou um tempinho para Hermione se acalmar. Quando elafinalmente se recuperou do susto, os trs amigos voltaram ao castelo.
Rony ainda sentia uma ligeiravontade de rir do bicho-papo de Hermione, mas a briga foi adiada quandoviram o que os aguardava no alto das escadas.
Cornlio Fudge, um pouco suado sob a capa de risca de giz, seachava parado ali contemplando os terrenos da escola. Assustou-seao ver Harry.
 Ol, Harry!  exclamou.  Acabou de fazer um exame,suponho? Chegando ao fim?
 Sim, senhor  disse Harry. Hermione e Rony, que nuncahaviam falado com o Ministro da Magia, pararam sem jeito umpouco afastados.
 Belo dia  comentou Fudge, lanando um olhar ao lago. Que pena... Que pena...
O ministro soltou um profundo suspiro e olhou para Harry.
 Estou aqui em uma misso desagradvel, Harry. A Comissopara Eliminao de Criaturas Perigosas exigiu uma testemunhapara a execuo do hipogrifo louco. Como 
eu precisava visitarHogwarts para verificar o andamento do caso Black, me pedirampara cumprir esta tarefa.
 Isso quer dizer que j houve o julgamento do recurso? interrompeu Rony, adiantando-se.
 No, no, foi marcado para hoje  tarde  respondeuFudge, olhando, curioso, para Rony.
 Ento, talvez o senhor no precise testemunhar nenhumaexecuo!  disse Rony corajosamente.  O hipogrifo talvez sesalve!
Antes que Fudge pudesse responder, dois bruxos saram pelasportas do castelo s costas do ministro. Um era to velho que pareciaestar murchando diantedos olhos 
deles; o outro era alto e forte, com um bigode negro e fino.
Harry concluiu que deviam ser os representantes da Comisso paraEliminao de Criaturas Perigosas,porque o velho bruxo apertou os olhos na direo da cabana de 
Hagrid edisse com voz fraca:
 Ai, ai, estou ficando velho demais para isso... Duas horas, no , Fudge?
O homem de bigode mexia em alguma coisa no cinto; Harryolhou e viu que ele passava um dedo largo pela lmina de ummachado reluzente. Rony abriu a boca para dizer 
alguma coisa, masHermione cutucou-o com fora nas costelas e indicou com a cabea o saguode entrada.
 Por que  que voc no me deixou falar?  perguntou Rony,aborrecido, quando entraram no saguo para ir almoar.  Vocviu? J prepararam at o machado! Isso 
no  justia!
 Rony, o seu pai trabalha para o Ministrio, voc nopode sair dizendo essas coisas para o chefe dele!  respondeu Hermione,mas ela tambm pareciamuito contrariada. 
 Desde que oHagrid mantenha a cabea no lugar e defenda o caso direito, elesno tero possibilidade de executar o Bicuo...
Mas Harry sabia que Hermione no acreditava realmente noque estava dizendo.  volta deles, as pessoas falavamexcitadamente enquanto almoavam, antegozando o fim 
dos exames quelatarde, mas Harry, Rony e Hermione, absortos em suas preocupaes comHagrid e Bicuo, no participavam das conversas.
O ltimo exame de Harry e Rony era Adivinhao; o de Hermione,Estudosdos Trouxas. Eles subiram a escadaria de mrmore, juntos; Hermione osdeixou no primeiro andar 
e Harry e Ronyprosseguiram at o stimo, onde muitos colegas j se encontravamsentados na escada circular que levava  sala da Prof. Trelawney,tentando enfiar 
na cabea mais alguma matria de ltima hora.
 Ela vai receber os alunos, um a um  informou Neville quandoos dois foram se sentar perto dele. O garoto tinha o seuexemplar de Esclarecendo o Futuro aberto 
no colo nas pginas dedicadas bola de cristal.  Algum de vocs j viu alguma coisa numa boladecristal?  perguntou ele, infeliz.
 No  respondeu Rony num tom distrado. Ele consultava atoda hora o relgio de pulso; Harry sabia que o amigo estava fazendo acontagem regressiva para o incio 
do julgamento do recurso deBicuo.
A fila de pessoas fora da sala foi encurtando aos poucos. medida que cada aluno descia a escada prateada, o resto da classesussurrava: "Que foi que ela perguntou? 
Voc se deu bem?
Mas todos se recusavam a responder.
 Ela disse que foi avisada pela bola de cristal que se eucontara vocs, vou ter um acidente horrvel!  falou Neville,esganiado, ao descer a escada em direo 
a Harry e Rony, que agora tinham chegado aopatamar.
 Isto  muito conveniente  riu-se Rony.  Sabe, estoucomeando a achar que Hermione tinha razo sobre a professora  comentouele indicando como polegar o alapo 
no alto , ela uma trapaceira, e das boas.
   disse Harry, consultando o prprio relgio. Eramagora duas horas.  Eu gostaria que ela andasse logo...
Parvati desceu a escada com o rosto radiante de orgulho.
 Ela disse que eu tenho o talento de uma verdadeiravidente  informou a Harry e Rony.  Vi um monte de coisas... Bem, boasorte!
A garota desceu depressa a escada circular ao encontro de Lil.
 Ronald Weasley  chamou l do alto a voz etrea que jconheciam. Rony fez uma careta para o amigo e subiu a escada de prata,desaparecendo. Harryagora era o 
nico que faltava ser examinado. Ele se acomodou no cho,apoiando as costas contra a parede, e ficou ouvindo uma mosca zumbir najanela ensolarada,seus pensamentos 
atravessando a propriedade at Hagrid.
Finalmente, uns vinte minutos depois, os enormes psdeRony reapareceram na escada.
 Como foi?  perguntou Harry se pondo de p.
 Bobagem. No vi nada, ento inventei alguma coisa.  Achoque a professora no se convenceu, embora...
 Encontro voc na sala comunal  murmurou Harry quandoa voz da professora chamou "Harry Potter!
Na sala da torre fazia mais calor que nunca; ascortinas estavamfechadas, a lareira acesa e o costumeiro perfumeadocicado fezHarry tossir, enquanto se desvencilhava 
das mesas ecadeirasamontoadas para chegar onde a professora Sibila o esperava, sentadadiante de uma grande bola de cristal.
 Bom dia, meu querido  disse ela brandamente.  Querter abondade de examinar o orbe... Pode levar o tempo queprecisar... Depois me diga o que est vendo...
Harry se curvou para a bola de cristal e olhou, olhouo maisatentamente que pde, desejando que ela lhe mostrassealgo maisdo que a nvoa branca em espiral, mas 
nada aconteceu.
 Ento!  estimulou a professora com delicadeza.  Que  quevoc est vendo?
O calor era insuportvel e as narinas do garoto ardiam comafumaa perfumada que vinha da lareira ao lado dos dois. Ele pensou no queRony acabara de lhe dizer 
e resolveu fingir.
 Hum... Uma forma escura... Hum...
 Com que se parece?  sussurrou a professora.  Pensebem...
Harry vasculhou sua mente  procura de uma idia e deparou comBicuo.
 Um hipogrifo  disse com firmeza.
 Realmente!  sussurrou Sibila, tomando notas, comentusiasmo, no pergaminho sobre seus joelhos.  Menino, talvez vocesteja vendo o desenlace doproblema do coitado 
do Hagrid com o Ministrio da Magia! Olhe com maisateno... O hipogrifoparece... Ter cabea?
 Sim, senhora  respondeu Harry com firmeza.
 Voc tem certeza?  insistiu a professora.  Voc tembastante certeza, querido? Voc no est vendo o animal se virando nocho, talvez, e um vulto brandindo 
um machado contra ele?
 No!  disse Harry, comeando a se sentir meio enjoado.
 No tem sangue? No tem Hagrid chorando?
 No!  respondeu Harry de novo, querendo mais do quenunca escapar da sala e do calor.  Ele est bem... Est voando...
A Prof. Sibila suspirou.
 Bem, querido, vamos parar por aqui... Um resultadodecepcionante... Mas tenho a certeza de que voc fez o melhor que pde.
Aliviado, Harry se levantou, apanhou a mochila e se virou parair embora, mas, ento, ouviu uma voz alta e rouca s suas costas.
 Vai acontecer hoje  noite.
Harry se virou depressa. A professora ficara dura na cadeira; seus olhos estavam desfocados e sua boca afrouxara.
 D... Desculpe!  disse Harry.
Mas Sibila no pareceu ouvi-lo. Seus olhos comearam a girar.
Harry se sentiu invadido pelo pnico. Ela parecia que ia ter uma espciede acesso. O garotohesitou, pensando em correr at a ala hospitalar e ento a professoratornou 
a falar, com a mesma voz rouca, muito diferente da sua vozhabitual:
 "O Lord das Trevas est sozinho e sem amigos, abandonado pelosseus seguidores. Seu servo esteve acorrentado nos ltimos doze anos. Hoje noite, antes dameia-noite... 
O servo vai se libertar e se juntarao seu mestre. O Lord das Trevas vai ressurgir. Com a ajuda do seuservo, maior e mais terrvel que nunca. Hoje  noite... O 
servo... Vai sejuntar.. Ao seu mestre...
A cabea da professora se pendurou sobre o peito. Ela fez umrudo gutural. Harry continuou ali, os olhos grudados nela. Ento,de repente, a Prof. Sibila aprumou 
a cabea.
 Desculpe, querido  disse com voz sonhadora , o calordo dia, entende... Cochilei por um momento...
Harry continuou parado, os olhos grudados nela.
 Algum problema, meu querido?
 A senhora... A senhora acabou de me dizer que o... Lord dasTrevas vai ressurgir... E que seu servo est indo se juntar a ele...
Prof. Sibila pareceu completamente surpresa.
 O Lord das Trevas? Aquele-Que-No-Deve-Ser-Nomeado? Meuquerido, isso no  coisa com que se brinque... Ressurgir, realmente...
 Mas a senhora acabou de dizer isso! A senhora disse queo Lord das Trevas...
 Acho que voc deve ter cochilado tambm, querido! disse a Prof. Sibila.  Eu certamente no me atreveria a predizer umacoisa to incrvel como essa!
Harry desceu a escada de corda, depois a circular, pensativo... Ser que acabara de ouvir a Prof. Sibila fazer uma predio de verdade?  Ou ser que istoera a 
idia da professora de um fecho impressionante para os exames?
Cinco minutos depois ele estava passando apressado pelos trasgosde segurana,  entrada da Torre daGrifinria, as palavras da Prof. Trelawney ainda ecoandoem 
sua cabea. As pessoas cruzavam por ele, rindo e brincando, a caminhodos jardins e da liberdade h muito esperada; quando ele alcanou oburaco do retrato eentrou 
na sala comunal, o lugar estava quase deserto. A um canto, ele viuRony e Hermione, sentados.
 A Prof. Sibila  comeou Harry ofegante  acabou de medizer...
Mas parou abruptamente ao ver os rostos dos amigos.
 Bicuo perdeu  disse Rony com a voz fraca.  Hagridacabou de nos mandar isso.
O bilhete de Hagrid, desta vez, estava seco, sem lgrimasderramadas, contudo sua mo parecia ter tremido tanto ao escreverque o texto era quase ilegvel.

Perdemos o julgamento do recurso. Vo executar Bicuo ao pr-do-sol. Vocs no podem fazer nada. No desam. No quero que vocs vejam. 
Hagrid.

 Temos que ir  disse Harry na mesma hora.  Ele no pode ficar lsozinho, esperando o carrasco!
 Mas  ao pr-do-sol  disse Rony, que estava espiandopela janela com o olhar meio vidrado.  Nunca nos deixariam... Principalmente a voc, Harry..
Harry apoiou a cabea nas mos, pensando.
 Se ao menos tivssemos a Capa da Invisibilidade...
 Onde  que ela est?  perguntou Hermione.
Harry lhe contou que a deixara na passagem da bruxa de um olhos.
 Se Snape me vir por ali outra vez, vou entrar numa fria terminou ele.
  verdade  concordou Hermione, se levantando.  Se elevir voc... Como  mesmo que se abre a corcunda da bruxa?
 A gente d uma pancada e diz: "Dissendium"  disseHarry.  Mas...
Hermione no esperou o resto da frase; atravessou a sala,empurrou o retrato da Mulher Gorda e desapareceu de vista.
 Ah, no acredito que ela tenha ido buscar!  exclamouRony, acompanhando-a com o olhar.
Dito e feito. Hermione voltou quinze minutos depois com acapa prateada dobrada com cuidado sob suas vestes.
 Mione, no sei o que deu em voc ultimamente!  exclamouRony, espantado.  Primeiro voc mete a mo em DracoMalfoy,depois abandona o curso da Prof. Sibila...
A garota fez cara de quem recebera um elogio.
Os trs desceram para jantar com todos os alunos, mas no voltaram Torre da Grifinria ao terminar. Harry levava a capa escondida na frentedas vestes e tinhaque 
manter os braos cruzados para esconder o volume. Entraramsorrateiramentenuma sala vazia no saguo de entrada e ficaram escutando, at ter certezade queo lugar 
ficara deserto. Ouviram as ltimas duas pessoas atravessaremo saguo correndo e uma porta bater. Hermione meteu a cabea forada porta.
 Tudo bem  sussurrou , no tem ningum... Vamos vestira capa...
Caminhando muito juntos para que ningum os visse, elesatravessaram osaguo na ponta dos ps, cobertos pela capa, e desceram os degraus depedra quelevavam aos 
jardins. O sol j ia se pondo atrs da Floresta Proibida,dourando os ramos mais altos das rvores.
Chegaram  cabana de Hagrid e bateram. O amigo levou umminuto para atender e, quando o fez, ficou procurando o visitantepor todos os lados, plido e trmulo.
 Somos ns  sibilou Harry.  Estamos usando a Capa daInvisibilidade. Deixe a gente entrar para poder tirar a capa.
 Vocs no deviam ter vindo!  sussurrou Hagrid, mas seafastou para os garotos poderem entrar. Depois fechou a porta depressa eHarry arrancou acapa.
Hagrid no estava chorando, nem se atirou ao pescoo deles.
Parecia um homem que no sabia onde estava nem o que fazer. Seudesamparo era pior do que as lgrimas.
 Querem um ch?  perguntou aos garotos. Suas mosenormes tremiam quando apanhou a chaleira.
 Onde  que est o Bicuo, Hagrid?  perguntou Hermione,hesitante.
 Eu... Eu levei ele para fora  respondeu Hagrid,derramando leite pela mesa toda ao tentar encher a jarra.  Est amarradono canteiro de abboras. Achei que ele 
devia ver as rvores e... E respirar ar fresco... Antes...
A mo de Hagrid tremeu com tanta violncia que a jarra deleite escapuliu e se espatifou no cho.
 Eu fao isso, Hagrid  ofereceu-se Hermione depressa,correndo para limpar a sujeira.
 Tem outra no armrio de louas  falou Hagrid, sentando-see limpando a testa na manga. Harry olhou para Rony, que retribuiu seuolhar com desnimo.
 Tem alguma coisa que se possa fazer, Hagrid?  perguntouHarry inflamado, sentando-se ao lado do amigo.  Dumbledore...
 Ele tentou. Mas no tem poder para revogar uma decisoda Comisso. Ele disse aos juizes que Bicuo era normal, mas aComisso est com medo... Vocs sabem como 
 o Lcio Malfoy... Imaginoque deve ter ameaado todos eles... E o carrasco, Macnair,  um velhoconhecido dos Malfoy... Mas vai ser rpido e limpo... E eu vou 
estar do lado do Bicuo...
Hagrid engoliu em seco. Seus olhos percorriam a cabana comose procurassem um fio de esperana ou de consolo.
 Dumbledore vai descer quando... Quando estiver na hora.  Me escreveu hoje de manh. Disse que quer ficar... Ficar comigo.  Grande homem, o Dumbledore...
Hermione, que andara vasculhando o guarda-loua de Hagrid procura de outra leiteira, deixou escapar um pequenosoluo, rapidamente sufocado. Ela se endireitoucom 
a nova leiteira nas mos, lutando para conter as lgrimas.
 Ns vamos ficar com voc tambm, Hagrid  comeou ela,mas o amigo sacudiu a cabea cabeluda.
 Vocs tm que voltar para o castelo. J disse que noquero que assistam. Alis, vocs nem deviam estar aqui... Se Fudge eDumbledore pegarem vocfora do castelo 
sem permisso, Harry, voc vai se meter numa grandeconfuso.
Lgrimas silenciosas escorriam pelo rosto de Hermione, mas elaas escondeu de Hagrid, ocupando-se em fazer o ch. Ento, quando apanhoua garrafa de leitepara encher 
a leiteira, ela soltou um grito.
 Rony!... Eu no acredito...  o Perebas!
O queixo de Rony caiu.
 Do que  que voc est falando?
Hermione levou a leiteira at a mesa e virou-a de boca parabaixo. Com um guincho frentico, e muita correria para voltarpara dentro da jarra, Perebas, o rato, 
deslizou para cima da mesa.
 Perebas!  exclamou Rony sem entender.  Perebas, que que voc est fazendo aqui?
Ele agarrou o rato que se debatia e segurou-o prximo  luz.
Perebas estava com uma aparnciahorrvel. Mais magro que nunca, perdera grandes tufos de plosque deixaram pelado seu corpo, o rato se contorcia nas mos de Rony 
comose estivesse desesperado para se soltar.
 Tudo bem, Perebas!  tranqilizou-o Rony.  No temgatos!No tem nada aqui para te machucar!
Hagrid se levantou de repente, os olhos fixos na janela. Seurosto, normalmente corado, estava da cor de pergaminho.
 A vem eles...Harry, Rony e Hermione se viraram depressa. Um grupo de homensdescia os distantes degraus,  entrada do castelo.  frente vinha AlvoDumbledore, 
a barbaprateada refulgindo ao sol poente. Ao seu lado, caminhava, a passorpido, Cornlio Fudge. Atrs dos dois vinha o membro da Comisso velho efraco, e o carrasco,Macnair.
 Vocs tm que ir embora  disse Hagrid. Cada centmetro de seucorpo tremia.  Eles no podem encontrar vocs aqui... Vo...
Rony enfiou Perebas no bolso, e Hermione apanhou a capa.
 Eu vou abrir a porta dos fundos para vocs  disse Hagrid.
Os garotos o acompanharam at a porta que abria para a horta.
Harry se sentiu estranhamente irreal e mais ainda quando viu Bicuo apoucos passos de distncia,amarrado a uma rvore atrs do canteiro de abboras. O hipogrifo 
pareciasaber que alguma coisa estava acontecendo. Virou a cabea de um lado parao outro e pateouo cho nervosamente.
 Tudo bem, Bicucinho  disse Hagrid com brandura.  Tudo bem...
 E se virando para Harry, Rony e Hermione.  Vo. Andem logo.
Mas os garotos no se mexeram.
 Hagrid, no podemos...
 Vamos contar a eles o que realmente aconteceu...
 No podem matar Bicuo...
 Vo!  disse Hagrid ferozmente.  J est bastante ruim semvocs se meterem em confuso!
Os garotos no tiveram escolha. Quando Hermione jogou a capasobre Harry e Rony, eles ouviram as vozes na entrada da cabana. Hagridficou olhando para olugar de 
onde os garotos tinham acabado de sumir.
 Vo depressa  disse, rouco.  No fiquem ouvindo...
E Hagrid tornou a entrar na cabana no momento em quealgum batia  porta.
Lentamente, numa espcie de transe de horror, Harry, Rony eHermione contornaram a cabana de Hagrid sem fazer barulho.
Quando chegaram do outro lado, a porta de entrada se fechou com umabatida seca.
 Por favor, vamos nos apressar  sussurrou Hermione. No posso suportar, no posso suportar...
Os trs comearam a subir a encosta gramada em direo aocastelo. O sol ia se pondo depressa agora; o cu se tornara cinzento, semnuvens, e tinto de prpura,mais 
para oeste havia uma claridade vermelho-rubi.
Rony parou muito quieto.
 Ah, por favor, Rony  comeou Hermione.
  o Perebas.. Ele no quer... Parar..
Rony se curvou, tentando segurar Perebas no bolso, mas o ratoestavaficando furioso; guinchava feito louco, virava e se debatia,tentando ferrar os dentes nas mos 
de Rony.
 Perebas, sou eu, seu idiota, o Rony.
Os garotos ouviram a porta fechar s suas costas e o som devozes masculinas.
 Ah, Rony, por favor, vamos andando, eles vo executar oBicuo!  murmurou Hermione.
 Ok... Perebas fique quieto...
Eles avanaram; Harry, como Hermione, estava tentando noescutar o rudo surdo das vozes s costas deles, Rony parou maisuma vez.
 No consigo segurar ele! Perebas, cala a boca, todomundo vai nos ouvir...
O rato guinchava alucinado, mas no alto o suficiente paraabafar os rudos que vinham do jardim de Hagrid. Ouviu-se um rumorindistinto de vozesmasculinas, um 
silncio e ento, sem aviso, o som inconfundvel de ummachado cortando o ar e se abatendo sobre o alvo.
Hermione vacilou.
 Executaram Bicuo!  murmurou ela para Harry.  Eu n... No acredito... Eles executaram Bicuo!




CAPTULO DEZESSETE
Gato, Rato e Co

A cabea de Harry se esvaziou com o choque. Os trs garotos ficaramparalisados de horror sob a Capa da Invisibilidade. Os ltimos raios dosol poente lanavam umaclaridade 
sangrenta sobre os imensos campos sombrios da escola. Ento,atrs deles, os garotos ouviram um uivo selvagem.
 Hagrid  murmurou Harry. E, sem pensar no que estavafazendo, fez meno de dar meia-volta, mas Rony e Hermione oseguraram pelos braos.
 No podemos  disse Rony, que estava branco como umafolha de papel.  Hagrid vai ficar numa situao muito pior se souberemque fomos  casa dele...
A respirao de Hermione estava rasa e desigual.
 Como... Puderam... Fazer... Isso?  engasgou-se a garota. Como puderam?
 Vamos  disse Rony, cujos dentes davam a impresso deestar batendo.
Os trs voltaram ao castelo, andando devagar, para se manterescondidos sob a capa. A claridade ia desaparecendo depressa agora.
Quando chegaram  rea ajardinada,a escurido desceu, como por encanto, a toda volta.
 Perebas, fica quieto  sibilou Rony, apertando a mocontra o peito. O rato se debatia, enlouquecido. Rony parou de repente,tentando empurr-lopara o fundo do 
bolso.  Que  que h com voc, seu rato burro? Ficaparado a... AI! Ele me mordeu!
 Rony, fica quieto!  cochichou Hermione com urgncia. Fudge vai nos alcanar em um minuto...
 Ele no quer.. Ficar... Parado...
Perebas estava visivelmente aterrorizado. Contorcia-se comtodas as suas foras, tentando se desvencilhar da mo de Rony.
 Que  que h com ele?
Mas Harry acabara de ver, esquivando-se em direo ao grupo, ocorpo colado no cho, grandes olhos amarelos que brilhavam lugubrementeno escuro, Bichento.
Se podia v-los ou se estava seguindo os guinchos de Perebas, Harry nosaberia dizer.
 Bichento!  gemeu Hermione.  No! Vai embora, Bichento! Vaiembora!
Mas o gato se aproximava sempre mais...
 Perebas... NO!
Tarde demais, o rato escorregou por entre os dedos apertados deRony, bateu no cho e fugiu precipitadamente. De um salto, Bichento saiuem seu encalo,e antes 
que Harry ou Hermione pudessem det-lo, Rony arrancara a Capa daInvisibilidade e se arremessava pela escurido.
 Rony  gemeu Hermione.
Ela e Harry se entreolharam e correram atrs do amigo; eraimpossvel correr com desenvoltura com a capa por cima; arrancaram-na eela ficou voando paratrs como 
uma bandeira, quando os dois saram desabalados atrs de Rony; ouviram os passos dele  frente e seus gritos paraBichento.
 Fique longe dele... Fique longe... Perebas, volta aqui...
Ouviu-se um baque sonoro.
 Te peguei! D o fora, seu gato fedorento...
Harry e Hermione quase caram em cima de Rony; pararam derrapandodiante dele. O amigo estava esparramado no cho, mas Perebas j estava devolta ao bolso;
Rony apertava com as duas mos um calombo trepidante.
 Rony... Vamos... Volta para baixo da capa...  ofegou Hermione.
 Dumbledore... O ministro... Eles vo voltar para o castelo j, j...
Mas antes que pudessem se cobrir outra vez, antes que pudessemsequer recuperar o flego, eles ouviram o rudo macio de patasgigantescas. Algo estava saltandoda 
escurido em sua direo, um enorme co negro de olhos claros.
Harry tentou pegar a varinha, mas tarde demais, o co investiradando um enorme salto, e suas patas dianteiras atingiram o garoto nopeito; Harry caiu paratrs 
num redemoinho de plos; sentiu o hlito quente do animal, viu seu dente de mais de doiscentmetros...
Mas a fora do salto impelira o co longe demais; ultrapassaraHarry. Aturdido, com a sensao de que suas costelas tinham quebrado, ogaroto tentou se levantar; 
ouviu o co rosnar e derrapar se posicionandopara um novo ataque.
Rony estava de p. Quando o co saltou contra os dois, eleempurrou Harry para o lado; e, em vez de Harry, as mandbulas do bichoabocanharam o brao estendidode 
Rony. Harry se atirou para cima dele, agarrou uma mo cheia de plosdo co, mas o bruto foi arrastando Rony para longe com a facilidade comque arrastaria umaboneca 
de trapos...
Ento, ele no viu de onde, uma coisa atingiu seu rosto com tantafora que ele foi novamente derrubado no cho. Harry ouviu Hermionegritar de dor e cairtambm. 
O menino tateou  procura de sua varinha, piscando para limpar osangue dos olhos...
 Lumus! sussurrou.
A luz produzida pela varinha mostrou-lhe um grosso tronco dervore; tinham corrido atrs de Perebas at a sombra do SalgueiroLutador, cujos ramos estalavamcomo 
se estivessem sendo aoitados por um forte vento, avanavam erecuavam para impedir os garotos de se aproximarem.
E ali, na base do tronco, o co arrastava Rony para dentro deum grande buraco entre as razes  o garoto lutava furiosamente,mas sua cabea e seu tronco foram 
desaparecendo de vista...
 Rony!  gritou Harry, tentando segui-lo, mas um pesado galhochicoteou ameaadoramente o ar e ele foi forado a recuar.
Agora estava visvel apenas uma das pernas de Rony, que eleenganchara em torno de uma raiz na tentativa de impedir o co de arrast-lomais para o fundoda terra, 
mas um estampido terrvel cortou o ar feito um tiro; a pernade Rony se partiu e um instante depois, seu p desaparecera de vista.
 Harry... Temos que procurar ajuda...  gritou Hermione; elatambm sangrava; o salgueiro a cortara na altura dos ombros.
 No! Aquela coisa  bastante grande para comer Rony; no temostempo...
 Harry nunca vamos conseguir entrar sem ajuda...
Mais um galho desceu como um chicote em sua direo, os raminhoscurvados como articulaes de dedos.
 Se aquele co pde entrar, ns tambm podemos, ofegouHarry, correndo para um lado e para outro, tentando encontraruma brecha entre os galhos que varriam com 
violncia o ar, masno podia se aproximar nem mais um centmetro das razes da rvore semficar ao alcance dos golpes que ela desferia.
 Ah, socorro, socorro  murmurava freneticamenteHermione, danando no mesmo lugar , por favor...
Bichento disparou adiante dos garotos. Deslizou por entre osgalhos agressores como uma cobra e colocou as patas dianteiras sobre umn que havia no tronco.
Abruptamente, como se a rvore tivesse se transformado empedra, ela parou de se movimentar. Sequer uma folha virava ousacudia.
 Bichento!  sussurrou Hermione insegura. Ela agoraapertava o brao de Harry com tanta fora que provocava dor.  Como que ele sabia...?
 Ele  amigo daquele co  respondeu Harry, sombriamente.  J os vi juntos. Vamos... E mantenha a varinha na mo...
Os dois venceram a distncia at o tronco em segundos, mas antesque pudessem alcanar o buraco nas razes, Bichento deslizara para dentrocom um aceno doseu rabo 
de escovinha. Harry entrou em seguida; avanou arrastando-se, acabea  frente, e escorregou por uma descida de terra at o leito de umtnel muito baixo.
Bichento ia mais adiante, os olhos faiscando  luz da varinha de Harry.
Segundos depois, Hermione escorregou para junto do garoto.
 Onde  que foi o Rony?  sussurrou ela com terror navoz.
 Por ali  respondeu Harry, caminhando, curvado, atrs deBichento.
 Onde  que vai dar esse tnel?  perguntou Hermione,ofegante.
 Eu no sei... Est marcado no Mapa do Maroto, mas Fred eJorge disseram que ningum nunca tinha entrado. Ele continuapara fora do mapa, mas parecia que ia em 
direo a Hogsmeade...
Os garotos caminharam o mais rpido que puderam, quase dobradosem dois;  frente, o rabo de Bichento entrava e saa do seu campo deviso. E a passagemno tinha 
fim; dava a impresso de ser no mnimo to longa quanto a quelevava  Dedosdemel. Harrys conseguia pensar em Rony e no que aquele canzarropodia estar fazendo 
com o seu amigo... Ele respirava em arquejoscurtos e dolorosos, correndo agachado... E ento o tnel comeou a subir; momentos depois se virou eBichento tinha 
desaparecido. Em vez do gato, Harry viu um espao maliluminado por meio de uma pequena abertura.
Ele e Hermione pararam, procurando recuperar o flego,depois avanaram cautelosamente. Os dois ergueram as varinhaspara ver o que havia alm.
Era um quarto, muito desarrumado e poeirento. O papel descascavadas paredes; havia manchas por todo o cho; cada mvel estava quebradocomo se algum otivesse 
atacado.  As janelas estavam vedadas com tbuas.
Harry olhou para Hermione, que parecia muito amedrontada,mas concordou com um aceno de cabea.
Harry saiu pelo buraco, olhando para todos os lados. O quartoestava deserto, mas havia uma porta aberta  direita, que levava a umcorredor sombrio. Hermione, de 
repente, tornou a agarrar o braode Harry. Seus olhos arregalados percorreram as janelas vedadas.
 Harry  cochichou ela , acho que estamos na Casa dosGritos.
Harry olhou a toda volta. Seus olhos se detiveram em uma cadeirade madeira,prxima. Havia grande pedaos partidos; umadas pernas fora inteiramente arrancada.
 Fantasmas no fazem isso  comentou ele calmamente. Naquelemomento, os dois ouviram um rangido no alto. Alguma coisa se mexera noandar de cima. Osdois olharam 
para o teto. Hermione apertava o brao de Harry com tantafora que ele estava perdendo a sensibilidade nos dedos. O garoto ergueuas sobrancelhas paraela; Hermione 
concordou outra vez e soltou-o.
O mais silenciosamente que puderam, os dois saram para ocorredor e subiram uma escada desmantelada. Tudo estava cobertopor uma espessa camada de poeira, exceto 
o cho, onde uma largafaixa brilhante fora aparentemente limpa por uma coisaarrastadapara o primeiro andar.
Eles chegaram ao patamar escuro.
 Nox  sussurraram ao mesmo tempo, e as luzes naspontas desuas varinhas se apagaram. Havia apenas uma porta aberta.
Ao seesgueirarem nessa direo, ouviram um movimento atrs daporta; um gemido baixo e em seguida um ronronar alto e grave.
Elestrocaram um ltimo olhar e um ltimo aceno de cabea.
A varinha empunhada com firmeza  frente, Harryescancaroua porta com um chute.
Numa imponente cama de colunas, com cortinas empoeiradas,encontrava-se Bichento, que ronronou alto ao v-los. No cho ao lado dogato, agarrando a pernaestendida 
num ngulo estranho, encontrava-se Rony.
Harry e Hermione correram para o amigo.
 Rony... Voc est bem?
 Onde est o co?
 No  um co  gemeu Rony. Seus dentes rilhavam de dor.  Harry uma armadilha...
 Que...
 Ele  o co... Ele  um Animago...
Rony olhava fixamente por cima do ombro de Harry. Este se viroudepressa. Com um estalo, o homem nas sombras fechou aporta do quarto.
Uma massa de cabelos imundos e embaraados caam at seuscotovelos. Se seus olhos no estivessem brilhando emrbitas fundas e escuras, ele poderia sertomado por 
um cadver. A pele macilenta estava to esticada sobre osossos do rosto, que ele lembrava uma caveira. Os dentes amarelos estavamarreganhados num sorriso.
Era Sirius Black.
 Expelliarmus!  disse com voz rouca, apontando a varinha deRony para os garotos.
As varinhas de Harry e Hermione saram voando de suas mose Black as recolheu. Ento se aproximou. Seus olhos estavam fixosem Harry.
 Achei que voc viria ajudar seu amigo.  A voz dava a impressode que havia muito tempo ele perdera o hbito de us-la.  Seu pai teriafeito o mesmopor mim. 
Foi muita coragem no correr  procura de um professor. Ficoagradecido... Vai tornar as coisas muito mais fceis...
A referncia sarcstica ao seu pai ecoou nos ouvidos de Harrycomo se Black a tivesse gritado. Um dio escaldante explodiu em seupeito, no deixando lugarpara 
o medo. Pela primeira vez na vida ele desejou ter a varinha nasmos, no para se defender, mas para atacar... Para matar. Sem saber oque estava fazendo, comeoua 
avanar, mas percebeu um movimento repentino de cada lado doseu corpo e dois pares de mos o puxaram e o mantiveram parado.
 No, Harry!  exclamou Hermione num sussurro petrificado; Rony,porm, se dirigiu a Black.
 Se voc quiser matar Harry, ter que nos matartambm! disse impetuosamente, embora o esforo de ficar de ptivesseacentuado sua palidez e ele oscilasse um 
pouco ao falar.
Alguma coisa brilhou nos olhos sombrios de Black.
 Deite-se  disse brandamente a Rony.  Voc vaipiorar a fratura nessa perna.
 Voc me ouviu?  disse Rony com a voz fraca, emboraseapoiasse dolorosamente em Harry para se manter de p. Voc vaiter que matar os trs!
 S vai haver uma morte aqui hoje  noite  disseBlack, e seusorriso se alargou.
 Por qu?  perguntou Harry com veemncia, tentando sedesvencilhar de Rony e Hermione.  Voc no se importou comisso da ltima vez, no foi mesmo? No se importou 
demataraqueles trouxas todos para atingir Pettigrew... Que foique houve,amoleceu em Azkaban?
 Harry!  choramingou Hermione.  Fica quieto!
 ELE MATOU MINHA ME E MEU PAI!  bradou Harry,com grande esforo, se desvencilhou de Hermione e Ronyque oretinham pelos braos, e avanou...
Harry esquecera a magia, esquecera que era baixo emagricela e tinha treze anos, enquanto Black era um homem alto e adulto, ele s sabia que queria ferir Black da 
maneira maishorrvel quepudesse e no se importava se fosse ferido tambm...
Talvez fosse o choque de ver Harry fazer uma coisa toidiota,mas Black no ergueu as varinhas em tempo. Uma das mosdeHarry segurou seu pulso magro, forando 
as pontas dasvarinhaspara baixo; o punho de sua outra mo atingiu o lado dacabea deBlack e os dois caram de costas contra a parede...
Hermione gritava; Rony berrava; houve um relmpago ofuscante quando asvarinhas na mo de Black emitiram um jorro defagulhas no ar que, por centmetros, no atingiu 
o rostodeHarry.
O garoto sentiu o brao magro sob seus dedos se torcerfuriosamente,mas continuou a segur-lo, a outra mo socando cada parte docorpo de Black que conseguia alcanar.
Mas a mo livre de Black encontrou a garganta deHarry...
 No  sibilou ele.  Esperei tempo demais...
Seus dedos intensificaram o aperto, Harry ficou sem ar, seusculos entortaram no rosto.
Ento ele viu o p de Hermione, vindo no sabia de onde, erguer-seno ar. Black largou Harry com um gemido de dor; Rony se atirara sobrea mo com que Blacksegurava 
as varinhas e Harry ouviu uma batida leve...
Ele lutou para se livrar dos corpos embolados e viu sua varinharolando pelo cho; atirou-se para ela mas...
 Arre!
Bichento entrara na briga; o par dianteiro de garras se enterroufundo no brao de Harry; o garoto se soltou, mas agora o gato corria parasua varinha...
 NO VAI NO!  berrou Harry, e mirou um pontap no gatoque o fez saltar para o lado, bufando; o garoto agarrou a varinha, virou-see...
 Saiam da frente!  gritou para Rony e Hermione.
No foi preciso falar duas vezes. Hermione, ofegante, a bocasangrando, atirou-se para o lado, ao mesmo tempo em que recuperava asvarinhas dela e de Rony. O garoto 
arrastou-se at a cama decolunas e largou-se sobre ela, arquejante, o rosto plido agora setingindo de verde, as mos segurando a perna quebrada.
Black estava esparramado junto  parede. Seu peito magrosubia e descia rapidamente enquanto observava Harry se aproximar devagar,a varinha apontada para o seu 
corao.
 Vai me matar, Harry?  murmurou ele.
O garoto parou bem em cima de Black, a varinha ainda apontadapara o seu corao, encarando-o do alto. Um inchao plidosurgia em torno do olho esquerdo do homem 
e seu nariz sangrava.
 Voc matou meus pais  acusou-o Harry, com a voz ligeiramentetrmula, mas a mo segurando a varinha com firmeza.
Black encarou-o com aqueles olhos fundos.
 No nego que matei  disse muito calmo.  Mas se voc soubesseda histria completa...
 A histria completa?  repetiu Harry, os ouvidoslatejando furiosamente.  Voc vendeu meus pais a Voldemort.  s issoquepreciso saber.
 Voc tem que me ouvir  disse Black, e havia agora uma urgnciaem sua voz.  Voc vai se arrepender se no me ouvir.... Voc no compreende...
 Compreendo muito melhor do que voc pensa  disse Harry, e suavoz tremeu mais que nunca.  Voc nunca a ouviu, no ? Minha me... Tentando impedir Voldemort 
de me matar... E foi voc que fezaquilo... Voc  que fez...
Antes que qualquer dos dois pudesse dizer outra palavra, umacoisa alaranjada passou correndo por Harry; Bichento saltou para o peitode Black e se sentouali, bem 
em cima do corao. O homem pestanejou e olhou para o gato.
 Saia da  murmurou o homem, tentando empurrar Bichento paralonge.
Mas o gato enterrou as garras nas vestes de Black e no se mexeu.
Ento virou a cara amassada e feia para Harry e encarou-o com aquelesgrandes olhosamarelos...  sua direita, Hermione soltou um soluo seco.
Harry encarou Black e Bichento, apertando com mais fora avarinha na mo. E da se tivesse que matar o gato tambm? O bicho estavamancomunado com Black...
Se estava disposto a morrer para proteger o homem, no era de suaconta... Se o homem queria salv-lo, isso s provava que se importavamais com Bichento do quecom 
os pais de Harry...
O garoto ergueu a varinha. Agora era o momento de agir. Agora erao momento de vingar seu pai e sua me. Ia matar Black.
Tinha que matar Black. Era a sua chance...
Os segundos se alongaram. E Harry continuou paralisado ali, com avarinha em posio, Black olhando para ele, com Bichento sobre o peito.
Ouvia-se a penosarespirao de Rony prximo  cama; Hermione guardava silncio. Ento ouviu-se um novo rudo...
Passos abafados ecoaram pelo cho, algum estava andandono andar de baixo.
 ESTAMOS AQUI EM CIMA!  gritou Hermione de repente.
 ESTAMOS AQUI EM CIMA... SIRIUS BLACK... DEPRESSA!
Black fez um movimento assustado que quase desalojou Bichento; Harry apertou convulsivamente a varinha. Aja agoradisse uma voz em sua cabea. Mas os passos 
reboavam escada acima e Harryainda no agira.
A porta do quarto se escancarou com um jorro de fascas vermelhase Harry se virou na hora em que o Prof. Lupin irrompeu noquarto, seu rosto exangue, a varinha 
erguida e pronta. Seus olhospiscaram ao ver Rony, deitado no cho, Hermione encolhida pertoda porta, Harry parado ali com a varinha apontada para Black, e oprprio 
Black, cado e sangrando aos ps do garoto.
 Expelliarmus! gritou Lupin.
A varinha de Harry voou mais uma vez de sua mo; as duas queHermione segurava tambm. Lupin apanhou-as agilmente e avanou peloquarto, olhando para Black,que 
ainda tinha Bichento deitado numa atitude de proteo sobre seupeito.
Harry ficou parado ali, sentindo-se subitamente vazio. No agira. Faltara-lhe a coragem. Black ia ser entregue aosdementadores.
Ento Lupin perguntou com a voz muito tensa.
 Onde  que ele est, Sirius?
Harry olhou depressa para Lupin. No entendeu o que o professorqueria dizer. De quem estava falando? Virou-se para olharBlack outra vez.
O rosto do homem estava impassvel. Por alguns segundos Black nemse mexeu. Depois, muito lentamente, ergueu a mo vazia e apontou paraRony. Aturdido, Harryse 
virou para Rony, que por sua vez parecia confuso.
 Mas, ento...  murmurou Lupin, encarando Black com talintensidade que parecia estar tentando ler sua mente  por queele no se revelou antes? A no ser que... 
 os olhos deLupin searregalaram, como se estivesse vendo alguma coisa alm deBlack, alguma coisa que mais ningum podia ver  a no ser queele fosseo... A 
no ser que voc tivesse trocado... Sem me dizer?
Muito lentamente, com o olhar fundo cravado no rosto deLupin, Black confirmou com um aceno de cabea.
 Professor  interrompeu Harry, em voz alta , que  que estacontecendo...?
Mas nunca chegou a terminar a pergunta, porque o que viu fezsua voz morrer na garganta. Lupin estava baixando a varinha, osolhos fixos em Black. O professor foi 
at Black, apanhou avarinha dele, levantou-o de modo que Bichento caiu no cho e abraouBlack como a um irmo.
Harry sentiu como se o fundo do seu estmago tivesse despencado.
 EU NO ACREDITO!  berrou Hermione.
Lupin soltou Black e se virou para a garota. Ela se erguera docho e estava apontando para Lupin, de olhos arregalados.
 O senhor... O senhor...
 Hermione...
 ... O senhor e ele!
 Hermione se acalme...
 Eu no contei a ningum!  esganiou-se a garota. Tenho encoberto o senhor...
 Hermione, me escute, por favor!  gritou Lupin.  Possoexplicar...
Harry sentia o corpo tremer, no com medo, mas com umanova onda de fria.
 Eu confiei no senhor  gritou ele para Lupin, sua voz sedescontrolando , e o tempo todo o senhor era amigo dele!
 Voc est enganado  disse Lupin.  Eu no era amigo deSirius, mas agora sou... Deixe-me explicar..
 NO!  berrou Hermione.  Harry no confie nele, ele temajudado Black a entrar no castelo, ele quer ver voc morto tambm... Ele um Lobisomen!
Houve um silncio audvel. Os olhos de todos agora estavampostos em Lupin, que parecia extraordinariamente calmo, emboramuito plido.
 O que disse no est  altura do seu padro de acertos,Hermione. Receio que tenha acertado apenas uma afirmao em trs. Eu notenho ajudado Siriusa entrar 
no castelo e certamente no quero ver Harry morto...  Umestranho tremor atravessou seu rosto.  Mas no vou negar que seja umLobisomen.
Rony fez um corajoso esforo para se levantar outra vez, mascaiu com um gemido de dor. Lupin adiantou-se para ele, parecendopreocupado, mas Rony exclamou:
 Fique longe de mim, Lobisomen!
Lupin se imobilizou. Depois, com bvio esforo, virou-se paraHermione e perguntou:
 H quanto tempo voc sabe?
 H sculos!  sussurrou Hermione.  Desde a redao doProf. Snape...
 Ele ficar encantado  disse Lupin tranqilo.  Passouaquela redao na esperana de que algum percebesse o que significavamos meus sintomas.  Voc verificou 
a tabela lunar e percebeuque eu sempre ficava doente na lua cheia? Ou voc percebeu que obicho-papo se transformava em lua quando me via?
 Os dois  respondeu Hermione em voz baixa.
Lupin forou uma risada.
 Voc  a bruxa de treze anos mais inteligente que jconheci, Hermione.
 No sou, no  sussurrou Hermione.  Se eu fosse umpouco mais inteligente, teria contado a todo mundo quem o senhor !
 Mas todos j sabem. Pelo menos os professores sabem.
 Dumbledore contratou o senhor mesmo sabendo que o senhor um Lobisomen?  exclamou Rony.  Ele  louco?
 Alguns professores acharam que sim  respondeu Lupin. Ele teve que trabalhar muito para convencer certos professores deque eu sou digno de confiana...
 E ELE ESTAVA ENGANADO!  berrou Harry.  O SENHOR ESTEVEAJUDANDO ELE O TEMPO TODO!  Ogaroto apontou para Black, que, de repente atravessou o quarto em direo 
cama de colunas e afundounela, o rosto escondido em uma das mos trmulas. Bichentosaltou para junto dele e subiu no seu colo, ronronando. Rony se afastoudevagarinho 
dos dois, arrastando a perna.
 Eu no estive ajudando Sirius  respondeu Lupin.  Se vocme der uma chance, eu explico.  Olhe...
O professor separou as varinhas de Harry, Rony e Hermione edevolveu-as aos donos. Harry apanhou a dele, espantado.
 Pronto  disse Lupin, enfiando a prpria varinha nocinto.  Vocs esto armados e ns, no. Agora vo me ouvir?
Harry no sabia o que pensar. Seria um truque?
 Se o senhor no esteve ajudando  disse, lanando umolhar furioso a Black , como  que soube que ele estava aqui?
 O mapa. O Mapa do Maroto. Eu estava na minha salaexaminando-o...
 O senhor sabe trabalhar com o mapa?  indagou Harrydesconfiado.
 Claro que sei  disse Lupin fazendo um gesto impacientecom a mo.  Ajudei a prepar-lo. Eu sou Aluado, esse era o apelido quemeus amigos me davamna escola.
 O senhor preparou...?
 O importante  que eu estava examinando o mapaatentamente hoje  noite, porque imaginei que voc, Rony e Hermionepoderiam tentar sair, escondidos, do castelo 
para visitar Hagrid antesda execuo do hipogrifo. E estava certo, no  mesmo?
Lupin comeara a andar para cima e para baixo do quarto, comos olhos fixos nos garotos. Pequenas nuvens de p se levantavamaos seus ps.
 Voc poderia estar usando a velha capa do seu pai,Harry...
 Como  que o senhor sabia da capa?
 O nmero de vezes que vi Tiago desaparecer debaixo dacapa...  disse, fazendo outro gesto de impacincia com a mo.  Aquesto  que, mesmo quandoa pessoa est 
usando a Capa da Invisibilidade, ela continua a aparecer noMapa do Maroto. Observei vocs atravessarem os jardins e entrar na cabanade Hagrid. Vinteminutos depois, 
vocs saram e voltaram em direo ao castelo. Mas,ento, iam acompanhados por mais algum.
 Qu?  exclamou Harry.  No, no amos!
 Eu no podia acreditar no que estava vendo  continuou oprofessor, prosseguindo a caminhada e fingindo no ter ouvido ainterrupo de Harry. -Achei que o mapa 
no estava registrando direito. Como  que ele podiaestar com vocs?
 No tinha ningum com a gente!
 Ento vi outro pontinho, andando depressa em suadireo, rotulado Sirius Black... Vi-o colidir com voc; observeiquandoarrastou dois de vocs para dentro do 
Salgueiro Lutador...
 Um de ns!  corrigiu-o Rony, zangado.
 No, Rony. Dois de vocs.
Ele parou de andar, os olhos em Rony.
 Voc acha que eu poderia dar uma olhada no rato? perguntou com a voz equilibrada.
 Qu?  exclamou Rony.  Que  que o Perebas tem a vercom isso?
 Tudo. Posso v-lo, por favor?
Rony hesitou, depois enfiou a mo nas vestes. Perebas apareceu,debatendo-se desesperadamente; o garoto teve que segur-lo pelo longorabo pelado para impedi-lode 
fugir. Bichento ficou em p na perna de Black e sibilou baixinho.
Lupin se aproximou de Rony. Parecia estar prendendo a respiraoenquanto examinava Perebas atentamente.
 Qu?  repetiu Rony, segurando Perebas mais perto com umar apavorado.  Que  que meu rato tem a ver com qualquer coisa?
 Isto no  um rato  disse Sirius Black, de repente, com a vozrouca.
 Que  que voc est dizendo...  claro que  umrato...
 No, no   confirmou Lupin calmamente.   umbruxo.
 Um Animago  disse Black  que atende pelo nome dePedroPettigrew.














CAPTULO DEZOITO
Aluado, Rabicho, Almofadinhas e Pontas

Levou alguns segundos para os garotos absorverem o absurdo destaafirmao. Ento Rony disse em voz alta o que Harry estava pensando.
 Vocs dois so malucos.
 Ridculo!  exclamou Hermione baixinho.
 Pedro Pettigrew est morto!  afirmou Harry.  Ele omatou h doze anos!  O garoto apontou para Black, cujo rosto tremeuconvulsivamente.
 Tive inteno  vociferou o acusado, os dentes amarelos mostra , mas o Pedrinho levou a melhor... Mas desta vez no!
E Bichento foi atirado ao cho quando Black avanou paraPerebas; Rony berrou de dor ao receber o peso de Black sobre suaperna quebrada.
 Sirius, NO!  berrou Lupin atirando-se  frente eafastando Black para longe de Rony.  ESPERE! Voc no pode fazer issoassim... Eles precisam entender... Temos 
que explicar...
 Podemos explicar depois!  rosnou Black, tentando tirarLupin do caminho. Ainda mantinha uma das mos no ar, com a qual tentavaalcanar Perebas,que, por sua 
vez, guinchava feito um porquinho, arranhando o rosto e opescoo de Rony, tentando escapar.
 Eles tm... O... Direito... De... Saber... De... Tudo! ofegou Lupin, ainda tentando conter Black.  Ele foi bicho de estimaode Rony! E tempartes dessa histria 
que nem eu compreendo muito bem! E Harry... Vocdeve a verdade a ele, Sirius!
Black parou de resistir, embora seus olhos fundos continuassemfixos em Perebas, firmemente seguro sob as mos mordidas,arranhadas e sangrentas de Rony.
 Est bem, ento  concordou Black, sem desgrudar osolhosdo rato.  Conte a eles o que quiser. Mas faa isso depressa, Remo, querocometer o crime pelo qual fui 
preso...
 Vocs so pirados, os dois  disse Rony trmulo,procurando com os olhos o apoio de Harry e Hermione.  Para mim chega.  Estou fora.
O garoto tentou se levantar com a perna boa, mas Lupintornou a erguer a varinha, apontando-a para Perebas.
 Voc vai me ouvir at o fim, Rony  disse calmamente. S quero que mantenha Pedro bem seguro enquanto me ouve.
 ELE NO  PEDRO, ELE  PEREBAS!  berrou Rony, tentandoempurrar o rato para dentro do bolso das vestes, mas Perebas resistia comtodas as foras;
Rony oscilou e se desequilibrou, mas Harry o amparou e empurrou de volta cama. Ento, sem dar ateno a Black, Harry se dirigiu a Lupin.
 Houve testemunhas que viram Pettigrew morrer  disse. Uma rua cheia...
 Eles no viram o que pensaram que viram!  disse Blackferozmente, ainda vigiando Perebas se debater nas mos de Rony.
 Todos pensaram que Sirius tinha matado Pedro  confirmouLupin acenando a cabea.  Eu mesmo acreditei nisso, at ver o mapa hoje noite. Porqueo Mapa do Maroto 
nunca mente... Pedro est vivo. Na mo de Rony, Harry.
Harry baixou os olhos para Rony, e quando seus olhares seencontraram, os dois concordaram silenciosamente: Black e Lupin estavamdelirando. A histria delesno 
fazia o menor sentido. Como Perebas poderia ser Pedro Pettigrew?
Azkaban, afinal, devia ter endoidado Black, mas por que Lupin estavafazendo o jogo dele?
Ento Hermione falou, numa voz trmula que se pretendia calma,como se tentasse fazer o professor falarsensatamente.
 Mas Prof. Lupin... Perebas no pode ser Pettigrew... Nopode ser verdade, o senhor sabe que no pode...
 Por que no pode?  perguntou Lupin calmamente, como seestivessem na sala de aula e Hermione apenas levantasse um problemarelativo a uma experinciacom grindylows.
 Porque... Porque as pessoas saberiam se Pedro Pettigrewtivesse sido um Animago. Estudamos Animagos com aProf. McGonagall. E procurei maiores informaesquando 
fiz o meu dever decasa, o Ministrio da Magia controla os bruxos e bruxas que socapazes de se transformar em animais; h um registro que mostraem que animal 
se transformam, o que fazem, quais os seus sinais deidentificao e outrosdados... E fui procurar o nome da Prof. McGonagall no registro e vi ques houve sete 
Animagos neste sculo e o nome de Pettigrew no constava dalista...
Harry mal tivera tempo de se admirar intimamente com oesforo que Hermione investia nos deveres de casa, quando Lupincomeou a rir.
 Certo, outra vez Hermione!  exclamou.  Mas o Ministrionunca soube que havia trs Animagos no registrados  solta emHogwarts.
 Se voc vai contar a histria aos garotos, se apresse,Remo  rosnou Black, que continuava vigiando cada movimento desesperadode Perebas.  Espereidoze anos, 
no vou esperar muito mais.
 Est bem... Mas voc precisa me ajudar, Sirius  disseLupin , s conheo o inicio...
Lupin parou. Tinham ouvido um rangido alto s costas dele. Aporta do quarto se abriu sozinha. Os cincos olharam. Ento Lupinfoi at a porta e espiou para o patamar.
 No h ningum a fora...
 Esse lugar  mal-assombrado!  comentou Rony.
 No , no  disse Lupin, ainda observando intrigado aporta.  A Casa dos Gritos nunca foi mal-assombrada... Os gritos euivos que os moradores do povoado costumavam 
ouvir eram meus.
Ele afastou os cabelos grisalhos da testa, pensou um instante, edisse:
 Foi onde tudo comeou, com a minha transformao emLobisomen. Nada poderia ter acontecido se eu no tivesse sidomordido... E no tivesse sido to imprudente...
Ele parecia sbrio e cansado. Rony ia interromp-lo, masHermione fez "psiu!". Ela observava Lupin com muita ateno.
 Eu ainda era garotinho quando levei a mordida. Meus paistentaram tudo, mas naquela poca no havia cura. A poo que o Prof. Snape tem preparadopara mim  uma 
descoberta muito recente. Me deixa seguro, entende. Desdeque eu a tome uma semana antes da lua cheia, posso conservar asfaculdades mentais quandome transformo... 
E posso me enroscar na minha sala, um loboinofensivo,  espera da mudana de lua.
 Porm, antes da Poo de Mata-co ser descoberta, eu meTransformava em um perfeito monstro uma vez por ms. Pareciaimpossvel que eu pudesse freqentar Hogwarts. 
Outros pais no iriamquerer expor os filhos a mim. Mas, ento, Dumbledore se tornou diretor e ele se condoeu. Disseque se tomssemos certas precaues, no havia 
razo para eu nofreqentar a escola Lupin suspirou e olhou diretamente para Harry.
 Eu lhe disse, h alguns meses, que o Salgueiro Lutador foiplantado no ano em que entrei para Hogwarts. A verdade  que ele foiplantado porque eu entreipara 
Hogwarts. Esta casa  Lupin correu os olhos cheios de tristeza peloquarto  e o tnel que vem at aqui foram construdos para meu uso. Umavez por ms eu eratrazido 
do castelo para c, para me transformar. A rvore foi colocada naboca do tnel para impedir que algum se encontrasse comigo durante o meuperodo perigoso.
Harry no conseguia imaginar onde a histria iria chegar, mas,mesmo assim, ouvia arrebatado. O nico som, alm da voz deLupin, eram os guinchos assustados de Perebas.
 As minhas transformaes naquele tempo eram... Eram terrveis.   muito doloroso algum virar Lobisomen. Eu era separado das pessoas paramorder  vontade,ento 
eu me arranhava e me mordia. Os moradores do povoado ouviam obarulho e os gritos e achavam que estavam ouvindo almas do outro mundoparticularmente violentas. Dumbledore 
estimulava os boatos... Ainda hoje, que a casa tem estadosilenciosa h anos, os moradores de Hogsmeade no tm coragem de seaproximar...
 Mas tirando as minhas transformaes, eu nunca tinha sido tofeliz na vida. Pela primeira vez, eu tinha amigos, trs grandes amigos.  Sirius Black... PedroPettigrew... 
E, naturalmente, seu pai, Harry, Tiago Potter.  Agora, meus trs amigos no puderam deixar de notar que eudesaparecia uma vez por ms. Eu inventava todo o tipo 
de histrias. Diziaque minha me estavadoente, que tinha ido em casa v-la... Ficava aterrorizado em pensar queeles me abandonariam se descobrissem o que eu era. 
Mas  claro que eles,como voc, Hermione,descobriram a verdade...
 E no me abandonaram. Em vez disso, fizeram uma coisa pormim que no s tornou as minhas transformaes suportveis,como me proporcionou os melhores momentos 
da minha vida. Elesse transformaram em Animagos.
 Meu pai tambm?  perguntou Harry, espantado.
 Certamente. Eles gastaram quase trs anos para descobrircomo fazer isso. Seu pai e Sirius eram os alunos mais inteligentes daescola, o que foiuma sorte, porque 
se transformar em Animago  uma coisa que pode sairbarbaramente errada,  uma das razes por que o ministrio acompanha deperto os que tentam. Pedro precisou de 
toda a ajuda que pde obter de Tiago e Sirius.  Finalmente no nosso quinto ano, eles conseguiram. Podiam se transformarem um animal diferente quandoqueriam.
 Mas como foi que isso ajudou o senhor?  perguntouHermione, intrigada.
 Eles no podiam me fazer companhia como seres humanos,ento me faziam companhia como animais. Um Lobisomen s apresenta perigopara gente. Elessaam escondidos 
do castelo todos os meses, encobertos pela Capa daInvisibilidade de Tiago. E se transformavam... Pedro, por ser o menor,podia passar por baixodos ramos agressivos 
do Salgueiro e empurrar o boto para imobiliz-lo. Os outros dois, ento, podiam escorregar pelo tnel e se reunir a mim.  Sob a influncia deles,eu me tornei menos 
perigoso. Meu corpo ainda era o de um lobo, mas minhamente se tornava menos lupina quando estvamos juntos.
 Anda logo, Remo  rosnou Black, que continuava aobservar Perebas com uma espcie de voracidade no rosto.
 Estou chegando l, Sirius, estou chegando l... Bom,abriram-se possibilidades extremamente excitantes para ns do momento emque conseguimos nostransformar. 
No demorou muito e comeamos a deixar a Casa dos Gritos eperambular pelos terrenos da escola e pelo povoado  noite. Sirius eTiago se transformavamem animais 
to grandes que conseguiam controlar o Lobisomen. Duvido quequalquer aluno de Hogwarts jamais tenha descoberto mais a respeito dosterrenos da escolae do povoado 
de Hogsmeade do que ns... E foi assim que acabamospreparando o Mapa do Maroto, e assinando-o com os nossos apelidos Sirius Almofadinhas, Pedro Rabicho, e Tiago 
era Pontas.
 Que tipo de animal...?  Harry comeou a perguntar, masHermione o interrompeu.
 Mas a coisa continuava a ser realmente perigosa! Andar noescuro em companhia de um Lobisomen! E se o senhor tivesse fugido deles emordido algum?
  um pensamento que ainda me atormenta  respondeu Lupindeprimido.  E muitas vezes escapvamos por um triz. Ns nos riamos dissodepois. ramos jovens,irresponsveis, 
empolgados com a nossa inteligncia.  Por vezes eu sentia remorsos por trair a confiana deDumbledore, bvio... ele me aceitara em Hogwarts, coisa que nenhum 
outro diretorteria feito, esequer desconfiava que eu estivesse desobedecendo s regras que eleestabelecera para a segurana dos outros e a minha prpria. Ele 
nuncasoube que eu tinha induzidotrs colegas a se transformarem ilegalmente em Animagos. Mas eu sempreconseguia esquecer meus remorsos todas as vezes que nos 
sentvamos paraplanejar a aventurado ms seguinte. E no mudei...
O rosto de Lupin endurecera, e havia desgosto em sua voz.
 Durante todo este ano, lutei comigo mesmo, meperguntando se devia contar a Dumbledore que Sirius era um Animago. Masno contei. Por qu? Porquefui covarde demais. 
Porque isto teria significado admitir que eu trarasua confiana enquanto estivera na escola, admitir que influenciaraoutros... E a confianade Dumbledore significava 
tudo para mim. Ele me admitira em Hogwartsquando garoto, e me dera um emprego quando eu fora desprezado toda aminha vida adulta, incapazde encontrar um trabalho 
remunerado porque sou o que sou. Ento meconvenci de que Sirius estava penetrando na escola por meio das artes dastrevas que aprenderacom Voldemort, que o fato 
de ser um Animago no entrava em questo... Ento, de certa forma, Snape tinha razo quanto  minha pessoa.
 Snape?  exclamou Black com a voz rouca, desviando osolhos de Perebaspela primeira vez nos ltimos minutos para olharLupin.  Que  que Snape tem a ver com 
isso?
 Ele est aqui, Sirius  respondeu Lupin srio.  ɠprofessor em Hogwarts tambm.  E ergueu os olhos para Harry, Rony eHermione.  O Prof. Snapefreqentou a 
escola conosco. Ele se ops fortemente  minha nomeao parao cargo de professor de Defesa contra as Artes das Trevas. Passou o anointeiro dizendoa Dumbledore 
que eu no sou digno de confiana. Ele tem suas razoes... Entendem, o Sirius aqui pregou uma pea nele que quaseo matou, uma pea de que participei...
Black emitiu uma exclamao de desdm.
 Foi bem feito para ele  zombou.  Espionando, tentandodescobrir o que andvamos aprontando... Na esperana de que fssemosexpulsos..
 Severo tinha muito interesse em saber aonde eu ia todo ms disse Lupin a Harry, Rony e Hermione.  Estvamos no mesmo ano,entendem, e no... Hum... No nos 
gostvamos muito. Ele no gostava nadade Tiago. Cimes, achoeu, do talento de Tiago no campo de Quadribol... Em todo o caso, Snapetinha me visto atravessar os 
jardins com Madame Pomfrey certa noitequando ela me levava emdireo ao Salgueiro Lutador para eu me transformar. Sirius achou queseria... Hum... Divertido, contar 
a Snape que ele s precisava apertar on no tronco da rvorecom uma vara longa para conseguir entrar atrs de mim. Bem,  claro, queSnape foi experimentar, e 
se tivesse chegado at a casa teria encontradoum Lobisomen adulto mas seu pai, que soube o que Sirius tinha feito, foi procurar Snape epuxou-o para fora, arriscando 
a prpria vida... Snape, porm, me viu, nofim do tnel. Dumbledoreo proibiu de contar a quem quer que fosse, mas desde ento ele ficousabendo o que eu era...
 Ento  por isso que Snape no gosta do senhor  disse Harrylentamente , porque achou que o senhor estava participando dabrincadeira?
 Isso mesmo  zombou uma voz fria vinda da parede atrs deLupin.
Severo Snape removia a Capa da Invisibilidade e segurava avarinha apontada diretamente para Lupin.















CAPTULO DEZENOVE
O Servo de Lord Voldemort

Hermione gritou. Black se levantou de um salto. Harry teve a sensao deque levara um tremendo choque eltrico.
 Encontrei isso ao p do Salgueiro Lutador  disse Snape,atirando a capa para o lado, mas tendo o cuidado de manter a varinhaapontada diretamente para o peito 
de Lupin.
 Muito til, Potter, obrigado...
Snape estava ligeiramente sem flego, mas o rosto expressavacontido triunfo.
 Vocs talvez estejam se perguntando como foi que eu soube queestavam aqui?  disse com os olhos brilhantes. Acabei de passar por suasala, Lupin. Vocesqueceu 
de tomar sua poo hoje  noite, ento resolvi lhe levar umclice. E foi uma sorte... Sorte para mim, quero dizer. Encontrei em cimade sua mesa um certomapa. 
Bastou uma olhada para me dizer tudo que eu precisava saber. Vivoc correr por essa passagem e desaparecer de vista.
 Severo...  comeou Lupin, mas Snape atropelou-o.
 Eu disse ao diretor vrias vezes que voc estava ajudando o seuvelho amigo Black a entrar no castelo, Lupin, e aqui tenho a prova. Nemmesmo eu poderiasonhar 
que voc teria o topete de usar este lugar antigo comoesconderijo...
 Severo, voc est cometendo um engano  disse Lupin comurgncia na voz.  Voc no sabe detudo, posso explicar, Sirius noest aqui para matar Harry...
 Mais dois para Azkaban esta noite  disse Snape, os olhosbrilhando de fanatismo.  Vou ficar curioso para saber comoque Dumbledore vai encarar isso... Ele estava 
convencido de quevoc era inofensivo, sabe, Lupin... Um Lobisomen manso..
 Seu tolo  disse Lupin com brandura.  Ser que umressentimento de criana  suficiente para mandar um homem inocentede volta a Azkaban?
BANGUE! 
Cordas finas que lembravam cobras jorraram da ponta davarinha de Snape e se enrolaram em torno da boca de Lupin, dos seuspunhos e tornozelos;
Ele perdeu o equilbrio e caiu no cho, incapaz de se mexer. Com umrugido de clera, Black avanou para Snape, mas este apontou a varinhaentre os olhos de Black.
  s me dar um motivo  sussurrou o professor.   s medar um motivo, e juro que fao.
Black se imobilizou. Teria sido impossvel dizer qual dos doisrostos revelava mais dio.
Harry continuou ali, paralisado, sem saber o que fazer ou em quemacreditar. Olhou para Rony e Hermione. Seu amigo parecia to confusoquanto ele e aindatentava 
segurar um Perebas rebelde. Hermione, porm, adiantou-se,hesitante, para Snape e disse, respirando com dificuldade:
 Professor... No faria mal ouvirmos o que eles tm adizer, f... Faria?
 Senhorita Granger, a senhorita j vai enfrentar umasuspenso  bufou Snape.  A senhorita, Potter e Weasley esto fora doslimites da escola emcompanhia de um 
criminoso sentenciado e de um Lobisomen, Pelo menos umavez na sua vida, cale a boca.
 Mas se... Se houve um engano...
 FIQUE QUIETA, SUA BURRINHA!  berrou Snape, parecendo derepente muito perturbado.  NO FALE DO QUE NO ENTENDE!  Saram algumasfagulhas da pontade sua varinha, 
que continuava apontada para o rosto de Black. Hermionese calou.  A vingana  muito doce  sussurrou Snape para Black.  Comodesejei ter o privilgio de apanh-lo...
 Voc  que vai fazer papel de tolo outra vez, Severo rosnou Black.  Se esse garoto levar o rato dele at o castelo  eindicouRony com a cabea...  Eu vou 
sem criar caso...
 At o castelo?  retrucou Snape, com voz insinuante. Acho que no precisamos ir tolonge. Basta eu chamar os dementadores quando sairmos do salgueiro. Eles 
vo ficar muito satisfeitos em v-lo, Black.. Satisfeitos osuficiente para lhe dar um beijinho, eu me arriscaria a dizer...
A pouca cor que havia no rosto de Black desapareceu.
 Voc... Voc tem que ouvir o que tenho a dizer  disseele,rouco.  O rato... Olhe aquele rato...
Mas havia um brilho alucinado nos olhos de Snape que Harry nuncavira antes. O professor parecia incapaz de ouvir.
 Vamos, todos.  Snape estalou os dedos e as pontas dascordas que amarravam Lupin voaram para suas mos.  Eu puxo o Lobisomen.
Talvez os dementadorestenham um beijo para ele tambm...
Antes que se desse conta do que estava fazendo, Harry atravessouo quarto em trs passadas e bloqueou a porta.
 Saia da frente, Potter, voc j est suficientementeencrencado  rosnou Snape.  Se eu no estivesse aqui para salvar suapele...
 O Prof. Lupin poderia ter me matado cem vezes este ano disse Harry.  Estive sozinho com ele montes de vezes, tomando aulas dedefesa contra dementadores.  
Se ele estava ajudando Black, por que no me liquidou logo?
 No me pea para imaginar como funciona a cabea de umLobisomen  sibilou Snape.  Saia da frente, Potter.
 O SENHOR  PATTICO!  berrou Harry.  S PORQUE ELES FIZERAM OSENHOR DE BOBO NA ESCOLA, OSENHOR NO QUER NEM ESCUTAR...
 SILNCIO! NO ADMITO QUE FALEM ASSIM COMIGO!  gritou Snape,parecendo mais louco que nunca.  Tal pai, tal filho, Potter! Acabei desalvar seu pescoo; voc devia 
me agradecer de joelhos! Teria sido bem feito se Black otivesse matado! Voc teria morrido como seu pai, arrogante demais paraacreditar que poderiater se enganado 
com um amigo... Agora saia da frente, ou eu vou fazervoc sair. SAIA DA FRENTE,POTTER!
Harry se decidiu em uma frao de segundo. Antes que Snapepudesse sequer dar um passo em sua direo, o garoto ergueu avarinha.
 Expelliarmus  berrou, s que sua voz no foi a nica agritar. Houve uma exploso que fez a porta sacudir nas dobradias; Snapefoi levantado e atiradocontra 
a parede, depois escorregou por ela at o cho, um filete desangue escorrendo por baixo dos cabelos. Fora nocauteado.
Harry olhou para os lados. Rony e Hermione tambm tinham tentadodesarmar Snape exatamente no mesmo instante. A varinhado professor voou no ar descrevendo um arco 
e caiu em cima dacama, ao lado de Bichento.
 Voc no devia ter feito isso  censurou Black olhandopara Harry.  Devia t-lo deixado comigo...
Harry evitou o olhar de Black. No tinha certeza, mesmo agora, dequeagira certo.
 Atacamos um professor... Atacamos um professor...  choramingouHermione, olhando assustada para o inconsciente Snape. Ah, vamos nos meter numa confuso to grande...
Lupin lutava para se livrar das cordas. Black se abaixou depressae o desamarrou. O professor se ergueu, esfregando os braosonde as cordas o tinham machucado.
 Obrigado, Harry  agradeceu.
 No estou dizendo com isso que j acredito no senhor disse o garoto.
 Ento est na hora de lhe apresentarmos alguma prova. Voc, garoto... Me d o Pedro, por favor. Agora.
Rony apertou Perebas mais junto ao peito.
 Nem vem  disse o garoto com a voz fraca.  O senhorest tentando dizer que Black fugiu de Azkahan s para pr as mos emPerebas? Quero dizer...  e olhou para 
Harry e Hermione  procura de apoio , tudo bem, vamosdizer que Pettigrew pudesse se transformar em rato, h milhes de ratos,como  que Black vaisaber qual  
o que est procurando se estava trancafiado em Azkaban?
 Sabe, Sirius, a pergunta  justa  disse Lupin, virando-separa Black com a testa ligeiramente franzida.  Como foi que vocdescobriu onde estavao rato?
Black enfiou uma das mos, que lembravam garras, dentro dasvestes e tirou um pedao de papel amassado, que ele alisou e mostrou aosoutros.
Era a foto de Rony com a famlia, que aparecera no ProfetaDirio no ltimo vero, e ali, no ombro de Rony, estava Perebas.
 Onde foi que voc arranjou isso?  perguntou Lupin aBlack, perplexo.
 Fudge  disse Black.  Quando ele foi inspecionarAzkaban no ano passado, me cedeu o jornal que levava. E l estava Pedro,na primeira pgina...no ombro desse 
garoto... Reconheci-o na mesma hora... Quantas vezes o vise transformar?  a legenda dizia que omenino ia voltar para Hogwarts... Onde Harry estava...
 Meu Deus  exclamou Lupin baixinho, olhando de Perebas para afoto no jornal e de volta ao rato.  A pata dianteira...
 Que  que tem a pata?  disse Rony em tom dedesafio.
 Tem um dedinho faltando  afirmou Black.
 Claro  murmurou Lupin.  To simples... To genial.. Ele mesmo o cortou?
 Pouco antes de se transformar  confirmou Black. Quando eu o encurralei, ele gritou para a rua inteira que eu havia tradoLlian e Tiago. Ento,antes que eu 
pudesse lhe lanar um feitio, ele explodiu a rua com avarinha escondida s costas, matou todo mundo em um raio de seis metros,e fugiu para dentrodo bueiro com 
os outros ratos...
 Voc j ouviu falar, no Rony?  perguntou Lupin.  Omaior pedao do corpo de Pedro que acharam foi o dedo.
 Olha aqui, Perebas com certeza brigou com outro rato oucoisa parecida! Ele est na minha famlia h sculos, certo...
 Doze anos, para sermos exatos  disse Lupin.  Vocnunca estranhou que ele tenha vivido tantos anos?
 Ns... Ns cuidamos bem dele!
 Mas ele no est com um aspecto muito saudvel nomomento, no ?  comentou Lupin.  Imagino que esteja perdendo pesodesde que ouviu falar queSirius fugiu...
 Ele tem andado apavorado com aquele gato maluco! justificou Rony, indicando com a cabea Bichento, que continuava aronronar na cama.
Mas isso no era verdade, ocorreu a Harry de repente... Perebasj estava com cara de doente antes de conhecer Bichento... Desde que Ronyvoltara do Egito... Desde 
que Black escapara...
 O gato no  maluco  disse Black, rouco. Ele estendeu amo ossuda e acariciou a cabea peluda deBichento.   o gato mais inteligente que jencontrei. Reconheceu 
na mesma hora o que Pedro era. E quando meencontrou, percebeu que eu no era cachorro. Levou um tempinho paraconfiar em mim. No fim eu conseguicomunicar a ele 
o que estava procurando e ele tem me ajudado...
 Como assim?  murmurou Hermione.
 Ele tentou trazer Pedro a mim, mas no pde... Entoroubou para mim as senhas de acesso  Torre daGrifinria... Pelo queentendi, ele as tirou da mesa-de-cabeceira 
de um garoto...
O crebro de Harry parecia estar fraquejando sob o peso doque ouvia. Era absurdo... Contudo...
 Mas Pedro soube o que estava acontecendo e se mandou...  falou Black.  Este gato... Bichento, foi o nome que lhe deu?... Medisse que Pedro tinhasujado os lenis 
de sangue... Suponho que tenha se mordido... Ora,fingir-se de morto j tinha dado certo uma vez...
Essas palavras sacudiram o torpor mental de Harry.
 E sabe por que  que ele se fingiu de morto?  perguntouo garoto impetuosamente.  Porque sabia que voc ia matar elecomo tinha matado os meus pais!
 No  disse Lupin.  Harry...
 E agora voc veio acabar com ele!
  verdade, vim  disse Black, lanando um olhar malignoa Perebas.
 Ento eu devia ter deixado Snape levar voc!  gritouHarry.
 Harry  disse Lupin depressa , voc no est vendo? Todo este tempo pensamos que Sirius tinha trado seus pais e que Pedro operseguira... Masfoi o contrrio, 
voc no est vendo? Pedro traiu sua me e seu pai... Sirius perseguiu Pedro...
 NO  VERDADE!  berrou Harry.  ELE ERA O FIEL DOSEGREDO DELES! ELE DISSE ISSO ANTES DO SENHORAPARECER. ELE CONFESSOU QUE MATOU MEUS PAIS!
O garoto apontava para Black, que sacudia a cabea devagarinho; de repente seus olhos fundos ficaram excessivamente brilhantes.
 Harry... Foi o mesmo que ter matado  disse, rouco. ConvenciLlian e Tiago a entregarem o segredo a Pedro no ltimo instante,convenci-os a usarPedro como 
fiel do segredo, em vez de mim... A culpa  minha, eu sei... Na noite em que eles morreram, eu tinha combinado de procurar Pedro paraverificar se ele continuavabem, 
mas quando cheguei ao esconderijo ele no estava. Mas no haviasinais de luta. Achei estranho. Fiquei apavorado. Corri na mesma horadireto para a casa dosseus 
pais. E quando vi a casa destruda e os corpos deles... Percebi oque Pedro devia ter feito. O que eu tinha feito.
A voz dele se partiu. Ele virou as costas.
 Basta  disse Lupin, e havia um tom inflexvel em suavoz que Harry nunca ouvira antes.  Tem uma maneira de provar oque realmente aconteceu. Rony, me d esse 
rato.
 Que  que o senhor vai fazer com ele se eu der? perguntou Rony, tenso.
 Obrig-lo a se revelar  disse Lupin.  Se ele for realmente umrato, no se machucar.
Rony hesitou. Ento, finalmente estendeu a mo e entregouPerebas a Lupin. O rato comeou a guinchar sem parar, se contorcendo, osolhinhos negros saltando dasrbitas.
 Est pronto, Sirius?  perguntou Lupin.
Black j apanhara a varinha de Snape na cama. Aproximou-se deLupin e do rato que se debatia e seus olhos midos pareceram,de repente, arder em seu rosto.
 Juntos?  perguntou em voz baixa.
 Acho melhor  confirmou Lupin, segurando Perebas apertado emuma das mos e a varinha na outra.  Quando eu contartrs. UM... DOIS... TRS!
Lampejos branco-azulados irromperam das duas varinhas; por uminstante, Perebas parou no ar, o corpinho cinzento revirando-sealucinadamente, Rony berrou, o rato 
caiu e bateu no cho. Seguiu-se novo lampejo ofuscante eento...
Foi como assistir a um filme de uma rvore em crescimento. Surgiuuma cabea no cho; brotaram membros; um momento depois havia um homemonde antes estiveraPerebas, 
apertando e torcendo as mos. Bichento bufava e rosnava na cama; os pelos das costas eriados.
Era um homem muito baixo, quase do tamanho de Harry e Hermione.
Seus cabelos finos e descoloridos estavam malcuidados e o cocuruto dacabea era careca.
Tinha o aspecto flcido de um homem gorducho que perdera muito peso empouco tempo. A pele estava enrugada, quase como a pelagem do Perebas, ehavia um ar ratinheiroem 
volta do seu nariz fino e dos olhos muito midos e lacrimosos. Eleolhou para os presentes, um a um, respirando raso e depressa. Harry viuseus olhos correrempara 
a porta e voltarem.
 Ora, ora, ol, Pedro  saudou-o Lupin educadamente, como sefosse freqente ratos virarem velhos colegas de escola  sua volta.
 H quanto tempo!
 S... Sirius R... Remo.  At a voz de Pettigrew lembrava umguincho. Novamente seus olhos correram para a porta.  Meusamigos... Meus velhos amigos...
A varinha de Black se ergueu, mas Lupin agarrou-o pelo pulso,lanando-lhe um olhar de censura, depois tornou a se virar paraPettigrew, com a voz leve e displicente.
 Estvamos tendo uma conversinha, Pedro, sobre osacontecimentos da noite em que Llian e Tiago morreram.  Voc talveztenha perdido os detalhes enquanto guinchava 
na cama...
 Remo  ofegou Pettigrew, e Harry observou que seformavam gotas de suor em seu rosto lvido , voc noacredita nele,acredita...? Ele tentou me matar, Remo...
 Foi o que ouvimos dizer  respondeu Lupin, maisfriamente.  Eu gostaria de esclarecer algumas coisas com voc,Pedro, se vocquiser ter...
 Ele veio tentar me matar outra vez!  guinchou Pettigrew derepente, apontando para Black, e Harry percebeu que ohomemusara o dedo mdio, porque lhe faltava 
o indicador.  ElematouLlian e Tiago e agora vai me matar tambm... Voc temque meajudar, Remo...
O rosto de Black parecia mais caveiroso que nunca aofixar osolhos fundos em Pettigrew.
 Ningum vai tentar mat-lo at resolvermos umascoisas disse Lupin.
 Resolvermos umas coisas?  guinchou Pettigrew, mais umavez olhando desesperado para os lados, registrando as janelas pregadas e,mais uma vez,a nica porta. 
 Eu sabia que ele viria atrs de mim! Sabia que elevoltaria para me pegar! Estou esperando isso h doze anos!
 Voc sabia que Sirius ia fugir de Azkaban?  perguntouLupin, com a testa franzida.  Sabendo que ningum jamais fezisso antes?
 Ele tem poderes das trevas com os quais a gente s conseguesonhar!  gritou Pettigrew com voz aguda.  De que outro jeito fugiria del? Suponho que Aquele-Que-No-Deve-Ser-Nome



ado tenha lhe ensinado alguns truques!
Black comeou a rir, uma risada horrvel, sem alegria, que encheuo quarto todo.
 Voldemort me ensinou alguns truques?
Pettigrew se encolheu como se Black tivesse brandido um chicotecontraele.
 Que foi, se apavorou de ouvir o nome do seu velhomestre?  perguntou Black.  No o culpo, Pedro. O pessoal dele no andamuito satisfeito com voc, no  mesmo?
 No sei o que voc quer dizer com isso, Sirius...  murmurouPettigrew, respirando mais rapidamente que nunca. Todo o seu rostobrilhava de suor agora.
 Voc no andou se escondendo de mim esses doze anos. Andou seescondendo dos seguidores de Voldemort. Eu soube de umas coisas emAzkaban, Pedro... Todospensam 
que voc est morto ou j o teriam chamado a prestar contas... Ouvi-os gritar todo o tipo de coisa durante o sono. Parece que acham queo traidor os traiutambm. 
Voldemort foi  casa dos Potter confiando em uma informaosua... E Voldemort perdeu o poder l. E nem todos osseguidores dele foram parar em Azkaban,no  mesmo? 
Ainda h muitos por a, esperando a hora, fingindo quereconheceram seus erros... Se chegarem, a saber, que voc continua vivo,Pedro...
 No sei... Do que est falando...  respondeu Pettigrew, maisesganiado que nunca. Ele enxugou o rosto na manga e ergueu os olhos paraLupin.  Voc noacredita 
nessa... Nessa loucura, Remo...
 Devo admitir, Pedro, que acho difcil compreender porque um homem inocente iria querer passar doze anos sob a forma deum rato.
 Inocente, mas apavorado!  guinchou Pettigrew.  Se osseguidores de Voldemort estivessem atrs de mim, seria porque mandei umdos seus melhoreshomens para Azkaban, 
o espio, Sirius Black!
O rosto de Black se contorceu.
 Como  que voc se atreve?  rosnou ele, parecendo derepente o cachorro do tamanho de um urso que ele fora h pouco.
 Eu, espio do Voldemort? Quando foi que andei espreitando gentemais forte e mais poderosa do que eu? Agora voc, Pedro, jamais vouentender por queno reparei 
desde o comeo que voc era o espio; voc sempre gostou deamigos grandalhes que o protegessem,no  mesmo? Voc costumava nos acompanhar... A mim e aoRemo... 
E ao Tiago...
Pettigrew tornou a enxugar o rosto; estava quase ofegando,sem ar.
 Eu, espio... Voc deve ter perdido o juzo... Nunca... No sei como pode dizer uma...
 Llian e Tiago s fizeram de voc o fiel do segredoporque eusugeri  sibilou Black, to venenosamente que Pettigrew deu um passoatrs.  Acheique era o plano 
perfeito... Um blefe... Voldemort com certeza viria atrsde mim, jamais sonharia que os doisusariam um sujeito fraco e sem talento como voc... Deve ter sido a 
horamais sublime de sua vida infeliz quando voc contou a Voldemort que podialhe entregar osPotter.
Pettigrew resmungava, perturbado; Harry entreouvia palavras como"extravagante" e "demncia", mas no conseguia deixar de prestar maisateno  palidezdo rosto 
de Pettigrew e ao jeito com que seus olhos continuavam a correrpara as janelas e a porta.
 Prof. Lupin  disse Hermione timidamente.  Posso... Posso dizer uma coisa?
 Claro, Hermione  disse Lupin cortesmente.
 Bem... Perebas... Quero dizer, esse... Esse homem... Eledormiu no quarto de Harry durante trs anos. Se est trabalhando paraVoc-Sabe-Quem, como que ele nunca 
tentou fazer mal a Harry antes?
 Ta!  exclamou Pettigrew com voz esganiada, apontandopara Hermione a mo mutilada.  Muito obrigado! Est vendo, Remo? Nuncatoquei em um fiode cabelo de Harry! 
Por que iria fazer isso?
 Vou lhe dizer o porqu  falou Black.  Porque voc nunca feznada, nem a ningum nem para ningum, sem saber o que poderia ganhar comisso. Voldemortest foragido 
h doze anos, dizem que est semimorto. Voc no ia matarbem debaixo do nariz de Alvo Dumbledore, por causa de um bruxo moribundoque perdeu todoo poder, ia? No, 
voc ia querer ter certeza de que ele era o valento docolgio antes de voltar para o lado dele, no ia? Por que outra razovoc procurou umafamlia de bruxos 
para o acolher? Para ficar de ouvido atento snovidades, no  mesmo, Pedro? Caso o seu velho protetor recuperasse aantiga fora e fosse segurose juntar a ele...
Pettigrew abriu a boca e tornou a fech-la vrias vezes. Pareciater perdido a capacidade de falar.
 Hum... Sr. Black... Sirius?  disse Hermione.
Black se assustou ao ouvir algum trat-lo assim, com tantapolidez, e encarou Hermione como se nunca tivesse visto nadaparecido.
 Se o senhor no se importar que eu pergunte, como... Comofoi que o senhor fugiu de Azkaban, se no usou artes das trevas?
 Muito obrigado  exclamou Pettigrew, acenando freneticamentecom a cabea na direo da garota.  Exatamente! Precisamente o que eu...
Mas Lupin o fez calar com um olhar. Black franziu ligeiramente atesta para Hermione, mas no porque estivesse aborrecido comela. Parecia estar considerando a pergunta.
 No sei como foi que fugi  disse lentamente.  Acho que a nica razopor que nunca perdi o juzo  porque sabia que era inocente. Isto no eraum pensamentofeliz, 
ento os dementadores no podiam sug-lo de mim... Mas serviu parame manter lcido e consciente de quem eu era... Me ajudou a conservarmeuspoderes quando tudo 
se tornava... Excessivo... Eu conseguia metransformar na cela... Virar cachorro. Os dementadores no conseguemenxergar, sabe...  Ele engoliu em seco.  Aproximam-se 
das pessoas sealimentando de suas emoes... Eles percebiam que os meus sentimentos eram menos... Menos humanos, menoscomplexos quando eu era cachorro... Mas achavam, 
 claro, que eu estavaperdendo o juzo como todos os prisioneiros de l, por isso no seincomodavam. Mas eu fiquei fraco, muito fraco, e no tinha esperana deafast-los 
sem uma varinha... Mas, ento, vi Pedro naquela foto... E compreendi que ele estavaem Hogwarts com Harry... Perfeitamente colocado para agir, se lhechegasse a 
menor notciade que o partido das trevas estava reunindo foras novamente...
Pettigrew sacudia a cabea, murmurando em silncio, mastodo o tempo seus olhos se fixavam em Black como se estivessehipnotizado.
 ... Pronto para atacar no momento em que se certificassede que contava comaliados... E para entregar o ltimo Potter. Se lhes entregasse Harry,quem se atreveria 
a dizer que trara Lord Voldemort? Pedro seria recebidode volta com todas as honras... Ento, entendem, eu tinha que fazer alguma coisa. Era onico que sabia que 
ele continuava vivo...
Harry se lembrou do que o Sr. Weasley contara  mulher: "Osguardas dizem que ele anda falando durante o sono... sempre asmesmas palavras... Ele est em Hogwarts.
 Era como se algum tivesse acendido uma fogueira naminhacabea, e os dementadores no pudessem destru-la... No era umpensamento feliz... Era uma obsesso... 
Mas isso me deu foras, clareouminha mente. Ento, umanoite quando abriram a porta parame trazer comida, eu passei por eles em forma decachorro... Paraeles 
 to difcil perceberem emoes animais queficaramconfusos... Eu estava magro, muito magro... O bastantepara passarentre as grades... Ainda como cachorro nadei 
at acosta... Viajei parao norte e entrei escondido nos terrenos de Hogwarts, comocachorro. Desde ento vivi na floresta, exceto nas horas em que saa paraassistir 
ao Quadribol,  claro. Voc voa bem como o seupai, Harry...
Black se virou para o garoto, que no evitou seuolhar.
 Acredite-me  disse, rouco.  Acredite-me, Harry. Nuncatra Tiago e Llian. Teria preferido morrer a tra-los.
E, finalmente, Harry acreditou. A garganta apertada demaispara falar, fez um aceno afirmativo com a cabea.
 No!
Pettigrew cara de joelhos como se o aceno de Harryfosse a suasentena de morte. Arrastou-se de joelhos, humilhou-se,as mosjuntas diante do peito como se rezasse.
 Sirius... Sou eu... Pedro... Seu amigo... Voc no...
Black deu um chute no ar e Pettigrew se encolheu.
 J tem sujeira suficiente nas minhas vestes sem voctocarnelas  exclamou Black.
 Remo!  esganiou-se Pettigrew, virando-se paraLupin,implorando com as mos e os joelhos no cho.  Voc no acredita nisso... Siriusno teria lhe contado se 
eles tivessem mudado os planos?
 No, se pensasse que eu era o espio, Pedro. Presumoque foipor isso que voc no me contou, Sirius?  perguntou ele,poucointeressado, por cima da cabea de 
Pettigrew.
 Me perdoe, Remo  disse Black.
 Tudo bem, Almofadinhas, meu velho amigo  respondeuLupin, que agora enrolava as mangas das vestes.  E vocmeperdoa por acreditar que voc fosse o espio?
 Claro.  E a sombra de um sorriso perpassou o rostoossudode Black. Ele, tambm, comeou a enrolar as mangas. Vamosmat-lo juntos?
 Acho que sim  concordou Lupin sombriamente.
 Vocs no me matariam... No vo me matar... exclamouPettigrew.  E correu para Rony.
 Rony... Eu no fui um bom amigo... Um bom bichinho? Vocno vai deix-los me matarem, Rony, vai... Voc est domeu lado,no est?
Mas Rony olhava Pettigrew com absoluto nojo.
 Eu deixei voc dormir na minha cama!  exclamou ele.
 Bom garoto... Bom dono...  Pettigrew se arrastou atRony voc no vai deix-los fazerem isso... Eu fui o seu rato... Fuium bom bicho de estimao...
 Se voc foi um rato melhor do que foi um homem, no coisa para se gabar, Pedro  disse Black com aspereza. 
Rony,empalidecendo ainda mais de dor,puxou a perna quebrada para longe do alcance de Pettigrew. Ainda dejoelhos, este se virou e cambaleou para frente, agarrando 
a bainha dasvestes de Hermione.
 Garota meiga... Garota inteligente... Voc... Voc novai deixar que eles... Me ajude.
Hermione puxou as vestes para longe das mos de Pettigrew erecuou contra a parede, horrorizada.
Pettigrew continuou ajoelhado, tremendo descontroladamente, e foivirando lentamente a cabea para Harry.
 Harry... Harry... Voc  igualzinho ao seu pai... Igualzinho...
 COMO  QUE VOC SE ATREVE A FALAR COMHARRY?  rugiu Black.  COMO TEM CORAGEM DE OLHARPARA ELE? COMO TEM CORAGEM DE FALAR DE TIAGONA FRENTE DELE?
 Harry  sussurrou Pettigrew, arrastando-se em direo aogaroto, com asmos estendidas.  Harry, Tiago no iria querer queeles me matassem... Tiago teria compreendido, 
Harry... Teria tidopiedade...
Black e Lupin avanaram ao mesmo tempo, agarraramPettigrew pelos ombros e o atiraram de costas no cho, O homemficou ali, contorcendo-se de terror, olhando fixamente 
para os dois.
 Voc vendeu Llian e Tiago a Voldemort  disse Black,que tambm tremia.  Voc nega isso?
Pettigrew prorrompeu em lgrimas. A cena era terrvel, eleparecia um bebezo careca, encolhendo-se.
 Sirius, Sirius, o que  que eu podia ter feito? O LorddasTrevas... Voc no faz idia... Ele tem armas que voc no imagina... Tive medo, Sirius,eu nunca fui 
corajoso como voc, Remo e Tiago. Eu nunca desejei que issoacontecesse... Aquele-Que-No-Deve-Ser-Nomeado me forou...
 NO MINTA!  berrou Black.  VOC ANDOU PASSANDOINFORMAES PARA ELE DURANTE UM ANO ANTESDE LILIAN E TIAGO MORREREM! VOC ERA ESPIAO DELE!
-Ele estava assumindo o poder em toda parte!  exclamou Pettigrew.  Que  que eu tinha a ganhar recusando o que me pedia?
 Que  que voc tinha a ganhar lutando contra o bruxomais maligno que j existiu?  perguntou Black, com uma terrvelexpresso de fria no rosto.  Apenas vidas 
inocentes, Pedro!
 Voc no entende!  choramingou Pettigrew.  Ele teriame matado, Sirius!
 ENTO VOC DEVIA TER MORRIDO!  rugiu Black.  MORRER EM VEZ DETRAIR SEUSAMIGOS! COMO TERAMOS FEITO POR VOC!
Black e Lupin estavam ombro a ombro, as varinhas erguidas.
 Voc devia ter percebido  disse Lupin com a vozcontrolada , que se Voldemort no o matasse, ns o mataramos. Adeus,Pedro.
Hermione cobriu o rosto com as mos e se virou para a parede.
 NO!  berrou Harry. E se adiantou, colocando-se entrePettigrew e as varinhas.  Vocs no podem mat-lo  disse afobado.  Nopodem.
Black e Lupin fizeram cara de espanto.
 Harry esse verme  a razo por que voc no tem pais rosnou Black.  Esse covardo teria olhado voc morrer, sem levantar umdedo. Voc ouviuo que ele disse. 
Dava mais valor  pele nojenta do que a toda suafamlia.
 Eu sei  ofegou Harry.  Vamos levar Pedro at ocastelo. Vamos entregar ele aos dementadores. Ele pode ir para Azkaban... Mas no o matem.
 Harry!  exclamou Pettigrew, e atirou os braos em tornodos joelhos de Harry.  Voc... Obrigado...  mais do que eu mereo... Obrigado...
 Tire as mos de cima de mim  vociferou Harry empurrandoas mos de Pettigrew, enojado.  No estou fazendo isso por voc. Estoufazendo isso porqueacho que meu 
pai no ia querer que os melhores amigos dele virassemassassinos... Por sua causa.
Ningum se mexeu nem fez qualquer rudo exceto Pettigrew,cuja respirao saa em arquejos, e ele levava as mos ao peito.
Black e Lupin se entreolharam. Ento, com um nico movimento,baixaram as varinhas.
 Voc  a nica pessoa que tem o direito de decidir,Harry  disse Black.  Mas pense... Pense no que ele fez...
 Ele pode ir para Azkaban  repetiu Harry.  Se algummerece aquele lugar  ele...
Pettigrew continuava a arquejar s costas do garoto.
 Muito bem  disse Lupin.  Saia da frente, ento.
Harry hesitou.
 Vou amarr-lo  disse Lupin.  S isso, juro.
Harry saiu do caminho. Cordas finas saram da varinha de Lupin,desta vez, e no momento seguinte Pettigrew estava se revirando no cho,amarrado e amordaado.
 Mas se voc se transformar, Pedro  rosnou Black, avarinha tambm apontada para Pettigrew , ns o mataremos. Concorda,Harry?
Harry olhou a figura lastimvel no cho e concordou com a cabeade modo que Pettigrew pudesse v-lo.
 Certo  disse Lupin, subitamente eficiente.  Rony, nosei consertar ossos to bem quanto Madame Pomfrey, por isso acho melhors imobilizar suaperna ate o entregarmos 
na ala hospitalar.
Ele foi at Rony, se abaixou, tocou a perna dele com a varinha emurmurou:
 Frula!  Ataduras se enrolaram  perna de Rony e a prenderamfirmemente a uma tala. Depois, o professor ajudou o garoto ase levantar; Rony, desajeitado, apoiou 
no cho o peso da perna eno fez careta.
 Est melhor. Obrigado.
 E o Prof. Snape?  perguntou Hermione com a voz fraquinha,contemplando o professor encostado  parede.
 Ele no tem nenhum problema srio  disse Lupin se curvando paraSnape e tomando seupulso.  Vocs s se entusiasmaram um pouquinho demais. Continuadesacordado. 
Hum... Talvezseja melhor no o reanimarmos at estar a salvo no castelo. Podemos lev-loassim...
Lupin murmurou:
 Mobilicorpus! Como se fios invisveis tivessem sido amarradosaos pulsos, pescoo e joelhos de Snape, ele foi posto de p, a cabea pendendo molemente, como a 
de um ttere grotesco. Eleflutuava a alguns centmetros do cho, os ps frouxos sacudindo.
Lupin apanhou a Capa da Invisibilidade e guardou-a em segurana no bolso.
 E dois de ns devemos nos acorrentar a essa coisa disseBlack, cutucando Pettigrew com o p.  S para garantir.
 Eu fao isso  disse Lupin.
 E eu  disse Rony decidido, mancando at oprisioneiro.
Black conjurou pesadas algemas do nada; e logoPettigrew estava novamente de p, o brao esquerdo preso ao direito deLupin, odireito preso ao esquerdo de Rony. 
O garoto estava muitosrio.
Parecia ter tomado a verdadeira identidade de Perebascomo umaofensa pessoal. Bichento saltou com leveza da cama eabriu caminho para fora do quarto, o rabo de 
escovinha elegantementeerguido no ar.








CAPTULO VINTE
O Beijo do Dementador

Harry nunca fizera parte de um grupo to esquisito. Bichento descia asescadas  frente; Lupin, Pettigrew e Rony vinham a seguir, parecendocompetidores de uma corridade 
seis pernas. Depois vinha o Prof. Snape, flutuando feito um fantasma,os ps batendo em cada degrau que descia, seguro por suaprpria varinha, que Sirius apontavapara 
ele. Harry e Hermione fechavam o cortejo.
Voltar ao tnel foi difcil. Lupin, Pettigrew e Rony tiveram quese virar de lado para consegui-lo; Lupin continuava a cobrir Pettigrewcom a varinha. Harryos via 
avanar lentamente pelo tnel em fila indiana. Bichento sempre frente. Harry logo atrs de Black, que continuava a fazer Snape flutuar frente com a cabeamole 
batendo sem parar no teto baixo. O menino tinha a impresso de queBlack no estava fazendo nada para evitar as batidas.
 Voc sabe o que isso significa?  perguntou Blackabruptamente a Harry enquanto faziam seu lento progresso pelo tnel. Entregar Pettigrew?
 Voc fica livre...  respondeu Harry.
 . Mas eu tambm sou, no sei se algum lhe disse, eusou seu padrinho.
 Eu soube  disse Harry.
 Bem... Os seus pais me nomearam seu tutor  disse Blackformalmente.  Se alguma coisa acontecesse a eles...
Harry esperou. Ser que Black queria dizer o que ele achavaque queria?
 Naturalmente, eu vou compreender se voc quiser ficarcom seus tios  disse Black.  Mas... Bem... Pense nisso. Depois que omeu nome estiver limpo... Se voc 
quiser uma... Uma casa diferente...
Uma espcie de exploso ocorreu no fundo do estmago de Harry.
 Qu, morar com voc?  perguntou, batendo a cabea, semquerer, numa pedra saliente do teto.  Deixar a casa dos Dursley?
 Claro, achei que voc no ia querer  disse Blackapressadamente.  Eu compreendo, s pensei que...
 Voc ficou maluco?  disse Harry com a voz quase torouca quanto  de Black.  Claro que quero deixar a casa dos Dursley!  Voc tem casa? Quando  que eu posso 
me mudar?
Black virou-se completamente para olhar o garoto; a cabea deSnape raspou o teto, mas Black no parecia se importar.
 Voc quer?  perguntou ele.  Srio?
 Srio!  respondeu Harry.
O rosto ossudo de Black se abriu no primeiro sorrisoverdadeiro que Harry j o tinha visto dar. A diferena que fazia eraespantosa, como se uma pessoadez anos 
mais nova se projetasse atravs da mscara de fome; por uminstante ele se tornou reconhecvel como o homem que estava rindo nocasamento dos pais de Harry.
Os dois no se falaram mais at chegar ao fim do tnel. Bichentosaiu correndo  frente; evidentemente apertara o n do tronco com a pata,porque Lupin,Pettigrew 
e Rony subiram penosamente, mas no houve rudos de galhosferozes.
Black fez Snape passar pelo buraco, depois se afastou paraHarry e Hermione passarem. Finalmente todos conseguiram sair.
Os jardins estavam muito escuros agora; as nicas luzes vinhamdas janelas distantes do castelo. Sem dizer uma palavra, eles comearam aandar. Pettigrewcontinuava 
a arquejar e, ocasionalmente, a choramingar. A cabea de Harryzumbia. Ele ia deixar os Dursley. Ia morar com Sirius Black, o melhoramigo dos seus pais...
Sentia-se atordoado... Que iria acontecer quando dissesse aos Dursley queia morar com o preso que tinham visto na televiso!
 Um movimento errado, Pedro  ameaou Lupin que ia frente. Sua varinha continuava apontada de vis para o peito dePettigrew.
Em silncio eles avanaram pelos jardins, as luzes do castelocrescendo com a aproximao. Snape continuava a flutuar de maneirafantasmagrica  frentede Black, 
o queixo batendo no peito. Ento... 
Uma nuvem se mexeu. Inesperadamente surgiram sombrasescuras no cho. O grupo foi banhado pelo luar. Snape se chocou com Lupin, Pettigrew e Rony, que pararamabruptamente. 
Black congelou. Ele esticou um brao para fazer Harry eHermione pararem.
O garoto viu a silhueta de Lupin. O professor enrijecera. Entoas pernas de Harry comearam a tremer.
 Ah, no!  exclamou Hermione.  Ele no tomou a poo hoje noite. Ele est perigoso!
 Corram  sussurrou Black.  Corram. Agora.
Mas Harry no podia correr. Rony estava acorrentado aPettigrew e Lupin. Ele deu um salto para frente, mas Black o abraou pelopeito e o atirou para trs.
 Deixe-o comigo... CORRA!
Ouviu-se um rosnado medonho. A cabea de Lupin comeou a sealongar. O seu corpo tambm. Os ombros se encurvaram. Pelos brotavamvisivelmente de seu rostoe suas 
mos, que se fechavam transformando-se em patas com garras. Osplos deBichento ficaram outra vez em p e ele estava recuando...
Quando o Lobisomen se empinou, batendo as longas mandbulas,Sirius desapareceu do lado de Harry. Transformara-se. O enorme cosemelhante a um urso saltoupara 
frente.  Quando o Lobisomen se livrou da algema que o prendia, oco agarrou-o pelo pescoo e puxou-o para trs, afastando-o de Rony ePettigrew. Atracaram-se,mandbula 
contra mandbula, as garras se golpeando...
Harry parou petrificado com a viso, demasiado absorto coma batalha para prestar ateno em outra coisa. Foi o grito de Hermioneque o alertou...
Pettigrew tinha mergulhado para apanhar a varinha cada deLupin. Rony, mal equilibrado na perna enfaixada, caiu. Houve umestampido, umclaro... e Ronyficou estirado, 
imvel, no cho. Outro estampido... Bichento voou pelo are tornou a cair na terra fofa.
 Expelliarmus!  berrou Harry apontando a prpria varinha paraPettigrew; a varinha de Lupin voou muito alto e desapareceude vista.  Fique onde est!  gritou 
Harry, correndo em frente.
Tarde demais. Pettigrew se transformara. Harry viu seu rabopelado passar pela algema no brao estendido de Rony e o ouviucorrer pelo gramado.
Um uivo e um rosnado prolongado e surdo ecoaram; Harry sevirou e viu o Lobisomen fugindo; galopando para a floresta...
 Sirius, ele fugiu, Pettigrew se transformou  berrou Harry.
Black sangrava; havia cortes profundos em seu focinho e nascostas, mas ao ouvir as palavras de Harry ele tornou a se levantardepressa e, num instante,o rudo 
de suas patas foi morrendo at cessar ao longe.
Harry e Hermione correram para Rony.
 Que foi que Pettigrew fez com ele?  sussurrou Hermione. Osolhos de Rony estavam apenas semicerrados, a boca frouxa e aberta; semdvida, estava vivo,eles o 
ouviam respirar, mas no parecia reconhecer os amigos.
 No sei.
Harry olhou desesperado para os lados. Black e Lupin, os doistinham ido embora... No havia mais nenhum adulto em sua companhiaexceto Snape, que ainda flutuava, 
inconsciente, no ar.
  melhor levarmos os dois para o castelo e contarmos a algum disse Harry, afastando os cabelos dos olhos, tentandopensar direito.  Vamos...
Mas ento, para alm do seu campo de viso, eles ouviram latidos,um ganido; um cachorro em sofrimento...
 Sirius  murmurou Harry, olhando para o escuro.
Ele teve um momento de indeciso, mas no havia nada quepudessem fazer por Rony naquele momento, e pelo que ouviam,Black estava em apuros...
Harry saiu correndo, Hermione em seu encalo. Os latidos pareciamvir da rea prxima ao lago. Eles saram desabalados naquela direo, eHarry, correndosem parar, 
sentiu o frio sem perceber o que devia significar...
Os latidos pararam abruptamente. Quando os garotos chegaram aolago viram oporqu Sirius se transformara outra vez emhomem. Estava cado de quatro, com as mos 
na cabea.
 No  gemia , No... Por favor..
Ento Harry os viu. Dementadores, no mnimo uns cem deles,deslizando em torno do lago num grupo escuro que vinha em sua direo. Omenino se virou, o friode gelo 
seu conhecido, penetrando suas entranhas, a nvoa comeando aobscurecer sua viso; eles no estavam somente surgindo da escurido portodo o lado; estavamcercando-os...
 Hermione, pense em alguma coisa feliz!  berrou Harry,erguendo a varinha, piscando furiosamente para tentar clarear suaviso, sacudindo a cabea para livr-la 
da leve gritaria que comearadentro dela... Eu vou morar com o meu padrinho. Vou deixar os Dursley.
Ele se forou a pensar em Black, e somente em Black, e comeou acantar:
 Expecto Patronum! Expecteto Patronum!
Black estremeceu, rolou de barriga para cima e ficou imvel nocho, plido como a morte.
Ele vai ficar bem. Eu vou morar com ele.
 Expecto Patronum!  Hermione, me ajude! Expecto Patronum...
 Expecto...  murmurou Hermione  Expecto... Expecto...
Mas ela no conseguia. Os dementadores estavam mais prximos,agora a menos de trs metros deles. Formavam uma muralhaslida em torno de Harry e Hermione,cada 
vez mais prximos...
 EXPECTO PATRONUM!  berrou Harry, tentando abafar a gritaria emseus ouvidos.  EXPECTO PATRONUM!
Um fiapinho prateado saiu de sua varinha e pairou como uma nvoadiante dele. No mesmo instante, Harry sentiu Hermione desmaiar ao seulado. Estava s... Completamente 
s...
 Expecto... Expecto Patronum...
Harry sentiu os joelhos baterem na grama fria. O nevoeiro nublouseus olhos. Com um enorme esforo, ele lutou para se lembrar... Siriuserainocente... Inocente... 
Ele vai ficar bem... Eu vou morar com ele...
 Expecto Patronum!  exclamou.
 luz fraca do seu Patrono disforme, ele viu um dementador parar,muito perto dele. No conseguiu atravessar a nuvem de nvoa prateada queHarry conjurara.
A mo morta e viscosa deslizou para fora da capa. Ela fez um gesto comose quisesse varrer o Patrono para o lado.
 No... No...  ofegou Harry.  Ele  inocente... Expecto... Expecto Patronum...
Ele sentia que os dementadores o observavam, ouvia a respiraodeles vibrar como um vento maligno ao seu redor, O dementador maisprximo parecia estaravaliando-o. 
Ento ergueu as duas mos podres... E baixou o capuz paratrs.
Onde devia haver olhos, havia apenas uma pele sarnenta e cinza,esticada por cima dasrbitas vazias. Mas havia uma boca... Umburaco escancarado e  disforme, que 
sugava o ar com o rudo de uma matracaque anuncia a morte.
Um terror paralisante invadiu Harry de modo que ele no conseguiase mexer nemfalar. Seu Patrono piscou e desapareceu.
O nevoeiro branco o cegava. Ele tinha que lutar... 
 ExpectoPatronum... 
Ele no conseguiaver... Ao longe ouvia os gritos j familiares... 
 Expecto Patronum...
Ele tateou pela nvoa  procura de Sirius, e encontrou seu brao... Osdementadores no iam lev-lo...
Mas um par de mos pegajosas e fortes, de repente, se fechou emtorno do pescoo de Harry. Foravam-no a erguer o rosto... Ele sentiu seuhlito... Ia selivrar 
dele primeiro... Harry sentiu seu hlito podre... Sua me gritavaem seus ouvidos... Ia ser a ltima coisa que ele ouviria...
E ento, atravs do nevoeiro que o afogava, ele achou que estavavendo uma luz prateada que se tornava cada vez mais forte... Elesentiu que estava emborcando na 
grama...
O rosto no cho, demasiado fraco para se mexer, nauseado etrmulo, Harry abriu os olhos. O dementador devia t-lo soltado. A luzofuscante iluminava o gramadoa 
seu redor... Os gritos tinham cessado, o frio estava diminuindo...
Alguma coisa estava obrigando os dementadores a recuar... Girava em torno dele, de Black e Hermione... Os dementadoresestavam se afastando... O ar reaquecia...
Com cada grama de fora que ele conseguiu reunir, Harry ergueu acabea uns poucos centmetros e viu um animal envolto em luz,distanciando-se a galope atravsdo 
lago. Os olhos embaados de suor, Harry tentou distinguir o que era...
Era fulgurante como umunicrnio. Lutando para se manter consciente, viu-o diminuir o galopeao chegar  margem oposta do lago. Por um momento, Harry viu,  suaclaridade, 
algum que lhe dava asboas-vindas... Erguendo a mo para lhe dar uma palmadinha... Algum que lhe pareceu estranhamente familiar... Mas no podia ser..
Harry no entendeu. No conseguiu mais pensar. Sentiu quesuas ltimas foras o abandonavam e sua cabea bateu no choquando ele desmaiou.








CAPTULO VINTE E UM
O Segredo de Hermione

 Uma histria chocante... Chocante... Milagre que ningum tenhamorrido... Nunca ouvi nada igual... Pelo trovo, foi uma sorte voc estarl, Snape...
 Muito obrigado, ministro.
 Ordem de Merlim, Segunda Classe, eu diria. PrimeiraClasse, se eu puder convenc-los.
 Muito obrigado mesmo, ministro.
 Que corte feio voc tem a... Obra do Black, suponho?
 Na realidade, foram Potter, Weasley e Granger, ministro... Black havia enfeitiado os garotos, vi imediatamente. Umfeitio Confundus, a julgar pelo comportamento 
deles. Pareciam acreditarque havia possibilidadede o homem ser inocente. No foram responsveis por seus atos. Por outrolado, a interferncia deles talvez tivesse 
permitido a Black fugir... Osgarotos obviamentepensaram que iam captur-lo sozinhos. Tm-se livrado de muitas situaes de perigo at agora... Receio que isso 
os tenha feito se acharemsuperiores... E, naturalmente, Pottersempre recebeu uma extraordinria indulgncia do diretor..
 Ah, bom, Snape... Harry Potter, sabe... Todos somos um poucocegos quando se trata dele.
 Contudo... Ser que  bom para ele receber tanto tratamentoespecial? Por mim, procuro trat-lo como qualquer outro aluno. E qualqueroutro aluno seriasuspenso, 
no mnimo, por colocar seus amigos em situao to perigosa. Considere, ministro: contrariando todas as regras da escola... Depois detodas as precauesque tomamos 
para sua proteo... Fora dos limites da escola,  noite, emcompanhia de um Lobisomem e de um assassino... E tenho razespara acreditar que ele andou visitando 
Hogsmeade ilegalmente, tambm...
 Bem, bem... Veremos, Snape, veremos... O garoto semdvida foi tolo...
Harry estava deitado com os olhos bem fechados. Sentia-se muitotonto. As palavras que ouvia pareciam viajar muito lentamente dos ouvidospara o crebro,por isso 
estava difcil compreender. Suas pernas e braos pareciam feitosde chumbo; as plpebras demasiado pesadas paraabri-las... Ele queria ficar deitado ali,naquela 
cama confortvel, para sempre...
 O que mais me surpreende  o comportamento dosdementadores... Voc realmente no tem idia do que os fez se retirar,Snape?
 No, ministro... Quando recuperei os sentidos elesestavam voltando aos seus postos na entrada...
 Extraordinrio. E, no entanto, Black, Harry e agarota...
 Todos inconscientes quando cheguei. Amarrei e amordaceiBlack, naturalmente, conjureimacas e os trouxe diretamente parao castelo.
Houve uma pausa. O crebro de Harry parecia estar trabalhando umpouco mais rpido e, quando isso aconteceu, surgiu umasensao desagradvel na boca do seu estmago...
O garoto abriu os olhos.
Tudo estava levemente embaado. Algum tirara seus culos. Eleestava deitado na escura ala hospitalar. Em um extremo da enfermaria,avistou Madame Pomfreyde costas 
para ele, curvada sobre um leito. Harry apertou os olhos. Oscabelos ruivos de Rony estavam visveis por baixo do brao de MadamePomfrey.
Harry virou a cabea no travesseiro. Na cama  sua direita estavaHermione. O luar banhava a cama. Os olhos dela tambm estavam abertos.
Parecia petrificadae, quando viu que Harry estava acordado, levou o dedo aos lbios eapontou para a porta da enfermaria. Estava entreaberta, e entravam porela 
as vozes de CornlioFudge e Snape, vindas do corredor.
Madame Pomfrey agora vinha andando com passos enrgicos pela enfermariaescura at a cama de Harry. O garoto se virou para olh-la. A enfermeiratrazia a maior barrade 
chocolate que ele j vira na vida. Parecia um pedregulho.
 Ah, voc acordou!  disse ela com animao. Pousou o chocolate namesa-de-cabeceira de Harry e comeou a parti-lo empedaos com um martelinho.
 Como est o Rony?  perguntaram Harry e Hermione, juntos.
 Vai sobreviver  respondeu Madame Pomfrey de cara feia.  Quanto avocsdois... Vo continuar aqui at eu me convencer que... Potter o que  quevoc acha que 
est fazendo?
O garoto estava se sentando, colocando os culos e apanhando avarinha.
 Preciso ver o diretor  disse.
 Potter  disse Madame Pomfrey, acalmando-o , est tudobem. Apanharam Black. Ele est trancado l em cima. Osdementadores vo-lhe dar o beijo a qualquer momento...
-O QUE?
Harry saltou da cama; Hermione fizera o mesmo. Mas o seugrito fora ouvido no corredor l fora; no segundo seguinte,Cornlio Fudge e Snape entraram na enfermaria.
 Harry, Harry que foi que houve?  perguntou Fudge,parecendo agitado.  Voc devia estar na cama, ele j comeu o chocolate?  perguntou, ansioso,o ministro a 
Madame Pomfrey.
 Ministro oua!  pediu Harry.  Sirius Black  inocente! Pedro Pettigrew fingiu a prpria morte! Ns o vimos hoje  noite. O senhor no pode deixar os dementadores 
fazerem aquilo comSirius, ele...
Mas Fudge estava sacudindo a cabea com um sorrizinho norosto.
 Harry, Harry voc est muito confuso, passou por umaprovao terrvel, deite-se, agora, temos tudo sob controle...
 O SENHOR NO TEM, NO!  berrou Harry.  O SENHOR PEGOUO HOMEM ERRADO!
 Ministro, por favor, oua  disse Hermione; ela correrapara o lado de Harry e olhava, suplicante, orosto de Fudge.  Eu tambm o vi. Era o ratode Rony, ele 
 um Animago.  O Pettigrew, quero dizer e...
 O senhor est vendo, ministro  disse Snape.  Confusos,os dois... Black fez um bom servio...
 NO ESTAMOS CONFUSOS!  berrou Harry.
 Ministro! Professor!  disse Madame Pomfrey aborrecida.  Devo insistir que os senhores saiam.  Potter  meu paciente e nodeve ser angustiado!
 No estou angustiado, estou tentando contar o queaconteceu!  disse Harry furioso.  Se eles ao menos me escutassem...
Mas Madame Pomfrey, de repente, meteu um pedao de chocolate naboca de Harry; ele se engasgou, e a enfermeira aproveitoua oportunidade para for-lo a voltar para 
a cama.
 Agora, por favor, ministro, essas crianas precisam decuidados mdicos. Por favor, saiam...
A porta tornou a se abrir. Era Dumbledore. Harry engoliu o bocadode chocolate com grande dificuldade e se levantou outra vez.
 Prof. Dumbledore, Sirius Black...
 Pelo amor de Deus!  exclamou Madame Pomfrey, histrica.   Isto  ou no  uma ala hospitalar? Diretor, eu devo insistir...
 Eu peo desculpas, Papoula, mas preciso dar uma palavracom o Sr. Potter e a Srta. Granger  disse Dumbledore calmamente. Acabei de falar comSirius Black...
 Suponho que ele tenha lhe narrado o mesmo conto de fadasque implantou na mente de Potter?  bufou Snape.  Ahistria deum rato e de Pettigrew ter sobrevivido...
 Esta, de fato,  a histria de Black  disse Dumbledore,examinando Snape atentamente atravs dos seus culos de meia-lua.
 E o meu testemunho no vale nada?  rosnou Snape. Pedro Pettigrew no estava na Casa dos Gritos, nem vi qualquer sinal delenos terrenos da escola.
 Isto foi porque o senhor foi nocauteado, professor! disse Hermione comconvico.  O senhor no chegou em tempo deouvir...
 Srta. Granger, CALE A BOCA!
 Ora, Snape  disse Fudge, espantado , a mocinha estperturbada, precisamos dar o devido desconto...
 Eu gostaria de falar com Harry e Hermione a ss  disseDumbledore bruscamente.  Cornlio, Severo, Papoula  porfavor, nos deixem.
 Diretor!  repetiu Madame Pomfrey com veemncia.  Elesprecisam de tratamento, eles precisam de descanso...
 Isto no pode esperar  disse Dumbledore.  Devoinsistir.
Madame Pomfrey mordeu os lbios e saiu em direo  sua sala, naextremidade da enfermaria, batendo a porta ao passar. Fudge consultou ogranderelgio deouro que 
trazia pendurado no colete.
 A esta hora os dementadores j devem ter chegado disse.  Vou ao encontro deles. Dumbledore, vejo voc l em cima.
O ministro se dirigiu  porta e a segurou aberta paraSnape passar, mas o professor no se mexeu.
 O senhor certamente no acredita em uma palavra dahistria de Black?  sussurrou Snape, os olhos fixos no rosto deDumbledore.
 Eu gostaria de falar com Harry e Hermione a ss repetiu Dumbledore.
Snape deu um passo em direo ao diretor.
 Sirius Black demonstrou que era capaz de matar com aidade de dezesseis anos. O senhor se esqueceu disto, diretor? O senhor seesqueceu que no passado ele tentou 
me matar?
 Minha memria continua boa como sempre, Severo  disseDumbledore, em voz baixa.
Snape girou nos calcanhares e saiu decidido pela porta que Fudgeainda segurava aberta. A porta se fechou  passagem dos dois e o diretorse virou para Harrye Hermione. 
Os dois desataram a falar ao mesmo tempo.
 Professor, Black est dizendo a verdade, ns vimosPettigrew... 
 Ele fugiu quando o Prof. Lupin virou Lobisomen...
 Ele  um rato...
 A pata dianteira de Pettigrew, quero dizer, o dedo, ele cortoufora...
 Pettigrew atacou Rony, no foi Sirius...
Mas Dumbledore ergueu a mo para interromper o dilvio deexplicaes.
  a vez de vocs ouvirem, e peo que no me interrompam,porque o tempo  muito curto  disse Dumbledore em voz baixa.
 No existe a mnima evidncia para sustentar a histria de Black,exceto a palavra devocs... E a palavra de dois bruxos de treze anos no ir convencerningum. 
Uma rua cheia de testemunhas jurou que viu Sirius matar Pettigrew. Eumesmo prestei depoimento ao ministrio que Sirius era o fiel do segredodos Potter.
 O Prof. Lupin pode lhe contar...  falou Harry, incapaz de serefrear.
 O Prof. Lupin no momento est embrenhado na floresta, incapazde contar o que quer que seja a algum. Quando voltar formahumana, ser tarde demais, Sirius 
estar mais do que morto. Eeu poderia acrescentar que a maioria do nosso povo desconfiatantode Lobisomens que o apoio dele contar muito pouco... E o fato de 
queele e Sirius so velhos amigos...
 Mas...
 Oua, Harry.  tarde demais, voc entende? Voc precisaadmitir que a verso do Prof. Snape sobre os acontecimentos  muito maisconvincente doque a sua.
 Ele odeia Sirius  disse Hermione, desesperada.  Tudopor causa de uma pea idiota que Sirius pregou nele...
 Sirius no agiu como um homem inocente. O ataque MulherGorda... A entrada na Torre da Grifinria com uma faca... Sem Pettigrew,vivo ou morto,no temos chance 
de derrubar a sentena de Sirius.
 Mas o senhor acredita em ns.
 Acredito  respondeu Dumbledore em voz baixa.  Mas notenho o poder de fazer os outros verem a verdade, nem de passar por cimado Ministro daMagia...
Harry encarou seu rosto srio e sentiu como se o cho estivessese abrindo debaixo dos seus ps. Acostumara-se  idia de que Dumbledorepodia resolver qualquercoisa. 
Esperara que o diretor tirasse alguma soluo surpreendente donada. Mas no... A ltima esperana dos garotos desaparecera.
 Precisamos  disse Dumbledore lentamente, e seus clarosolhos azuis correram de Harry para Hermione   de mais tempo.
 Mas...  comeou Hermione. Ento seus olhos searregalaram.  AH!
 Agora, prestem ateno  continuou o diretor, falandomuito baixo e muito claramente.  Sirius est preso na sala do Prof. Flitwick no stimo andar. A dcima 
terceira janela a contar da direita da Torre Oeste. Se tudo dercerto, vocs podero salvar mais de uma vida inocente hoje  noite. Maslembrem-se de umacoisa, 
os dois: vocs no podem ser vistos. Srta. Granger, a senhoritaconhece as leis, sabe o que est em jogo... Vocs... No... Podem... Ser...Vistos.
Harry no tinha a menor idia do que estava acontecendo.
Dumbledore deu as costas aos garotos e virou-se para olh-los ao chegar porta.
 Vou tranc-los. Faltam...  ele consultou o relgio  cinco minutospara a meia-noite. Srta. Granger, trs voltas devem bastar. Boa sorte.
 Boa sorte?  repetiu Harry quando a porta se fechouatrs de Dumbledore.  Trs voltas? Do que  que ele est falando? Que que ele espera que a gente faa?
Mas Hermione estava mexendo no decote das vestes, puxandode dentro dele uma corrente de ouro muito longa e fina.
 Harry, vem aqui  disse ela com urgncia.  Depressa!
Harry foi at a garota, completamente confuso. Ela estendia acorrente. E o garoto viu que havia pendurada nela uma minsculaampulheta.
 Tome... Hermione atirara a corrente em torno do pescoo dele tambm.  Pronto?  disse Hermione ofegante.
 Que  que estamos fazendo?  perguntou Harrycompletamente perdido.
Hermione girou a ampulheta trs vezes.
A enfermaria escura desapareceu. Harry teve a sensao de queestava voando muito rpido, para trs. Um borro de cores e formas passouveloz por ele, seusouvidos 
latejaram, ele tentou gritar, mas no conseguiu ouvir a prpriavoz...
E ento sentiu que havia um cho firme sob seus ps, e todasas coisas tornaram a entrar em foco...
Ele se achava parado ao lado de Hermione no saguo deserto docastelo e um feixe de raios dourados de sol que entrava pelas portas decarvalho abertas incidiasobre 
o piso de pedra. Harry olhou agitado para os lados  procura deHermione, a corrente da ampulheta machucando seu pescoo.
 Hermione, que...?
 Aqui!  a garota agarrou o brao de Harry e arrastou-opelo saguo at a porta do armrio de vassouras; abriu o armrio,empurrou o garoto parao meio dos baldes 
e esfreges, e fechou a porta depois de entrar.
 Qu... Como... Hermione, que foi que aconteceu?
 Voltamos no tempo  sussurrou ela, tirando a corrente dopescoo de Harry no escuro.  Trs horas...
Harry procurou a prpria perna e se deu um belisco commuita fora. Doeu para valer, o que pelo visto eliminava a possibilidadede estar tendo um sonho muito esquisito.
 Mas...
 Psiu! Oua! Tem algum vindo! Acho... Acho que deve sera gente!
Hermione tinha o ouvido encostado na porta do armrio.
 Passos pelo saguo... , acho que somos ns indo para acasa de Hagrid!
 Voc est me dizendo  cochichou Harry  que estamosaqui dentro do armrio e estamos l fora tambm?
   confirmou Hermione, o ouvido ainda colado  porta.  Tenhocerteza de que somos ns. Pelo eco no devem ser mais de trs pessoas... E estamos andandodevagar 
por causa da Capa da Invisibilidade...
Ela parou de falar, mas continuou a prestar ateno.
 Descemos os degraus da entrada...
Hermione se sentou em um balde virado de boca para baixo,parecendo aflitssima, mas Harry queria respostas para algumasperguntas.
 Onde foi que voc arranjou essa coisa feito umaampulheta?
 Chama-se Vira-Tempo  sussurrou Hermione , ganhei daProf. McConagall no primeiro dia depois das frias. Estou usando desde oincio do ano paraassistir a todas 
as minhas aulas. A professora me fez jurar que nocontaria a ningum. Ela teve que escrever um monte de cartas aoMinistrio da Magia para eu poderusar isso. Teve 
que dizer que eu era uma aluna modelo, e que nunca, nuncamesmo usaria o Vira-Tempo para nada a no ser para estudar... Eu o tenhousado para voltarno tempo e poder 
reviver as horas e  assim que assisto a mais de umaaula ao mesmo tempo, entende? Mas... Harry eu no estou entendendo o que  que Dumbledore querque a gente faa. 
Por que ele mandou a gente voltar trs horas notempo? Como  que isso vai ajudar o Sirius?
Harry encarou de frente o rosto escuro da garota.
 Deve ter alguma coisa que aconteceu por volta de agoraque ele quer que a gente mude  disse Harrylentamente.  Que foi queaconteceu? Estvamos indo  casa de 
Hagrid trs horas atrs...
 Agora estamos atrasados trs horas e estamos indo  casade Hagrid  disse Hermione.  Acabamos de ouvir a gente sair...
Harry franziu a testa; tinha a sensao de que estava franzindoo crebro todo para se concentrar.
 Dumbledore acabou de dizer.. Acabou de dizer que a gentepoderia salvar mais de uma vida inocente...  Ento fez-se a luz nocrebro de Harry.  Hermione, ns 
vamos salvar Bicuo!
 Mas... Como  que isso vai ajudar Sirius?
 Dumbledore disse... Acabou de nos dizer onde fica ajanela... A janela da sala de Flitwick! Onde prenderam Sirius! Temos quevoar no Bicuo ata janela e salvar 
Sirius! Ele pode fugir no hipogrifo... Eles podem fugirjuntos!
Pelo que Harry pde enxergar no rosto de Hermione, ela estavaaterrorizada.
 Se conseguirmos fazer isso sem ningum nos ver, vai ser ummilagre!
 Bom, vamos ter que tentar, no ?  disse Harry. Ele selevantou e encostou o ouvido  porta.
 Parece que no tem ningum a fora... Vamos, anda...
Harry abriu a porta do armrio. O saguo estava deserto. O maissilenciosa e rapidamente possvel eles saram correndo doarmrio e desceram os degraus de pedra. 
As sombras j estavam sealongando, os toposdas rvores na Floresta Proibida mais uma vez iam se tingindo de ouro.
 Se algum estiver olhando pela janela...  falouHermionecom a voz esganiada, virando-se para espiar o castelo.
 Vamos correr o mais depressa possvel  disse Harry decidido. Direto para a floresta, est bem? Teremos que nos esconderatrs de uma rvore ou de outra coisa 
para poder vigiar...
 Est bem, mas vamos dar a volta pelas estufas!  sugeriuHermione sem flego.  Temos que evitar que nos vejam da portade entrada de Hagrid! J devemos estar 
quase na casa dele agora!
Ainda tentando entender o que a amiga queria dizer, Harry saiudisparado com Hermione logo atrs. Os dois transpuseram as hortas emdireo s estufas, pararampor 
um instante ocultos por elas, depois recomearam a correr, a todavelocidade, contornando o Salgueiro Lutador, e, ainda desabalados, emdireo  floresta parase 
esconderem.
Seguro sob a sombra das rvores, Harry se virou; segundosdepois, Hermione, o alcanou, ofegante.
 Certo  disse ela sem ar.  Precisamos chegar sem ser vistos casa de Hagrid. Procure ficar escondido, Harry...
Os dois caminharam em silncio entre as rvores, acompanhando aorla da floresta. Ento, quando avistaram a frente da cabana, ouviram umabatida na porta.
Eles se ocultaram depressa atrs de um grosso carvalho e espiaram peloslados. Hagrid, trmuloe plido, aparecera  porta procurando ver quem batera. E Harry ouviu 
aprpria voz.
 Somos ns. Estamos usando a Capa da Invisibilidade. Deixe a gente entrar para poder tirar a capa.
 Vocs no deviam ter vindo!  sussurrou Hagrid, mas se afastoupara os garotos poderem entrar.
 Esta foi  coisa mais estranha que j fizemos  disseHarry com veemncia.
 Vamos continuar  cochichou Hermione.  Precisamos chegar maisperto de Bicuo!
Eles avanaram cautelosamente entre as rvores at verem ohipogrifo nervoso, amarrado  cerca em volta do canteiro de abboras deHagrid.
 Agora?  sussurrou Harry.
 No!  exclamou Hermione.  Se o roubarmos agora, opessoal da Comisso vai pensar que Hagrid soltou o bicho! Temos queesperar at verem que Bicuo est amarrado 
do lado de fora!
 Isso vai nos dar uns sessenta segundos  disse Harry. Acoisa estava comeando a parecer impossvel.
Naquele instante, os garotos ouviram loua se partindo nacabana de Hagrid.
  o Hagrid quebrando a leiteira  cochichou a garota. Vou encontrar Perebas agora mesmo...
No deu outra, alguns minutos depois, eles ouviram Hermione darum grito agudo de surpresa.
 Mione  disse Harry de repente , e se ns... Nsentrarmos l e agarrarmos Pettigrew...
 No!  exclamou Hermione num sussurro aterrorizado. Voc no compreende? Estamos violando uma das leis mais importantes damagia! Ningum podemudar o tempo! 
Voc ouviu o que Dumbledore falou, se formos vistos...
 Mas s seramos vistos por ns mesmos e por Hagrid!
 Harry, que  que voc faria se visse voc mesmo entrandopela casa de Hagrid?  perguntou Hermione.
 Eu acharia... Acharia que tinha ficado maluco  respondeu Harry ou acharia que estava usando magia negra...
 Exatamente! Voc no entenderia, voc poderia at se atacar! Voc no entende? A Prof. McGonagall me contou as coisas horrveis queaconteceram quando bruxos 
mexeram com o tempo...
Montes deles acabaram matando os eus passados ou futuros por engano!
 Ok!  concordou Harry.  Foi s uma idia. Pensei...
Mas Hermione cutucou-o e apontou para o castelo. Harry espioupelo lado para ter uma viso mais clara das portas de entrada.
Dumbledore, Fudge, o velhoteda Comisso e Macnair, o carrasco, vinham descendo os degraus.
 J estamos de sada!  sussurrou Hermione. E assim foi, momentosdepois a porta dos fundos da cabana seabriu e Harry viu a si mesmo, Rony e Hermione sarem com 
Hagrid. Foi, semdvida, a sensao mais esquisita de sua vida, parado ali atrs darvore, observando asi mesmo no canteiro de abboras.
 Tudo bem, Bicucinho, tudo bem...  disse Hagrid aobicho. Ento se virou para os trs garotos.  Vo. Andem logo.
 Hagrid, no podemos...
 Vamos contar a eles o que realmente aconteceu...
 No podem matar Bicuo...
 Vo! J est bastante ruim sem vocs se meterem em confuso! 
Harryobservou Hermione jogar a Capa da Invisibilidadesobre ele e Rony no canteiro de abboras.
 Vo depressa. No fiquem ouvindo... 
Ouviu-se uma batida naporta de entrada da cabana. A comisso de execuo chegara. Hagrid sevirou para entrar em casa,deixando a porta dos fundos entreaberta. 
Harry observou a grama seachatar em certos pontos a toda volta da cabana de Hagrid e ouviu trspares de ps recuarem.
Ele, Rony e Hermione tinham ido embora... Mas o Harry e a Hermioneescondidos no meio das rvores escutavam, pela porta dos fundos, o queestava acontecendo no interiorda 
cabana.
 Onde est o animal?  disse a voz fria de Macnair.
 L... L fora  respondeu Hagrid, rouco.
Harry escondeu a cabea quando o rosto de Macnair apareceu janela da cabana, para espiar Bicuo. Ento os garotos ouviram avoz de Fudge.
 Ns... Hum... Temos que ler para voc a notificao oficial daexecuo, Hagrid. Vou ser rpido. Depois, voc e Macnairpreciso assin-la. Macnair, voc precisa 
escutar tambm,  a praxe...
O rosto do carrasco desapareceu da janela. Era agora ou nunca.
 Espera aqui  cochichou Harry para Hermione.  Eu fao.
Quando a voz de Fudge recomeou, Harry saiu correndo doseu esconderijo atrs da rvore, saltou a cerca para o canteirodeabboras e se aproximou de Bicuo.
 Por deciso da Comisso para Eliminao de Criaturas Perigosaso hipogrifo Bicuo, doravante chamado condenado, ser executado no diaseis de junho aopr-do-sol...
Com cuidado para no piscar, Harry encarou os ferozes olhos cor delaranja de Bicuo mais uma vez e fez uma reverncia, O hipogrifo dobrouos joelhos escamosose 
em seguida tornou a se levantar. Harry comeou a desamarrar a corda queprendia o hipogrifo  cerca.
 ... Por decapitao, a ser executada pelo carrasconomeado pela Comisso, Walden Macnair...
 Vamos Bicuo  murmurou Harry , vamos, ns vamos teajudar. Quietinho... Quietinho...
 ... Conforme testemunham abaixo. Hagrid, voc assinaaqui...
Harry jogou todo o seu peso contra a corda, mas Bicuo cravara as patasdianteirasna terra.
 Bem, vamos acabar com isso  disse a voz aguda dovelhote da Comisso dentro da cabana.  Hagrid, talvez seja melhor vocficar aqui dentro...
 No, eu... Eu quero ficar com ele... No quero que elefique sozinho...
Soaram passos dentro da cabana.
 Bicuo, anda! sibilou Harry.
Harry puxou com mais fora a corda presa ao pescoo dele. Ohipogrifo comeou a andar, farfalhando as asas com irritao. Ele e Harryainda estavam a trsmetros 
da floresta, bem  vista da porta dos fundos da cabana.
 Um momento, por favor, Macnair  ouviram a voz deDumbledore.  Voc precisa assinar tambm.  Os passos pararam. Harrypuxou a corda com fora.
Bicuo deu um estalo com o bico e andou um pouco mais rpido.
O rosto plido de Hermione aparecia pelo lado do tronco darvore.
 Harry, depressa!  murmurou ela.
O garoto ainda ouvia a voz de Dumbledore dentro dacabana. Deu outro puxo na corda. Bicuo comeou a trotar de m vontade. Alcanaram as rvores...
 Depressa! Depressa!  gemia Hermione, que saiu de trsdaarvore, agarrou tambm a corda e acrescentou seu peso para fazerBicuo andar mais depressa. Harry espiou 
por cima do ombro; agora tinham desaparecido de vista; mas tambm no podiam vera horta de Hagrid.
 Pare!  disse ele a Hermione.  Poderiam nos ouvir..
A porta dos fundos da cabana se abriu com violncia. Harry,Hermione e Bicuo ficaram muito quietos; at o hipogrifo pareciaestar prestando ateno.
 Silncio... ento...
 Onde est ele?  perguntou a voz fraquinha do velhote daComisso.  Onde est o bicho?
 Estava amarrado aqui!  disse o carrasco, furioso.  Euo vi! Bem aqui!
 Que extraordinrio!  exclamou Alvo Dumbledore. Havia umtom de riso em sua voz.
 Bicuo!  exclamou Hagrid, rouco.
Ouviu-se o rudo de uma lmina cortando o ar e a pancada de ummachado. O carrasco, enraivecido, aparentemente brandira o machado contraa cerca. Ento,ouviu-se 
um berreiro e desta vez eles distinguiram as palavras de Hagridentre os soluos.
 Foi-se! Foi-se! Abenoado seja ele, foi embora! Deve terse soltado! Bicucinho, que garoto inteligente!
Bicuo comeou a puxar a corda com fora, tentando voltarpara Hagrid. Harry e Hermione seguraram a corda com firmeza eenterraram os saltos no cho da floresta 
para reter o bicho.
 Algum o desamarrou!  rosnou o carrasco.  Devamosrevistar a propriedade, a floresta...
 Macnair, se Bicuo foi realmente roubado, voc acha queo ladro o levou a p?  perguntou Dumbledore, ainda em tom divertido. Procurem nos cus,se quiserem... 
Hagrid, uma xcara de ch me cairia bem. Ou um bom clicede conhaque.
 C... Claro, professor  disse Hagrid, que parecia fracode tanta felicidade.  Entre, entre...
Harry e Hermione apuraram os ouvidos. Ouviram passos, ocarrasco xingando baixinho, o clique da porta e, ento, mais umavez o silncio.
 E agora?  sussurrou Harry, olhando para os lados.
 Vamos ter que nos esconder aqui  disse Hermione, queparecia muito abalada.  Precisamos esperar at eles voltarem para ocastelo. Depois esperamosat poder 
voar com Bicuo em segurana at a janela de Sirius. Ele vai demorar l mais duas horas... Ah, isso vai ser difcil..
A garota espiou, nervosa, por cima do ombro as profundezasda floresta. O sol ia se pondo.
 Vamos ter que mudar de lugar  disse Harry seconcentrando.  Temos que poder ver o Salgueiro Lutador ou no vamossaber o que est acontecendo.
 Ok  concordou Hermione, segurando a corda de Bicuo commais firmeza.  Mas temos que ficar onde ningum possa nosver Harry, lembre-se...
Os dois saram pela orla da floresta,  noite escurecendo tudo volta, at poderem se esconder atrs de um grupo de rvores, entreas quais eles podiam avistar 
o salgueiro.
 Olha l o Rony!  exclamou Harry de repente.
Um vulto escuro ia correndo pelos jardins e seu grito ecoavapelo ar parado da noite.
 Fique longe dele... Fique longe... Perebas, voltaaqui...
Ento os garotos viram mais dois vultos se materializarem donada. Harry observou ele prprio e Hermione correrem atrs deRony. Depois viram Rony mergulhar.
 Te peguei! D o fora, seu gato fedorento...
 Olha l o Sirius!  exclamou Harry. A forma enorme de umco saltou das razes do salgueiro. Eles o viram derrubar Harry, depoisagarrar Rony...  Parece ainda 
pior visto daqui, no ?  comentou Harry, observando oco puxar Rony para baixo das razes.  Ai... Olha, acabei de levar umabaita lambada da rvore...
E voc tambm... Que coisa esquisita...
O Salgueiro Lutador rangia e dava golpes com os ramos maisbaixos; os garotos se viam correndo para c e para l, tentando chegarat o tronco. Eento a rvore 
se imobilizou.
 Isso foi o Bichento apertando o n  disse Hermione.
 E l vamos ns...  murmurou Harry  Entramos.
No momento em que eles desapareceram, a rvore recomeoua se agitar. Segundos depois, os garotos ouviram passos muitoprximos. Dumbledore, Macnair, Fudge e o 
velhote da Comisso estavamregressando ao castelo.
 Logo depois de termos descido pela passagem!  exclamouHermione.  Se ao menos Dumbledore tivesse ido conosco...
 Macnair e Fudge teriam ido tambm  disse Harry amargurado. Aposto o que voc quiser como Fudge teria mandadoMacnair matar Sirius na hora...
Os garotos observaram os quatro homens subirem os degrausdo castelo e desaparecer de vista. Durante alguns minutos os jardinsficaram desertos. Ento...
 A vem Lupin!  disse Harry ao ver outro vulto descer correndoos degraus de pedra e se dirigir ao salgueiro. Harry olhoupara o cu. As nuvens estavam obscurecendo 
completamente a luz.
Os dois acompanharam Lupin apanhar um galho seco do choe empurrar com ele o n do tronco. A rvore parou de lutar, e oprofessor, tambm, desapareceu no buraco 
entre as razes.
 Se ao menos ele tivesse apanhado a capa  lamentou Harry.
 Est cada bem ali...
E, virando-se para Hermione.
 Se eu desse uma corrida agora e apanhasse a capa, Snape nuncapoderia se apoderar dela e...
 Harry no podemos ser vistos!
 Como  que voc agenta isso?  perguntou ele a Hermioneimpetuosamente.  Ficar parada aqui olhando a coisa acontecer?  Elehesitou.  Vou apanhar acapa!
 Harry no!
Hermione agarrou Harry pelas costas das vestes bem na hora.
Naquele instante, ouviu-se uma cantoria. Era Hagrid, ligeiramentetrpego, a caminho do castelo,cantando a plenos pulmes. Um garrafo balanava em suas mos.
 Viu?  sussurrou Hermione.  Viu o que teria acontecido? Temos que ficar escondidos! No, Bicuo!
O hipogrifo fazia tentativas frenticas para chegar at Hagrid;
Harry agarrou a corda tambm, fazendo fora para manter o animal parado.
Os garotos observaramHagrid caminhar, bbado, at o castelo. Bicuo parou de brigar para irembora. Deixou a cabeapender tristemente.
No havia se passado nem dois minutos e as portas do castelotornaram a se escancarar, era Snape que saa decidido, e rumava para osalgueiro.
Os punhos de Harry se fecharam quando eles viram Snapeparar derrapando prximo  rvore, olhando para os lados. Depois,apanhou a capa e levantou-a.
 Tira suas mos imundas da  rosnou Harry para si mesmo.
 Psiu!
Snape apanhou o galho seco que Lupin usara para imobilizar arvore, cutucou on e desapareceu de vista ao se cobrir com acapa.
 Ento  isso  disse Hermione baixinho.  Estamos todosl embaixo... E agora temos que esperar at voltarmos da passagem...
A garota pegou a ponta da corda de Bicuo e amarrou-a bemsegura na rvore mais prxima, ento, sentou-se no cho seco, osbraos em torno dos joelhos.
 Harry, tem uma coisa que eu no entendo... Por que osdementadores no pegaram Sirius? Eu me lembro deles chegando,a acho que desmaiei... Havia tantos...
Harry se sentou tambm. E explicou o que vira; que na hora em queo dementador mais prximo chegou a boca junto  deHarry, uma coisa grande e prateada viera galopando 
do lago e forara osdementadores a se retirarem.
A boca de Hermione estava ligeiramente aberta quando Harryterminou.
 Mas o que era a coisa?
 S tem uma coisa que podia ter sido, para fazer osdementadores irem embora  disse Harry.  Um Patrono de verdade. Bempoderoso.
 Mas quem o conjurou?
Harry no respondeu nada. Estava relembrando a pessoa quevira na outra margem do lago. Sabia quem ele pensara que era... Mas como seria possvel?
 Voc no viu com quem se parecia?  perguntou Hermioneansiosa.  Foi um dos professores?
 No  disse Harry.  No era um professor.
 Mas deve ter sido um bruxo realmente poderoso, parafazertodos aqueles dementadores irem embora... Se o Patrono era tobrilhante, a luz no iluminava ele? Voc 
no pde ver...?
 Claro que vi  disse Harry lentamente.  Mas talvez... Eutenha imaginado que vi... Eu no estava pensando direito... Desmaiei logoem seguida...
 Quem foi que voc pensou que viu?
 Acho...  Harry engoliu em seco, sabendo como eraestranho o que ia dizer.  Acho que foi o meu pai.
Harry olhou para Hermione e viu que a boca da menina seabrira de vez. Ela o olhava com uma mistura de susto e piedade.
 Harry, seu pai est... Bem... Morto  disse elabaixinho.
 Eu sei  respondeu Harry depressa.
 Voc acha que viu o fantasma dele?
 No sei... No... Parecia slido...
 Mas ento...
 Vai ver eu andei vendo coisas  disse Harry.  Mas... Pelo que pudever... Parecia ele... Tenho fotos dele...
Hermione continuava a mir-lo como se estivesse preocupadacom a sanidade do amigo.
 Sei que parece doideira  falou Harry, sem animao. Ese virou para olhar Bicuo, que enterrava o bico no cho, aparentemente procura de vermes.
Mas na realidade o garoto no estava olhando para Bicuo.
Estava pensando no pai e nos trs amigos mais antigos do pai... Aluado, Rabicho, Almofadinhas e Pontas... Ser que os quatro tinhamestado em Hogwarts estanoite? 
Rabicho reaparecera quando todos pensavam que estivesse morto...
Seria to impossvel que o mesmo acontecesse com o seu pai? Ser queandara vendo coisasno lago? O vulto estava demasiado longe para v-lo com clareza... Contudo, 
Harry tivera uma certeza momentnea antes de perder aconscincia...
A folhagem no alto rumorejava baixinho  brisa. A lua aparecia edesaparecia por trs das nuvens que deslizavam pelo cu. Hermione,sentada com o rosto viradopara 
o salgueiro, aguardava.
Ento, finalmente, passada uma hora...
 A vm eles!  sussurrou Hermione.
Ela e Harry se levantaram. Bicuo ergueu a cabea. Ento osgarotos viram Lupin, Rony e Pettigrew saindo desajeitados do buraco nasrazes. Depois veio Hermione... 
O inconsciente Snape, flutuando estranhamente. Em seguida subiram Harry eBlack.
Todos saram caminhando em direo ao castelo.
O corao de Harry comeou a bater muito depressa. Eleolhou para o cu. A qualquer momento agora, aquela nuvem ia seafastar e mostrar a lua...
 Harry  murmurou Hermione como se soubesse exatamente oque ele estava pensando , temos que ficar parados. Nopodemos ser vistos. No tem nadaque a gente possa 
fazer...
 Ento vamos deixar Pettigrew escapar outra vez... protestou Harry baixinho.
 Como  que voc espera encontrar um rato no escuro? retrucou Hermione irritada.  No tem nada que a gente possafazer! Voltamos para ajudar Sirius; no  para 
fazer mais nada!
 Est bem!
A lua deslizou para fora da cobertura de nuvens. Os dois viramos pequenos vultos que atravessavam os jardins pararem. Entoperceberam um movimento...
 L vai Lupin  cochichou Hermione.  Ele est setransformando...
 Hermione!  disse Harry de repente.  Temos que mudar delugar!
 J disse que no podemos...
 No podemos interferir! Mas Lupin vai correr para dentroda floresta, bem por onde estamos!
Hermione prendeu a respirao.
 Depressa!  gemeu ela, correndo para soltar Bicuo. Depressa! Aonde  que ns vamos? Onde  que vamos nos esconder? Osdementadores vo chegara qualquer momento...
 Vamos voltar para a cabana de Hagrid!  disse Harry. Estvazia agora... Vamos!
Os garotos correram a toda velocidade, Bicuo atrs deles.
Ouviam o Lobisomen uivando em sua cola...
Avistaram a cabana; Harry derrapou diante da porta, escancarou-a,e Hermione e Bicuo passaram como relmpagos por ele; o garoto se atiroupara dentro etrancou 
a porta. Canino, o co de casar javalis, latiu com fora.
 Psiu, Canino, somos ns!  disse Hermione, correndo acoar atrs das orelhas do co para sosseg-lo.  Essa foi por pouco! disse ela a Harry.
 Acho melhor sair, sabe  disse Harry lentamente.  No consigover o que est acontecendo... No vamos saber quando for ahora...
Hermione ergueu a cabea. Tinha uma expresso desconfiada.
 No vou tentar interferir  disse Harry depressa.  Mas se novirmos o que est acontecendo, como  que vamos saber quando temos quesalvar Sirius?
 Bem... Ok, ento... Fico esperando aqui com o Bicuo... Mas Harry, tenha cuidado, tem um Lobisomen solto l fora... E osdementadores...
Harry saiu e contornou a cabana. Ouvia latidos ao longe. Istosignificava que os dementadores estavam fechando o cerco sobre Sirius...
Ele e Hermione iriam correr para Sirius a qualquer instante...
Harry espiou para as bandas do lago, seu corao produzindouma espcie de batuque no seu peito... Quem quer que tivessemandado o Patrono iria aparecer a qualquer 
momento...
Por uma frao de segundo ele parou, indeciso, diante da portada cabana. Voc no pode ser visto. Mas ele no queria ser visto.
Queria ver... Tinha que saber...
E l estavam os dementadores. Emergiam da noite, vindos de todasas direes, deslizando pela orla do lago... Estavam se distanciando doponto em que Harryse encontrava, 
em direo  margem oposta... Ele no teria que seaproximar deles...
Harry comeou a correr. No tinha outro pensamento nacabea seno o pai... Se fosse ele... Se fosse realmente ele... Harryprecisava saber, precisava descobrir...
O lago estava cada vez mais prximo, mas no havia sinal deningum. Na margem oposta, Harry vislumbrou minsculos pontos prateados,suas prprias tentativasde 
produzir um Patrono...
Havia uma moita bem na beirinha da gua. Harry se atirou atrsdela, e espiou desesperado entre as folhas. Na margem oposta, os reflexosprateados de repentese 
extinguiram. Uma mescla de terror e excitao percorreu seu corpo, aqualquer momentoagora...
 Vamos!  murmurou, olhando com ateno para os lados.  Onde que voc est! Papai, anda...
Mas no veio ningum. Harry ergueu a cabea para olhar o crculode dementadores do outro lado do lago. Um deles estavadespindo o capuz. Estava na horado salvador 
aparecer, mas ningum ia aparecer para ajudar desta vez...
E ento a explicao lhe ocorreu, ele compreendeu. No virao pai vira a si mesmo...
Harry se precipitou para fora da moita e puxou a varinha.
 EXPECTO PATRONUM!  berrou.
E da ponta de sua varinha irrompeu, no uma nuvem disforme, mas umanimal prateado, deslumbrante,ofuscante. Ele apertou os olhos tentando ver o que era.
Parecia um cavalo. Galopava silenciosamente se afastando dele,atravessando a superfcie escura do lago. Ele viu o animal abaixar acabea e investir contra o enxamede 
dementadores... Agora, a galope, ele cercava os vultos escuros nocho, e os dementadores recuavam, se dispersavam, batiam em retirada nanoite... Desapareciam.
O Patrono deu meia-volta. Veio em direo a Harryatravessando a superfcie parada das guas. No era um cavalo. No era umunicrnio, tampouco. Eraum cervo. Reluzia 
intensamente ao luar... Estava retornando a ele...
Parou na margem. Seus cascos no deixaram pegadas no chomacio quando ele encarou Harry com os grandes olhos prateados.
Lentamente, ele curvou a cabea cheia de galhos. E Harry percebeu...
 Pontas  sussurrou.
Mas quando os dedos trmulos de Harry se estenderam para obicho, ele desapareceu.
Harry continuou parado ali, a mo estendida. Ento com umgrande salto no corao, ele ouviu o rudo de cascos s suas costas virou-se e viu Hermione correndo 
para ele, arrastando Bicuo.
 Que foi que voc fez?  perguntou ela com raiva.  Vocdisse que ia ficar vigiando!
 Acabei de salvar as nossas vidas...  disse Harry.  Vemaqui para trs, atrs dessa moita, eu explico.
Hermione ouviu o relato do que acabava de acontecer, outravez boquiaberta.
 Algum viu voc?
 Est vendo, voc no ouviu nada! Eu me vi e achei que era omeu pai! Tudo bem!
 Harry, nem posso acreditar... Voc conjurou um Patrono queespantou todos aqueles dementadores! Isto  magia muito adiantada, masmuito mesmo...
 Eu sabia que podia fazer isso desta vez  disse Harry ,porque j tinha feito antes... Faz sentido?
 No sei... Harry, olha o Snape!
Juntos eles olharam para a outra margem. Snape recuperara ossentidos. Estava conjurando macas e erguendo as formas inertes de Harry,Hermione e Black paracima 
delas. Uma quarta maca, sem dvida carregando Rony, j estavaflutuando ao seu lado. Ento, com a varinha segura  frente, ele ostransportou para o castelo.
 Certo, est quase na hora  disse Hermione olhando,tensa, para o relgio.  Temos uns quarenta e cinco minutos atDumbledore fechar a porta daala hospitalar. 
Temos que salvar Sirius e voltar  enfermaria antes quealgum perceba que estamos ausentes...
Os dois esperaram, observando o reflexo das nuvens que se moviamsobre o lago, enquanto a moita ao lado sussurrava  brisa. Bicuo,entediado, estava novamentebicando 
a terra  procura de vermes.
 Voc acha que ele j est l em cima?  perguntou Harry,consultando o relgio. Em seguida olhou para o castelo e comeoua contar as janelas  direita da Torre 
Oeste.
 Olha!  sussurrou Hermione.  Quem  aquele? Algum estsaindo do castelo!
Harry olhou para o escuro. O homem estava correndo pelosjardins, em direo a uma das entradas. Uma coisa reluzente faiscava emseu cinto.
 Macnair!  exclamou Harry.  O carrasco! Ele foi chamaros dementadores!  agora, Mione...
Hermione ps as mos nas costas de Bicuo e Harry a ajudou amontar. Ento ele apoiouo p em um dos galhos mais baixos da moita e montou  frente da garota.
Depois puxou a corda de Bicuo por cima do pescoo e amarrou-a como sefossem rdeas.
 Pronta?  cochichou para Hermione.   melhor voc sesegurar em mim...
E bateu os calcanhares nos lados de Bicuo.
O bicho saiu voando pela noite. Harry comprimiu os flancosde Bicuo com os joelhos, sentindo as grandes asas erguerem-se com forapor baixo deles. Hermione segurava 
Harry muito apertado, pela cintura; ele a ouvia reclamarbaixinho.
 Ah, no... No estou gostando disso... Ah, no estou gostandonem um pouco disso...
Harry incitou Bicuo para faz-lo avanar. Eles comearam a voarsilenciosamente em direo aos andares superiores do castelo. Harrypuxou com fora olado esquerdo 
da corda e Bicuo virou para aquele lado. O garoto tentavacontar as janelas que passavam velozes...
 o!  comandou puxando a corda para si com toda a foraque pde.
O hipogrifo reduziu a velocidade e eles pararam, salvo seconsiderarmos o fato de que continuavam a subir e descer quase ummetro de cada vez, quando o bicho batia 
as asas para se manter no ar.
 Ele est ali!  disse Harry apontando para Sirius quandoemparelharam com uma janela. O garoto estendeu a mo e, quando as asas deBicuo baixaram,conseguiu dar 
umas pancadinhas na vidraa.
Black olhou. Harry viu o queixo dele cair de espanto. O homemsaltou da cadeira, correu  janela e tentou abri-la, mas estavatrancada.
 Se afaste!  pediu Hermione tirando a varinha, aindaagarrando as vestes de Harry com a mo esquerda.
 Alorromora!
A janela se escancarou.
 Como... Como...?  exclamou Black com a voz fraca,olhando para o hipogrifo.
 Sobe, no temos muito tempo  disse Harry, segurandoBicuo com firmeza pelos lados do pescoo escorregadio para mant-loparado.  Voc tem quesair daqui, os 
dementadores esto chegando, Macnair foi buscar eles.
Black colocou as mos dos lados da janela e ergueu a cabea e osombros para fora. Foi uma sorte estar to magro. Em segundos, eleconseguiu passar uma pernapor 
cima do lombo de Bicuo e montar o bicho atrs de Hermione.
 Ok, Bicuo, para cima!  disse Harry sacudindo a corda.
 Para a torre, anda!
O hipogrifo bateu uma vez as asas possantes e elesrecomearoa voar para o alto, at o topo da Torre Oeste. Bicuo pousoucom um rudo de cascos nas ameias do 
castelo e os garotos escorregarampara o cho.
 Sirius,  melhor voc ir depressa  ofegou Harry.  Elesvo chegar na sala de Flitwick a qualquer momento, e vo descobrirque voc fugiu.
Bicuo pateou o cho, sacudindo a cabea pontuda.
 Que aconteceu com o outro garoto? Rony!  perguntouSirius rouco.
 Ele vai ficar bom. Ainda est desacordado, mas MadamePomfrey diz que vai dar um jeito nele. Depressa, vai...
Mas Black continuava a olhar para Harry.
 Como  que vou poder lhe agradecer...
 VAI!  gritaram ao mesmo tempo Harry e Hermione.
Black fez Bicuo virar para o cu aberto.
 Ns vamos nos ver outra vez  disse ele.  Voc  bemfilho do seu pai, Harry...
E, ento, apertou os flancos de Bicuo com os calcanhares. Harrye Hermione deram um salto para trs quando as enormes asas se erguerammais uma vez... Ohipogrifo 
saiu voando pelos ares... Ele e seu cavaleiro foram ficandocada vez menores enquanto Harry os observava... Ento uma nuvem encobriua lua... E eles desapareceram.















CAPTULO VINTE E DOIS
Novo Correio-Coruja

 Harry!  Hermione estava puxando a manga do garoto, com os olhos no seuprprio relgio.  Temos exatamente dez minutos para voltar  alahospitalar sem que ningum 
nos veja, antes que Dumbledore tranque aporta...
 Ok  disse Harry, parando de contemplar o cu ,vamos...  Os dois saram pela porta s costas deles e desceram uma escadade pedra circular muitoestreita. Quando 
chegaram embaixo ouviram vozes. Colaram o corpo contra aparede e escutaram. Pareciam as vozes de Fudge e Snape. Os doiscaminhavam depressa pelocorredor no qual 
terminava a escada.
 ... S espero que Dumbledore no crie dificuldades dizia Snape.  O beijo ser executado imediatamente?
 Assim que Macnair voltar com os dementadores. Todo essecaso Black tem sido muitssimo constrangedor. Nem posso lhe dizer comoestou ansioso parainformar ao Profeta 
Dirio que finalmente o capturamos... Acho provvelque queiram entrevist-lo, Snape... E quando Harry tiver voltado aonormal, espero que sedisponha a contar ao 
Profeta exatamente como foi que voc o salvou...
Harry cerrou os dentes. Viu de relance o sorriso presunoso de Snape,quando o professor e Fudge passaram pelo lugar em que ele e Hermioneestavam escondidos. Oeco 
dos passos dos homens foi se distanciando. Os dois garotos esperaramalguns minutos para ter certeza de que tinham realmente ido embora, entocomearam a correrna 
direo oposta. Desceram uma escada, depois outra, correram por umcorredor, ento ouviram uma risada escandalosa frente.
 Pirraa!  murmurou Harry, agarrando o pulso deHermione.  Aqui!
Eles se precipitaram para dentro de uma sala de aula  esquerda,na hora H. Ao que parecia, Pirraa vinha saltitando pelo corredorapregoando bom humor,rindo 
de se acabar.
 Ah, ele  horrvel!  sussurrou Hermione, o ouvidoencostado  porta.  Aposto como est nessa excitao toda porque osdementadores vo liquidarSirius...  Ela 
tornou a consultar o relgio.  Trs minutos, Harry!
Os garotos aguardaram a voz satisfeita de Pirraa sumir aolonge, ento abandonaram a sala e desataram a correr.
 Hermione, que  que vai acontecer, se no conseguirmosvoltar antes de Dumbledore trancar a porta?  ofegou Harry.
 Nem quero pensar!  gemeu Hermione, verificandonovamente o relgio.  Um minuto!
Os dois tinham chegado ao fim do corredor em que ficava aentrada para a ala hospitalar.
 Ok... Estou ouvindo Dumbledore  disse Hermione tensa.  Vamos Harry!
Saram sorrateiramente pelo corredor A porta da enfermaria seabriu. Apareceram as costas de Dumbledore.
 Vou tranc-los  os garotos o ouviram dizer.  Faltamcinco minutos para a meia-noite. Srta. Granger, trs voltas devem bastar.Boa sorte.
Dumbledore recuou para fora da enfermaria, fechou a porta e puxoua varinha para tranc-la magicamente. Em pnico, Harry e Hermionecorreram ao seu encontro.
Dumbledore ergueu os olhos e apareceu um largo sorriso sob seus compridosbigodes prateados.
 Ento?  perguntou ele baixinho.
 Conseguimos!  disse Harry ofegante.  Sirius j foi,montado em Bicuo...
Dumbledore sorriu radiante para os garotos.
 Muito bem! Acho que...  Ele escutou atentamente paraverificar se havia algum rudo no interior da ala hospitalar.  , achoque vocs tambm j foram: entrem, 
vou tranc-los...
Harry e Hermione entraram na enfermaria. Estava vazia exceto porRony, que continuava deitado imvel na cama ao fundo. Ao ouvirem oclique da fechadura, Harry e 
Hermione voltaram s suas camas, e a garotaguardouo Vira-Tempo, dentro das vestes. Um instante depois, Madame Pomfrey saiude sua sala.
 Foi o diretor que eu ouvi saindo? Ser que j possocuidar dos meus pacientes?
A enfermeira estava muito mal-humorada. Harry eHermioneacharam melhor aceitar o chocolate que ela trazia semresistncia.
Madame Pomfrey ficou vigiando para ter certeza de queeles ocomessem. Mas Harry mal conseguia engolir. Ele e Hermioneestavam esperando, escutavam, os nervos vibrando 
desafinados...
Ento, quando aceitaram o quarto pedao de chocolate deMadame Pomfrey, eles ouviram ao longe o ronco de fria que ecoavaem algum ponto do andar acima...
 Que foi isso?  perguntou Madame Pomfrey assustada.
Agora ouviam vozes raivosas, que iam se avolumando semparar. A enfermeira tinha os olhos na porta.
 Francamente, vo acordar todo mundo! Que  que elesacham que esto fazendo?
Harry tentava ouvir o que as vozes diziam. Elas foramse aproximando...
 Ele deve ter desaparatado, Severo. Devamos terdeixadoalgum na sala vigiando. Quando isto vazar...
 ELE NO DESAPARATOU!  vociferou Snape, agora muitoprximo.  NO SE PODE APARATAR NEM DESAPARATARDENTRO DESTE CASTELO! ISTO... TEM... DEDO... DO...POTTER!
 Severo... Seja razovel... Harry est trancado...
PAM.
A porta da ala hospitalar se escancarou.
Fudge, Snape e Dumbledore entraram na enfermaria. Somenteo diretor parecia calmo. De fato, parecia que estava sedivertindo. Fudge tinha uma expresso zangada. 
Mas Snape estava forade si.
 DESEMBUCHE, POTTER!  berrou ele.  QUE FOI QUEVOC FEZ?
 Professor Snape!  protestou esganiada MadamePomfrey.  Controle-se!
 Olhe aqui, Snape, seja razovel  ponderou Fudge.  Aportaesteve trancada, acabamos de constatar..
 ELES AJUDARAM BLACK A ESCAPAR EU SEI!  berrouSnape, apontando para Harry e Hermione. Seu rosto estavacontorcido; voava cuspe de sua boca.
 Acalme-se, homem!  ordenou Fudge.  Voc estfalandodisparates!
 O SENHOR NO CONHECE POTTER!  berrou Snape em falsete.  FOIELE, EU SEI QUE FOI ELE QUE FEZ ISSO...
 Chega, Severo  disse Dumbledore em voz baixa.  Penseno que est dizendo. A porta esteve trancada desde que deixei aenfermaria dez minutos atrs.  Madame Pomfrey, 
esses garotos saram da cama?
 Claro que no!  respondeu Madame Pomfrey comeficincia.  Eu os teria ouvido!
 A est, Severo  disse Dumbledore calmamente.  A noser que voc esteja sugerindo que Harry e Hermione sejam capazes de estarem dois lugaresao mesmo tempo, 
receio que no haja sentido em continuar a perturb-los.
Snape ficou parado ali, procurando, olhando de Fudge, que pareciaextremamente chocado com o procedimento do professor, para Dumbledorecujos olhos cintilavampor 
trs dos culos. Snape deu meia-volta, as vestes rodopiando paratrs, e saiu enfurecido da enfermaria.
 O homem parece que  bem desequilibrado  disse Fudge,acompanhando-o com o olhar.  Eu me precaveria se fosse voc,Dumbledore.
 Ah, ele no  desequilibrado  disse Dumbledore em vozbaixa.  Apenas sofreu um grave desapontamento.
 Ele no  o nico!  bufou Fudge.  O Profeta Dirio vaiter um grande dia! Tivemos Black encurralado e ele nos escapa entre osdedos outra vez! S falta agora 
a histria da fuga do hipogrifo vazar, para eu virarmotivo de pilhrias! Bom...  melhor eu ir notificar o Ministrio...
 E os dementadores?  disse Dumbledore.  Sero retiradosda escola, eu espero.
 Ah, claro, eles tero que se retirar  disse Fudge,passando os dedos, distraidamente, pelos cabelos.  Nunca sonhei quetentariam executar o beijoem um garoto 
inocente... Completamente descontrolado... No, mandareidespach-los de volta aAzkaban ainda hoje  noite... Talvez devssemos estudar a colocaode drages  
entrada da escola...
 Hagrid iria gostar  disse Dumbledore, sorrindo paraHarrye Hermione.
 Quando o diretor e Fudge iam saindo do quarto, Madame Pomfreycorreu at a porta e tornou a tranc-la. E resmungando, aborrecida,voltou  sua salinha.
Ouviu-se um gemido baixo na outra ponta da enfermaria. Ronyacordara. Eles o viram sentar-se, esfregar a cabea e olhar para todos oslados.
 Que... Que aconteceu?  gemeu ele.  Harry? Por queestamos aqui? Onde  que foi o Sirius? Onde  que foi o Lupin? Que estacontecendo?
Harry e Hermione se entreolharam.
 Voc explica  pediu Harry, servindo-se de mais umpedao de chocolate.
Quando Harry, Rony e Hermione deixaram a ala hospitalar ao meio-dia dodia seguinte, foi para encontrar um castelo quase deserto. O calorsufocante e o fim dos examessinalizavam 
que todos estavam aproveitando ao mximo mais uma visita aHogsmeade. Nem Rony nem Hermione, porm, tiveram vontade de ir, assim, osdois e Harry perambularampelos 
jardins, ainda discutindo os acontecimentos extraordinrios danoite anterior e se perguntando onde estariam Sirius e Bicuo naquelahora. Sentados perto dolago, 
observando a lula gigante agitar preguiosamente seus tentculos superfcie das guas, Harry perdeu o fio da conversa contemplando amargem oposta do lago. O cervo 
galopara em sua direo ali, ainda na noite anterior...
Uma sombra caiu sobre eles e, ao olharem, depararam com um Hagridde olhos muito vermelhos, enxugando o rosto mido de suor com um leno dotamanho de umatoalha 
de mesa, e sorrindo para os trs.
 Sei que no devia me sentir feliz depois do queaconteceu ontem  noite  disse ele.  Quero dizer, a novafuga de Black e tudo o mais, mas sabemde uma coisa?
 O qu?  perguntaram os garotos em coro, fingindocuriosidade.
 Bicuo! Ele fugiu! Est livre! Passei a noite todafestejando!
 Que fantstico!  exclamou Hermione lanando a Rony umolhar de censura porque ele parecia prestes a cair na risada.
 ... No devo ter amarrado ele direito  concluiu Hagrid,apreciando os jardins.  Estive preocupado hoje de manh, vejam bem... Achei que ele podia ter topado 
com o Prof. Lupin por a,mas o professor disse que no comeu nada ontem  noite...
 Qu?  perguntou Harry depressa.
 Caramba, vocs no souberam?  disse Hagrid, o sorrisose desfazendo. Em seguida, baixou a voz, ainda que no houvesse ningum vista. Hum... Snape anunciou 
para os alunos da Sonserina hoje de manh... Achei que, aessa altura, todo mundo j soubesse... OProf. Lupin  Lobisomen, entendem. E esteve soltona propriedade 
ontem  noite. Ele est fazendo as malas agora,  claro.
 Ele est fazendo as malas?  repetiu Harry alarmado. Por qu?
 Vai embora, no ?  disse Hagrid, parecendo surpresoque Harry tivesse feito uma pergunta daquela.  Pediu demisso logode manh. Diz que no pode arriscar que 
isto acontea de novo.
Harry levantou-se depressa.
 Vou ver o professor  avisou a Rony e Hermione.
 Mas se ele se demitiu...
 ... Parece que no h nada que a gente possa fazer...
 No faz diferena. Continuo querendo ver o professor. Encontro vocs aqui depois.
A porta da sala de Lupin estava aberta. O professor j guardara a maiorparte dos seus pertences. O tanque vazio do grindylow estava ao lado desua mala surrada,aberta 
e quase cheia. Lupin curvava-se sobre alguma coisa em suaescrivaninha e ergueu a cabea quando Harry bateu na porta.
 Vi-o chegando  disse Lupin com um sorriso. E apontoupara o pergaminho que estivera examinando. Era o Mapa doMaroto.
 Acabei de encontrar Hagrid  disse Harry.  E soube deleque o senhor pediu demisso. No  verdade, ?
 Receio que seja.  Lupin comeou a abrir as gavetas daescrivaninha e a esvazi-las.
 Por qu?  perguntou Harry.  O Ministrio da Magia noest achando que o senhor ajudou Sirius, est?
Lupin foi at a porta e fechou-a.
 No. O Prof. Dumbledore conseguiu convencer Fudge que euestava tentando salvar as vidas de vocs.  Ele suspirou.  Isso foi agota d"gua paraSevero. Acho 
que a perda da Ordem de Merlim o deixou muito abalado. Entoele... Hum... Acidentalmente deixou escapar hoje, no caf da manh, queeu era Lobisomen.
 O senhor no est indo embora s por causa disso! espantou-se Harry.
Lupin sorriu enviesado.
 Amanh a essa hora, vo comear a chegar as corujas dos pais... Eles no vo querer um Lobisomen ensinando a seus filhos,Harry. E depois de ontem  noite,eu 
entendo. Eu poderia ter mordido um de vocs... Isto no pode voltar aacontecer nunca mais.
 O senhor  o melhor professor de Defesa contra as ArtesdasTrevas que j tivemos!  disse Harry.  No v embora!
Lupin sacudiu a cabea e ficou calado. Continuou a esvaziar asgavetas. Ento, enquanto Harry tentava pensar em um bom argumento paraconvenc-lo a ficar, Lupin 
falou:
 Pelo que o diretor me contou hoje de manh, vocssalvaram muitas vidas ontem  noite, Harry. Se eu tenho orgulho de algumacoisa que fiz esteano, foi o muito 
que voc aprendeu comigo... Me conte sobre o seuPatrono.
 Como  que o senhor soube?  perguntou Harry espantado.
 Que mais poderia ter afugentado os dementadores?
Harry contou a Lupin o que acontecera. Quando terminou, oprofessor voltara a sorrir.
 , seu pai se transformava sempre em cervo. Vocacertou... ɠpor isso que o chamvamos de Pontas.
Lupin jogou seus ltimos livros em uma caixa, fechou as gavetasda escrivaninha e virou-se para fitar Harry.
 Tome, trouxe isto da Casa dos Gritos ontem  noite disse, devolvendo a Harry a Capa da Invisibilidade.  E...  ele hesitoue em seguida devolveuo Mapa do Maroto 
tambm.  No sou mais seu professor, por isso no mesinto culpado por lhe devolver isso tambm. No serve para mim, e mearrisco a dizer que voc,Rony e Hermione 
vo encontrar utilidade para o mapa.
Harry recebeu o mapa e sorriu.
 O senhor me disse que Aluado, Rabicho, Almofadinhas ePontas tinham querido me atrair para fora da escola... O senhordisse que eles teriam achado graa.
 E teramos  respondeu Lupin, abaixando-se para fechar amala.  No tenho dvida em afirmar que Tiago teria ficado muitssimodesapontado seo filho dele jamais 
descobrisse as passagens secretas para fora docastelo.
Ouviu-se uma batida na porta. Harry guardou apressadamente o Mapado Maroto e a Capa da Invisibilidade no bolso.
Era o Prof. Dumbledore. Ele no pareceu surpreso de encontrarHarry ali.
 O seu coche j est no porto, Remo  anunciou ele.
 Obrigado, diretor.
Lupin apanhou sua velha mala e o tanque vazio do grindylow.
 Bom... Adeus, Harry  disse sorrindo.  Foi realmente umprazer ser seu professor. Tenho certeza de que voltaremos a nosencontrar. Diretor, noprecisa me acompanhar 
at o porto, posso me arranjar...
Harry teve a impresso de que Lupin queria sair o mais rpidopossvel.
 Adeus, ento, Remo  disse Dumbledore srio. Lupinempurrou ligeiramente o tanque do grindylow para poder apertar amo de Dumbledore. Ento, com um ltimo aceno 
para Harry eum breve sorriso, Lupin saiu da sala.
Harry se sentou na cadeira desocupada, olhando tristementepara o cho. Ouviu a porta se fechar e ergueu a cabea. Dumbledorecontinuava na sala.
 Por que to infeliz, Harry?  perguntou em voz baixa. Voc deveria estar se sentindo muito orgulhoso depois do que fez  noitepassada.
 No fez nenhuma diferena  disse Harry com amargura. Pettigrew conseguiu fugir.
 No fez nenhuma diferena?  repetiu Dumbledorebaixinho.  Fez toda a diferena do mundo, Harry voc ajudou a desvendar a verdade. Salvou um homem inocente de 
um destino terrvel. 
Terrvel. A palavra despertou uma lembrana na cabea deHarry. Maior e mais terrvel que nunca... A predio da Prof. Trelawney!
 Prof. Dumbledore, ontem, quando eu estava fazendo oexame de Adivinhao, a Prof. Trelawney ficou muito... Muitoestranha.
 Verdade?  disse o diretor.  Hum... Mais estranha doque de costume, voc quer dizer?
 ... A voz dela engrossou e os olhos giraram e elafalou... queo servo de Voldemort ia se juntar a ele antes da meia-noite... Disse queo servoia ajud-lo a 
voltar ao poder.  Harry ergueu os olhospara Dumbledore.  E ento ela meio que voltou ao normal, mas noconseguiu se lembrar de nada que tinha falado. Era... 
Ela estava fazendouma predio de verdade?
Dumbledore pareceu levemente impressionado.
 Sabe, Harry, acho que talvez estivesse  dissepensativo.  Quem teria imaginado? Isso eleva para duas o total depredies verdadeiras que elaj fez. Eu devia 
dar  professora um aumento de salrio...
 Mas...  Harry olhou, perplexo, para o diretor. Como que Dumbledore podia ouvir uma notcia dessas com tanta calma?  Mas... Eu impedi Sirius e o Prof. Lupin 
de mataremPettigrew! Assim vai ser minha culpa se Voldemort voltar!
 No vai, no  disse Dumbledore em voz baixa.  A suaexperincia com o Vira-Tempo no lhe ensinou nada, Harry? Asconseqncias de nossos atosso sempre to 
complexas, to diversas, que predizer o futuro  umatarefa realmente difcil... A Prof. Trelawney, abenoada seja,  a provaviva disso... Voc teveum gesto muito 
nobre salvando a vida de Pettigrew...
 Mas se ele ajudar Voldemort a voltar ao poder...
 Pettigrew lhe deve a vida. Voc mandou a Voldemort umemissrio que est em dvida com voc... Quando um bruxo salva a vida deoutro, forma-se umcerto vnculo 
entre os dois... E estarei muito enganado se Voldemortaceitar um servo em dvida com Harry Potter.
 Eu no quero ter nenhum vnculo com Pettigrew! exclamou Harry.  Ele traiu os meus pais!
 Assim  a magia no que ela tem de mais profundo eimpenetrvel, Harry. Mas confie em mim... Quem sabe um dia voc sealegrar por ter salvado avida de Pettigrew.
Harry no conseguiu imaginar quando seria isso. Dumbledoreparecia ter adivinhado o que o garoto estava pensando.
 Conheci seu pai muito bem, tanto em Hogwarts quantodepois, Harry  disse o diretor com carinho.  Tiago teria salvadoPettigrew tambm, tenho certeza.
Harry olhou para o diretor. Dumbledore no riria, podia lhecontar...
 Ontem  noite, eu pensei que tinha sido o meu pai que tinhaconjurado o meu Patrono. Quero dizer, pensei que estava vendo ele quandome vi atravessando o lago...
 Um engano normal  disse Dumbledore gentilmente. Imagino que j esteja cansado de ouvir dizer, mas voc extraordinariamente parecido com Tiago. Exceto nos 
olhos... Voc tem os olhos de sua me.
Harry sacudiu a cabea.
 Foi burrice minha pensar que era ele  murmurou ogaroto.  Quero dizer, eu sei que ele est morto.
 Voc acha que os mortos que amamos realmente nos deixam? Voc acha que no nos lembramos deles ainda mais claramente em momentosde grandes dificuldades? O seu 
pai vive em voc, Harry, e se revela mais claramente quando vocprecisa dele. De que outra forma voc poderia produzir aquele Patrono? Pontas reapareceu ontem 
noite.
Levou um momento para Harry compreender o que Dumbledore acabarade dizer.
 Ontem  noite Sirius me contou como eles se tornaramAnimagos  disse o diretor sorrindo.  Uma realizao fantstica, e no menos fantsticoque tenham ocultado 
isso de mim. Ento me lembrei da forma muito incomumque o seu Patrono assumiu, quando investiu contra o Sr. Malfoy na partidade Quadribol contraCorvinal.  Sabe, 
Harry, de certa forma voc realmente viu o seu pai ontem noite... Voc o encontrou dentro de si mesmo.
E Dumbledore saiu da sala deixando Harry com seus pensamentosmuito confusos.
Ningum em Hogwarts sabia a verdade do que acontecera na noite em queSirius, Bicuo e Pettigrew desapareceram, exceto Harry, Rony, Hermione eo Prof. Dumbledore.
 medida que o trimestre foi chegando ao fim, Harry ouviu muitas teoriasdiferentes sobre o que realmente acontecera, mas nenhuma delas sequer seaproximava da verdadeira.
Malfoy estava enfurecido com a fuga de Bicuo. Acreditava queHagrid encontrara um jeito de contrabandear o hipogrifo para um lugarseguro, e parecia indignadoque 
ele e o pai tivessem sido enganados por um guarda-caa. Entrementes,Percy Weasley tinha muito a dizer sobre a fuga de Sirius.
 Se eu conseguir entrar para o ministrio, apresentareivrias propostas sobre a execuo das leis da magia!  disse ele  nicapessoa que queria escut-lo, sua 
namoradinha Penelope.
Embora o tempo estivesse perfeito, embora a atmosfera estivesseto animada, embora ele soubesse que tinham realizado quase o impossvelao ajudar Siriusa continuar 
livre, Harry jamais chegara to desanimado a um final de anoletivo.
Com certeza no era o nico aluno que lamentava a partida doProf. Lupin. A turma inteira de Defesa contra as Artes das Trevasamargara a demisso do professor.
 Quem ser que vo nos dar o ano que vem?  perguntouSimas Finnigan deprimido.
 Quem sabe um vampiro  sugeriu Dino Thomas esperanoso.
No era apenas a partida do Prof. Lupin que estava pesando nacabea de Harry. Ele no podia deixar de pensar, e muito, na predio daProf. Sibila Trelawney.
Ficava imaginando onde estaria Pettigrew, se j teria procurado guaridacom Voldemort. Mas o que mais deprimia o nimo de Harry era a perspectivade regressar casa 
dos Dursley. Durante talvez meia hora, uma gloriosa meia hora,acreditara que iria passar a morar com Sirius... O melhor amigo dos seuspais... Seria a segundamelhor 
coisa do mundo depois de ter o seu pai de volta. E ainda que noter notcias de Sirius Black fosse decididamente uma boa notcia, poissignificava que eleconseguira 
se esconder com sucesso, Harry no podia deixar de seentristecer quando pensava no lar que poderia ter tido e na circunstnciade isso ter se tornadoimpossvel.
Os resultados dos exames foram divulgados no ltimo dia do anoletivo. Harry, Rony e Hermione tinham passado em todas as matrias. Harryse admirou de terse dado 
bem em Poes. Suspeitava, muito perspicazmente, que Dumbledoretalvez tivesse interferido para impedir Snape de reprov-lo de propsito.
O comportamentode Snape com relao a Harry na ltima semana tinha sido alarmante. Ogaroto no teria achado possvel que a averso do professor por elepudesse 
aumentar, mas semdvida isto acontecera. Um msculo tremia incomodamente no canto da bocafina de Snape toda vez que ele olhava para Harry, e o bruxo flexionava 
osdedos todo o tempo,como se eles comichassem para apertar o pescoo de Harry.
Percy conseguira excelentes notas nos exames de N.I.E.M.s(nveis incrivelmente exaustivos em magia); Fred e Jorge passaramraspando nos exames para obter seus 
N.O.M.s (nveis ordinrios emmagia). Entrementes, a casa de Grifinria, em grande parte graas aoseu espetacular desempenho na conquista da Taa de Quadribol,ganhara 
o Campeonato das Casas, pelo terceiro ano consecutivo.
Isto significou que a festa de encerramento do ano letivo se realizou emmeio a decoraes vermelhas e douradas, e que, na comemorao geral, amesa da Grifinriafoi 
a mais barulhenta do Salo. At Harry enquanto comia, bebia,conversava e ria com todos, conseguira esquecer a viagem de regresso casa dos Dursley no dia seguinte.
Quando o Expresso de Hogwarts deixou a estao na manh seguinte,Hermione comunicou a Harry e a Rony uma notcia surpreendente.
 Fui ver a Prof. McGonagall hoje de manh, pouco antesdo caf. Resolvi abandonar Estudos dos Trouxas.
 Mas voc passou na prova com trezentos e vinte porcento!  exclamou Rony.
 Eu sei  suspirou Hermione , mas no vou poder viveroutro ano igual a este. Aquele Vira-Tempo estava me levando  loucura. Euo devolvi. Sem Estudosdos Trouxas 
e Adivinhao, vou poder ter um horrio normal outra vez.
 Ainda no consigo acreditar que voc no tenha nos contado. Pensvamos que ramos seus amigos.
 Prometi que no contaria a ningum  disse Hermione comseveridade.
Ela se virou para olhar para Harry, que observava Hogwartsdesaparecer de vista por trs de um morro. Dois meses inteiros atpoder rev-la...
 Ah, se anima, Harry!  disse Hermione triste.
 Eu estou bem  se apressou o garoto a dizer.  Estou spensando nas frias.
 , eu tambm tenho pensado nelas  disse Rony.  Harryvoc tem que vir ficar conosco. Vou combinar com mame e papai,depois te ligo. Agora j sei usar um feletone...
 Um telefone, Rony  corrigiu-o Hermione.  Sinceramente,voc  quem devia fazer Estudos dos Trouxas no ano que vem...
Rony fingiu que no tinha ouvido o comentrio.
 Vai haver a Copa Mundial de Quadribol agora no vero! Que  que voc acha, Harry? Vem ficar com a gente e a podemosassistir aos jogos! Papai geralmente arranja 
entradas no ministrio.
Esta proposta teve o efeito de animar Harry bastante.
 .. Aposto que os Dursley iriam gostar que eu fosse,principalmente depois do que fiz com a tia Guida...
Sentindo-se bem mais alegre, Harry jogou vrias partidas de SnapExplosivo com Rony e Hermione e, quando a bruxa com a carrocinha delanches chegou, elecomprou 
uma enorme refeio, mas nada que tivesse chocolate.
Mas a tarde j ia avanada quando aconteceu a coisa que o deixourealmente feliz...
 Harry  chamou-o Hermione de repente, espiando por cima do seuombro.  Que  essa coisa do lado de fora da sua janela?
Harry se virou para olhar. Havia uma coisa muito pequena ecinzenta que aparecia e desaparecia de vista do lado de fora da janela.
Ele se levantou para vermelhor e concluiu que era uma coruja minscula, carregando uma cartademasiado grande para o seu tamanho. A coruja era to pequena, narealidade, 
que no paravade dar cambalhotas no ar, impelida para c e para l pelo deslocamento dear do trem. Harry baixou depressa a janela, esticou o brao e recolheu-a.
Ao tato, elalembrava um pomo de ouro muito fofo. O garoto recolheu a corujacuidadosamente pra dentro. A ave deixou cair a carta no banco e comeou avoar pela 
cabine dos garotos,aparentemente muito satisfeita consigo mesma por ter se desincumbido desua tarefa. Edwiges deu um estalo com o bico numa espcie de dignacensura. 
Bichento se aprumouno assento, acompanhando a coruja com os seus enormes olhos amarelos.
Rony, reparando nisso, segurou a coruja para proteg-la do perigoiminente.
Harry apanhou a carta. Vinha endereada a ele. O garoto abriua carta e gritou:
  do Sirius!
 Qu?  exclamaram Rony e Hermione excitados.  Leia em vozalta!

Caro Harry,
Espero que esta o encontre antes de voc chegar  casa dos seustios. No sei se eles esto acostumados com correios-coruja.
Bicuo e eu estamos escondidos. No vou lhe dizer onde, casoesta coruja caia em mos indesejveis. Tenho minhas dvidas seela  confivel, mas foi a melhor que 
consegui encontrare mepareceu ansiosa para se encarregar da entrega.
Acredito que os dementadores ainda estejam me procurando,mas eles no tm a menor esperana de me encontrar aqui. Estou planejandodeixar os trouxas me verem em 
breve, muito longe deHogwarts, de modo que a segurana sobre o castelo seja relaxada.
H uma coisa que no cheguei a lhe dizer durante o nossobreve encontro. Fui eu que lhe mandei a Firebolt...

 Ah!  exclamou Hermione triunfante.  Esto vendo! Eu disse avocs que tinha sido ele!

, mas ele no tinha enfeitiado a vassoura, tinha?  retrucouRony.  Ai!  A corujinha, agora piando feliz em sua mo, bicava-lhe umdedo, no que parecia ser uma 
demonstrao de carinho.

...Bichento levou a ordem de compra  Agncia-Coruja para mim.
Usei o seu nome, mas mandei sacarem o ouro do meu cofre emGringotes. Por favor, considere a vassoura o equivalente a trezeanos de presentes do seu padrinho.
Gostaria tambm de me desculpar pelo susto que lhe dei quelanoite, no anopassado, quando voc abandonou a casa do seu tio. Minha esperana eraapenasdar uma 
olhada em voc antes de iniciar viagem para o norte, mas acho quea minha apario o assustou.
Estou anexando outro presente para voc, e acho que ele tornar oseu prximo ano em Hogwarts mais prazeroso.
Se algum dia precisar de mim, mande me dizer. Sua corujame encontrar.
Escreverei novamente em breve.
Sirius.

Harry espiou ansioso dentro do envelope. Havia outro pedao depergaminho. Examinou-o depressa e se sentiu inesperadamente aquecido esatisfeito como se tivessebebido 
uma garrafa de cerveja amanteigada quente, de um gole s.

Pela presente, eu, Sirius Black, padrinho de Harry Potter, dou-lhepermisso para visitar Hogsmeade nos fins de semana.

 Dumbledore vai aceitar esta autorizao!  exclamou Harryalegremente. O garoto tornou a olhar para a carta de Sirius.
Espera a, tem um P.S.

Achei que o seu amigo Rony talvez quisesse ficar com a coruja, pois minha culpa que ele no tenha mais um rato.

Os olhos de Rony se arregalaram. A corujinha continuava a piaragitada.
 Ficar com a coruja?  perguntou o garoto hesitante. Elemirou a ave um momento; depois, para grande surpresa de Harry eHermione, ofereceu-a para Bichento cheirar.
 Qual  a sua avaliao?  perguntou Rony ao gato.  Isto decididamente uma coruja?
Bichento ronronou.
 Para mim  o suficiente  disse Rony feliz.   minha.
Harry leu e releu a carta de Sirius at a estao de King'sCross. E continuava a apert-la na mo quando ele, Rony e Hermionepassaram a barreira da plataforma9 
e . Harry localizou o tio Vlter imediatamente. Estava parado auma boa distncia do Sr. e da Sra. Weasley, espiando-os desconfiado, e,quando a Sra. Weasleyabraou 
Harry, as piores suspeitas do tio a respeito do casal pareceramseconfirmar.
 Eu ligo para falar da Copa Mundial!  gritou Rony paraHarry quando o amigo acenou um adeus para ele e Hermione, e saiuempurrando o carrinho comsua mala e a 
gaiola de Edwiges em direo ao tio, que o cumprimentou damaneira habitual.
 Que  isso?  rosnou, olhando para o envelope que Harryainda segurava na mo.  Se  outro formulrio para eu assinar,pode tirar o cavalinho...
 No , no  respondeu Harry alegremente.   uma cartado meu padrinho.
 Padrinho?  engasgou o tio Vlter.  Voc no tempadrinho!
 Tenho, sim  respondeu Harry animado.  Era o melhoramigo da minha me e do meu pai. E  um assassino condenado, mas fugiu dapriso dos bruxose est foragido. 
Mas ele gosta de manter contato comigo... Saber dasminhas notcias... Verificar se estou feliz...
E, abrindo um largo sorriso ao ver a cara de horror do tioVlter, Harry rumou para a sada da estao, Edwiges chocalhando frente, para o que prometia ser um 
vero muito melhor do que oanterior.

FIM.
